{"id":44769,"date":"2010-04-20T12:19:37","date_gmt":"2010-04-20T12:19:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/20\/desafios-e-desafios\/"},"modified":"2010-04-20T12:19:37","modified_gmt":"2010-04-20T12:19:37","slug":"desafios-e-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/desafios-e-desafios\/","title":{"rendered":"Desafios e desafios"},"content":{"rendered":"<p>Maria Carlos Ramos <!--more--> <\/p>\n<p>H&aacute; desafios que n&atilde;o s&atilde;o novos, revestem-se sim de contornos particulares e de urg&ecirc;ncias diferentes e se a seu tempo n&atilde;o forem considerados pelas institui&ccedil;&otilde;es tornam-se estranhas e motivo de vergonha para as gera&ccedil;&otilde;es seguintes.<\/p>\n<p>O papel das mulheres na igreja e o acesso das mulheres ao sacerd&oacute;cio pertencem a esses desafios que se tem preferido p&ocirc;r no fim da lista das prioridades ou inquieta&ccedil;&otilde;es da Igreja.<\/p>\n<p>A Igreja pod&ecirc;-las-&aacute; adiar mas n&atilde;o as poder&aacute; evitar.<\/p>\n<p>Hoje existem in&uacute;meras organiza&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas que, um pouco por todo o mundo, h&aacute; d&eacute;cadas reflectem sobre o papel das mulheres na Igreja Cat&oacute;lica e em particular sobre a ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal das mulheres. A discuss&atilde;o tem sido acesa entre acad&eacute;micos e a hierarquia da Igreja. As quest&otilde;es de ordem b&iacute;blica e teol&oacute;gica levantadas t&ecirc;m cada vez menos for&ccedil;a.<\/p>\n<p>Reconhecidas academias, de grande confian&ccedil;a da igreja, t&ecirc;m-se debru&ccedil;ado sobre estes assuntos. Entre elas, uma&nbsp; comiss&atilde;o <em>ad hoc<\/em> de Direito Can&oacute;nico, que em 1995, no 57&ordm; Encontro Anual, da Canon Law Society of Am&eacute;rica, chegou &agrave; conclus&atilde;o que a ordena&ccedil;&atilde;o das mulheres na igreja antiga tinha um car&aacute;cter sacramental &nbsp;e prop&ocirc;s a reintrodu&ccedil;&atilde;o desta ordena&ccedil;&atilde;o na Igreja Cat&oacute;lica contempor&acirc;nea.<\/p>\n<p>H&aacute; pelo menos uma organiza&ccedil;&atilde;o, chamada Roman Catholic Womenpriests, nos Estados Unidos, que se autodenomina &#8220;cat&oacute;lica&#8221; e que, com conhecimento p&uacute;blico, ordena mulheres, com car&aacute;cter sacramental, desde 2002. Ainda que se tenha conhecimento que &nbsp;Ludmila Javorova, a primeira mulher ordenada sacerdotisa a 28 de Dezembro de 1970 &ndash; tempo que estas mulheres designam por &lsquo;tempo de catacumbas&rsquo;.&nbsp;<\/p>\n<p>Este grupo defende que a ordena&ccedil;&atilde;o destas mulheres &eacute; v&aacute;lida, de acordo com o Direito Can&oacute;nico da Igreja Cat&oacute;lica, pois foram ordenadas por Bispos Cat&oacute;licos, que est&atilde;o na linha da sucess&atilde;o apost&oacute;lica. Com mulheres da &Aacute;frica do Sul, &Aacute;ustria, Alemanha, Canad&aacute;, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Litu&acirc;nia e Su&iacute;&ccedil;a, a Roman Catholic Womenpriests tem uma vida pastoral organizada e din&acirc;mica, cobrindo todos os estados nos Estados Unidos e as par&oacute;quias em que estas mulheres est&atilde;o, tendo-se registado um crescente acolhimento por parte dos cat&oacute;licos norte-americanos, inclusivamente por parte de um grande n&uacute;mero de padres.<\/p>\n<p>Em jeito de resposta &nbsp;&agrave; Canon Law Society of America, mas provavelmente para clarificar e rectificar a Roman Catholic Womenpriests, a Comiss&atilde;o Teol&oacute;gica Internacional do Vaticano, em 2002&nbsp; declara reconhecer que, nas comunidades da igreja das origens, algumas mulheres foram ordenadas, ainda que mantenha vastas reservas quanto ao car&aacute;cter sacramental dessas ordena&ccedil;&otilde;es. A &nbsp;Comiss&atilde;o acrescenta que tais ordena&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se realizaram no seio da Igreja Cat&oacute;lica, mas sim em movimentos her&eacute;ticos, porque muito cedo os Padres da Igreja as declinaram.