{"id":44597,"date":"2010-04-12T13:33:24","date_gmt":"2010-04-12T13:33:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/12\/a-preparacao-para-o-matrimonio-na-palavra-da-igreja-d-jose-policarpo\/"},"modified":"2010-04-12T13:33:24","modified_gmt":"2010-04-12T13:33:24","slug":"a-preparacao-para-o-matrimonio-na-palavra-da-igreja-d-jose-policarpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-preparacao-para-o-matrimonio-na-palavra-da-igreja-d-jose-policarpo\/","title":{"rendered":"A prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio na palavra da Igreja (D. Jos\u00e9 Policarpo)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Confer&ecirc;ncia nas Jornadas Internacionais da FICPM<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>F&aacute;tima, 8 de Abril de 2010<\/em><\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>1. O t&iacute;tulo da Confer&ecirc;ncia que me foi pedida sugere que apresente, em s&iacute;ntese, as actuais orienta&ccedil;&otilde;es do Magist&eacute;rio da Igreja para a prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio. Trata-se de um Magist&eacute;rio abundante, onde se explicita a doutrina cat&oacute;lica sobre o sacramento do matrim&oacute;nio e sobre a fam&iacute;lia enquanto experi&ecirc;ncia base da Igreja comunh&atilde;o, a &ldquo;Igreja dom&eacute;stica&rdquo;, e onde se arriscam mesmo sugest&otilde;es operacionais de ac&ccedil;&atilde;o pastoral: desde a <strong>Gaudium et Spes<\/strong>, do Conc&iacute;lio Vaticano II, &agrave; <strong>Familiaris Consortio<\/strong>, Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica do S&iacute;nodo sobre a Fam&iacute;lia, e &agrave; <strong>Evangelium Vitae<\/strong>, de Jo&atilde;o Paulo II. Por seu lado, o documento do Conselho Pontif&iacute;cio para a Fam&iacute;lia, de 1996, intitulado &ldquo;Prepara&ccedil;&atilde;o para o Sacramento do Matrim&oacute;nio&rdquo;, que pretende ajudar a traduzir, em dinamismos de novidade pastoral, a doutrina daqueles documentos, interpelando as Confer&ecirc;ncias Episcopais, os Bispos e as Dioceses, as par&oacute;quias, as estruturas de pastoral evangelizadora, sobretudo da juventude, assim como os diversos movimentos que se t&ecirc;m empenhado na pastoral de prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio. Ali&aacute;s, o contributo destes diversos movimentos na elabora&ccedil;&atilde;o do documento ressalta &agrave; vista.<\/p>\n<p>A ideia de me limitar a fazer uma s&iacute;ntese desses ensinamentos n&atilde;o me entusiasmou: seria redizer o que j&aacute; est&aacute; dito, em documentos dispon&iacute;veis a todos. Ressalta a convic&ccedil;&atilde;o de que a prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio &eacute; uma urg&ecirc;ncia pastoral, com a determina&ccedil;&atilde;o e a criatividade exigidas pelas profundas altera&ccedil;&otilde;es culturais da sociedade. Mas, se depois de meditarmos essa palavra l&uacute;cida da Igreja, olharmos para a realidade, damo-nos conta das dificuldades em encontrar formas inovadoras de pastoral, que criem um novo dinamismo transformador. Saltou-me &agrave; mem&oacute;ria a afirma&ccedil;&atilde;o de um pensador contempor&acirc;neo: &ldquo;quando eu nasci j&aacute; tinha sido dito tudo sobre a salva&ccedil;&atilde;o do mundo; s&oacute; faltava salvar o mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>O Cardeal Walter Kasper, em precioso livro, escrito por ocasi&atilde;o do seu pr&oacute;prio jubileu sacerdotal, diz, referindo-se &agrave; profunda muta&ccedil;&atilde;o cultural da Europa, p&aacute;tria secular da implanta&ccedil;&atilde;o do cristianismo: &ldquo;Nesta nova situa&ccedil;&atilde;o, o cristianismo assume, hoje, num sentido que precisa de ser bem compreendido, uma nova fisionomia hist&oacute;rica. Estamos apenas no in&iacute;cio desta nova abertura. Claro que a Igreja &eacute; sempre a mesma em todos os s&eacute;culos, mas tamb&eacute;m &eacute; sempre um caminho para descobrir, de maneira nova, a novidade do Evangelho. O Conc&iacute;lio Vaticano II indicou, num tempo concreto, os caminhos para o fazer, e pode ser uma b&uacute;ssola fi&aacute;vel para o seu caminho no s&eacute;culo XXI.