{"id":44500,"date":"2010-04-06T11:38:01","date_gmt":"2010-04-06T11:38:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/06\/pensamento-e-personalidade-de-bento-xvi\/"},"modified":"2010-04-06T11:38:01","modified_gmt":"2010-04-06T11:38:01","slug":"pensamento-e-personalidade-de-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pensamento-e-personalidade-de-bento-xvi\/","title":{"rendered":"Pensamento e personalidade de Bento XVI"},"content":{"rendered":"<p>Aura Miguel <!--more--> <\/p>\n<p>O conclave de 2005 que elegeu Joseph Ratzinger foi dos mais r&aacute;pidos. Durou 24 horas e o novo Papa foi eleito ap&oacute;s somente quatro vota&ccedil;&otilde;es. O panorama dos cardeais eleitores foi muito diferente dos conclaves anteriores, cuja predomin&acirc;ncia era essencialmente europeia e italiana. Desta vez, o leque foi muito mais diversificado e, por isso, equilibrado, em idades e proveni&ecirc;ncias, correspondente &agrave; vitalidade da Igreja espalhada pelo mundo. Foi esse &ldquo;mosaico&rdquo; que se uniu para escolher o actual Papa. A rapidez da escolha desmentiu os progn&oacute;sticos de muitos sectores (incluindo meios eclesi&aacute;sticos e comunica&ccedil;&atilde;o social), de que havia uma forte resist&ecirc;ncia &agrave; elei&ccedil;&atilde;o de Ratzinger; aconteceu exactamente o contr&aacute;rio: os cardeais deram ao mundo um sinal de uni&atilde;o ao elegerem t&atilde;o depressa este Papa.<\/p>\n<p>Depois da sua elei&ccedil;&atilde;o, alguns consideraram que este Papa n&atilde;o viajaria tanto como o anterior, tendo em conta a sua idade. Afinal, Bento XVI j&aacute; realizou 13 viagens fora de It&aacute;lia, foi a quatro continentes (s&oacute; falta a &Aacute;sia) e tem agendadas para este ano cinco visitas pastorais &ndash; todas elas para a Europa: al&eacute;m de Malta &ndash; que &eacute; j&aacute; a 17 e 18 de Abril &nbsp;&#8211; e ao nosso pa&iacute;s, em Maio, o Papa vai a Chipre, em Setembro &agrave; Gr&atilde;-Bretanha e a Espanha (Santiago de Compostela e Barcelona), em Novembro.<\/p>\n<p><strong>O panorama da Europa<\/strong><\/p>\n<p>Entre as preocupa&ccedil;&otilde;es que Bento XVI tem manifestado nos &uacute;ltimos tempos e em viagens pastorais &ndash; tendo como horizonte a visita dele ao nosso pa&iacute;s &#8211; vale a pena sublinhar algumas coisas que tem dito &agrave; Europa. Esta Europa &ldquo;cansada da f&eacute;&rdquo;, onde Portugal se inclui e que, explica, no meu entender, a prioridade do Papa em centrar todas as suas viagens pastorais deste ano no Velho Continente..<\/p>\n<p>Quando Bento XVI visitou a Baviera, em Setembro de 2006, afirmou que o Ocidente est&aacute; ferido de morte. Ou seja, &ldquo;sofre de patologias mortais da religi&atilde;o e da raz&atilde;o&rdquo;, cujas consequ&ecirc;ncias s&oacute; podem ser desastrosas para a humanidade. E os sintomas destas &ldquo;patologias&rdquo; percebem-se pela maneira como os outros nos olham: &ldquo;As popula&ccedil;&otilde;es da &Aacute;frica e da &Aacute;sia admiram as nossas realiza&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e a nossa ci&ecirc;ncia, mas ao mesmo tempo assustam-se perante um certo tipo de raz&atilde;o que exclui Deus da vis&atilde;o do homem. (&#8230;) Para eles, a verdadeira amea&ccedil;a &agrave; sua identidade n&atilde;o est&aacute; na f&eacute; crist&atilde;, mas no desprezo de Deus e no cinismo que considera um direito da liberdade ridicularizar o sagrado.