{"id":44506,"date":"2010-04-06T12:24:38","date_gmt":"2010-04-06T12:24:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/06\/e-jesus-dormia\/"},"modified":"2010-04-06T12:24:38","modified_gmt":"2010-04-06T12:24:38","slug":"e-jesus-dormia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-jesus-dormia\/","title":{"rendered":"E Jesus dormia&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Nunca as \u00e1guas foram tranquilas nem os ventos favor\u00e1veis.  Ou melhor, o tempo da tranquilidade foi o mais perigoso  <!--more--> <\/p>\n<p>Quando menos se espera levanta-se uma tempestade. Num lago rodeado de montanhas, aparentemente protegido. Com pescadores experimentados, batidos por todos os ventos e habituados &agrave;s &aacute;guas agitadas. Da arte de marear todos sabiam mais que Jesus. Todos, por&eacute;m, para Ele se voltam pedindo socorro. E Ele parecia nem ouvir os primeiros gritos de afli&ccedil;&atilde;o, pois simplesmente dormia. Como n&atilde;o sentiu o bramir das ondas ou os roncos do vento ou a braveza daquele pequeno oceano. Mas os disc&iacute;pulos, com o p&acirc;nico na alma pediram socorro. Possivelmente os gritos eram mais medo que perigo real. O medo &eacute; um terr&iacute;vel inimigo para os que navegam em qualquer embarca&ccedil;&atilde;o da vida. Com um ligeiro sinal, Jesus acalmou a tempestade. E chegaram tranquilamente &agrave; margem aqueles que quase se consideravam n&aacute;ufragos.<\/p>\n<p>E a barca da Igreja. Ventos e tempestades, Pedro e os outros, sopros do Esp&iacute;rito e viol&ecirc;ncia de vagas alterosas para uma nau que sempre se reconheceu como fr&aacute;gil. Sempre assim foi na sua hist&oacute;ria. Nunca as &aacute;guas foram tranquilas nem os ventos favor&aacute;veis. Ou melhor, o tempo da tranquilidade foi o mais perigoso, deixando as m&atilde;os fora do leme, o olhar distra&iacute;do do farol, os pescadores esquecidos da miss&atilde;o, os mestres de bordo entretidos com fardas e gal&otilde;es. Estonteados com o poder aliaram-se a ricos e criaram sil&ecirc;ncios c&uacute;mplices. At&eacute; que uma onda, um baixio, uma escurid&atilde;o repentina, um mar de levante, pareciam apoderar-se do barco e provocar-lhe um tombo ou um rombo n&atilde;o distante dum poss&iacute;vel naufr&aacute;gio. Como sempre todos se voltam para o Mestre pedindo a acalmia do vento e das &aacute;guas quantas vezes adversas por desleixo dos timoneiros.<\/p>\n<p>Assim foram rolando as ondas do tempo e as vagas dos s&eacute;culos, as espumas dos modos e modas, as fraquezas dos lemes que muitas vezes perderam o sentido do porto. E o Mestre sempre l&aacute;, acompanhando a viagem, vigiando o mar numa esp&eacute;cie de sonol&ecirc;ncia distra&iacute;da e desinteressada desse percurso breve de s&eacute;culos e mil&eacute;nios, insignificantes, face aos oceanos da eternidade.<\/p>\n<p>Desde que partiu do cais de embarque a Igreja mesmo una e santa acumulou trai&ccedil;&otilde;es, pecados, corrup&ccedil;&atilde;o de poderes e costumes, rasgos cru&eacute;is na t&uacute;nica inconsutil, concubinatos sacr&iacute;legos do sagrado com o profano, vol&uacute;pias de grandeza e oiro, estreiteza orgulhosa de olhares intolerantes sobre pecadores e dissidentes. Tudo isso ao lado do coro imaculado e vibrante dos Cento e Quarenta e Quatro Mil que nunca deixaram de entoar ao Cordeiro o hino sempre novo da humanidade remida e do Ressuscitado que recebe os frutos da semente do bom semeador. E que nos pergunta nas viagens das nossas pequenas tormentas: <em>porque temeis, homens de pouca f&eacute;?<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ant&oacute;nio Rego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca as \u00e1guas foram tranquilas nem os ventos favor\u00e1veis. 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