<\/p>\n<p>Infelizmente, estamos ainda muito longe de termos tomado plenamente consci&ecirc;ncia das propor&ccedil;&otilde;es desta mudan&ccedil;a, dos desafios a enfrentar e da necess&aacute;ria orienta&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria da pastoral nos nossos pa&iacute;ses. A for&ccedil;a da in&eacute;rcia, uma mentalidade de beato possuidor e o medo do que &eacute; novo, s&atilde;o muito grandes. Muitos querem continuar a fazer, o melhor que podem, aquilo que sempre se fez, mas a longo prazo isso n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel&rdquo; [1]. Ao lan&ccedil;ar este desafio, o Cardeal Kasper refere o dinamismo que j&aacute; Paulo VI lan&ccedil;ou na <strong>Evangelii Nuntiandi<\/strong> e Jo&atilde;o Paulo II, quando fala de uma renovada e nova evangeliza&ccedil;&atilde;o. Mas n&atilde;o tinha sido j&aacute; esse o desafio lan&ccedil;ado por Jo&atilde;o XXIII ao convocar o Conc&iacute;lio? Sens&iacute;vel &agrave; profunda muta&ccedil;&atilde;o cultural da sociedade, o Conc&iacute;lio desafia a Igreja a tomar consci&ecirc;ncia do seu mist&eacute;rio para reinventar os caminhos da sua miss&atilde;o na sociedade que mudou.<\/p>\n<p>Assim tracei como objectivo desta Confer&ecirc;ncia, &agrave; luz da clara doutrina da Igreja, sonhar caminhos novos para a evangeliza&ccedil;&atilde;o, no quadro da qual se deve garantir a prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio. O tema fica, assim, mais pr&oacute;ximo do desafio da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, do que da an&aacute;lise de verdades e caminhos conhecidos, mas que n&atilde;o podemos correr o risco, denunciado por Walter Kasper, de teimar fazer, o melhor poss&iacute;vel, o que sempre se fez. &ldquo;Vinho novo em odres novos&rdquo; (Mc, 2,22).&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O desafio de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>2. A express&atilde;o, querida a Jo&atilde;o Paulo II, retoma a intui&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o XXIII, ao convocar o Conc&iacute;lio, e de Paulo VI na <strong>Evangelii Nuntiandi<\/strong>. Aos Bispos da Am&eacute;rica Latina, ao celebrar os 500 anos da primeira evangeliza&ccedil;&atilde;o, perante as profundas altera&ccedil;&otilde;es da sociedade, que se repercutem na afirma&ccedil;&atilde;o da Igreja nesse continente, Jo&atilde;o Paulo II diz: &ldquo;A comemora&ccedil;&atilde;o de meio mil&eacute;nio de evangeliza&ccedil;&atilde;o encontrar&aacute; o seu significado pleno se for um compromisso vosso como Bispos, em conjunto com o vosso presbit&eacute;rio e com os vossos fi&eacute;is. Um compromisso de qu&ecirc;? N&atilde;o certamente de uma re-evangeliza&ccedil;&atilde;o, mas sim de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; [2].<\/p>\n<p>Qual era, para Jo&atilde;o Paulo II, a diferen&ccedil;a entre re-evangeliza&ccedil;&atilde;o e nova evangeliza&ccedil;&atilde;o? &Eacute; claro que n&atilde;o se trata de repetir o passado. A mensagem &eacute; a mesma de sempre, mas &eacute; outra a sociedade e a cultura. Como diz Walter Kasper, n&atilde;o basta continuar a fazer, o melhor poss&iacute;vel, o que sempre se fez. &Eacute; preciso encontrar caminhos novos. Talvez, porque algu&eacute;m fez a pergunta, o Santo Padre, numa outra refer&ecirc;ncia &agrave; &ldquo;nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, acrescenta: &ldquo;evangeliza&ccedil;&atilde;o, nova no seu ardor, nos seus m&eacute;todos e nas suas express&otilde;es&rdquo;. O tema inspira a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o Pastoral &ldquo;Gaudium et Spes&rdquo;, sobre a Igreja no mundo contempor&acirc;neo, quando fala do dever de ler os &ldquo;sinais dos tempos&rdquo;, encontrando na realidade do mundo contempor&acirc;neo sinais que possam ser portas abertas &agrave; mensagem crist&atilde; [3].<\/p>\n<p>Procuraremos, a partir de agora, considerar a problem&aacute;tica da prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio, na perspectiva de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o do amor. Fi&eacute;is ao desafio de Jo&atilde;o Paulo II, n&atilde;o fugiremos &agrave; realidade, olhando-a com esperan&ccedil;a; veremos em que possa consistir esse &ldquo;novo ardor&rdquo; na proclama&ccedil;&atilde;o da verdade crist&atilde; e que m&eacute;todos adoptar.