{"id":45062,"date":"2010-05-04T13:14:15","date_gmt":"2010-05-04T13:14:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/05\/04\/bento-xvi-em-portugal-com-preocupacoes-sociais\/"},"modified":"2010-05-04T13:14:15","modified_gmt":"2010-05-04T13:14:15","slug":"bento-xvi-em-portugal-com-preocupacoes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-em-portugal-com-preocupacoes-sociais\/","title":{"rendered":"Bento XVI em Portugal com preocupa\u00e7\u00f5es sociais"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Lino Maia, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es de Solidariedade <!--more--> <\/p>\n<p>1. Entre os dias 11 e 14 de Maio, o Papa Bento XVI estar&aacute; em Portugal. Vem como peregrino. Para reavivar a f&eacute;, dinamizar a esperan&ccedil;a, revigorar a caridade e fortalecer a unidade. &acute;<\/p>\n<p>O programa da peregrina&ccedil;&atilde;o papal inclui: &ldquo;visita de cortesia ao Presidente da Rep&uacute;blica&rdquo;, encontro com o &ldquo;mundo da cultura&rdquo; e o &ldquo;Primeiro-Ministro&rdquo; e &ldquo;Santa Missa&rdquo;, em Lisboa, &ldquo;visita &agrave; Capelinha das Apari&ccedil;&otilde;es&rdquo;, &ldquo;celebra&ccedil;&atilde;o das V&eacute;speras&rdquo; com sacerdotes, &ldquo;b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o das velas&rdquo;, &ldquo;Santa Missa&rdquo; e encontro com as &ldquo;Organiza&ccedil;&otilde;es de Pastoral Social&rdquo; e com os &ldquo;Bispos de Portugal&rdquo;, em F&aacute;tima, e &ldquo;Santa Missa&rdquo; no Porto.<\/p>\n<p>N&atilde;o sendo a primeira visita papal a este Pa&iacute;s, por&eacute;m, &eacute; a primeira vez em que &eacute; inclu&iacute;do no programa um encontro especial com as organiza&ccedil;&otilde;es de pastoral social. Certamente para insistir na import&acirc;ncia do &ldquo;amor do pr&oacute;ximo&rdquo;, especialmente &ldquo;para com as vi&uacute;vas e os &oacute;rf&atilde;os, os presos, os doentes e necessitados de qualquer g&eacute;nero&rdquo;, que &ldquo;&eacute; um dever antes de mais para cada um dos fi&eacute;is, mas &eacute;-o tamb&eacute;m para a comunidade eclesial inteira, e isto a todos os seus n&iacute;veis: desde a comunidade local passando pela Igreja particular at&eacute; &agrave; Igreja universal na sua globalidade&rdquo;. Tamb&eacute;m para reafirmar que &ldquo;n&atilde;o precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que, segundo o princ&iacute;pio de subsidiariedade, reconhe&ccedil;a e apoie as iniciativas que nascem das diversas for&ccedil;as sociais e conjugam espontaneidade e proximidade aos homens carecidos de ajuda. A Igreja &eacute; uma destas for&ccedil;as vivas: nela pulsa a din&acirc;mica do amor suscitado pelo Esp&iacute;rito de Cristo. Este amor n&atilde;o oferece aos homens apenas uma ajuda material, mas tamb&eacute;m refrig&eacute;rio e cuidado para a alma&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. No encontro do Santo Padre com as Organiza&ccedil;&otilde;es da Pastoral Social estar&aacute; um significativo grupo de 308 dirigentes de outras tantas IPSS filiadas na CNIS, ligadas ou n&atilde;o &agrave; Igreja Cat&oacute;lica. Ali&aacute;s, espelhando fielmente aquilo que, desde os seus alvores, &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o representativa das IPSS, em que nas suas quase 2.700 Institui&ccedil;&otilde;es h&aacute; IPSS de erec&ccedil;&atilde;o can&oacute;nica (41%), Institui&ccedil;&otilde;es de outras Igrejas e Institui&ccedil;&otilde;es laicas ou n&atilde;o confessionais numa harmoniosa comunh&atilde;o. Curiosamente, os primeiros dirigentes a manifestarem vontade de marcar presen&ccedil;a no encontro com o Santo Padre foram precisamente dirigentes de outras Igrejas e dirigentes sem op&ccedil;&atilde;o religiosa ou sem qualquer refer&ecirc;ncia de transcendentalidade. Evidentemente, tamb&eacute;m, e em bom n&uacute;mero, os dirigentes de Institui&ccedil;&otilde;es de erec&ccedil;&atilde;o can&oacute;nica querem estar e v&atilde;o estar onde certamente devem estar. O Santo Padre sentir-se-&aacute; em boa companhia e todos muito beneficiar&atilde;o com o seu pensamento e com o seu magist&eacute;rio apost&oacute;lico.