{"id":44752,"date":"2010-04-24T11:15:20","date_gmt":"2010-04-24T11:15:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/24\/beja-caminhos-da-musica-com-concerto-pedagogico-do-ensemble-alpha\/"},"modified":"2010-04-24T11:15:20","modified_gmt":"2010-04-24T11:15:20","slug":"beja-caminhos-da-musica-com-concerto-pedagogico-do-ensemble-alpha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/beja-caminhos-da-musica-com-concerto-pedagogico-do-ensemble-alpha\/","title":{"rendered":"Beja: Caminhos da M\u00fasica com concerto pedag\u00f3gico do Ensemble Alpha"},"content":{"rendered":"<p>Promovido regularmente pelo Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico da Diocese de Beja e pela Arte das Musas desde 2006, o Festival Terras sem Sombra tem vindo a abranger, na edi&ccedil;&atilde;o deste ano, novos temas e novos p&uacute;blicos. Uma das linhas in&eacute;ditas consiste na capta&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico infanto-juvenil. &Eacute; este o objectivo do concerto pedag&oacute;gico &ndash; algo pouco frequente em ciclos de m&uacute;sica erudita &ndash; que se realiza na igreja de Nossa Senhora da Assun&ccedil;&atilde;o, Matriz de Gr&acirc;ndola, hoje, dia 24 de Abril, &agrave;s 17.30 horas.<\/p>\n<p>A iniciativa corre a cargo do Ensemble Alpha, formado por Fernando Marques Gomes (voz, flautas e percuss&atilde;o), Ivan Moody (voz e direc&ccedil;&atilde;o musicol&oacute;gica), Jo&atilde;o Lu&iacute;s Ferreira (voz e percuss&atilde;o) e Rui Gon&ccedil;alo Fernandes (voz). Trata-se de um excelente dispositivo vocal e instrumental para o programa a apresentar, sujeito a um t&iacute;tulo, de resto, muito inspirado: &ldquo;Os Caminhos da M&uacute;sica&rdquo;. Percursos mel&oacute;dicos que coincidem, em larga medida, com outros rumos patentes na evolu&ccedil;&atilde;o de uma terra de funda voca&ccedil;&atilde;o musical que, depois de ter pertencido &agrave; Ordem de Santiago, marcou a hist&oacute;ria contempor&acirc;nea de Portugal, na eclos&atilde;o da Rep&uacute;blica (1910), com o pol&iacute;tico Jacinto Nunes, e na emerg&ecirc;ncia da Revolu&ccedil;&atilde;o de 1974, com o cantor e compositor Zeca Afonso.<\/p>\n<p>O concerto de 24 de Abril &ndash; data j&aacute; em si simb&oacute;lica &ndash; prop&otilde;e uma associa&ccedil;&atilde;o entre velhas melodias lit&uacute;rgicas da tradi&ccedil;&atilde;o europeia (gregoriana, bizantina, russa, italiana), os c&acirc;nticos outrora entoados pelos peregrinos a santu&aacute;rios de renome internacional, como Santiago de Compostela e Montserrat, e a m&uacute;sica popular portuguesa de inspira&ccedil;&atilde;o religiosa. A escolha traduz o intuito did&aacute;ctico, sempre presente na orienta&ccedil;&atilde;o do Festival, concebido &agrave; maneira de uma pequena &ldquo;hist&oacute;ria da m&uacute;sica&rdquo;, sobretudo no &acirc;mbito sacro, mas evoca tamb&eacute;m aspectos que se prendem com o passado e o presente de Gr&acirc;ndola.<\/p>\n<p>Esta vila, sede de vasto concelho, situa-se numa das rotas mais destacadas do Caminho de Santiago no Alentejo, o que a tornou, em finais da Idade M&eacute;dia, ponto obrigat&oacute;rio de passagem dos peregrinos, que pernoitavam e refaziam for&ccedil;as no antigo Hospital do Esp&iacute;rito Santo &ndash; mais tarde da Miseric&oacute;rdia. A hist&oacute;ria da povoa&ccedil;&atilde;o encontra-se intimamente associada, ali&aacute;s, &agrave; sua localiza&ccedil;&atilde;o num entroncamento dos itiner&aacute;rios que unem o Sul e o Norte, o Nascente e o Poente, realidade que lhe marcaria o devir e atraiu, ao longo dos s&eacute;culos, gentes de origens diversificadas. Um fen&oacute;meno bem patente, de resto, na actualidade.<\/p>\n<p>Tudo isto justifica que se celebre em Gr&acirc;ndola um encontro de culturas cujo fio condutor reside, afinal, no desejo de valorizar as ra&iacute;zes comuns da m&uacute;sica religiosa da Europa. Segundo lembra o prov&eacute;rbio portugu&ecirc;s, &ldquo;de pequenino se torne o pepino&rdquo;. Ao avan&ccedil;ar para a componente pedag&oacute;gica, o Festival Terras sem Sombra aposta na continuidade de gera&ccedil;&otilde;es, uma dificuldade sentida no pa&iacute;s, mas de basilar significado para a evolu&ccedil;&atilde;o da cultura musical. &Eacute; um passo na direc&ccedil;&atilde;o do futuro, dado em colabora&ccedil;&atilde;o com o munic&iacute;pio e par&oacute;quia locais, que se associam, para o efeito, &agrave;s outras entidades presentes no projecto, como a Direc&ccedil;&atilde;o-Geral das Artes (Minist&eacute;rio da Cultura) e a Delta.