{"id":4470,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-dia-mundial-da-pessoa-doente\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-dia-mundial-da-pessoa-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-dia-mundial-da-pessoa-doente\/","title":{"rendered":"O Dia Mundial da Pessoa Doente"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1992 que\u00a0o dia 11 de Fevereiro\u00a0\u00e9 o Dia Mundial da Pessoa Doente e sempre para esse dia o Papa escreve uma mensagem de esperan\u00e7a, de amor e de f\u00e9. Na mensagem para 2004, Jo\u00e3o Paulo II insiste no seu ensinamento do papel central de Maria &#8211; escolhida para ser m\u00e3e humana do corpo humano de Jesus &#8211; como m\u00e3e espiritual de todos os que, pela F\u00e9, s\u00e3o irm\u00e3os de Jesus Cristo. Assim, diz o Papa, \u201c aos p\u00e9s da Cruz, Maria sofre em sil\u00eancio, participa de modo muito especial, no sofrimento do Seu filho estabelecida como M\u00e3e da Humanidade est\u00e1 pronta a interceder para que cada um alcance a sa\u00fade como salva\u00e7\u00e3o\u201d. Toda a primeira parte da Mensagem \u00e9 influenciada pelo local da celebra\u00e7\u00e3o &#8211; o Santu\u00e1rio de Lourdes e os seus prod\u00edgios na cura corporal e espiritual dos seres humanos \u2013 e pela circunst\u00e2ncia dos 150 anos da proclama\u00e7\u00e3o, por Pio IX\u00a0\u00a0 do Dogma da isen\u00e7\u00e3o de Maria daquele orgulho humano que levou e leva a dizer \u201cn\u00e3o\u201d ao sim amoroso de Iav\u00e9. Sem esta isen\u00e7\u00e3o, dificilmente essa jovem e inocente judia, prometida de Jos\u00e9 segundo o costume hebraico, teria dito \u201csim\u201d \u00e0 proposta, enviada por Iav\u00e9, de gerar um filho sem ter \u201cconhecido homem\u201d. Nesta linha, o Papa desenvolve a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel, ao homem actual, aspirar, simultaneamente, \u00e0 sa\u00fade do corpo e do esp\u00edrito. O sofrimento, que tantas vezes ocupa o esp\u00edrito das pessoas doentes, pertence \u00e0 situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do homem como ser auto-consciente; cabe a cada um aprender a aceit\u00e1-lo, juntando-o aos outros dons do esp\u00edrito. Por isto, o crist\u00e3o pode integrar o seu sofrimento na alegria permanente de ser irm\u00e3o de Cristo, cujo sofrimento salv\u00edfico \u00e9 raiz dessa alegria\u00a0 e da paz e felicidade que h\u00e1 nela. N\u00e3o se trata de ret\u00f3rica teol\u00f3gica, trata-se de realidades concretas. Tenho visto e acompanhado muitos crist\u00e3os que n\u00e3o se fecham sobre o sofrimento da doen\u00e7a mas, bem pelo contr\u00e1rio, se abrem \u00e0 generosa comunica\u00e7\u00e3o da alegria de viverem em \u201cboa sa\u00fade espiritual\u201d, at\u00e9 \u00e0 cura ou at\u00e9 \u00e0 morte. E n\u00e3o \u00e9 resigna\u00e7\u00e3o sofrida ou tristeza emudecida, \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o vibrante da pessoa espiritual que se agiganta sobre as mensagens de sofrimento que o corpo doente lhe envia. Na parte final, Jo\u00e3o Paulo II \u00e9 mais directo e objectivo. Os progressos cient\u00edficos do nosso tempo permitem-nos conhecer melhor a vida, diz, e a este melhor conhecimento deve corresponder a obriga\u00e7\u00e3o de acolher, respeitar e defender a vida, desde o seu in\u00edcio, o embri\u00e3o, at\u00e9 ao seu fim natural, o homem moribundo. Esta defesa, respeito e acolhimento\u00a0\u00a0cabe primordialmente \u00e0 fam\u00edlia, cuja protec\u00e7\u00e3o tem de ser assegurada. Nela \u00e9 acolhido o nascituro, nela deve o moribundo terminar os dias da sua exist\u00eancia terrena. Aludindo \u00e0 \u201cengenharia gen\u00e9tica\u201d afirma que todo o progresso aut\u00eantico neste dom\u00ednio deve ser encorajado desde que tal progresso respeite sempre os direitos e a dignidade da pessoa desde a sua concep\u00e7\u00e3o. Porque nenhuma pessoa pode pretender ter autoridade para destruir ou manipular a vida de um ser humano. Reafirmar o primado da vida sem diabolizar a