&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Olhar a realidade com esperan&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>3. A fam&iacute;lia &eacute; um micro-cosmos onde incidem e se repercutem todas as grandes mudan&ccedil;as da sociedade, sofrendo, ela pr&oacute;pria, hoje, uma profunda muta&ccedil;&atilde;o cultural e por isso s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel evangelizar o amor, procurando reagir &agrave; muta&ccedil;&atilde;o cultural, evangelizando a cultura e a sociedade. Trata-se de incutir, sobretudo nas crian&ccedil;as e nos jovens, crit&eacute;rios e perspectivas de vida, que n&atilde;o sejam s&oacute; os da cultura ambiente, mas exprimam a beleza da novidade da vida crist&atilde;.<\/p>\n<p>Limitar-me-ei a apontar aqueles tra&ccedil;os da muta&ccedil;&atilde;o cultural das nossas sociedades que mais se repercutem no matrim&oacute;nio e na fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>Antes de mais, a tend&ecirc;ncia da cultura contempor&acirc;nea que favorece o ate&iacute;smo. Para muitos Deus n&atilde;o existe ou &eacute; como se n&atilde;o existisse, porque n&atilde;o interfere na nossa vida. Relativizou-se uma dimens&atilde;o estruturante do judeo-cristianismo, a certeza de que Deus age na nossa vida e na nossa hist&oacute;ria. N&atilde;o h&aacute; alian&ccedil;a poss&iacute;vel com um Deus inexistente ou inoperante. E mesmo para aqueles que ainda n&atilde;o &ldquo;mataram&rdquo; Deus, a sua f&eacute; n&atilde;o &eacute; uma alian&ccedil;a de amor e de confian&ccedil;a, que envolve toda a exist&ecirc;ncia e d&aacute; sentido a todas as nossas experi&ecirc;ncias e op&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Esquecido Deus, o homem torna-se o centro da vida e da hist&oacute;ria. A vida ser&aacute; o que ele for capaz de fazer; a sua intelig&ecirc;ncia &eacute; a fonte exclusiva da verdade; a sua liberdade torna-se um absoluto. Com a exalta&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo, obscurece-se a dimens&atilde;o comunit&aacute;ria. A verdade deixa de ser a verdade de uma comunidade que faz tradi&ccedil;&atilde;o, e a liberdade individual deixa de assumir o desafio da responsabilidade comunit&aacute;ria pelos outros. Neste quadro, relativiza-se facilmente a exig&ecirc;ncia &eacute;tica como luz inspiradora dos comportamentos, esbatem-se as fronteiras entre o bem e o mal. Os princ&iacute;pios &eacute;ticos que se herdaram do passado e se receberam duma comunidade mais alargada, s&atilde;o considerados imposi&ccedil;&otilde;es limitativas da liberdade individual.<\/p>\n<p>Quando Deus deixa de ser protagonista da nossa hist&oacute;ria, inter-agindo connosco, relativizam-se conceitos como o de cria&ccedil;&atilde;o e de salva&ccedil;&atilde;o. Quando o homem deixa de se considerar criatura de Deus, e o universo um dom do mesmo Criador, perde-se a no&ccedil;&atilde;o do des&iacute;gnio amoroso gravado no nosso cora&ccedil;&atilde;o, e cuja realiza&ccedil;&atilde;o ser&aacute; a mais bela aventura da nossa liberdade. N&atilde;o h&aacute; lei natural gravada no cora&ccedil;&atilde;o humano. A natureza e a sua lei natural n&atilde;o s&atilde;o um absoluto e o homem, que experimentou alter&aacute;-las, come&ccedil;a a acreditar que a poder&aacute; mud&aacute;-las radicalmente. Estamos a viver um momento de ousadia quando se quer decidir que, afinal, o casamento j&aacute; n&atilde;o &eacute;, necessariamente, a uni&atilde;o de um homem e de uma mulher.<\/p>\n<p>Esquecendo Deus, perdeu-se a perspectiva de eternidade. O &ldquo;para sempre&rdquo;, &ldquo;para a eternidade&rdquo; desaparece do vocabul&aacute;rio. A pr&oacute;pria sociedade de consumo consagrou o princ&iacute;pio do &ldquo;usa e deita fora&rdquo;. N&atilde;o h&aacute; valores perenes nem escolhas definitivas. Tudo &eacute; transit&oacute;rio, ao sabor do momento e das escolhas de cada um.<\/p>\n<p>Consequ&ecirc;ncia desta dificuldade em assumir, com coragem e fidelidade, a dimens&atilde;o perene de compromissos fundamentais, est&aacute; a crescente dilui&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o institucional do casamento, baseada num contrato celebrado entre o homem e a mulher, constituindo, assim, a institui&ccedil;&atilde;o familiar, a qual exige estabilidade e perenidade. O casamento come&ccedil;a a ser apresentado como um encontro de amor entre duas pessoas, que se acaba quando se esgota o amor.