{"id":44765,"date":"2010-04-20T12:21:46","date_gmt":"2010-04-20T12:21:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/20\/accao-evangelizadora-da-igreja-em-portugal\/"},"modified":"2010-04-20T12:21:46","modified_gmt":"2010-04-20T12:21:46","slug":"accao-evangelizadora-da-igreja-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/accao-evangelizadora-da-igreja-em-portugal\/","title":{"rendered":"Ac\u00e7\u00e3o Evangelizadora da Igreja em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino <!--more--> <\/p>\n<p><strong>De Bento XVI (Roma 2007) a Bento XVI (F&aacute;tima 2010)<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p>1, N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, nem normal, avaliar o grau de evolu&ccedil;&atilde;o de uma ac&ccedil;&atilde;o concreta com base num per&iacute;odo de tempo t&atilde;o breve e ex&iacute;guo. A reflex&atilde;o enunciada no t&iacute;tulo desta opini&atilde;o publicitada, pode, por&eacute;m, apontar para indicativos de ontem e de hoje, que ajudem a ver caminhos abertos ou para abrir.<\/p>\n<p>O encontro quinquenal regular dos bispos com o Papa &eacute; precedido de informa&ccedil;&otilde;es sobre a Igreja no pa&iacute;s, que permitem orientar a comunica&ccedil;&atilde;o do Sumo Pont&iacute;fice para os problemas pastorais em causa que mais preocupam os bispos. Se Jo&atilde;o Paulo II falou da aten&ccedil;&atilde;o a dar &agrave; f&eacute; pouco esclarecida dos nossos crist&atilde;os e Bento XVI na necessidade de uma inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; cuidada e alargada, foi porque essas eram e s&atilde;o as preocupa&ccedil;&otilde;es dos bispos portugueses que lhes chegaram. O apoio das palavras do Papa comporta sempre um apelo &agrave;s comunidades crist&atilde;s, na sua maioria desconhecedoras das preocupa&ccedil;&otilde;es do seus pastores, para que estejam informadas e participem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. O desafio pastoral da evangeliza&ccedil;&atilde;o, tarefa essencial e permanente da Igreja, ganhou contornos mais acentuados com o crescimento da indiferen&ccedil;a religiosa, a emerg&ecirc;ncia da modernidade, a dificuldade de os crist&atilde;os se situarem activos num contexto de pluralismo, a organiza&ccedil;&atilde;o da vida influenciada pelo laicismo infiltrado nos dinamismos sociais mais activos, a instabilidade de institui&ccedil;&otilde;es sociais antes indiscut&iacute;veis, como a fam&iacute;lia&hellip;Mas o desafio &eacute; ainda mais forte, quando se verifica que, mesmo em pessoas e ambientes, visivelmente marcados pela indiferen&ccedil;a e abandono da pr&aacute;tica dominical e sacramental, subsiste um tradiciona-lismo religioso arreigado, que, para muitos que o vivem, dispensa uma forma&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria e que, emergindo em momentos determinados, cria problemas e dificulta a renova&ccedil;&atilde;o pastoral que se imp&otilde;e.<\/p>\n<p>O esfor&ccedil;o de forma&ccedil;&atilde;o, para quem pensa n&atilde;o precisar dela, e que se imp&otilde;e logo a partir de primeira inicia&ccedil;&atilde;o para a vida crist&atilde; e depois de uma catequese cont&iacute;nua, n&atilde;o necessariamente orientada para os sacramentos, mas para uma viv&ecirc;ncia segundo Cristo, encontra, num contexto de cristandade, muitas dificuldades.<\/p>\n<p>3. H&aacute; d&eacute;cadas atr&aacute;s, a n&iacute;vel geral da Igreja em Portugal, pouco se falava de catecumenato, inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, catequese de adultos, forma&ccedil;&atilde;o alargada a todos e ao longo da vida. Havia, por todo o pa&iacute;s, algumas experi&ecirc;ncias e tentativas, mas sempre reduzidas, muito localizadas e pouco enraizadas.