{"id":44612,"date":"2010-04-12T18:00:56","date_gmt":"2010-04-12T18:00:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/12\/discurso-do-presidente-da-cep-na-abertura-da-assembleia-plenaria\/"},"modified":"2010-04-12T18:00:56","modified_gmt":"2010-04-12T18:00:56","slug":"discurso-do-presidente-da-cep-na-abertura-da-assembleia-plenaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-presidente-da-cep-na-abertura-da-assembleia-plenaria\/","title":{"rendered":"Discurso do presidente da CEP na abertura da Assembleia Plen\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Esta Assembleia Plen&aacute;ria da CEP acontece num ambiente sens&iacute;vel, em que se cruzam perplexidades e aproveitamentos em torno de factos ou den&uacute;ncias a que os <em>media<\/em> t&ecirc;m dado ampla cobertura. Factos e den&uacute;ncias que exigem, de todos, coragem na an&aacute;lise, justi&ccedil;a, verdade e caridade nas palavras e atitudes.<\/p>\n<p>Perante a grave les&atilde;o da dignidade pessoal das v&iacute;timas dos casos de pedofilia, importa restabelecer a justi&ccedil;a, purificar a mem&oacute;ria e reafirmar, humildemente, o compromisso da Igreja de fidelidade a Deus e de servi&ccedil;o aos homens.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, Senhor Cardeal-Patriarca, Senhores Arcebispos e Bispos, esta &eacute; uma hora de grande alegria, de entusiasmo e esperan&ccedil;a, o tempo de espera da visita do Papa, sucessor de Pedro. Estamos com o Santo Padre. Prosseguimos o nosso compromisso de fidelidade e renovamos a unidade atrav&eacute;s de um trabalho colegial, que nos orientar&aacute; para um projecto pastoral comum. A Mensagem do Papa Bento XVI dar&aacute; a este projecto, assim o esperamos, maior consist&ecirc;ncia e visibilidade. Sentimo-nos comprometidos em dar esperan&ccedil;a &agrave;s nossas comunidades e fazemo-lo a partir de um horizonte marcado pela sabedoria, de modo a oferecer luz &agrave;s complexas situa&ccedil;&otilde;es hodiernas.<\/p>\n<p><em>Caminhar na esperan&ccedil;a<\/em> com o Santo Padre dever&aacute; consistir em sublinhar algumas ideias estruturantes da sua s&aacute;bia maneira de interpretar a experi&ecirc;ncia humana, a que a &uacute;ltima enc&iacute;clica deu particular relevo. Nesta encontramos um itiner&aacute;rio verdadeiramente program&aacute;tico que ainda n&atilde;o fomos capazes de assumir cabalmente e que, talvez por isso, a sociedade contempor&acirc;nea n&atilde;o ousa descortinar como novidade para estes novos tempos.<\/p>\n<p><strong>1. A<\/strong><strong> necessidade de um novo pensamento<\/strong><\/p>\n<p>Perante a complexa transforma&ccedil;&atilde;o social que estamos a atravessar, &eacute; necess&aacute;rio promover uma opera&ccedil;&atilde;o cultural de regenera&ccedil;&atilde;o do pensamento; um pensamento novo, capaz de envolver diversos saberes e culturas, e que corresponda &agrave; natureza pluridimensional do ser humano.<\/p>\n<p>A globaliza&ccedil;&atilde;o e a rec&iacute;proca abertura cultural &eacute;, sem d&uacute;vida, um terreno privilegiado para o di&aacute;logo entre os homens de boa vontade. Aquilo que &eacute; um dom, quando n&atilde;o &eacute; acolhido em verdade, pode, contudo, tornar-se equ&iacute;voco. Ela &eacute;, por isso, geradora de ruptura de tradi&ccedil;&otilde;es, v&iacute;nculos e convic&ccedil;&otilde;es, de modo que o relativismo imp&otilde;e os seus crit&eacute;rios. Apesar de uma aparente proximidade, assistimos, nas palavras do Santo Padre, a um &ldquo;esmorecimento da esperan&ccedil;a, por uma certa desconfian&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es humanas&rdquo; (1).