{"id":44965,"date":"2010-04-29T18:56:37","date_gmt":"2010-04-29T18:56:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/29\/sobre-o-programa-de-estabilidade-e-crescimento-pec\/"},"modified":"2010-04-29T18:56:37","modified_gmt":"2010-04-29T18:56:37","slug":"sobre-o-programa-de-estabilidade-e-crescimento-pec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sobre-o-programa-de-estabilidade-e-crescimento-pec\/","title":{"rendered":"Sobre o Programa de estabilidade e crescimento (PEC)"},"content":{"rendered":"<p>Posi\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho \u00abEconomia e Sociedade\u00bb da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz    <!--more--> <\/p>\n<p>1. Considerando a import&acirc;ncia de que se reveste o Programa de estabilidade e crescimento (PEC) recentemente apresentado pelo Governo &agrave; Comiss&atilde;o Europeia, o Grupo de trabalho &laquo;Economia e Sociedade&raquo; (GTES) da Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz (CNJP) considera seu dever e responsabilidade manifestar a sua opini&atilde;o sobre as orienta&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica financeira, econ&oacute;mica e social constantes desse documento, em virtude das implica&ccedil;&otilde;es que as mesmas poder&atilde;o ter na vida pessoal e colectiva dos portugueses, nos pr&oacute;ximos anos. Movem-nos preocupa&ccedil;&otilde;es pela constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa, mais inclusiva, mais solid&aacute;ria e onde seja poss&iacute;vel um verdadeiro desenvolvimento humano. &acute;<\/p>\n<p>2. Dada a situa&ccedil;&atilde;o financeira do Pa&iacute;s, e o modo como ela &eacute; apreciada pelo mercado internacional e pelas inst&acirc;ncias comunit&aacute;rias, mais cedo ou mais tarde, haveria de surgir a necessidade de um programa de equil&iacute;brio das contas p&uacute;blicas e de conten&ccedil;&atilde;o do endividamento dos portugueses, para dar seguran&ccedil;a aos credores, permitir o acesso ao cr&eacute;dito no mercado internacional e conter o respectivo custo. Por isso, n&atilde;o subestimamos o esfor&ccedil;o feito pelo Governo para apresentar um programa de ajustamento cred&iacute;vel, com recurso a corte na despesa p&uacute;blica e aumento das receitas do Estado.<\/p>\n<p>Esse esfor&ccedil;o deveria ser acompanhado por uma activa procura de consenso entre os partidos na aplica&ccedil;&atilde;o de medidas inclu&iacute;das, ou a incluir, no PEC, manifestando a seriedade com que encaram a situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s<\/p>\n<p>3. Ainda assim, o GTES quer expressar, desde j&aacute;, as suas preocupa&ccedil;&otilde;es quanto &agrave;s poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias negativas que poder&atilde;o decorrer da respectiva execu&ccedil;&atilde;o, se, entretanto, n&atilde;o forem seguidos outros rumos e tomadas outras medidas directamente votadas ao desenvolvimento s&oacute;cioecon&oacute;mico, &agrave; conten&ccedil;&atilde;o do desemprego, &agrave; correc&ccedil;&atilde;o das desigualdades nas suas v&aacute;rias vertentes e &agrave; erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza, que continua a atingir parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa.<\/p>\n<p>4. Reconhecemos que &eacute; delicada a situa&ccedil;&atilde;o em que o nosso Pa&iacute;s se encontra face aos mercados financeiros, nomeadamente no que respeita ao n&iacute;vel de d&eacute;fice p&uacute;blico, recentemente agravado pela necessidade de fazer face aos efeitos da crise mundial; ao endividamento p&uacute;blico e privado j&aacute; alcan&ccedil;ado e correspondentes encargos com a d&iacute;vida externa. Sabemos, tamb&eacute;m, como, no actual contexto de liberaliza&ccedil;&atilde;o do mercado financeiro, os credores adquiriram e conservam tal poder que os torna particularmente exigentes em mat&eacute;ria de garantias e de custo do dinheiro.