<\/p>\n<p>Em 2008 a Roman Catholic Womenpriests foi excomungada juntamente com os bispos e os padres que a apoiaram e hoje vive apartada da Igreja. Na sua heresia afirmam: &laquo;O <em>sensus fidelium<\/em> falou. N&oacute;s, as mulheres n&atilde;o estamos a pedir permiss&atilde;o para ser sacerdotisas. Estamos a tomar de volta o nosso leg&iacute;timo lugar ao servi&ccedil;o de Deus.&raquo;<\/p>\n<p>Num olhar cr&iacute;tico sobre a hist&oacute;ria da igreja encontramos, desde a primeira hora, a presen&ccedil;a e o compromisso das mulheres na constru&ccedil;&atilde;o das comunidades crist&atilde;s. Muitas vezes e de muitos modos, ao longo da hist&oacute;ria da igreja, encontramos mulheres que se levantam e protestam contra uma igreja masculina na sua forma de ser e agir. Qual trabalho de respigador que procura sementes perdidas no restolho, as mulheres peneiraram a hist&oacute;ria para, por entre a imensidade e complexidade dos factos, encontrarem pequenos e humildes vest&iacute;gios: nomes, breves refer&ecirc;ncias, l&aacute;pides, hist&oacute;rias de vida de mulheres. A maior parte das vezes encontram a completa omiss&atilde;o ou simplesmente o mutismo.<\/p>\n<p>Tem sido esse trabalho que faz com que as mulheres reclamem um novo olhar e uma nova ordem social, econ&oacute;mica, pol&iacute;tica e religiosa.&nbsp;<\/p>\n<p>As mulheres fazem hoje, com os dados novos, uma depura&ccedil;&atilde;o e uma desconstru&ccedil;&atilde;o das narrativas que as moldaram. Her&eacute;ticas ou n&atilde;o, muitas mulheres descobrem que fora da igreja tamb&eacute;m h&aacute; salva&ccedil;&atilde;o. S&oacute;s ou em grupos preferem os caminhos da m&iacute;stica e da espiritualidade ao discurso religioso.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta uma homilia com laivos de linguagem inclusiva: &lsquo;Car&iacute;ssimas irm&atilde;s, Car&iacute;ssimos irm&atilde;os&hellip;&rsquo;; n&atilde;o basta que algumas mulheres ensinem teologia; n&atilde;o basta afirmar que &lsquo;elas tem dignidade&rsquo; ou que &lsquo;elas t&ecirc;m voca&ccedil;&atilde;o&rsquo;, n&atilde;o basta exaltar a maternidade e o papel que as mulheres t&ecirc;m na vida social e econ&oacute;mica.<\/p>\n<p>As mulheres s&atilde;o hoje mais exigentes. Subestim&aacute;-las &eacute; um erro porque foi dito aos antigos e a n&oacute;s tamb&eacute;m: <em>&laquo;<\/em><em>N&atilde;o fostes v&oacute;s que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a v&oacute;s e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permane&ccedil;a&raquo;<\/em> (Jo 15,16)<\/p>\n<p>Que as nossas filhas tenham a coragem de nos <em>perdoar <\/em>a lentid&atilde;o de cora&ccedil;&atilde;o e a fraca intelig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><em>&laquo;De manh&atilde; ce<strong>do<\/strong>, dizeis: &lsquo;Hoje temos tempestade, pois o c&eacute;u est&aacute; de um vermelho sombrio.&rsquo; Como se v&ecirc;, sabeis interpretar o aspecto <strong>do<\/strong> c&eacute;u; mas, quanto aos <strong>sinais<\/strong> <strong>do<\/strong><strong>s<\/strong> <strong>tempo<\/strong><strong>s<\/strong>, n&atilde;o sois capazes de os interpretar!&raquo;<\/em> (Mt 16,3)<\/p>\n<p>Foi no perscrutar dos tempos que, em cada tempo, a Igreja procurou ser sinal de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>E se nos deix&aacute;ssemos tomar pela d&uacute;vida e pelo desassossego? Afinal&nbsp; <em>&laquo;o vento <strong>sopra<\/strong> onde quer e tu ouves a sua voz, mas n&atilde;o sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasce do Esp&iacute;rito.<\/em>&raquo; (Jo 3,8)<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Maria Carlos Ramos, GRAAL<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Carlos Ramos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[199,217],"class_list":["post-44769","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-espiritualidade","tag-graal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44769","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44769"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44769\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}