<\/p>\n<p>Ora, este novo pensamento tem um nome concreto: a Verdade. A verdade, tal como a beleza, cinge-se &agrave;quilo que &eacute; aut&ecirc;ntico, que n&atilde;o &eacute; ef&eacute;mero nem superficial, n&atilde;o &eacute; acess&oacute;rio nem secund&aacute;rio mas, bem pelo contr&aacute;rio, liberta, comunica, sobressalta e gera pontes para um di&aacute;logo genu&iacute;no e transversal. T&atilde;o importante quanto o horizonte da Verdade absoluta, que n&oacute;s identificamos com Jesus Cristo, s&atilde;o as leg&iacute;timas aproxima&ccedil;&otilde;es &agrave; Verdade. Neste sentido, Bento XVI alerta para o facto de que surgir&aacute; uma cultura universal que nunca ser&aacute; monol&iacute;tica (2). E n&oacute;s teremos de ser capazes de estar neste meio com uma proposta original.<\/p>\n<p>Outrora, as culturas eram perfeitamente definidas e podiam defender-se de qualquer tipo de homogeneiza&ccedil;&atilde;o pretendida por alguns. Hoje, s&oacute; uma adequada gram&aacute;tica do di&aacute;logo garantir&aacute; o encontro entre identidades culturais diferentes, numa rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca, correcta e respeitadora. Este &ldquo;&ecirc;xodo&rdquo; adquire tra&ccedil;os concretos na necess&aacute;ria abertura &agrave; f&eacute; e na coragem de sair dos esquemas habituais para entrar no are&oacute;pago das novas exig&ecirc;ncias filos&oacute;ficas, pol&iacute;ticas, sociais, econ&oacute;micas e art&iacute;sticas.<\/p>\n<p>Cabe-nos a miss&atilde;o de sermos int&eacute;rpretes da caridade, mas esta n&atilde;o exclui &ldquo;o saber, antes reclama-o, promove-o e anima-o&rdquo; (3). O amor &agrave; verdade, preocupa&ccedil;&atilde;o permanente da Igreja, deveria chegar ao Estado e a muitas outras inst&acirc;ncias de decis&atilde;o. N&atilde;o basta o esfor&ccedil;o individual ou a for&ccedil;a democr&aacute;tica dos n&uacute;meros. A verdade &eacute; uma aventura do compromisso com o bem de todos, e seria necess&aacute;rio &#8220;trazer ao processo de argumenta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica a preocupa&ccedil;&atilde;o pela verdade&#8221; (4).<\/p>\n<p><strong>2. Novo compromisso na caridade<\/strong><\/p>\n<p>Neste amor que pensa, e neste pensamento que ama, somos conduzidos &agrave; &ldquo;maravilhosa experi&ecirc;ncia do dom&rdquo;, que o orgulho humano nem sempre quer reconhecer. Somos fruto do dom e, por isso, feitos para o dom, o que faz com que procuremos e proponhamos um humanismo que se exprime na gratuidade e na reciprocidade.<\/p>\n<p>Na Enc&iacute;clica <em>Caritas in veritate<\/em> encontramos um apelo a uma verdadeira &ldquo;convers&atilde;o&rdquo;, n&atilde;o s&oacute; no modo de pensar mas tamb&eacute;m no modo do agir social. O Santo Padre j&aacute; havia referido, na <em>Introdu&ccedil;&atilde;o ao Cristianismo<\/em>, um princ&iacute;pio verdadeiramente inovador que agora inculca como novidade para o presente hist&oacute;rico: &ldquo;O receber precede o fazer&rdquo;. Na Enc&iacute;clica interpela a que se transite de um cen&aacute;rio onde os homens s&atilde;o vistos como os &uacute;nicos e originais reguladores e construtores da sociedade para outra realidade completamente distinta, onde se tornam humildes na escuta de um sentido que &eacute; dado e que nasce de um projecto recebido sobre a humanidade.