<\/p>\n<p>4. Todos estes sintomas da muta&ccedil;&atilde;o cultural se repercutem no casamento. Est&atilde;o na origem de uma vis&atilde;o da felicidade que se deseja, marcada pelo hedonismo. Esqueceu-se progressivamente o desafio crist&atilde;o da felicidade, baseada na generosidade do dom: &ldquo;&eacute; no dar que se recebe&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Chamo hedonismo a um conceito de vida e de felicidade a conseguir imediatamente, fruindo tudo o que a natureza nos oferece. O que &eacute; natural &eacute; bom e leg&iacute;timo, excluindo a dimens&atilde;o sobrenatural de reconstru&ccedil;&atilde;o do homem. O modelo de vida e de felicidade que as sabedorias profanas veiculam &eacute; hedonista, consumista, exclui o sentido do sofrimento e relativiza a perenidade da felicidade a construir na fidelidade. A avidez, a gan&acirc;ncia, o materialismo, a relativiza&ccedil;&atilde;o das escolhas de vida que se fizeram, s&atilde;o consequ&ecirc;ncia dessa perspectiva. Este modelo de felicidade &eacute; insaci&aacute;vel, exige-se sempre mais e culpam-se facilmente os outros por n&atilde;o o conseguirmos. A felicidade a construir, &agrave; imagem do esfor&ccedil;o e persist&ecirc;ncia do atleta que corre no est&aacute;dio, quase desapareceu. S&atilde;o os outros que t&ecirc;m obriga&ccedil;&atilde;o de garantir que eu seja feliz. Percebemos melhor o Serm&atilde;o da Montanha: &ldquo;Bem-aventurados os que t&ecirc;m um cora&ccedil;&atilde;o de pobre&rdquo;, e o Evangelho anunciado aos pobres, devido &agrave; sua maior disponibilidade para acolher a surpresa de Deus.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil anunciar o Evangelho a pessoas que t&ecirc;m esta concep&ccedil;&atilde;o da felicidade. &Eacute; o esc&acirc;ndalo da Cruz, de que falava Paulo. A mensagem crist&atilde;, com a sua exig&ecirc;ncia renovadora, &eacute; considerada desadaptada para o homem, ele que se considera capaz de resolver todas as interroga&ccedil;&otilde;es da sua exist&ecirc;ncia e de construir a sua pr&oacute;pria felicidade&rdquo; [4].<\/p>\n<p><strong>A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o exige um novo ardor<\/strong><\/p>\n<p>5. Em que consiste e como se exprime este &ldquo;novo ardor&rdquo;? Jo&atilde;o Paulo II deixou-nos o testemunho da sua pr&oacute;pria vida. Nele, esse ardor era uma paix&atilde;o por Jesus Cristo e a evangeliza&ccedil;&atilde;o era sempre o an&uacute;ncio e manifesta&ccedil;&atilde;o do amor de Jesus Cristo. Recordemos as suas palavras logo na sua primeira Enc&iacute;clica: &ldquo;Jesus Cristo &eacute; o centro do cosmos e da hist&oacute;ria. Para Ele se dirigem o meu pensamento e o meu cora&ccedil;&atilde;o nesta hora solene da hist&oacute;ria (&hellip;). A &uacute;nica orienta&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, a &uacute;nica direc&ccedil;&atilde;o da intelig&ecirc;ncia, da vontade e do cora&ccedil;&atilde;o para n&oacute;s &eacute; esta: na direc&ccedil;&atilde;o de Cristo, redentor do homem, na direc&ccedil;&atilde;o de Cristo redentor do mundo. Para Ele queremos olhar, porque s&oacute; n&rsquo;Ele, Filho de Deus est&aacute; a salva&ccedil;&atilde;o&rdquo; [5]. Como n&atilde;o recordar o ardor com que o Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II confessou que Cristo &eacute; o fim da hist&oacute;ria humana, o ponto para onde tendem os desejos da hist&oacute;ria e da civiliza&ccedil;&atilde;o, o centro do g&eacute;nero humano, a alegria de todos os cora&ccedil;&otilde;es e a plenitude de todas as suas aspira&ccedil;&otilde;es&rdquo; [6].<\/p>\n<p>Aos jovens chamou Jo&atilde;o Paulo II os &ldquo;aliados naturais de Jesus Cristo&rdquo;. Com Cristo, eles far&atilde;o a diferen&ccedil;a. Na sua Carta Apost&oacute;lica aos Jovens no Ano Internacional da Juventude, referindo-se &agrave; quest&atilde;o maior que os interpela nessa idade, a voca&ccedil;&atilde;o esponsal, o Papa afirma: &ldquo;Por isso, pe&ccedil;o-vos que n&atilde;o interrompais o di&aacute;logo com Cristo nesta fase extremamente importante da vossa juventude; e pe&ccedil;o-vos mesmo que vos empenheis ainda mais nesse di&aacute;logo. Quando Cristo diz &laquo;segue-Me&raquo;, o seu chamamento pode significar: &laquo;chamo-te para um outro