<\/p>\n<p>Na grande pluralidade e na firme coes&atilde;o tamb&eacute;m radica a for&ccedil;a da CNIS: espa&ccedil;o de todos para um servi&ccedil;o a todos e uma voz mais aud&iacute;vel num mundo carecido de vozes cred&iacute;veis e fortes. Isso n&atilde;o significa que, pelo n&uacute;mero e pela especificidade, n&atilde;o seja chegada a altura de se justificar uma federa&ccedil;&atilde;o de centros sociais paroquiais ou de institui&ccedil;&otilde;es de erec&ccedil;&atilde;o can&oacute;nica. At&eacute; para defesa da matriz que as individualiza no contexto da solidariedade social. Mas o estarem numa organiza&ccedil;&atilde;o como a CNIS todas estas Institui&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; Igreja com outras Institui&ccedil;&otilde;es, &eacute; mutuamente vantajoso. Da matriz personalista e crist&atilde; em que umas s&atilde;o arautos, todas beneficiam; da matriz qualificativa e organizativa em que outras se arvoram, todas lucram. E, inequivocamente, a presen&ccedil;a de todas numa organiza&ccedil;&atilde;o como a CNIS, d&aacute; mais for&ccedil;a &agrave; solidariedade e d&aacute; mais solidariedade &agrave; for&ccedil;a. O que, por um lado, une transversalmente todas estas Institui&ccedil;&otilde;es &eacute; a abertura para o todo e para o infinito que faz com que o ser humano seja humano; simultaneamente, o que tamb&eacute;m aproxima &eacute; a certeza de que o homem &eacute; homem porque se ultrapassa infinitamente a si mesmo, e por isso &eacute; tanto mais homem quanto menos fica fechado em si, &ldquo;limitado&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Na homilia que precedeu o in&iacute;cio do Conclave que o elegeria como Papa Bento XVI, duas palavras-chave se destacaram no discurso do cardeal Ratzinger: verdade e miseric&oacute;rdia. Pren&uacute;ncio?<\/p>\n<p>Verdade significa o que &eacute; real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores, o que implica o imagin&aacute;rio, a realidade e a fic&ccedil;&atilde;o, quest&otilde;es centrais tanto em antropologia cultural, artes, filosofia e a pr&oacute;pria raz&atilde;o. A miseric&oacute;rdia &eacute; a capacidade de fazer sintonizar o pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o com o cora&ccedil;&atilde;o de quem carece de express&otilde;es de um amor que envolve e que perdoa.<\/p>\n<p>Talvez as palavras que precederam a sua elei&ccedil;&atilde;o papal ajudem a compreender o seu pontificado.<\/p>\n<p>A visita do Santo Padre a Portugal foi precedida de algumas not&iacute;cias que provocam inequ&iacute;vocos inc&oacute;modos na Igreja e na sociedade. E n&atilde;o satisfaz dizer que onde h&aacute; homens h&aacute; pecados: realiza o anunciar e o servir um ideal que se pratica e que liberta. E a Igreja convive muito melhor com o ideal que anuncia do que com o pecado de que se penitencia.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m algumas vozes se ergueram para questionar o poss&iacute;vel sil&ecirc;ncio do Papa. Nada cred&iacute;veis para atingir a sua pessoa, o seu magist&eacute;rio e o seu pontificado.<\/p>\n<p>Pelo contr&aacute;rio: ao assumir uma postura de clareza, de transpar&ecirc;ncia, de exig&ecirc;ncia e de verdade, Bento XVI indica um caminho que n&atilde;o deixar&aacute; certamente de recolocar os servidores e a Igreja no seu lugar de perita em humanidade e de caminho para a humanidade.<\/p>\n<p>A cruzada de purifica&ccedil;&atilde;o liderada por este Papa tamb&eacute;m &eacute; luz para as nossas Institui&ccedil;&otilde;es: a raz&atilde;o da exist&ecirc;ncia das Institui&ccedil;&otilde;es &eacute; as pessoas. Pelo que a qualidade nas Institui&ccedil;&otilde;es em que tanto se insiste n&atilde;o &eacute; apenas uma exig&ecirc;ncia na gest&atilde;o ou nos equipamentos. Ainda &eacute; isso, sem d&uacute;vida. Mas a qualidade est&aacute; sobretudo nas pessoas. Igualmente &eacute; todo um processo de capacidade de desenvolvida miseric&oacute;rdia, de cont&iacute;nua purifica&ccedil;&atilde;o, de inequ&iacute;voca transpar&ecirc;ncia, de inilud&iacute;vel exig&ecirc;ncia e de permanente verdade.<\/p>\n<p>As Institui&ccedil;&otilde;es de que todo o mundo carece s&atilde;o aquelas que s&atilde;o servidas por pessoas, que n&atilde;o se servem das pessoas, mas que est&atilde;o ao servi&ccedil;o das pessoas.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Lino Maia, &laquo;Solidariedade&raquo;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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