<\/p>\n<p>Daqui emerge o dever da Igreja se expressar como visibilidade do amor de Deus. A caridade e a solidariedade pertencem &agrave; sua natureza e, como consequ&ecirc;ncia, o crist&atilde;o, de modo individual ou atrav&eacute;s de diferentes institui&ccedil;&otilde;es, tem de assinalar a hist&oacute;ria de hoje com este sinal distintivo. Nem todos querem reconhecer o trabalho existente e s&atilde;o poucos aqueles que conhecem o dinamismo da caridade. N&atilde;o estamos numa exposi&ccedil;&atilde;o de vaidades, mas a sociedade necessita de (re)conhecer o que move muitas institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Reconhecendo os luzeiros de amor espalhados por todo o pa&iacute;s, teremos de intensificar esta aposta, fazendo com que o exerc&iacute;cio da caridade n&atilde;o apare&ccedil;a &ldquo;desequilibrado&rdquo; perante uma aposta preferencial na catequese e na liturgia. A caridade, em muitas comunidades, parece surgir como um ap&ecirc;ndice, quando deveria tornar-se o testemunho onde a vida crist&atilde; cresce e se fortalece (5), uma vez que a caridade pode, de igual modo, tornar-se o cora&ccedil;&atilde;o e a estrada da evangeliza&ccedil;&atilde;o (6).<\/p>\n<p>A t&iacute;tulo de exemplo, recordamos a necessidade de refor&ccedil;ar a dimens&atilde;o preventiva e de proximidade, mais do que a terap&ecirc;utica ou curativa; personalizar as respostas, evitando o anonimato, a burocratiza&ccedil;&atilde;o; assinalar novas situa&ccedil;&otilde;es e formas de pobreza e denunciar direitos que n&atilde;o s&atilde;o respeitados; solicitar novas respostas e sugerir prioridades. Como Igreja, e em caridade criativa, teremos de descobrir, reconhecer e libertar os pobres. Sabemos que existem situa&ccedil;&otilde;es de mis&eacute;ria escandalosa. Precisamos de ir ao encontro daqueles que sofrem e oferecer-lhes uma dignidade superior &agrave; de um mero n&uacute;mero estat&iacute;stico (7).<\/p>\n<p><strong>3. A<\/strong><strong> ousadia do dom no mundo do mercado<\/strong><\/p>\n<p>O presente <em>Ano Mundial da Erradica&ccedil;&atilde;o da Pobreza<\/em> mostra que, infelizmente, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel descansar ou dar tr&eacute;guas. A concorr&ecirc;ncia desenfreada e uma assustadora avidez do lucro para um consumismo impensado interrogam-nos se seremos capazes de propor modelos alternativos. O Santo Padre sugere a l&oacute;gica do dom e da gratuidade como resposta &agrave;s exig&ecirc;ncias frias do mercado. A cultura da modernidade relega a gratuidade para a esfera privada, expulsando-a, decididamente, do espa&ccedil;o pol&iacute;tico e, particularmente, do mundo econ&oacute;mico onde se pretende que triunfe o contrato. Numa cultura do dar, reconhecemos que o lucro n&atilde;o pode ser o &uacute;nico fim da vida individual e, particularmente, de uma empresa.<\/p>\n<p>A gratuidade necessita de entrar em todos os &acirc;mbitos da vida e exige a reciprocidade para uma concreta interpreta&ccedil;&atilde;o do humanismo crist&atilde;o. Ela beneficia quem recebe mas tamb&eacute;m quem d&aacute;. S&oacute; deste modo se conseguem ultrapassar as gigantescas assimetrias que negam a possibilidade de uma vida digna para todos. Com a gratuidade e a reciprocidade compreende-se o bem comum como diferente da soma dos bens privados. O bem p&uacute;blico s&oacute; acontece quando os interesses de cada um se realizam em simult&acirc;neo, e nunca contra os outros ou prescindindo dos outros.<\/p>\n<p>A conjuga&ccedil;&atilde;o da gratuidade com a reciprocidade exige uma rela&ccedil;&atilde;o entre os direitos e os deveres (8). Foi-se criando um clima de reconhecimento justo dos direitos que n&atilde;o acompanhou a import&acirc;ncia de uma viv&ecirc;ncia respons&aacute;vel dos deveres. O futuro da sociedade est&aacute; condicionado pelo contributo que cada um oferece para um clima de confian&ccedil;a m&uacute;tua, de seguran&ccedil;a e de tranquilidade.