<\/p>\n<p>Em nosso entender, por&eacute;m, o PEC sendo um esfor&ccedil;o do Governo portugu&ecirc;s para ir ao encontro dessas exig&ecirc;ncias de credibilidade externa, n&atilde;o deve esconder ou ignorar os verdadeiros problemas estruturais de um Pa&iacute;s que enfrenta um processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o acelerada do seu processo produtivo, num contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o e financeiriza&ccedil;&atilde;o crescentes e de crise mundial por superar. Assim sendo, o problema portugu&ecirc;s de conseguir o equil&iacute;brio financeiro n&atilde;o &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o singular que apenas diga respeito aos portugueses, antes est&aacute; correlacionada com o ambiente externo.<\/p>\n<p>5. Por isso, o GTES denuncia a presente desregula&ccedil;&atilde;o do mercado financeiro mundial &#8211; que cria situa&ccedil;&otilde;es muito gravosas para as pequenas economias em dificuldade &#8211; e desejaria que, particularmente no &acirc;mbito da Uni&atilde;o Europeia, se fizessem os indispens&aacute;veis esfor&ccedil;os para que, com a maior brevidade, se encontrem caminhos de uma eficiente regula&ccedil;&atilde;o financeira do mercado mundial.<\/p>\n<p>6. Por outro lado, consideramos que a Uni&atilde;o europeia e a sua moeda &uacute;nica s&oacute; ter&atilde;o viabilidade se vier a existir, a curto prazo, uma coordena&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;ada da pol&iacute;tica econ&oacute;mica e financeira de todo o espa&ccedil;o comunit&aacute;rio, a qual, em nosso entender, deve visar objectivos de desenvolvimento humano sustent&aacute;vel (do ponto de vista ambiental e de coes&atilde;o social). Uma tal politica dever&aacute; vincular o Banco Central Europeu (BCE), de modo a que a pol&iacute;tica monet&aacute;ria da responsabilidade desta entidade esteja efectivamente ao servi&ccedil;o da economia comunit&aacute;ria e seus estados-membros.<\/p>\n<p>7. Tamb&eacute;m n&atilde;o aceitamos a brandura com que as inst&acirc;ncias comunit&aacute;rias t&ecirc;m agido em rela&ccedil;&atilde;o aos offshores ou o facto ins&oacute;lito de o BCE n&atilde;o dispor de capacidade para apoiar os pa&iacute;ses em dificuldade financeira, obrigando estes a ter de recorrer ao cr&eacute;dito dos bancos privados e a suportar juros abusivos e demais condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o raro especulativas, e, por outro lado, consentindo que os bancos privados se refinanciem junto do BCE a taxas de juro quase nulas.<\/p>\n<p>8. Merece, igualmente, den&uacute;ncia e reprova&ccedil;&atilde;o o excessivo poder adquirido por certas ag&ecirc;ncias de rating e o papel que as suas classifica&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m, de facto, nas condi&ccedil;&otilde;es de acesso ao cr&eacute;dito e custo do mesmo. N&atilde;o se compreende que a Uni&atilde;o Europeia n&atilde;o se tenha ainda dotado de uma unidade independente de avalia&ccedil;&atilde;o de risco financeiro ao servi&ccedil;o de uma governa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria.<\/p>\n<p>9. Portugal, como Pa&iacute;s membro da Uni&atilde;o, deve usar da sua capacidade de interven&ccedil;&atilde;o para que a U.E. disponha da compet&ecirc;ncia e dos meios necess&aacute;rios para aperfei&ccedil;oar os seus mecanismos de governa&ccedil;&atilde;o &agrave; escala comunit&aacute;ria e de influ&ecirc;ncia na constru&ccedil;&atilde;o de uma forma adequada de regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do mercado global.<\/p>\n<p>10. Relativamente &agrave;s medidas preconizadas no PEC, cabe chamar a aten&ccedil;&atilde;o para algumas das suas poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias negativas que, ao longo da sua vig&ecirc;ncia, dever&atilde;o, do nosso ponto de vista, ser corrigidas, bem como apontar caminhos que, em nosso entender, deveriam ser seguidos.