{"id":45064,"date":"2010-05-04T13:15:34","date_gmt":"2010-05-04T13:15:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/05\/04\/bento-xvi-e-a-pastoral-social\/"},"modified":"2010-05-04T13:15:34","modified_gmt":"2010-05-04T13:15:34","slug":"bento-xvi-e-a-pastoral-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-e-a-pastoral-social\/","title":{"rendered":"Bento XVI e a Pastoral Social"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Dias da Silva, vogal da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz <!--more--> <\/p>\n<p>A visita do Papa &eacute; sempre um acontecimento, primariamente eclesial. &Eacute; uma oportunidade para a Igreja visitada se analisar e poder faz&ecirc;-lo em comunh&atilde;o com quem preside &agrave; unidade na caridade e tem como miss&atilde;o &ldquo;confirmar os seus irm&atilde;os na f&eacute;&rdquo;. Por isso, eu esperava que esta visita fosse sobretudo um tempo de trabalho pastoral dos respons&aacute;veis da Igreja &ndash; bispos, padres, religiosos e leigos &ndash; com o Papa para, em conjunto, procurarem solu&ccedil;&otilde;es para os desafios que se colocam hoje &agrave; nossa Igreja. Da&iacute; a minha estranheza ao verificar que, al&eacute;m dos Bispos, apenas os organismos da Pastoral Social se v&atilde;o encontrar com o Papa, que certamente deixar&aacute; palavras marcantes para a vida e a pr&aacute;tica de todos os participantes.<\/p>\n<p>Se muitos agentes da Pastoral Social est&atilde;o carenciados das palavras oportunas do Papa, muito mais o est&aacute; o Povo de Deus no seu conjunto. As comunidades crist&atilde;s n&atilde;o se t&ecirc;m assumindo ainda como o agente principal, n&atilde;o perceberam que o servi&ccedil;o da caridade, em igualdade com a liturgia e a catequese, &eacute; um dos pilares que suportam a miss&atilde;o da Igreja. At&eacute; se poderia ir mais longe: o servi&ccedil;o da caridade &eacute; o pilar que d&aacute; credibilidade aos outros dois.<\/p>\n<p>Isto mesmo diz o Papa: &ldquo;A natureza &iacute;ntima da Igreja exprime-se num tr&iacute;plice dever: an&uacute;ncio da Palavra de Deus, celebra&ccedil;&atilde;o dos Sacramentos, servi&ccedil;o da caridade. S&atilde;o deveres que se reclamam mutuamente, n&atilde;o podendo um ser separado dos outros. Para a Igreja, a caridade n&atilde;o &eacute; uma esp&eacute;cie de actividade de assist&ecirc;ncia social que se poderia mesmo deixar a outros, mas pertence &agrave; sua natureza, &eacute; express&atilde;o irrenunci&aacute;vel da sua pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia&rdquo; (DCE 25).<\/p>\n<p>Afirmada esta verdade fundamental, o Papa retira algumas ila&ccedil;&otilde;es. Primeira: a comunidade deve organizar-se e n&atilde;o ser uma manta de retalhos onde meia d&uacute;zia de pessoas ou grupos, muitas vezes sem articula&ccedil;&atilde;o, se esgotam em energia e inefic&aacute;cia pastoral: &ldquo;A Igreja, enquanto comunidade, deve praticar o amor. Consequ&ecirc;ncia disto &eacute; que o amor tem necessidade tamb&eacute;m de organiza&ccedil;&atilde;o enquanto pressuposto para um servi&ccedil;o comunit&aacute;rio ordenado&rdquo; (DCE 20). Em segundo lugar, alerta para o risco de converter a viv&ecirc;ncia do amor num mero exerc&iacute;cio assistencial, que sossega as consci&ecirc;ncias e camufla a realidade e as suas causas mais profundas: &ldquo;&Eacute; muito importante que a actividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e n&atilde;o se dissolva na organiza&ccedil;&atilde;o assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma&rdquo; (DCE 31).<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o &eacute; nada f&aacute;cil, dados os nossos h&aacute;bitos multisseculares, fazer esta convers&atilde;o. Por isso, o Papa faz propostas e sugest&otilde;es que, levadas a s&eacute;rio, rasgar&atilde;o os horizontes do servi&ccedil;o da caridade. &Eacute; evidente que h&aacute; uma primeira forma de actuar: a r&aacute;pida ajuda a quem est&aacute; em extrema dificuldade. N&atilde;o de qualquer maneira: &ldquo;segundo o modelo oferecido pela par&aacute;bola do bom Samaritano, a caridade crist&atilde; &eacute;, em primeiro lugar, simplesmente a resposta &agrave;quilo que, numa determinada situa&ccedil;&atilde;o, constitui a necessidade imediata: os famintos devem ser saciados, os nus vestidos, os doentes tratados para se curarem, os presos visitados&rdquo;.<\/p>\n<p>Este cuidado do outro est&aacute; ao alcance de qualquer um. No entanto h&aacute;, hoje, novas formas de pobreza, de car&ecirc;ncias, de exclus&otilde;es que exigem compet&ecirc;ncias adequadas. N&atilde;o basta, pois, o voluntarismo. &Eacute; preciso saber o que deve ser feito em cada situa&ccedil;&atilde;o concreta.<\/p>\n<p>Mas mesmo o saber t&eacute;cnico, dado pela intelig&ecirc;ncia, precisa de ser informado pela sabedoria, ditada pelo cora&ccedil;&atilde;o: &ldquo;A compet&ecirc;ncia profissional &eacute; uma primeira e fundamental necessidade, mas por si s&oacute; n&atilde;o basta. &Eacute; que se trata de seres humanos e estes necessitam sempre de algo mais que um tratamento apenas tecnicamente correcto: t&ecirc;m necessidade de humanidade, precisam da aten&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o. Todos os que trabalham nas institui&ccedil;&otilde;es caritativas da Igreja devem distinguir-se pelo facto de que n&atilde;o se limitam a executar habilidosamente a ac&ccedil;&atilde;o conveniente naquele momento, mas de que se dedicam ao outro com as aten&ccedil;&otilde;es sugeridas pelo cora&ccedil;&atilde;o, de modo que ele sinta a sua riqueza de humanidade. Por isso, para tais agentes, al&eacute;m da prepara&ccedil;&atilde;o profissional, requer-se tamb&eacute;m e sobretudo a &laquo;forma&ccedil;&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o&raquo;&rdquo; (DCE 31).<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jos&eacute; Dias da Silva, vogal da Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Dias da Silva, vogal da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,127,246,282,294],"class_list":["post-45064","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-liturgia","tag-pastoral-social","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45064\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}