{"id":45077,"date":"2010-05-05T12:55:04","date_gmt":"2010-05-05T12:55:04","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/05\/05\/luzes-e-sombras-da-musica-barroca-em-grandola\/"},"modified":"2010-05-05T12:55:04","modified_gmt":"2010-05-05T12:55:04","slug":"luzes-e-sombras-da-musica-barroca-em-grandola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/luzes-e-sombras-da-musica-barroca-em-grandola\/","title":{"rendered":"Luzes e sombras da m\u00fasica barroca em Gr\u00e2ndola"},"content":{"rendered":"<p>Depois de ter percorrido Santiago do Cac&eacute;m, Castro Verde, Almod&ocirc;var, Alvito e Beja, a sexta edi&ccedil;&atilde;o do Festival Terras sem Sombra de M&uacute;sica Sacra termina a sua edi&ccedil;&atilde;o de 2010 com um concerto do grupo Sete L&aacute;grimas na igreja matriz de Gr&acirc;ndola, no dia 8 de Maio, &agrave;s 21.30 horas.<\/p>\n<p>A iniciativa, levada a cabo em parceria com o apoio do munic&iacute;pio e da par&oacute;quia locais, subordina-se ao t&iacute;tulo &ldquo;Kleine Musik: M&uacute;sica de Heinrich Sch&uuml;tz e Ivan Moody&rdquo; e, fazendo justi&ccedil;a &agrave; tem&aacute;tica escolhida para o Festival no ano em curso, cruza a m&uacute;sica antiga com a cria&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea, num di&aacute;logo fecundo entre dois grandes mestres europeus.<\/p>\n<p>Heinrich Sch&uuml;tz (1585-1672) comp&ocirc;s, entre 1636 e 1639, duas s&eacute;ries de &ldquo;Pequenos Concertos Espirituais&rdquo; (&ldquo;Kleine geistliche Konzerte&rdquo;) para um grupo de uma a cinco vozes e baixo cont&iacute;nuo, que correspondem &agrave; atormentada espiritualidade de um per&iacute;odo de dor e sofrimento como foi o da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). As pequenas composi&ccedil;&otilde;es inspiraram-se em variadas fontes textuais, desde a tradu&ccedil;&atilde;o alem&atilde; ou latina do Antigo Testamento aos escritos de Santo Agostinho.<\/p>\n<p>Chamando a si a tradi&ccedil;&atilde;o da &ldquo;pequena m&uacute;sica&rdquo; do Barroco, os respons&aacute;veis pelo consort Sete L&aacute;grimas, tenores Filipe Faria e S&eacute;rgio Peixoto, decidiram tornar realidade um olhar actual sobre a obra do maior compositor alem&atilde;o do s&eacute;culo XVII partindo da mesma selec&ccedil;&atilde;o de textos que h&aacute; quatro s&eacute;culos estiveram na base da sua composi&ccedil;&atilde;o. Trata-se, como salientam, de &ldquo;um reflexo de processos criativos, n&atilde;o de linguagens &ndash; um encontro entre o novo e o antigo, um espelho de hoje,&rdquo; constru&iacute;do sobre a grande m&uacute;sica de ontem gra&ccedil;as &agrave; cumplicidade de Ivan Moody (nascido em 1964).<\/p>\n<p>Este, por seu turno, n&atilde;o esconde a satisfa&ccedil;&atilde;o por ter aceitado o convite, nada f&aacute;cil, que lhe endere&ccedil;aram. &ldquo;Sempre considerei extremamente impressionante a m&uacute;sica de Sch&uuml;tz. &Eacute; impressionante pela forma como contextualiza a exuber&acirc;ncia do Sul num tecido musical do Norte (marcado pela austeridade, em virtude das sequelas da guerra) &ndash; e como este estoicismo aparente esconde tanta riqueza espiritual&rdquo;.<\/p>\n<p>Moody, ali&aacute;s, frisa o ponto de partida da sua interven&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Reflectir como num espelho era uma ideia central do projecto, devendo ter-se presente que todos os espelhos distorcem; que ponto de partida criativo poder&aacute; ser mais rico do que o esfor&ccedil;o de reflectir e complementar um Mestre atrav&eacute;s de um &laquo;espelho em enigma&raquo;?&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Vinho Velho em Odres Novos<\/strong><\/p>\n<p>Sete L&aacute;grimas &eacute; um consort de m&uacute;sicos especializados em m&uacute;sica antiga e contempor&acirc;nea &ndash; dirigido pelos tenores Filipe Faria e S&eacute;rgio Peixoto &ndash; que explora a t&eacute;nue fronteira entre a m&uacute;sica erudita e as tradi&ccedil;&otilde;es seculares.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s intensa pesquisa, o grupo apresentou-se pela primeira vez, em 2000, com a estreia nacional do Primeiro Livro de Madrigais para Duas Vozes, de Thomas Morley (1595). Este repert&oacute;rio encerra em si a magia do Renascimento europeu, que fazia da m&uacute;sica e dos paradigmas cl&aacute;ssicos uma forma de arte nova apta a comunicar com o p&uacute;blico de um modo ainda n&atilde;o experimentado, e lan&ccedil;ou o mote para os projectos futuros do &ldquo;ensemble&rdquo;.