<\/p>\n<p>11. Quanto aos cortes nas despesas, est&atilde;o contempladas no PEC metas aceit&aacute;veis no que se refere &agrave; conten&ccedil;&atilde;o de gastos gerais considerados sup&eacute;rfluos, maior racionaliza&ccedil;&atilde;o nas aquisi&ccedil;&otilde;es de bens e, principalmente, uma redu&ccedil;&atilde;o significativa com gastos em consultadorias em outsourcing. &Eacute; &nbsp;fundamental que a Administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica procure patamares de efici&ecirc;ncia e efic&aacute;cia, aos menores custos.<\/p>\n<p>12. J&aacute; no que respeita a redu&ccedil;&otilde;es na despesa social, &eacute; oportuno lembrar que aquela n&atilde;o pode ser vista como um custo: deve antes ser considerada como um investimento no capital humano e, bem assim, como um instrumento de coes&atilde;o social e uma condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para cumprir um dever de equidade e solidariedade, sobretudo em tempos de crise econ&oacute;mica.<\/p>\n<p>13. Com as dificuldades que se avizinham, &eacute; fundamental que o Estado n&atilde;o deixe de cumprir o seu papel de protec&ccedil;&atilde;o social, em particular no combate &agrave; pobreza e &agrave; protec&ccedil;&atilde;o dos desempregados. De igual forma, deve assegurar a oferta p&uacute;blica de bens e servi&ccedil;os essenciais, com destaque para a educa&ccedil;&atilde;o e a sa&uacute;de, com adequados padr&otilde;es de qualidade.<\/p>\n<p>14. Quanto ao previsto congelamento dos sal&aacute;rios na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, entendemos que se trata de uma medida injusta e com previs&iacute;veis consequ&ecirc;ncias negativas do ponto de vista da desejada sustenta&ccedil;&atilde;o da actividade econ&oacute;mica, pelo lado da procura. Mesmo admitindo ser necess&aacute;rio reduzir o volume total das despesas com pessoal, tal redu&ccedil;&atilde;o dever&aacute; fazer-se de modo equitativo, aproveitando para consagrar um leque salarial mais justo e restringindo o recurso a pr&eacute;mios, despesas de representa&ccedil;&atilde;o e outras de que beneficiam os gestores e os quadros t&eacute;cnicos superiores. Nunca &agrave; custa de redu&ccedil;&atilde;o indiscriminada de sal&aacute;rios, pela via do respectivo congelamento. N&atilde;o pode esquecer-se que o padr&atilde;o de remunera&ccedil;&otilde;es da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica serve de refer&ecirc;ncia ao sector privado.<\/p>\n<p>15. Id&ecirc;ntico reparo merece a inten&ccedil;&atilde;o do PEC quanto &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o do emprego na fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, medida, tamb&eacute;m ela perigosa, dado que h&aacute; sectores da Administra&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;os p&uacute;blicos onde, j&aacute; hoje, existem manifestos d&eacute;fices de recursos humanos. Por outro lado, n&atilde;o pode esquecer-se o elevado n&iacute;vel de desemprego existente no Pa&iacute;s e o papel que, nestas circunst&acirc;ncias, o Estado (Administra&ccedil;&atilde;o central e Autarquias) pode desempenhar na necess&aacute;ria sustenta&ccedil;&atilde;o do emprego.<\/p>\n<p>16. No que toca &agrave; despesa em investimento p&uacute;blico, dado o seu impacto em termos de incentivo &agrave; actividade econ&oacute;mica e na cria&ccedil;&atilde;o de emprego, entende o GTES que importa, sobretudo, apostar numa selectividade rigorosa e orientada por crit&eacute;rios de satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades reais e de bem comum. O PEC prev&ecirc; a desacelera&ccedil;&atilde;o em alguns projectos de investimento p&uacute;blico, o que parece sensato, mas n&atilde;o deveria descurar os investimentos p&uacute;blicos destinados &agrave; melhoria da qualidade de vida dos cidad&atilde;os ou a servirem de incentivo &agrave; moderniza&ccedil;&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o do tecido produtivo.