{"id":4513,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/d-jose-policarpo-e-eduardo-prado-coelho-frente-a-frente-na-universidade-catolica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"d-jose-policarpo-e-eduardo-prado-coelho-frente-a-frente-na-universidade-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-jose-policarpo-e-eduardo-prado-coelho-frente-a-frente-na-universidade-catolica\/","title":{"rendered":"D. Jos\u00e9 Policarpo e Eduardo Prado Coelho frente a frente, na Universidade Cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p>Recorde os grandes momentos dos &#8220;Di\u00e1logos sobre a F\u00e9&#8221; <!--more--> D. Jos\u00e9 Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, e Eduardo Prado Coelho v\u00e3o encontrar-se, frente a frente, para um debate que retoma a din\u00e2mica iniciada com a troca de cartas sobre quest\u00f5es da f\u00e9 publicadas \u201cDi\u00e1rio de Not\u00edcias\u201d. O debate realiza-se a 20 de Fevereiro, na UCP, em Lisboa, integrado na semana cultural promovida pela institui\u00e7\u00e3o de 16 a 20 deste m\u00eas. O encontro tem como t\u00edtulo \u201cDebates contempor\u00e2neos\u201d e \u00e9 aguardado com grande expectativa, ap\u00f3s as seis cartas em que os intervenientes deram vida a um not\u00e1vel di\u00e1logo cultural. Entre 2 de Novembro e 7 de Dezembro temas como o celibato, a exclus\u00e3o das mulheres, o sofrimento, o Para\u00edso e o inferno ou o lugar da Igreja na sociedade estiveram em destaque. Pelas 21h30 do pr\u00f3ximo dia 20, com a modera\u00e7\u00e3o de Ramos Pinheiro (director de informa\u00e7\u00e3o da RR), o debate \u201csem redes protectoras\u201d vai continuar. Nesse mesmo dia ser\u00e1 apresentado o livro que re\u00fane as seis cartas no DN.  PRIMEIROS DESAFIOS O debate come\u00e7ou com a publica\u00e7\u00e3o da carta assinada por Eduardo Prado Coelho. Ex-militante do Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP), Prado Coelho recorda a rela\u00e7\u00e3o da sua fam\u00edlia com a religi\u00e3o e confessa as suas perplexidades sobre o assunto. Eduardo Prado Coelho termina assim a primeira carta: \u201ccontinua-se a acreditar em Deus, mas cada vez menos como pessoa e cada vez mais como abstrac\u00e7\u00e3o. E existe crescentemente uma leitura imanentista da religi\u00e3o, vista como difusa mensagem de esperan\u00e7a e felicidade, onde no\u00e7\u00f5es como o diabo ou o inferno n\u00e3o fazem qualquer sentido\u201d. \u201cTem a Igreja a no\u00e7\u00e3o desta evolu\u00e7\u00e3o? Considera-a um mal e tenta contrari\u00e1-la? Considera-a como algo de positivo que se poder\u00e1 aproveitar para alargar a influ\u00eancia? Tem uma estrat\u00e9gia ofensiva face a ela? Ou v\u00ea nesta lenta mas manifesta descristianiza\u00e7\u00e3o uma decad\u00eancia inexor\u00e1vel? Sente o seu destino associado \u00e0 crise das grandes narrativas (e nesse caso assistir\u00edamos \u00e0 vagarosa mas inflex\u00edvel eros\u00e3o do comunismo e do catolicismo, do tomismo e do marxismo)?\u201d, pergunta.  O CELIBATO NA IGREJA O Cardeal Patriarca de Lisboa saiu em defesa do celibato, na primeira carta que escreveu para os \u201cDi\u00e1logos sobre a f\u00e9\u201d. Para D. Jos\u00e9 Policarpo, \u201cest\u00e1 em quest\u00e3o a vida de centenas de milhares de homens e mulheres que, no mundo de hoje, acreditaram na utopia de uma outra viv\u00eancia da sexualidade e da ternura, e que s\u00e3o na sociedade, sobretudo junto dos mais fracos, os pobres e os doentes, express\u00e3o de bondade, de servi\u00e7o, de gratuidade, de amor\u201d. A carta de resposta a Eduardo Prado Coelho mostrou mesmo um tom crispado quando o Patriarca pede que este \u201cn\u00e3o chame hip\u00f3crita a quem n\u00e3o desiste, apesar da sua fragilidade\u201d e que n\u00e3o fale do celibato nesses termos. No escrito fica ainda a promessa de \u201ctratamento mais aprofundado, noutra carta.