<\/p>\n<p><strong>4. Repartir com alegria<\/strong><\/p>\n<p>O Santo Padre encontrar&aacute; o Santu&aacute;rio de F&aacute;tima a encerrar o itiner&aacute;rio dos mandamentos e a propor uma vis&atilde;o positiva &#8211; <em>repartir com alegria<\/em> &#8211; do d&eacute;cimo mandamento &#8220;N&atilde;o cobi&ccedil;ar as coisas alheias&#8221;.<\/p>\n<p>N&atilde;o custa muito reconhecer, em algumas pessoas, um desejo desordenado pelos bens materiais. A acumula&ccedil;&atilde;o desonesta, plasmada numa ast&uacute;cia nem sempre eticamente certa e guiada por processos desumanizantes da economia, gera uma actividade sem escr&uacute;pulos e situa&ccedil;&otilde;es de corrup&ccedil;&atilde;o ou de aproveitamento dos mais fracos.<\/p>\n<p>A redescoberta de novos caminhos para a economia deve contemplar a dignidade do ser humano, num respeito por todos, a partir de uma considera&ccedil;&atilde;o englobante das diversas dimens&otilde;es da exist&ecirc;ncia humana. Ora, &eacute; certo que este novo caminho est&aacute; sujeito a perigos contrastantes. A vigil&acirc;ncia deve ser, por isso, permanente, sem medo de criticar os frequentes desvios que est&atilde;o a gerar situa&ccedil;&otilde;es injustas e pecaminosas, como consequ&ecirc;ncia de muita apropria&ccedil;&atilde;o indevida (9).<\/p>\n<p>Nunca poderemos ser redutores ao individualizar as causas. Mas, em termos gerais, podemos afirmar que a apropria&ccedil;&atilde;o indevida dos bens e a avidez de ganhos explicita-se na corrup&ccedil;&atilde;o, na usura, na especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, na fuga aos impostos, na especula&ccedil;&atilde;o bolsista, na falta de transpar&ecirc;ncia, etc. Adora-se o &ldquo;&iacute;dolo&rdquo; do ter com um cora&ccedil;&atilde;o que cobi&ccedil;a o alheio.<\/p>\n<p>Se &eacute; necess&aacute;rio um ordenamento jur&iacute;dico onde esteja vincado o sentido de uma economia social, a mensagem crist&atilde; continua a dirigir-se ao mundo interior do ser humano. A&iacute;, e s&oacute; a&iacute;, pode acontecer a convers&atilde;o, descentralizando os interesses de um &ldquo;eu&rdquo; para um &ldquo;n&oacute;s&rdquo; capaz de proporcionar felicidade a todos e n&atilde;o apenas a alguns. A partilha, numa economia de verdadeira comunh&atilde;o, e de &eacute;tica social, &eacute; o testemunho que a Igreja deve proclamar e viver (10). Para isso, os caminhos da solidariedade exigem a sobriedade que parece ser alheia aos dinamismos de quem acredita na felicidade do ter e no gozo ilimitado. Viver para al&eacute;m das reais possibilidades engana e est&aacute; a conduzir a situa&ccedil;&otilde;es dram&aacute;ticas na vida das pessoas e das fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>S&atilde;o estas algumas considera&ccedil;&otilde;es de um pensamento novo, oriundo de uma descoberta do amor como verdade. A caridade na verdade &eacute; muito mais que o t&iacute;tulo de uma enc&iacute;clica. &Eacute; a causa, a condi&ccedil;&atilde;o, o caminho, o processo e a realiza&ccedil;&atilde;o de um verdadeiro humanismo. Nesta perspectiva, teremos de reconhecer que as tremendas anomalias que caracterizam a nossa sociedade s&atilde;o doen&ccedil;as graves que necessitam de ser encaradas com experi&ecirc;ncias corajosas e inovadoras, projectando um caminho novo a percorrer com novas regras e novas orienta&ccedil;&otilde;es. O nosso contributo, a expressar atrav&eacute;s de uma ac&ccedil;&atilde;o pastoral repensada e dominada por uma reinterpreta&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia mission&aacute;ria, pode e deve ser esperan&ccedil;a para o povo portugu&ecirc;s, a que o Santo Padre vir&aacute; trazer refor&ccedil;adas motiva&ccedil;&otilde;es e horizontes.