investiga\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica tem sido uma t\u00f3nica presente em in\u00fameros discursos papais e \u00e9 acolhida, em muitos centros de pesquisa, com respeito e simpatia. Os investigadores do fen\u00f3meno da vida n\u00e3o s\u00e3o, \u00e0 partida, inimigos da Vida; por exemplo, quando aspiram a usar embri\u00f5es humanos que os t\u00e9cnicos da procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida, infelizmente, colocaram na situa\u00e7\u00e3o desgra\u00e7ada de n\u00e3o terem direito ao desenvolvimento, porque s\u00e3o \u201csobras\u201d e est\u00e3o j\u00e1 exclu\u00eddos de qualquer projecto parental, nem terem direito \u00e0 vida, j\u00e1 que a congela\u00e7\u00e3o os n\u00e3o conservar\u00e1 vivos indefinidamente, os investigadores procuram obter conhecimentos ben\u00e9ficos a partir de embri\u00f5es cuja vida n\u00e3o pode j\u00e1 ser salva. Eu sei que uma finalidade boa e beneficente n\u00e3o justifica o uso de meios maleficentes, salvo em situa\u00e7\u00f5es de for\u00e7a maior ou de estado de necessidade como \u00e9 o caso de matar o outro para salvar a pr\u00f3pria vida. Mesmo que a investiga\u00e7\u00e3o torne o embri\u00e3o invi\u00e1vel e antecipe a sua morte, o primum movens do investigador n\u00e3o \u00e9 matar o embri\u00e3o e isso deve ser tido em conta no di\u00e1logo entre a nossa posi\u00e7\u00e3o de respeito absoluto pela vida e a posi\u00e7\u00e3o dos que relativizam esse direito. O mesmo deve acontecer no debate sobre eutan\u00e1sia como solu\u00e7\u00e3o para os doentes incur\u00e1veis e para os moribundos. A inten\u00e7\u00e3o pode ser boa, embora a solu\u00e7\u00e3o proposta seja m\u00e1. Esteve agendada para a reuni\u00e3o plen\u00e1ria de 29 de Janeiro da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa uma proposta de um deputado su\u00ed\u00e7o que apelava aos 43 Pa\u00edses do Conselho para que adoptassem, no seu ordenamento jur\u00eddico interno, leis semelhantes \u00e0s que existem na Holanda e, recentemente, tamb\u00e9m na B\u00e9lgica que permitem que os m\u00e9dicos matem os seus doentes sem cometerem crime de homic\u00eddio e, portanto, sem serem julgados e punidos. Incapaz de perceber que o pedido de eutan\u00e1sia \u00e9 um pedido de ajuda e apoio a um sistema de sa\u00fade que n\u00e3o sabe ou n\u00e3o quer cuidar da pessoa que sofre, o deputado su\u00ed\u00e7o Marty acha que o melhor \u00e9 mat\u00e1-la. Felizmente que o bom senso triunfou e a Mesa da Presid\u00eancia da Assembleia deliberou retirar da Agenda do Plen\u00e1rio, sine die, t\u00e3o ins\u00f3lita e amea\u00e7adora proposta. O doente incur\u00e1vel e aquele que se aproxima do fim tem de sentir que o seu sofrimento \u00e9 acolhido por pessoas dedi-cadas que lhe v\u00e3o dar todos os cuidados de conforto, um afecto atento e carinhoso e muito respeito pela sua dignidade e pelos seus valores morais e espirituais. Aos obreiros destas tarefas de acolhimento de doentes em fim de vida \u2013 m\u00e9dicos, enfermeiros, outros profissionais de sa\u00fade, volunt\u00e1rios e, principalmente, sacerdotes \u2013 a todos o Papa agradece na parte final da mensagem para o Dia Mundial da Pessoa doente. E bem merecem o agradecimento. Cuidar de quem sofre, no corpo e no esp\u00edrito, \u00e9 sinal identificador do profissional de sa\u00fade crist\u00e3o, mesmo que as condi\u00e7\u00f5es para este cuidado pluridisciplinar n\u00e3o sejam as melhores. Acolher, neste cuidado, o sofrimento dos que se aproximam do fim \u00e9 o \u00fanico meio de respeitar, neles, a dignidade humana. A eutan\u00e1sia n\u00e3o acaba com o sofrimento da pessoa, acaba \u00e9 com a pessoa que sofre, por interm\u00e9dio da maior das indignidades que \u00e9 mat\u00e1-la.  Daniel Serr\u00e3o <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1992 que\u00a0o dia 11 de Fevereiro\u00a0\u00e9 o Dia Mundial da Pessoa Doente e sempre para esse dia o Papa escreve uma mensagem de esperan\u00e7a, de amor e de f\u00e9. 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