amor ainda&raquo;; no entanto, muito frequentemente significa: &laquo;segue-Me&raquo; a mim que sou o Esposo da Igreja &ndash; da minha esposa&hellip;; vem, torna-te tamb&eacute;m tu esposo da tua esposa&hellip;, torna-te tamb&eacute;m tu a esposa do teu esposo. Tornai-vos ambos participantes daquele mist&eacute;rio, daquele sacramento, do qual o autor da Carta aos Ef&eacute;sios diz que &eacute; grande: grande &laquo;em rela&ccedil;&atilde;o a Cristo e &agrave; Igreja&raquo;&rdquo;. E mais &agrave; frente: &ldquo;Desejaria que acredit&aacute;sseis e vos convenc&ecirc;sseis de que este vosso &laquo;grande mist&eacute;rio&raquo; humano tem o seu princ&iacute;pio em Deus que &eacute; o Criador, est&aacute; radicado em Cristo Redentor, o qual, como o esposo, &laquo;se entregou a si mesmo&raquo; e ensina a todos os esposos e a todas as esposas a &laquo;entregarem-se&raquo; um ao outro, segundo a plena medida da dignidade pessoal de cada um e de cada uma. Cristo ensina-nos o amor esponsal&rdquo; [7].<\/p>\n<p>Esta descoberta de Jesus Cristo &eacute; pessoal e acontece ao ritmo do Esp&iacute;rito e do cora&ccedil;&atilde;o de cada um. Mas sup&otilde;e uma catequese concebida como caminhada de descoberta da pessoa de Jesus, em que a doutrina &eacute; confirmada pelo calor do testemunho, de pais, catequistas, sacerdotes. Temos de nos afastar de uma catequese concebida como aprendizagem de uma doutrina, dando lugar &agrave; catequese como caminhada de descoberta da vida. Essa &eacute; a pedagogia catecumenal. Para todos, mas sobretudo para os jovens, s&atilde;o importantes as aut&ecirc;nticas testemunhas da f&eacute;.<\/p>\n<p>Esse &ldquo;novo ardor&rdquo; incendeia-se na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, na adora&ccedil;&atilde;o, na experi&ecirc;ncia mission&aacute;ria, em toda a experi&ecirc;ncia de amor generoso. A possibilidade de viver, hoje, o matrim&oacute;nio crist&atilde;o, sacramento de gra&ccedil;a, descobre-se em toda esta caminhada de descoberta de Jesus Cristo, e n&atilde;o apenas no contexto de uma forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica. Esses jovens, tocados por esse ardor, no momento pr&oacute;prio descobrem que Cristo est&aacute; no centro do seu amor e que este se torna express&atilde;o do amor a Jesus Cristo. Sem essa descoberta apaixonada, as caracter&iacute;sticas teol&oacute;gicas e morais do casamento religioso s&atilde;o vistas como exig&ecirc;ncias da Igreja, que n&atilde;o resistir&atilde;o &agrave;s dificuldades e ao confronto com a cultura ambiente.<\/p>\n<p><strong>A nova evangeliza&ccedil;&atilde;o tem de ser nova nas suas express&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>6. A que se refere Jo&atilde;o Paulo II? Certamente ao amor testemunhal, manifestado na comunica&ccedil;&atilde;o da f&eacute;. No caso concreto dos jovens, etapa da vida em que se pode descobrir o sentido profundo do amor humano, maturando uma voca&ccedil;&atilde;o de matrim&oacute;nio, &eacute; importante que nessa caminhada se exprimam dimens&otilde;es constitutivas da identidade crist&atilde;, que inspirando toda a vida, d&atilde;o sentido &agrave; escolha do caminho do matrim&oacute;nio.<\/p>\n<p>* <strong>A natureza e a gra&ccedil;a<\/strong>. O homem foi criado com potencialidades que lhe permitem chegar &agrave; vida, na comunh&atilde;o de amor. Entre essas potencialidades est&aacute; a complementaridade do homem e da mulher, criados &agrave; imagem de Deus, marcados pelo desejo de serem um s&oacute; no amor. &Eacute; certo que o pecado enfraqueceu essas potencialidades da natureza, mas n&atilde;o as anulou. A gra&ccedil;a, ou seja, a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito de Jesus ressuscitado, n&atilde;o prop&otilde;e uma perfei&ccedil;&atilde;o contra a natureza, mas a plena realiza&ccedil;&atilde;o das suas capacidades. A evangeliza&ccedil;&atilde;o deve sublinhar tanto a beleza do ser humano, como a necessidade da for&ccedil;a do Esp&iacute;rito para ser plenamente humano.