<\/p>\n<p>Desde 2006 que Sete L&aacute;grimas &eacute; o grupo residente do Festival Terras sem Sombra. Em 2007 editou Lachrim&aelig; #1 (MU Records), que alcan&ccedil;ou enorme sucesso. Entre as iniciativas seguintes destaca-se Diaspora.pt, uma viagem em torno das rela&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas, conceptuais e lingu&iacute;sticas da m&uacute;sica dos pa&iacute;ses dos cinco continentes percorridos pelos Descobrimentos, pela secular di&aacute;spora cultural portuguesa e pela lusofonia. O grupo vem ainda desenvolvendo projectos de composi&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sica original e arranjos de m&uacute;sica antiga para o cinema, o teatro e a televis&atilde;o.<\/p>\n<p>A liga&ccedil;&atilde;o de Sete L&aacute;grimas ao Alentejo reflectiu-se no seu quarto trabalho discogr&aacute;fico, Sil&ecirc;ncio, com a estreia de trabalhos especialmente encomendadas aos compositores Ivan Moody, Andrew Smith e Jo&atilde;o Madureira, no &acirc;mbito da homenagem prestada a D. Manuel Franco Falc&atilde;o, bispo em&eacute;rito de Beja, por ocasi&atilde;o do 25.&ordm; anivers&aacute;rio do Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico [DPHA] da mesma Diocese.<\/p>\n<p>Este projecto de nova m&uacute;sica sacra para instrumentos antigos promove um olhar contempor&acirc;neo sobre a B&iacute;blia que resultou nas obras &ldquo;Genesis I-III&rdquo;, &ldquo;Lamentation I-III&rdquo; e &ldquo;Passio I-III&rdquo;, al&eacute;m de pe&ccedil;as da tradi&ccedil;&atilde;o medieval de Inglaterra e da R&uacute;ssia e das &ldquo;Cantigas de Santa Maria&rdquo;, de Afonso X. Foi considerado pela cr&iacute;tica como o melhor disco de m&uacute;sica cl&aacute;ssica editado em 2009.<\/p>\n<p><strong>Terras sem Sombra regista evolu&ccedil;&atilde;o positiva<\/strong><\/p>\n<p>O Festival de M&uacute;sica Sacra do Baixo Alentejo, promovido desde 2006 pelo servi&ccedil;o respons&aacute;vel pelo patrim&oacute;nio da Diocese de Beja e pela Arte das Musas, caracteriza-se por ser itinerante e ter lugar em alguns das principais igrejas hist&oacute;ricas da regi&atilde;o, visando a capta&ccedil;&atilde;o de um p&uacute;blico alargado, algo da maior import&acirc;ncia em terras que permanecem votadas a um esquecimento quase absoluto por parte dos principais circuitos da m&uacute;sica erudita portuguesa.<\/p>\n<p>Mas a iniciativa, pensada como uma &ldquo;pequena Hist&oacute;ria da M&uacute;sica&rdquo; e realizada com o apoio da Direc&ccedil;&atilde;o-Geral das Artes (Minist&eacute;rio da Cultura), da Delta e das autarquias dos concelhos visitados, tem outros tra&ccedil;os distintivos nos seus cromossomas.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; nossa preocupa&ccedil;&atilde;o oferecer palco a jovens int&eacute;rpretes e agrupamentos profissionais a quem o pa&iacute;s d&aacute; poucas oportunidades de actuarem entre n&oacute;s, embora muitos deles possuam carreiras internacionais&rdquo;, salienta Jos&eacute; Ant&oacute;nio Falc&atilde;o, director do DPHA. E acrescenta logo a seguir: &ldquo;a m&uacute;sica constitui um dos melhores aliados para dar vida a monumentos que enfrentam o problema do abandono e do esquecimento por parte das comunidades&rdquo;.<\/p>\n<p>De facto, o Festival tem ajudado a colocar o Alentejo no roteiro da m&uacute;sica internacional e est&aacute; a captar participantes n&atilde;o s&oacute; deste territ&oacute;rio mas tamb&eacute;m de outros pontos do pa&iacute;s e at&eacute; da vizinha Espanha. Os reflexos disto sentem-se em v&aacute;rios &acirc;mbitos, valorizando o turismo numa &eacute;poca baixa para a regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Segundo Falc&atilde;o, &ldquo;2010 veio consolidar a tend&ecirc;ncia, j&aacute; detectada em anos anteriores, para o alargamento da esfera geogr&aacute;fica do Festival; um ter&ccedil;o do nosso p&uacute;blico vem de outras regi&otilde;es, nomeadamente do Algarve, Grande Lisboa, Extremadura e Andaluzia, mas n&atilde;o &eacute; inusual a presen&ccedil;a de espectadores de Coimbra, Porto ou Madrid&rdquo;.<\/p>\n<p>Na edi&ccedil;&atilde;o que est&aacute; prestes a terminar contou-se sempre com &ldquo;casa cheia&rdquo;, apesar das condi&ccedil;&otilde;es atmosf&eacute;ricas terem sido, por vezes, adversas.<\/p>\n<p>Outro aspecto a real&ccedil;ar, de acordo com as entidades organizadoras, prende-se com a ades&atilde;o do p&uacute;blico jovem, o que levou a programar este ano um concerto pedag&oacute;gico &ndash; experi&ecirc;ncia que se pretende vir a repetir, &agrave; semelhan&ccedil;a de outras actividades do Festival, como as palestras e visitas que antecedem cada concerto ou a confer&ecirc;ncia de fundo, a cargo de especialistas em musicologia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de ter percorrido Santiago do Cac&eacute;m, Castro Verde, Almod&ocirc;var, Alvito e Beja, a sexta edi&ccedil;&atilde;o do Festival Terras sem Sombra de M&uacute;sica Sacra termina a sua edi&ccedil;&atilde;o de 2010 com um concerto do grupo Sete L&aacute;grimas na igreja matriz de Gr&acirc;ndola, no dia 8 de Maio, &agrave;s 21.30 horas. 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