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jorge Ortiga, presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>1- Bento XVI, <em>Discurso aos artistas, <\/em>2010<\/p>\n<p>2 -Bento XVI, <em>Enc&iacute;clica Caritas in veritate <\/em>(CV)<em>, <\/em>42.<\/p>\n<p>3 -&ldquo;A ac&ccedil;&atilde;o &eacute; cega sem o saber, e esta &eacute; est&eacute;ril sem o amor&rdquo;. &ldquo;As exig&ecirc;ncias do amor n&atilde;o contradizem as da raz&atilde;o&rdquo;. &ldquo;N&atilde;o aparece a intelig&ecirc;ncia e depois o amor: h&aacute; o amor rico de intelig&ecirc;ncia e a intelig&ecirc;ncia cheia de amor&rdquo; (CV 30).<\/p>\n<p>4 &#8211; Bento XVI, <em>Discurso para o encontro na Universidade de Roma &ldquo;La Sapienza&rdquo;<\/em>, citando o autor J&uuml;rgen Habermas.<\/p>\n<p>5 &#8211; &ldquo;Para a Igreja, a mensagem social do Evangelho n&atilde;o deve ser considerada uma teoria, mas sobretudo um fundamento e uma motiva&ccedil;&atilde;o para a ac&ccedil;&atilde;o (&hellip;). A Igreja est&aacute; consciente, hoje mais que nunca, de que a sua mensagem social encontrar&aacute; credibilidade primeiro no testemunho das obras e s&oacute; depois na sua coer&ecirc;ncia e l&oacute;gica interna&rdquo; (Jo&atilde;o Paulo II, <em>Centesimus Annus<\/em>, 57).<\/p>\n<p>6 &#8211; &ldquo;Se evangelizar significa encontrar os homens com o amor de Cristo, parece evidente que o servi&ccedil;o aos pobres &eacute; parte integrante da evangeliza&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o fruto dela. Ali&aacute;s, &eacute; parte eminente da evangeliza&ccedil;&atilde;o, porque na escolha dos &uacute;ltimos manifesta-se mais claramente o car&aacute;cter desinteressado e gratuito da caridade&rdquo; (C.E.I., <em>Il vangelo della carit&agrave; per una nuova societ&agrave; in Italia<\/em>, 1997).<\/p>\n<p>7 &#8211; &ldquo;O nosso amor entre n&oacute;s, o nosso amor pelos irm&atilde;os, que s&atilde;o todos os homens dos mais pr&oacute;ximos aos mais long&iacute;nquos; dos mais pequenos, das mais pobres, dos mais necessitados at&eacute; aqueles que nos s&atilde;o antip&aacute;ticos e inimigos. Esta &eacute; a fonte da nossa sociologia, esta &eacute; a Igreja, a sociedade do amor&rdquo; (Paulo VI, <em>Homilia na solenidade do Corpo de Deus<\/em>, 1970).<\/p>\n<p>8 &#8211; Bento XVI, <em>Enc&iacute;clica<\/em> <em>Caritas in veritate, <\/em>43.<\/p>\n<p>9 &#8211; &ldquo;A crise obriga-nos a projectar de novo o nosso caminho, a impor-nos regras novas e encontrar novas formas de empenhamento, a apostar em experi&ecirc;ncias positivas e rejeitar as negativas&rdquo; (CV 21).<\/p>\n<p>10 &#8211; &nbsp;&ldquo;O grande desafio que temos diante de n&oacute;s &ndash; resultante dos problemas do desenvolvimento neste tempo de globaliza&ccedil;&atilde;o, mas revestindo-se de maior exig&ecirc;ncia com a crise econ&oacute;mico-financeira &ndash; &eacute; mostrar, a n&iacute;vel tanto de pensamento como de comportamentos, que n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o podem ser transmudados ou atenuados os princ&iacute;pios tradicionais da &eacute;tica social, como a transpar&ecirc;ncia, honestidade e a responsabilidade, mas tamb&eacute;m que, nas rela&ccedil;&otilde;es comerciais, o princ&iacute;pio de gratuidade e a l&oacute;gica do dom como express&atilde;o da fraternidade podem e devem encontrar lugar dentro da actividade econ&oacute;mica normal&rdquo; (CV 36).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta Assembleia Plen&aacute;ria da CEP acontece num ambiente sens&iacute;vel, em que se cruzam perplexidades e aproveitamentos em torno de factos ou den&uacute;ncias a que os media t&ecirc;m dado ampla cobertura. 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