<\/p>\n<p>O clima pac&iacute;fico de cristandade, a primeira transmiss&atilde;o da f&eacute; na fam&iacute;lia, a procura ainda generalizada dos sacramentos tradicionais, as missas dominicais a encherem os templos, a censura p&uacute;blica local a comportamentos religiosos e familiares estranhos ao meio, o pouco confronto com outros ambientes e culturas, o povo, normalmente submisso nas coisas religiosas, sempre que n&atilde;o lhe tocassem em tradi&ccedil;&otilde;es locais arreigadas, eram situa&ccedil;&otilde;es generalizadas que n&atilde;o davam preocupa&ccedil;&otilde;es &agrave; maioria dos pastores locais. Por&eacute;m, com a implementa&ccedil;&atilde;o participativa do regime democr&aacute;tico, a emigra&ccedil;&atilde;o alargada, a liberaliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es pessoais e sociais, o ensino escolar generalizado, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o acess&iacute;veis a todos, o confronto di&aacute;rio com outras culturas e express&otilde;es religiosas, foram-se sedimentando novos crit&eacute;rios de julgar, novos valores e modelos de vida, novos princ&iacute;pios de ac&ccedil;&atilde;o e novas fontes de inspira&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia que passaram a determinar os comportamentos habituais de toda a gente e, tamb&eacute;m, dos crist&atilde;os desarmados de convic&ccedil;&otilde;es enraizadas, por falta de f&eacute; esclarecida.<\/p>\n<p>Paulo VI alertara a Igreja (EN 19) para este fen&oacute;meno. O Concilio fez abrir os olhos a um mundo novo que n&atilde;o podia ser indiferente &agrave; ac&ccedil;&atilde;o evangelizadora. Os s&iacute;nodos dos bispos pediram uma forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; de sentido catecumenal. Por&eacute;m, em Portugal, n&atilde;o foram muitos os que se aperceberam destes avisos e apelos, por parecer n&atilde;o nos diziam respeito. Ficou, no entanto, bem claro, que quando se acordou para a realidade, n&atilde;o havia mais lugar para atitudes de condena&ccedil;&atilde;o, nem de rotina instalada na defesa de uma pastoral de manuten&ccedil;&atilde;o. Entrou-se em perda progressiva e n&atilde;o era esse o caminho de uma ac&ccedil;&atilde;o renovadora. Este teria de passar, doravante e necessariamente, por uma criatividade sensata, apoiada na sensibilidade &agrave; realidade e seu conhecimento objectivo, na leitura inteligente dos &ldquo;sinais dos tempos&rdquo;, na reflex&atilde;o teol&oacute;gica alargada e num trabalho em comum, dito de cariz sinodal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Ora, &eacute; isto que os bispos portugueses est&atilde;o agora procurando, como um dever pastoral e uma exig&ecirc;ncia de ac&ccedil;&atilde;o, inovadora por for&ccedil;a das urg&ecirc;ncias j&aacute; antes sentidas e depois sublinhadas por Bento XVI, e pela verifica&ccedil;&atilde;o, inilud&iacute;vel e crescente, da perda de significado e de influ&ecirc;ncia que a Igreja parece ter hoje para muitos crist&atilde;os e, at&eacute;, para diversos sectores influentes da sociedade portuguesa.<\/p>\n<p>Fora, talvez, muito individual e parcelada a caminhada antes j&aacute; feita. Afigura-se agora que os problemas se generalizaram e, por isso, se imp&otilde;e uma caminhada programada e em comunh&atilde;o. Esta j&aacute; se vinha operando, a n&iacute;vel nacional, em alguns sectores, geralmente aceites, como o Catecismo Nacional, os dez anos de catequese, os Programas de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica, a qualifica&ccedil;&atilde;o dos catequistas e dos professores, o apoio &agrave;s Escolas Cat&oacute;licas, a realiza&ccedil;&atilde;o das Semanas Nacionais e outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. No momento presente a Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa empenha-se, sempre em vista da sua ac&ccedil;&atilde;o evangelizadora, em &ldquo;Repensar a pastoral da Igreja em Portugal&rdquo;; na procura, ap&oacute;s sondagem a todas as dioceses, de um plano nacional da catequese dos adultos e do catecumenato, a s&eacute;rio, em ordem aos sacramentos de inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;; na pastoral juvenil e no maior acompanhamento dos movimentos laicais; na integra&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as existentes, rumo a uma ac&ccedil;&atilde;o pastoral de conjunto.