\u201d A carta do Patriarca d\u00e1 um grande valor ao di\u00e1logo entre todos os homens, \u201cdimens\u00e3o importante na forma\u00e7\u00e3o da minha gera\u00e7\u00e3o de jovens cat\u00f3licos, que vivemos apaixonadamente o Conc\u00edlio Vaticano II\u201d e assegura que \u201csempre acreditei que os homens se podem entender\u201d. \u201cHoje, num momento em que o mundo est\u00e1 \u00e0 beira de um conflito de civiliza\u00e7\u00f5es, o di\u00e1logo inter-cultural e inter-religioso, continua a aparecer-me como a \u00fanica sa\u00edda digna do homem\u201d, real\u00e7a D. Jos\u00e9 Policarpo. O Cardeal destaca ainda a capacidade da f\u00e9 crist\u00e3 em abrir-se ao outro e lamenta que capacidade de crente gere uma maior abertura ao di\u00e1logo do que aquela que D. Jos\u00e9 diz encontrar nos seus poss\u00edveis interlocutores, ateus, descrentes, crentes de outras religi\u00f5es. Falando sobre a rela\u00e7\u00e3o entre racionalidade e f\u00e9, D. Jos\u00e9 Policarpo vinca que \u201cDeus, na nossa vida, n\u00e3o \u00e9 uma conclus\u00e3o, \u00e9 um acontecimento, que adquire, frequentemente, a radicalidade do inesperado. Jesus, no Evangelho, compara esse acontecimento surpreendente ao inopinado de um ladr\u00e3o que assalta a casa\u201d. \u201cEncetar a caminhada da f\u00e9 \u00e9 iniciar um caminho de mudan\u00e7a de vida. Mas essa \u00e9 uma longa caminhada\u201d, acrescenta.  PARA\u00cdSO E INFERNO O Cardeal Patriarca de Lisboa considerou que os conceitos de Para\u00edso, purgat\u00f3rio e inferno s\u00e3o essenciais para entender \u201co destino eterno do homem e o sentido da exist\u00eancia depois da morte\u201d. D. Jos\u00e9 Policarpo respondeu assim a Eduardo Prado Coelho, na segunda troca de cartas, em rela\u00e7\u00e3o ao que este considerava ser \u201ca tralha figurativa da religi\u00e3o\u201d. \u201cParece-me imposs\u00edvel acreditar em Deus, sem acreditar na vida eterna. E a\u00ed a pe\u00e7a mais preciosa desse tesouro de fam\u00edlia \u00e9 a esperan\u00e7a do Para\u00edso, como plenitude de vida, dada por Deus e partilhada com Deus, em Jesus Cristo. O inferno \u00e9 apenas a afirma\u00e7\u00e3o do Para\u00edso como escolha livre do homem; o purgat\u00f3rio, como a pr\u00f3pria palavra indica, anuncia a longa caminhada de purifica\u00e7\u00e3o exigida pelo Para\u00edso, purifica\u00e7\u00e3o essa que envolve a nossa pr\u00f3pria morte\u201d, escreve o Cardeal. Um outro tema em destaque na segunda carta de D. Jos\u00e9 foi o sentido do sacrif\u00edcio, que o Patriarca explica na perspectiva crist\u00e3, como express\u00e3o de um \u201camor generoso e gratuito\u201d. \u201cO sofrimento e a dor existem e acompanham inevitavelmente o homem no seu peregrinar da vida. Se ele \u00e9 apenas sofrido, torna-se negativo e, porventura, opressor; se ele for oferecido, tornado express\u00e3o de amor, ele torna-se fecundo e libertador\u201d, assegura. A possibilidade de algu\u00e9m n\u00e3o acreditar em todas estas verdades \u00e9 abordada por D. Jos\u00e9 Policarpo como parte do \u201cinsond\u00e1vel enigma do homem\u201d. Muitos n\u00e3o reconhecem a presen\u00e7a de Deus, ressalta, por causa \u201cda liberdade, da import\u00e2ncia da cultura envolvente em que nascemos e crescemos, das pessoas que encontr\u00e1mos e com quem convivemos\u201d.   