<\/p>\n<p>17. A este prop&oacute;sito, cabe lembrar que as pequenas obras p&uacute;blicas de desenvolvimento local se apresentam com efeitos, directos e indirectos, relevantes do ponto de vista da utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos locais e absor&ccedil;&atilde;o do desemprego, al&eacute;m de que se traduzem, imediatamente, no bemestar das respectivas popula&ccedil;&otilde;es locais, servindo, por isso, objectivos de coes&atilde;o social, que n&atilde;o podem deixar de ser contemplados em qualquer 4 estrat&eacute;gia de ajustamento. O incentivo &agrave; expans&atilde;o da economia social e solid&aacute;ria deveria merecer a devida considera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>18. No que concerne ao aumento das receitas p&uacute;blicas, entendemos que na execu&ccedil;&atilde;o do PEC n&atilde;o deve perder-se de vista a necessidade de corrigir as grandes desigualdades na reparti&ccedil;&atilde;o da riqueza e do rendimento existentes no Pa&iacute;s e aproveitar esta oportunidade para proceder a uma adequada reforma do nosso sistema fiscal e de contribui&ccedil;&atilde;o para a Seguran&ccedil;a Social.<\/p>\n<p>19. Julgamos que, neste per&iacute;odo de ajustamento, seria admiss&iacute;vel o recurso a novas fontes de receita, como, por exemplo, a constitui&ccedil;&atilde;o de um Fundo de emerg&ecirc;ncia consignado a objectivos de erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza ou de cria&ccedil;&atilde;o de emprego, com base num adicional de tributa&ccedil;&atilde;o a recair sobre espect&aacute;culos e divertimentos ou bens considerados de luxo.<\/p>\n<p>20. Do mesmo modo, considera o GTES que se imp&otilde;e um esfor&ccedil;o complementar para acelerar a cobran&ccedil;a de montantes elevados de impostos em d&iacute;vida assim como a tomada de medidas de preven&ccedil;&atilde;o da fuga consider&aacute;vel de receitas fiscais atrav&eacute;s de para&iacute;sos fiscais.<\/p>\n<p>21. Prev&ecirc; o PEC o recurso &agrave; aliena&ccedil;&atilde;o de participa&ccedil;&otilde;es do Estado num conjunto de empresas estrat&eacute;gicas. Entendemos que abdicar dessas participa&ccedil;&otilde;es &eacute; prescindir de uma certa margem de interven&ccedil;&atilde;o na economia, al&eacute;m de que se trata de obter receitas imediatas de uma s&oacute; vez, mas prescindindo de receitas futuras.<\/p>\n<p>22. No &acirc;mbito das parcerias p&uacute;blico-privadas, &eacute; de desejar que se procedam a reaprecia&ccedil;&otilde;es de cada situa&ccedil;&atilde;o concreta, de molde a procurar acautelar n&atilde;o s&oacute; a esperada qualidade dos bens contratualizados como tamb&eacute;m a partilha equitativa dos correspondentes riscos financeiros.<\/p>\n<p>23. Reconhece o GTES que n&atilde;o &eacute; da sua compet&ecirc;ncia debru&ccedil;ar-se sobre aspectos de ordem t&eacute;cnica implicados no PEC e na sua execu&ccedil;&atilde;o; t&atilde;o pouco considera que deva pronunciar-se em termos an&aacute;logos &agrave; das diferentes fac&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias ou parceiros sociais. As considera&ccedil;&otilde;es feitas neste documento relevam de uma concep&ccedil;&atilde;o de economia n&atilde;o divorciada de uma &eacute;tica social que tem como referenciais a dignidade da pessoa humana e o bem comum.<\/p>\n<p>24. &Eacute; neste horizonte, que julgamos dever alertar para que a consequ&ecirc;ncia mais negativa que poderia decorrer deste PEC &eacute; ele alimentar a ilus&atilde;o de que constitui a chave para enfrentar os nossos problemas de desenvolvimento a m&eacute;dio prazo. Com efeito, o Pa&iacute;s precisa de um rumo para um desenvolvimento sustent&aacute;vel, do ponto de vista ambiental e de coes&atilde;o social e n&atilde;o &eacute; um mero crescimento econ&oacute;mico que o permite alcan&ccedil;ar.