{"id":4471,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/capelanias-hospitalares-em-portugal\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"capelanias-hospitalares-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/capelanias-hospitalares-em-portugal\/","title":{"rendered":"Capelanias hospitalares em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Vitor Feytor Pinto, Coordenador Nacional da Comiss\u00e3o Nacional da Pastoral da Sa\u00fade <!--more--> 1. Foi desde sempre preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja o acompanhamento dos doentes, atrav\u00e9s de uma assist\u00eancia religiosa eficaz. Esta assist\u00eancia religiosa era assegurada por sacerdotes que, nos hospitais e por indica\u00e7\u00e3o dos Bispos de cada diocese, assumiam a tarefa pastoral de ser capel\u00e3es hospitalares. Dedicavam-se a visitar os doentes, a proporcionar-lhes a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia celebrada no hospital e a recep\u00e7\u00e3o dos sacramentos da reconcilia\u00e7\u00e3o e da comunh\u00e3o. Quando os enfermos se aproximavam da fase terminal da vida, estes capel\u00e3es davam a Santa Un\u00e7\u00e3o (ao tempo chamava-se Extrema Un\u00e7\u00e3o) e o vi\u00e1tico. Nas par\u00f3quias, os sacerdotes que tinham \u201ccura de almas\u201d realizavam em casa dos doentes as mesmas pr\u00e1ticas religiosas. Recordam-se alguns capel\u00e3es que foram Sacerdotes de uma extrema generosidade pois, durante d\u00e9cadas e em total generosidade, garantiram a assist\u00eancia nos hospitais: Monse-nhor Vitor Franco e o C\u00f3nego Greg\u00f3rio Nunes, nos Hospitais Civis de Lisboa; Padre P\u00f3voas dos Reis no Hospital da Universidade de Coimbra; Padre Ant\u00f3nio Vaz no hospital de Sto. Ant\u00f3nio no Porto; Dr. Messias no Hospital e Sanat\u00f3rio da Guarda; Estes e tantos outros Sacerdotes uma refer\u00eancia para quantos trabalhamos em Igreja nos muitos hospitais de Portugal pelo seu saber, a sua presen\u00e7a constante, a sua aten\u00e7\u00e3o pastoral, a sua generosidade inexced\u00edvel uma vez que, em dedica\u00e7\u00e3o exclusiva, n\u00e3o recebiam qualquer gratifica\u00e7\u00e3o pela ac\u00e7\u00e3o desenvolvida.  Tinham uma grande aceita\u00e7\u00e3o entre os doentes e, al\u00e9m disso, tinham a maior considera\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos, dos enfermeiros e de todos os profissionais de sa\u00fade. N\u00e3o se pode fazer a hist\u00f3ria da capelanias sem esta refer\u00eancia expressa. 2. Depois do Concilio Vaticano II e ainda \u00e0 luz do regime concordat\u00e1rio, era importante introduzir um servi\u00e7o religioso mais organizado e que n\u00e3o fosse da exclusividade do capel\u00e3o. Come\u00e7a a desenhar-se o perfil da cape-lania onde o capel\u00e3o \u00e9 coadjuvado por um grupo de colaboradores, leigos preparados que o auxiliam na dif\u00edcil tarefa de acompanhar os enfermos, durante o per\u00edodo de interna-mento. \u00c9 neste contexto que a Confer\u00eancia Episcopal prop\u00f4s ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade a cria\u00e7\u00e3o de um estatuto do capel\u00e3o que regularizasse a actividade dos Sacerdotes e seus colaboradores em actividade pastoral num hospital. Este regime de trabalho nos hospitais ficou consagrado no DR. 58\/80 de 10 de Dezembro. A percep\u00e7\u00e3o das grandes transforma\u00e7\u00f5es operadas na sa\u00fade, quer ao n\u00edvel da sensibilidade das popula\u00e7\u00f5es, quer ao n\u00edvel das respostas dadas pela sociedade, quer mesmo ao n\u00edvel dos hospitais do Estado que se multiplicavam por todo o pa\u00eds, obrigou a Igreja a estudar a melhor forma de se fazer presente junto dos enfermos e tamb\u00e9m junto dos profissionais de sa\u00fade, estes com problemas \u00e9ticos dif\u00edceis de resolver. Ent\u00e3o, o Art.