{"id":4455,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/luz-para-iluminar-as-nacoes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"luz-para-iluminar-as-nacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/luz-para-iluminar-as-nacoes\/","title":{"rendered":"&#8220;Luz para iluminar as na\u00e7\u00f5es&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Hom\u00edlia de D. Jorge Ortiga no Dia dos Consagrados <!--more--> O encontro do velho Sime\u00e3o com Jesus \u00e9 paradigm\u00e1tico e elucidativo da miss\u00e3o da Igreja, continuadora de Cristo, no mundo. Como Cristo ela deve ser \u201cluz\u201d que ilumina os caminhos de quantos peregrinam na hist\u00f3ria hodierna. Olhemos para a tr\u00e1gica realidade do nosso tempo. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil admitir a crise s\u00f3cio-cultural express\u00e3o dum modelo de sociedade em decad\u00eancia. O progresso tecnol\u00f3gico conduziu a experi\u00eancias dram\u00e1ticas: a infla\u00e7\u00e3o galopante, o aumento do desemprego, a instabilidade monet\u00e1ria, o hedonismo, o consumismo, o pragmatismo\u2026 Os homens de hoje correndo atr\u00e1s do dinheiro, do prazer, do sucesso n\u00e3o est\u00e3o a encontrar a sua verdadeira realiza\u00e7\u00e3o. Todos reclamam modelos alternativos que se situem na l\u00f3gica do ser e dum melhoramento da qualidade da vida. Nesta consci\u00eancia de que \u201csem o mist\u00e9rio a vida torna-se irrespir\u00e1vel\u201d (Gabriel Marcel) a Igreja procurou renovar a consci\u00eancia que tem do seu ser e agir e empenhar-se com aud\u00e1cia crescente no an\u00fancio da salva\u00e7\u00e3o e da sociedade. Entendendo-se como sacramento quis ser luz das na\u00e7\u00f5es abrindo-se ao \u201cdi\u00e1logo da salva\u00e7\u00e3o\u201d com o mundo. Tamb\u00e9m n\u00f3s teremos de nos situar perante fen\u00f3menos novos. A Igreja perante o ate\u00edsmo Parece que o ate\u00edsmo te\u00f3rico j\u00e1 n\u00e3o encontra muitos adeptos. Prefere-se a indiferen\u00e7a \u00e0 nega\u00e7\u00e3o de Deus. Vive-se como se Ele n\u00e3o existisse. Consequ\u00eancia deste materialismo pr\u00e1tico negam-se os valores imut\u00e1veis e prefere-se o subjectivismo individual, a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades materiais e a procura insaci\u00e1vel dos prazeres. Para ser \u201cluz\u201d neste ambiente \u00e9 necess\u00e1rio conhec\u00ea-lo e inteirar-se dos problemas e necessidades concretas enveredando pelo discernimento duma nova coragem mission\u00e1ria como resposta \u00e0s expectativas do homem moderno. A Igreja perante a pluralidade das culturas Outrora reconhecia-se na cultura ocidental a perfei\u00e7\u00e3o e considerava-se que todas as outras deveriam relacionar-se com este \u00fanico modelo. Acontece que hoje se imp\u00f5e que a Igreja reconhe\u00e7a que o Evangelho n\u00e3o se identifica com nenhuma cultura e que \u00e9 uma mensagem v\u00e1lida para todos.. Urge aceitar a sua legitimidade e reconhecer uma multiplicidade sem querer monopolizar ou ficar escravo duma \u00fanica. Perante este novo contexto o Evangelho deve inculturar-se como tarefa permanente e, por isso, evangelizar as culturas reconhecendo o bem que elas encerram. O Papa Jo\u00e3o Paulo II recordava que a cultura \u00e9 o \u201ccampo vital onde se joga o destino da Igreja e do mundo neste complicado final do s\u00e9c. XX\u201d. A Igreja perante a permanente mudan\u00e7a H\u00e1 um mundo novo a nascer, uma \u00e9poca nova se vislumbra. Aparecem novos valores \u2013 que alguns apelidam de post-materialistas \u2013 a que devemos dar import\u00e2ncia. A dignidade do homem, o respeito pela identidade de cada um, a promo\u00e7\u00e3o da mulher, a qualidade de vida, o cuidado com a natureza, a promo\u00e7\u00e3o da liberdade, justi\u00e7a e paz\u2026 S\u00e3o verdadeiros valores que devem integrar-se num projecto de homem que contempla todas as dimens\u00f5es: f\u00edsicas, intelectuais, espirituais, \u00e9ticas\u2026 Neste mundo de mudan\u00e7as, no meio da indiferen\u00e7a crescente, a Igreja ser\u00e1 luz na medida em que for capaz de dar confian\u00e7a aos nossos contempor\u00e2neos oferecendo-lhes a maravilhosa esperan\u00e7a que nos vem de Cristo vivo e ressuscitado e, por isso, presente na hist\u00f3ria. J\u00e1 o Concilio afirmava \u201clegitimamente pode pensar-se que o futuro da humanidade est\u00e1 nas m\u00e3os daqueles que s\u00e3o capazes de transmitir \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras raz\u00f5es de vida e de esperan\u00e7a\u201d (G.S. 31). A crepitude do velho Sime\u00e3o encontrou-se renovada com a alegria do encontro. Hoje a Igreja ter\u00e1 algo a dizer ao mundo se sair dela e se identificar com os principais problemas da sociedade, tomar consci\u00eancia das verdadeiras coordenadas que os caracterizam e oferecer a diferen\u00e7a. Diremos Deus ao homem de hoje se nos questionarmos sobre o Deus que anunciamos, tornando-O pr\u00f3ximo e companheiro do homem e sobre o \u201ccomo\u201d dizer Deus que nunca deve situar-se no mundo da demonstra\u00e7\u00e3o mas no testemunho de quem mostra. No mundo os crist\u00e3os devem ser criaturas transfiguradas pela Palavra e pelos sacramentos tornando-se seres leg\u00edveis e compreens\u00edveis por todos. Muitos falam da linguagem do \u201cgesto\u201d a que, posteriormente, a palavra pode dar um sentido. A vida, plasmasda pelos crit\u00e9rios evang\u00e9licos, \u00e9 a luz que ilumina \u201cas na\u00e7\u00f5es\u201d do nosso tempo. O mundo n\u00e3o \u00e9 uniforme. S\u00e3o plurifacetadas as tend\u00eancias reinantes. Cristo, nos crist\u00e3os, \u00e9 o encontro que tranquiliza e d\u00e1 sentido ao homem errante. Sejamos capazes de o \u201capresentar\u201d com autenticidade. O mundo vergar-se-\u00e1 ao seu fasc\u00ednio.  S\u00e9 Catedral, 02.02.2004 + Jorge Ortiga, Arcebispo primaz   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hom\u00edlia de D. Jorge Ortiga no Dia dos Consagrados<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[237,294],"class_list":["post-4455","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-joao-paulo-ii","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4455"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4455\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}