<\/p>\n<p><strong>Vozes do Ocidente e do Oriente<br \/><\/strong>O Ensemble Alpha dedica-se ao estudo dos contrastes e das liga&ccedil;&otilde;es entre v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es medievais de m&uacute;sica sacra, com &ecirc;nfase especial nas de pa&iacute;ses ortodoxos e da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica, desenvolvendo uma abordagem fortemente influenciada por diversas tradi&ccedil;&otilde;es populares. Os membros colaboram, trazendo as suas pr&oacute;prias experi&ecirc;ncias, distintas e especializadas, aos projectos do grupo. Ivan Moody, o director musicol&oacute;gico do Ensemble Alpha, &eacute; presb&iacute;tero da Igreja Ortodoxa Grega (Patriarcado de Constantinopla) em Portugal, tendo desenvolvido, como compositor e maestro, uma carreira de renome internacional.<\/p>\n<p>Em Julho de 1996 o grupo apresentou dois concertos, com enorme &ecirc;xito, na Sardenha, para celebrar a inaugura&ccedil;&atilde;o da igreja mais antiga da ilha, recentemente restaurada, e desde ent&atilde;o tem realizado interven&ccedil;&otilde;es em diferentes pontos de Portugal, concentrando-se em temas espec&iacute;ficos, como o Natal, a P&aacute;scoa e a devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Virgem Maria. Actuou v&aacute;rias vezes na RTP, em programas como Acontece, no Col&oacute;quio International sobre Cister, em Caminhos e, ainda, em transmiss&otilde;es radiof&oacute;nicas nacionais, em It&aacute;lia e nos Estados Unidos da Am&eacute;rica. Outros projectos inclu&iacute;ram o concerto que assinalou a exposi&ccedil;&atilde;o, em Lisboa, da colec&ccedil;&atilde;o de &iacute;cones Vemizelis, do Museu Benaki (Atenas), diversos espect&aacute;culos em It&aacute;lia e uma s&eacute;rie de actua&ccedil;&otilde;es, entusiasticamente recebidas, para a prestigiada Cambridge Early Music Society, de Boston.<\/p>\n<p>No Ver&atilde;o de 2002 o grupo fez uma tourn&eacute;e em Fran&ccedil;a e em It&aacute;lia, participando no Festival Guil-Durance e no Festival de M&uacute;sica Antiga de Magnano. Em 2003 concretizou uma terceira tourn&eacute;e na Sardenha, por ocasi&atilde;o do Festival Echi Lontani, al&eacute;m de concertos em Savigliano e Saluzzo. Em 2005 lan&ccedil;ou o CD &ldquo;O Divina Virgo&rdquo; (da etiqueta Dialogos) e participou no Festival de M&uacute;sica Antiga de Pantelleria. Deslocou-se posteriormente &agrave; pen&iacute;nsula it&aacute;lica (Festivais Grandezze e Meraviglie em Modena e Wunderkamer em Trieste, 2007) e &agrave; Finl&acirc;ndia (Festival Internacional de Vaasa, 2009), al&eacute;m de dar concertos regulares em Portugal, entre os quais se incluem actua&ccedil;&otilde;es no Festival Terras sem Sombra de M&uacute;sica Sacra do Baixo Alentejo e no Festival de M&uacute;sica Antiga de Carrazeda de Ansi&atilde;es.<\/p>\n<p><strong>Pelos Caminhos da M&uacute;sica<br \/><\/strong>Como escreveu Ivan Moody no estudo que serve de introdu&ccedil;&atilde;o a este concerto, as obras nele inclu&iacute;das prov&ecirc;m essencialmente de tr&ecirc;s tradi&ccedil;&otilde;es musicais diferentes: a ib&eacute;rica, a italiana e a oriental ortodoxa. A primeira &eacute; exemplificada pelas Cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o S&aacute;bio, rei de Castela e Le&atilde;o, e pelo Llibre Vermell do mosteiro de Santa Maria de Montserrat, mas est&aacute; tamb&eacute;m largamente documentada em m&uacute;sicas da tradi&ccedil;&atilde;o oral dos nossos dias; a segunda nas Laude, um repert&oacute;rio com muitas semelhan&ccedil;as &agrave;s Cantigas; e a terceira pela m&uacute;sica lit&uacute;rgica do rito bizantino, espalhado nos pa&iacute;ses eslavos.<\/p>\n<p>O programa procura demonstrar as liga&ccedil;&otilde;es &ndash; e as diferen&ccedil;as &ndash; entre estes v&aacute;rios repert&oacute;rios, com a m&uacute;sica ortodoxa como uma esp&eacute;cie de &ldquo;pano de fundo&rdquo;, colocando-os ao mesmo tempo numa perspectiva &ldquo;oral&rdquo;, ou seja, explorando os seus la&ccedil;os com a m&uacute;sica religiosa de tradi&ccedil;&atilde;o popular, designadamente no caso das Cantigas e das Laude, repert&oacute;rios concebidos fora do contexto lit&uacute;rgico (as &uacute;ltimas eram entoadas nas grandes vig&iacute;lias populares das confrarias de It&aacute;lia e outros pontos do continente europeu, em plena Idade M&eacute;dia). Aspectos musicais relevantes incluem o uso de harmonia ou de bord&otilde;es em pe&ccedil;as monof&oacute;nicas e de percuss&atilde;o, em especial o adufe, patente na m&uacute;sica tradicional portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico da Diocese de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Promovido regularmente pelo Departamento do Patrim&oacute;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico da Diocese de Beja e pela Arte das Musas desde 2006, o Festival Terras sem Sombra tem vindo a abranger, na edi&ccedil;&atilde;o deste ano, novos temas e novos p&uacute;blicos. 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