<\/p>\n<p>No matrim&oacute;nio, como voca&ccedil;&atilde;o &agrave; santidade, na perfei&ccedil;&atilde;o do amor, cruzam-se, como em nenhuma outra experi&ecirc;ncia humana, a natureza e a gra&ccedil;a. N&atilde;o se pode valorizar o matrim&oacute;nio, diminuindo a natureza. A evangeliza&ccedil;&atilde;o deve mostrar aos jovens a beleza da sua humanidade, ensin&aacute;-los a acolh&ecirc;-la como um dom e uma responsabilidade. Exaltar a beleza do amor conjugal, rebaixando o que &eacute; natural, s&oacute; pode levar ao abandono da perspectiva da gra&ccedil;a. Com a ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, Deus s&oacute; quer que o homem e a mulher sejam plenamente humanos. A gra&ccedil;a da reden&ccedil;&atilde;o plenifica a cria&ccedil;&atilde;o; ela &eacute; uma segunda cria&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>* <strong>O ritmo sacramental<\/strong>. &Eacute; imposs&iacute;vel mergulhar na profundidade do sacramento do matrim&oacute;nio, sem captar o ritmo sacramental da gra&ccedil;a, em que uma realidade humana &eacute; tornada, por Jesus Cristo, sinal da vida nova, realizando, al&eacute;m da sua significa&ccedil;&atilde;o natural, a surpresa da gra&ccedil;a. Ora, no matrim&oacute;nio a realidade humana que, guardando toda a sua significa&ccedil;&atilde;o natural, &eacute; tornada sinal da comunh&atilde;o com Jesus Cristo, &eacute; a pr&oacute;pria uni&atilde;o dos esposos na totalidade do ser, corpo e esp&iacute;rito. A uni&atilde;o de amor torna-se sinal do amor de Jesus Cristo e da nova comunh&atilde;o com Ele. Sem este realismo esponsal do sinal sacramental, a gra&ccedil;a pr&oacute;pria do sacramento do matrim&oacute;nio torna-se algo de desligado do realismo da uni&atilde;o conjugal e deixa de ser a sua for&ccedil;a transformadora. Isto exige que na forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; dos jovens, na sua caminhada de descoberta da vida, se fa&ccedil;a uma teologia do corpo e se d&ecirc; uma vis&atilde;o positiva da sexualidade. Numa cultura de pansexualismo, em que a exig&ecirc;ncia &eacute;tica parece ter desaparecido da express&atilde;o sexual, a Igreja n&atilde;o pode cair na vis&atilde;o oposta de uma vis&atilde;o negativa da sexualidade, como se esta s&oacute; encontrasse sentido na dimens&atilde;o religiosa do casamento. A conviv&ecirc;ncia de pessoas de sexo diferente &eacute; sempre carregada de um dinamismo positivo; &eacute; uma busca da comunh&atilde;o de amor. S&oacute; o ego&iacute;smo e auto-procura matam a dimens&atilde;o positiva da sexualidade. No sacramento do matrim&oacute;nio, a Igreja convida os homens e as mulheres que desejam unir-se, a fazerem-no com a plenitude da beleza e do amor que desejam. E isso &eacute; poss&iacute;vel no amor de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>* <strong>O amor experimentado como dom de ternura<\/strong>. Descobrir o dinamismo do amor n&atilde;o &eacute; exclusivo de quem se prepara para o matrim&oacute;nio; faz parte da abertura &agrave; vida vivida com Cristo. A experi&ecirc;ncia crist&atilde; de que a pessoa s&oacute; se sente amada, isto &eacute;, feliz, quando se deu e entregou na busca da felicidade do outro, &eacute; essencial na prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio. A atrac&ccedil;&atilde;o e a complementaridade dos sexos exprime-se numa for&ccedil;a instintiva que, sem a generosidade do dom, pode facilmente transformar-se em busca ego&iacute;sta de si pr&oacute;prio. E a generosidade do dom aplica-se a todas as dimens&otilde;es da vida e n&atilde;o apenas &agrave; intimidade sexual. &Eacute; esta que &eacute; chamada a integrar-se na harmonia de uma vida vivida com a generosidade do dom. N&atilde;o tem sentido para a harmonia que a felicidade sup&otilde;e procurar ter a generosidade da vida, dada e oferecida em todas as suas express&otilde;es, e ser egocentrista e ego&iacute;sta na intimidade sexual dos esposos.<\/p>\n<p>&Eacute; esta gratuidade do dom que d&aacute; ao amor a beleza envolvente da ternura. Esta n&atilde;o &eacute;, sobretudo, frui&ccedil;&atilde;o, mas contempla&ccedil;&atilde;o do outro, na alegria de renascerem juntos, para o amor. Na Sagrada Escritura, a ternura &eacute; um dos principais atributos do amor de Deus. Nela sente-se como Deus &eacute; bom e nos ama, a ternura anuncia a bondade e a miseric&oacute;rdia, faz-nos sentir que &eacute; o sermos amados que nos salva.