<\/p>\n<p>Isto, como &eacute; &oacute;bvio, para al&eacute;m do esfor&ccedil;o, iniciativas e trabalhos de cada diocese, dos diversos movimentos laicais, antigos e modernos, e da ac&ccedil;&atilde;o dos institutos de vida consagrada, de religiosos e de leigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que se pode esperar de toda esta movimenta&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Embora n&atilde;o se veja muito, n&atilde;o se pode dizer, com verdade, que est&aacute; tudo na mesma.<\/p>\n<p>Certamente v&atilde;o continuar iniciativas em curso, n&atilde;o como ac&ccedil;&otilde;es ocasionais, mas devidamente marcadas pelo objectivo evangelizador. Ser&atilde;o, por&eacute;m, mais demorados os resultados a m&eacute;dio e longo prazo, por exigirem adequa&ccedil;&atilde;o das estruturas, renova&ccedil;&atilde;o das mentalidades, a come&ccedil;ar pelos mais respons&aacute;veis, crescimento da capacidade de trabalho em conjunto, reflectido, programado, executado e avaliado, melhor aproveitamento dos recursos existentes, pessoais e institucionais, independentemente da idade e da condi&ccedil;&atilde;o can&oacute;nica das pessoas e das institui&ccedil;&otilde;es, convers&atilde;o a um projecto comum, com prioridades definidas e capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o local, uso criterioso de novos meios e instrumentos de an&aacute;lise e de comunica&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/p>\n<p>Algumas ac&ccedil;&otilde;es, nesta ordem, me merecem maior aten&ccedil;&atilde;o e destaque: a realiza&ccedil;&atilde;o de s&iacute;nodos diocesanos, bem preparados e assumidos pelo conjunto da Igreja Diocesana; a forma&ccedil;&atilde;o cuidada dos novos padres para que sejam, hoje e aqui, pastores &agrave; maneira de Cristo e dos Ap&oacute;stolos, padres a s&eacute;rio num mundo diferente, que assumiu a sua leg&iacute;tima autonomia, padres sem lampejos, claros ou disfar&ccedil;ados, de clericalismo e autoritarismo; a aten&ccedil;&atilde;o aos leigos, vocacionados para serem crist&atilde;os no mundo, fermento activo de vida e testemunhas de um novo rosto de Igreja; apoio l&uacute;cido &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es mais influentes na vida das pessoas e na consist&ecirc;ncia da sociedade, como a fam&iacute;lia, a escola, o mundo do trabalho, o mundo da cultura e os jovens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. &Eacute; por demais claro que a Igreja, em Portugal, ao repensar a sua vida e ac&ccedil;&atilde;o, se deve dispor, de uma vez por todas, no seu conjunto e de modo consequente, a seguir as orienta&ccedil;&otilde;es conciliares e a ser &ldquo;escola de comunh&atilde;o&rdquo;, sem nostalgias do passado, nem complexos do presente, sem toques de apologia interna e de apolog&eacute;tica f&aacute;cil.<\/p>\n<p>Por mais press&otilde;es que existam no terreno o caminho da Igreja, tal como o de Cristo, s&atilde;o as pessoas. Por isso ser&aacute; sempre uma Igreja fiel a Cristo e aos homens e mulheres de hoje, atenta e solid&aacute;ria com as suas alegrias e preocupa&ccedil;&otilde;es. Uma Igreja iluminada pela f&eacute; e visivelmente incarnada na vida concreta. Uma Igreja corajosa a anunciar o que lhe &eacute; pr&oacute;prio, Jesus Cristo e a sua mensagem de verdade e de amor. Uma Igreja aberta ao leg&iacute;timo pluralismo, capaz de escuta e de apre&ccedil;o de todos. Uma Igreja, enfim, agora disposta a n&atilde;o tirar partido ef&eacute;mero das grandes manifesta&ccedil;&otilde;es ao Papa, mas a recolher dele o testemunho corajoso do seu compromisso com a Miss&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ant&oacute;nio Marcelino, Bispo de Aveiro, em&eacute;rito<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marcelino<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,127,170,280,294,326],"class_list":["post-44765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-diocese-de-aveiro","tag-pastoral-juvenil","tag-sacramentos","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44765\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}