\u00ba 5\u00ba, do DR. 58\/80 define as fun\u00e7\u00f5es dos capel\u00e3es, com um espirito inovador.  Pertence-lhes: &#8211; Promover as ac\u00e7\u00f5es pastorais segundo as orienta\u00e7\u00f5es dos Bispos e em regime de tempo completo; &#8211; A correr aos chamamentos de urg\u00eancia para ajudar pessoas em grande sofrimento; &#8211; Manter com as equipas de cuidados em sa\u00fade a liga\u00e7\u00e3o consent\u00e2nea com a sua miss\u00e3o espiritual; &#8211; Dar a estas equipas informa\u00e7\u00e3o qualificada no que se refere a aspectos \u00e9ticos quando requerida, em assuntos n\u00e3o estritamente respeitantes ao foro eclesi\u00e1stico; &#8211; Informar os respons\u00e1veis dos servi\u00e7os hospitalares de qualquer pedido ou necessidade de assist\u00eancia religiosa de doentes de outras confiss\u00f5es; &#8211; Guardar o segredo profissional e respeitar as normas e regulamentos das autoridades hospitalares. A partir desta norma jur\u00eddica, apareciam as linhas inovadoras de ac\u00e7\u00e3o pastoral a realizar pelos capel\u00e3es: &#8211; O objectivo da capelania e o trabalho dos capel\u00e3es n\u00e3o se esgota no estritamente religioso, mas \u00e9 tamb\u00e9m elemento de humani-za\u00e7\u00e3o e de reflex\u00e3o \u00e9tica; &#8211; O apoio a doentes de outras confiss\u00f5es religiosas pede aos capel\u00e3es uma vis\u00e3o ecum\u00e9nica, proporcionando o contacto com os ministros de outras religi\u00f5es; &#8211; A coordena\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de cape-lania \u00e9 assegurada a n\u00edvel de cada hospital, de cada diocese e de todo o pa\u00eds; &#8211; A capelania \u00e9 dotada de outros colaboradores, os auxiliares de assist\u00eancia religiosa escolhidos entre o pessoal hospitalar e os cooperadores cuja idoneidade esteja assegurada (volunt\u00e1rio especificamente preparado); &#8211; Os hospitais devem ser dotados de um local adequado onde os capel\u00e3es possam receber pessoas, al\u00e9m da capela, o lugar de culto indispens\u00e1vel; &#8211; Os capel\u00e3es passaram a ser funcion\u00e1rios p\u00fablicos com lugar no quadro e com todas as responsabilidades que est\u00e3o inerentes ao exerc\u00edcio desta fun\u00e7\u00e3o. O DR. 58\/80 permitiu em todas as dioceses a organiza\u00e7\u00e3o de quadros de capel\u00e3es que, por indica\u00e7\u00e3o do Bispo dioce-sano, foram nomeados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Tamb\u00e9m em 1981 foi escolhido pela CEP o primeiro coordenador nacional de capel\u00e3es hospitalares que veio a ser nomeado em 1982 pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. 3. Em 11 de Fevereiro de 1985, o Santo Padre, o Papa Jo\u00e3o Paulo II cria o Conselho Pontif\u00edcio para o apostolado dos profissionais de sa\u00fade, mais tarde convertido em Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral da Sa\u00fade. \u00c9 uma mudan\u00e7a profunda na actividade da Igreja neste sector de ca\u00e7\u00e3o pastoral. &#8211; A pastoral da sa\u00fade \u00e9 mais do que a pastoral dos doentes ou que a pastoral dos hospitais: Tamb\u00e9m se preocupa com a educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade, tamb\u00e9m apoia os m\u00e9dicos, os