<\/p>\n<p>25. O modelo de crescimento impl&iacute;cito no PEC parece sobretudo assentar nas exporta&ccedil;&otilde;es. Ora, hoje &eacute; geralmente reconhecido que um tal modelo n&atilde;o &eacute; garantia de real desenvolvimento e n&atilde;o assegura que sejam alcan&ccedil;ados objectivos, em nosso entender fundamentais, como sejam: a equitativa reparti&ccedil;&atilde;o do emprego e do rendimento; um trabalho digno para todos; a igualdade de oportunidades no acesso ao progresso; a prioridade da erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza; a promo&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>26. Como j&aacute; em outras ocasi&otilde;es a CNJP afirmou, insistimos em que a pobreza n&atilde;o &eacute; uma fatalidade. Significa, apenas, que h&aacute; necessidades b&aacute;sicas de uma boa parte da popula&ccedil;&atilde;o a que o mercado, nas actuais circunst&acirc;ncias, n&atilde;o d&aacute; resposta e, por conseguinte, a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza deve ser considerada um objectivo expl&iacute;cito de toda a pol&iacute;tica p&uacute;blica e n&atilde;o uma mera quest&atilde;o residual ou hipot&eacute;tico efeito secund&aacute;rio de um qualquer crescimento econ&oacute;mico. &Eacute; f&aacute;cil demonstrar que pode haver elevado &iacute;ndice de crescimento econ&oacute;mico com agravamento da pobreza e da exclus&atilde;o social.<\/p>\n<p>27. Por outro lado, todos n&oacute;s reconhecemos que h&aacute; necessidades colectivas no dom&iacute;nio da educa&ccedil;&atilde;o, da sa&uacute;de, da seguran&ccedil;a, da habita&ccedil;&atilde;o, que est&atilde;o por satisfazer e cuja satisfa&ccedil;&atilde;o deve ser tida como objectivo a atingir por uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento que, para o efeito trace metas concretas, pois estas n&atilde;o se alcan&ccedil;ar&atilde;o apenas com o mero crescimento econ&oacute;mico entregue a uma l&oacute;gica do mercado sob a hegemonia dos interesses do capital financeiro internacional.<\/p>\n<p>28. N&atilde;o pode, igualmente, esquecer-se que est&aacute; por enfrentar o processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o do processo produtivo em curso e a passagem a uma economia baseada no conhecimento. H&aacute; sinais positivos devidamente destacados no texto do PEC, nomeadamente no dom&iacute;nio da expans&atilde;o dos servi&ccedil;os e na intensidade da componente tecnol&oacute;gica, mas h&aacute; que tra&ccedil;ar uma estrat&eacute;gia clara de transi&ccedil;&atilde;o que permita fazer face aos custos sociais das indispens&aacute;veis reestrutura&ccedil;&otilde;es e sua reparti&ccedil;&atilde;o equitativa.<\/p>\n<p>29. Com esta sua tomada de posi&ccedil;&atilde;o, o Grupo de Trabalho &laquo;Economia e Sociedade&raquo; da CNJP quer oferecer &agrave;s comunidades crist&atilde;s e &agrave; sociedade civil um est&iacute;mulo para que reforcem o seu interesse e empenhamento na constru&ccedil;&atilde;o de um mundo mais justo e por isso tamb&eacute;m mais feliz. Dirige-se, igualmente, aos poderes p&uacute;blicos na perspectiva de um servi&ccedil;o de cidadania e de responsabilidade democr&aacute;tica, que reclama maior empenhamento por parte do governo e de outras entidades com participa&ccedil;&atilde;o nas inst&acirc;ncias comunit&aacute;rias no sentido de pugnar por uma constru&ccedil;&atilde;o europeia mais s&oacute;lida e mais respeitadora de valores &eacute;ticos comuns.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O Grupo de Trabalho &ldquo;Economia e sociedade&rdquo;<\/p>\n<p>27 Abril 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Posi\u00e7\u00e3o do Grupo de Trabalho \u00abEconomia e Sociedade\u00bb da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[134,191,314],"class_list":["post-44965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-cnjp","tag-economia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}