POSI\u00c7\u00c3O SOBRE O SACERD\u00d3CIO No \u00faltimo escrito da iniciativa, o Cardeal Patriarca de Lisboa assegurou que a Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o alterar\u00e1 a sua posi\u00e7\u00e3o em mat\u00e9rias mais pol\u00e9micas ao ritmo da muta\u00e7\u00e3o cultural e sociol\u00f3gica. D. Jos\u00e9 Policarpo falou sobre a exclus\u00e3o das mulheres do minist\u00e9rio sacerdotal, do celibato dos sacerdotes e da \u00e9tica sexual da Igreja para vincar que quaisquer mudan\u00e7as nestas mat\u00e9rias devem nascer \u201cda Igreja toda, conduzida pelo Esp\u00edrito\u201d. Assumindo o desafio lan\u00e7ado por Eduardo Prado Coelho, D. Jos\u00e9 diz que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exclus\u00e3o das mulheres do minist\u00e9rio sacerdotal, o caminho que se est\u00e1 a fazer n\u00e3o \u00e9 o mais correcto: \u201ca maneira como este problema tem sido colocado, com sabor a reivindica\u00e7\u00e3o feminista, n\u00e3o \u00e9 o bom caminho para o colocar.  \u201cO minist\u00e9rio sacerdotal \u00e9 um dom que ningu\u00e9m deve reivindicar\u201d, explica. A hip\u00f3tese de a Igreja vir a chamar mulheres para este minist\u00e9rio teria de brotar, segundo o Patriarca, \u201cde uma matura\u00e7\u00e3o da Igreja toda\u201d, assumindo que uma decis\u00e3o precipitada nesse campo traria \u00e0 Igreja, como um todo, \u201ctens\u00f5es tais que seriam causa de divis\u00e3o.\u201d  Em rela\u00e7\u00e3o ao o celibato obrigat\u00f3rio para os sacerdotes D. Jos\u00e9 Policarpo vinca que \u201cesta \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o que, na sua g\u00e9nese, tem a marca do eterno e definitivo\u201d, pelo que a Igreja procura ajudar a todos os que fizeram essa escolha e permaneceram-lhe fi\u00e9is, analisando muito prudentemente as motiva\u00e7\u00f5es que podem aconselhar uma mudan\u00e7a de rumo.  \u201cEsta op\u00e7\u00e3o a Igreja poder\u00e1 mud\u00e1-la, quando, conduzida pelo Esp\u00edrito, o achar necess\u00e1rio e conveniente\u201d, refere. Um \u00faltimo ponto foi a an\u00e1lise a quest\u00f5es concretas que giram \u00e0 volta \u201cda sexualidade humana e do poss\u00edvel div\u00f3rcio entre o ensinamento da Igreja e a pr\u00e1tica generalizada dos homens e mulheres do nosso tempo.\u201d Nestas passagens o Patriarca d\u00e1 particular relevo ao conceito de \u201cternura\u201d e afirma que \u201ca Igreja n\u00e3o \u00e9 contra a sexualidade, mas sabe que ela n\u00e3o tem sentido sem a ternura e que uma e outra s\u00e3o flores que rapidamente murcham.\u201d D. Jos\u00e9 Policarpo destaca o minist\u00e9rio de Jo\u00e3o Paulo II neste campo, resumindo-o na \u201ccoragem de ser fiel, a tempo e a contratempo, \u00e0 exig\u00eancia do Evangelho.\u201d  \u201cElogiamo-lhe a coragem com que se op\u00f4s \u00e0 Guerra no Iraque ou com que denuncia as injusti\u00e7as do nosso mundo e esper\u00e1vamos que fosse tolerante para com a permissividade sexual, que nega a crian\u00e7as o direito de nascer, que magoa a inoc\u00eancia no crime da pedofilia, que torna milh\u00f5es de mulheres infelizes, porque violentadas, exploradas e mal amadas, que mata nos cora\u00e7\u00f5es jovens a beleza e a ternura do primeiro amor?\u201d, critica o Cardeal Patriarca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recorde os grandes momentos dos &#8220;Di\u00e1logos sobre a 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