<\/p>\n<p>* <strong>A dimens&atilde;o eterna do amor<\/strong>. Para descobrir esta dimens&atilde;o &eacute; preciso experimentar o amor de Jesus Cristo por n&oacute;s. S&oacute; o amor de Deus pelo seu povo, o amor de Cristo pela Igreja, que Ele ama como uma esposa, tem a marca da eternidade. S&oacute; eles s&atilde;o totalmente fi&eacute;is. S&oacute; no amor de Jesus Cristo os esposos crist&atilde;os podem sentir que o seu amor &eacute; para sempre, &eacute; para a eternidade. A fidelidade no matrim&oacute;nio n&atilde;o &eacute;, apenas, fidelidade dos esposos um ao outro, mas porque sentem no seu amor esponsal a ternura de Jesus Cristo, eles s&atilde;o chamados a serem, no seu amor, fi&eacute;is como Ele &eacute; fiel.<\/p>\n<p>Este &eacute; um dos aspectos em que a gra&ccedil;a realiza a natureza, pois o anseio de eternidade est&aacute; gravado na capacidade natural do homem e da mulher se amarem para serem um s&oacute;. Esta &eacute; uma qualidade exigente do amor conjugal. Na vit&oacute;ria sobre as dificuldades e na luta contra o esp&iacute;rito do mundo, os esposos devem ser for&ccedil;a um para o outro. Quantas vezes s&atilde;o chamados a serem, um para o outro, ministros do perd&atilde;o e da consola&ccedil;&atilde;o, com a for&ccedil;a da Igreja, o Povo que Cristo ama com fidelidade esponsal e onde eles encontram o dom do perd&atilde;o, a for&ccedil;a para a luta, o calor de uma comunidade que caminha.<\/p>\n<p>7. Todas estas dimens&otilde;es da novidade crist&atilde; em que somos introduzidos pela inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, abrem no cora&ccedil;&atilde;o e na intelig&ecirc;ncia o horizonte onde tem sentido uma voca&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio, sobretudo se elas forem propostas com a for&ccedil;a do testemunho vivido, com o ardor de uma paix&atilde;o por Jesus Cristo.<\/p>\n<p><strong>Os m&eacute;todos adaptados &agrave; nova evangeliza&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>8. Jo&atilde;o Paulo II diz que a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o deve ser nova nos m&eacute;todos. No &acirc;mbito concreto da prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio, arrisco sugerir alguns crit&eacute;rios que podem ser express&otilde;es de uma metodologia, isto &eacute;, da descoberta do melhor caminho para a ac&ccedil;&atilde;o pastoral.<\/p>\n<p>* <strong>O acompanhamento pessoal<\/strong>. Estamos conscientes de que entre a multid&atilde;o de jovens que pedem o casamento religioso, s&oacute; uma minoria desejam seguir este itiner&aacute;rio de fazer do matrim&oacute;nio o caminho e a express&atilde;o da santidade crist&atilde;. A Igreja n&atilde;o pode recusar, de forma simplista, o casamento religioso entre baptizados, o &uacute;nico que ela considera v&aacute;lido. O pr&oacute;prio Jo&atilde;o Paulo II, na <strong>Familiaris Consortio<\/strong>, depois de expor toda a exig&ecirc;ncia da prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio, remata assim: &ldquo;Muito embora o car&aacute;cter de necessidade e de obrigatoriedade da prepara&ccedil;&atilde;o imediata n&atilde;o seja de menosprezar &ndash; o que aconteceria se se concedesse facilmente a dispensa &ndash; tal prepara&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, deve ser sempre proposta e efectuada de modo que a sua eventual omiss&atilde;o n&atilde;o seja impedimento &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do matrim&oacute;nio&rdquo; [8]. A todos os que se candidatam &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do sacramento do matrim&oacute;nio, devemos proporcionar a melhor prepara&ccedil;&atilde;o imediata que for poss&iacute;vel. Mas estejamos particularmente atentos &agrave;queles noivos que, devido &agrave; sua forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, est&atilde;o preparados para viver a beleza do seu amor, unido ao amor de Cristo pela Igreja. S&atilde;o esses que encerram a promessa de serem mais uma fam&iacute;lia crist&atilde;, comunidade de amor e de vida, no seio da grande comunidade que &eacute; a Igreja. E cada fam&iacute;lia crist&atilde; &eacute; mais uma pedra s&oacute;lida na constru&ccedil;&atilde;o da Igreja. Acompanhemo-los pessoalmente, sem regatear o nosso tempo. Que eles sintam a nossa alegria e a nossa esperan&ccedil;a no seu amor.