enfermeiros, os farmac\u00eauticos e outros profissionais de sa\u00fade tamb\u00e9m humaniza todo universo da sa\u00fade; &#8211; A pastoral da sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 realizada apenas por sacerdotes, mas tamb\u00e9m por religiosos e leigos, nas mais diversas actividades que a uma sa\u00fade integral diz respeito; &#8211; A pastoral da sa\u00fade n\u00e3o se limita a dar sacramentos, mas tem sobretudo a preocupa\u00e7\u00e3o de humanizar e evangelizar criando v\u00e1rias dessas comunidades de ora\u00e7\u00e3o e de interven\u00e7\u00e3o no mundo da sa\u00fade; &#8211; A pastoral da sa\u00fade n\u00e3o est\u00e1 fechada num grupo de pros\u00e9litos mas est\u00e1 aberta ao di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso para chegar a todos e a todos servir; &#8211; A pastoral da sa\u00fade n\u00e3o vive de uma ac\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, ao ritmo das chamadas que lhe fazem, mas tem uma interven\u00e7\u00e3o organizada que permite acompanhar as pessoas, de maneira constante, nas suas necessidades concretas. \u00c9 dentro deste contexto que se movem os capel\u00e3es hospitalares e foi por isso que se compreendeu que, al\u00e9m dos sacerdotes, outras pessoas, di\u00e1conos, religiosos ou leigos qualificados poderiam vir a integrar as equipas de capelania. O DR.22\/90 de 3 de Agosto consagra esta mesma criando a figura de assistentes espirituais com o estatuto de capel\u00e3o hospitalar. Foi uma mais valia na estrutura das capelanias hospitalares. 4. Porque a vida n\u00e3o p\u00e1ra e a sociedade evoluiu, a Igreja sentiu que se poderia chegar muito mais longe em qualidade e efic\u00e1cia, no trabalho a desenvolver pelas capelanias hospitalares. Foi assim que se iniciou um estudo que pretende dar maior rendimento ao trabalho pastoral que se realiza nos hospitais. Desde h\u00e1 anos que se pretendem, na assist\u00eancia religiosa novas formas de interven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e3o ainda criadas na lei: &#8211; Uma articula\u00e7\u00e3o maior entre o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a coordena\u00e7\u00e3o nacional da capelanias, de tal maneira que o coordenador nacional n\u00e3o esteja demasiado vinculado a um hospital; &#8211; A redu\u00e7\u00e3o do m\u00ednimo de doentes \u00e0 atribuir a cada capel\u00e3o ou assistente espiritual, passando dos 400 definidos por lei (DR. 58\/80) para 200, a fim de se dar ao doente um apoio continuado; &#8211; A defini\u00e7\u00e3o de uma f\u00f3rmula que regule o di\u00e1logo entre as v\u00e1rias confiss\u00f5es religiosas, a fim de se conseguir o apoio espiritual a todos os doentes, qualquer que seja a f\u00e9 que professe, sem a exclus\u00e3o de quem quer que seja; &#8211; A cria\u00e7\u00e3o de estruturas que permitam uma rela\u00e7\u00e3o f\u00e1cil entre as capelanias hospitalares e as comunidade paroquiais que os diversos hospitais, se reportam.  A pastoral da sa\u00fade exige uma actuali-za\u00e7\u00e3o permanente pelo que a renova\u00e7\u00e3o faz parte do caminho que as capelanias est\u00e3o a percorrer. 5. H\u00e1 um ano foi nomeado um novo Capel\u00e3o Coordenador Nacional de Capel\u00e3es Hospitalares. Com ele o tempo \u00e9 de esperan\u00e7a e a renova\u00e7\u00e3o continua uma certeza.  Pe. Vitor Feytor Pinto, Coordenador Nacional da Comiss\u00e3o Nacional da Pastoral da Sa\u00fade <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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