<\/p>\n<p>Ajudemos os jovens crist&atilde;os a escolherem noivos ou noivas que possam fazer com eles esta caminhada. Express&otilde;es como &ldquo;ele(a) n&atilde;o se importa, respeita, n&atilde;o se op&otilde;e&rdquo;, n&atilde;o chegam. As n&uacute;pcias cristas sup&otilde;em sempre uma intimidade e uma cumplicidade com Jesus Cristo, que s&oacute; &eacute; plena se for do casal.<\/p>\n<p>Isto sup&otilde;e um acompanhamento pastoral em que todos, padres e leigos, se assumem como sacramentos de Cristo, Bom Pastor, que reconhece as suas ovelhas pelo nome. H&aacute; aqui um papel imprescind&iacute;vel dos pais, mas tamb&eacute;m de catequistas, sacerdotes, casais crist&atilde;os. N&atilde;o hesitemos em sacrificar, em nome deste acompanhamento pessoal, as muitas reuni&otilde;es organizativas em que gastamos o nosso tempo.&nbsp;<\/p>\n<p>* <strong>Catequese juvenil e prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio<\/strong>. A pastoral dos jovens visa a inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; em toda a sua abrang&ecirc;ncia. Mas porque n&atilde;o organizar ciclos dessa caminhada catequ&eacute;tica centrados na dimens&atilde;o esponsal da vida crist&atilde;? Uma prepara&ccedil;&atilde;o remota para o matrim&oacute;nio, j&aacute; desde a adolesc&ecirc;ncia, oferece o horizonte de totalidade da voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Nem sequer impede uma pastoral espec&iacute;fica para a voca&ccedil;&atilde;o de particular consagra&ccedil;&atilde;o. Uma voca&ccedil;&atilde;o de virgindade consagrada s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel no quadro da descoberta da realiza&ccedil;&atilde;o plena das pr&oacute;prias capacidades de amor em uni&atilde;o com Jesus Cristo. O ideal de pureza e de castidade como prepara&ccedil;&atilde;o para o amor vivido em uni&atilde;o com Cristo &eacute; o pano de fundo de toda a voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;.&nbsp;<\/p>\n<p>* <strong>A celebra&ccedil;&atilde;o do sacramento da Confirma&ccedil;&atilde;o<\/strong>. Sacramento da inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, tem na sua gra&ccedil;a pr&oacute;pria, o dom do Esp&iacute;rito Santo, uma dimens&atilde;o decisiva para a prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio. Na sua prepara&ccedil;&atilde;o e celebra&ccedil;&atilde;o, esta dimens&atilde;o deveria estar sempre presente.<\/p>\n<p>* <strong>A festa das n&uacute;pcias<\/strong>. Houve umas n&uacute;pcias em Can&aacute; e Jesus estava l&aacute; (cf. Jo. 2,1-11). Naqueles casamentos promissores de que falei atr&aacute;s, fa&ccedil;amos uma festa das n&uacute;pcias crist&atilde;s, em que participa a Igreja. O amor desses esposos pode ser um sinal e um an&uacute;ncio para todos os outros jovens. Normalmente, a Liturgia do Matrim&oacute;nio tem pouco esse aspecto de &ldquo;festa das n&uacute;pcias&rdquo;. &Eacute; que a M&atilde;e de Jesus continua a estar l&aacute; a dizer &ldquo;fazei tudo o que Ele vos disser&rdquo; e Jesus continuar&aacute; a transformar a &aacute;gua em vinho, a realidade humana do amor nesse an&uacute;ncio da sua presen&ccedil;a e do seu Reino no meio deste mundo, que parece t&atilde;o enlouquecido na maneira de olhar o casamento e o amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Walter Kasper, &ldquo;Servitori della Gioia&rdquo;, Queriniana 2007, p. 11<\/p>\n<p>[2] Jo&atilde;o Paulo II, in <strong>Insegnamenti<\/strong>, vol. VI,1 (1983), p. 698<\/p>\n<p>[3] cf. <strong>Gaudium et Spes<\/strong>, nn. 4 e 11<\/p>\n<p>[4] J. Policarpo, <strong>Obras Escolhidas<\/strong>, vol. 11, pp. 287-288<\/p>\n<p>[5] Jo&atilde;o Paulo II, <strong>Redemptor Hominis<\/strong>, nn. 1 e 7<\/p>\n<p>[6] Conc&iacute;lio Vaticano II, <strong>Gaudium et Spes<\/strong>, n. 45<\/p>\n<p>[7] Jo&atilde;o Paulo II, Carta Apost&oacute;lica aos Jovens (1985), n. 10<\/p>\n<p>[8] Jo&atilde;o Paulo II, <strong>Familiaris Consortio<\/strong>, n. 66<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confer&ecirc;ncia nas Jornadas Internacionais da FICPM F&aacute;tima, 8 de Abril de 2010 Introdu&ccedil;&atilde;o 1. O t&iacute;tulo da Confer&ecirc;ncia que me foi pedida sugere que apresente, em s&iacute;ntese, as actuais orienta&ccedil;&otilde;es do Magist&eacute;rio da Igreja para a prepara&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio. 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