&rdquo; (Munique, homilia, 10.09.2006)<\/p>\n<p>Foi tamb&eacute;m na Alemanha, que o Papa deixou v&aacute;rias advert&ecirc;ncias: N&atilde;o sabemos usar a raz&atilde;o convenientemente, estamos &ldquo;mirrados&rdquo; desde o iluminismo, perdeu-se o temor de Deus e o respeito pelo sagrado, enfim, &ldquo;o Ocidente est&aacute; h&aacute; muito tempo amea&ccedil;ado por esta avers&atilde;o contra as perguntas fundamentais da sua raz&atilde;o&rdquo; (Universidade de Regensburg, <em>lectio magistralis<\/em>, 12.09.2006)<\/p>\n<p>Esta insensibilidade do homem ocidental penetra na nossa maneira de encarar o mundo &ndash; disse o Papa, desta vez, na Pra&ccedil;a de Espanha, em Roma. Insensibilidade ao ponto de nos acostumarmos &ldquo;todos os dias, atrav&eacute;s dos jornais, da televis&atilde;o e da r&aacute;dio ao mal narrado, repetido e ampliado&rdquo;; habituamo-nos assim &ldquo;&agrave;s coisas mais horr&iacute;veis que nos tornam insens&iacute;veis e nos intoxicam. (&#8230;) E os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social tendem a fazer que nos sintamos sempre &laquo;espectadores&raquo;, como se o mal s&oacute; afectasse os outros.&rdquo; Resultado: est&aacute; em curso uma &ldquo;contamina&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito, que faz com que os nossos rostos sorriam menos, estejam mais tristes e n&atilde;o olhem os outros nos olhos (&#8230;). Passamos a ver tudo superficialmente&rdquo; (Roma, homenagem &agrave; Imaculada 08.12.2009)<\/p>\n<p>A quest&atilde;o viria ser retomada na Rep&uacute;blica Checa, no passado m&ecirc;s de Setembro: &ldquo;Nada &eacute; mais desumano e destrutivo do que o cinismo que nega a grandeza da nossa busca da verdade. N&atilde;o h&aacute; pior do que o relativismo que corrompe os verdadeiros valores que inspiram a constru&ccedil;&atilde;o de um mundo mais unido e fraterno. Por isso, &eacute; preciso readquirir confian&ccedil;a na fidelidade e nobreza de esp&iacute;rito e na sua capacidade de alcan&ccedil;ar a verdade (&#8230;)&rdquo; (Praga, Discurso &agrave;s autoridades civis e pol&iacute;ticas, 26.09.2009)<\/p>\n<p><strong>Um Papa realista<\/strong><\/p>\n<p>Bento XVI tem-se revelado um Papa realista e uma chave de leitura fundamental para perceber este pontificado &eacute; a &uacute;ltima homilia que proferiu antes de ser eleito, onde ficaram famosas as palavras que proferiu, quer sobre a &ldquo;ditadura do relativismo&rdquo;, quer sobre o risco de permanecermos com uma f&eacute; infantil, &ldquo;em estado de menoridade&rdquo;: &ldquo;Ter uma f&eacute; clara, de acordo com o Credo da Igreja, &eacute; com frequ&ecirc;ncia rotulado como fundamentalismo. Ao passo que o relativismo, isto &eacute;, o deixar-se levar de um lado para o outro, ao sabor de qualquer vento de doutrina, surge como a &uacute;nica postura adequada aos tempos de hoje. Vai-se, assim, constituindo uma ditadura do relativismo que n&atilde;o reconhece nada como definitivo e que deixa como &uacute;ltima medida apenas o pr&oacute;prio eu e as suas vontades&rdquo;. Nesta homilia, Ratzinger acrescentou ainda que &#8220;adulta&#8221; n&atilde;o &eacute; uma f&eacute; que segue as ondas da moda, nem a &uacute;ltima novidade; adulta e madura &eacute; uma f&eacute; profundamente enraizada na amizade com Cristo&rdquo;. (Homilia <em>Pro Eligendo Romano Pontefice<\/em>, 18.04.2005)<\/p>\n<p>Esta lucidez de Ratzinger sobre o panorama da nossa f&eacute; vem da sua vasta experi&ecirc;ncia como Prefeito da Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute;. Pelas fun&ccedil;&otilde;es que desempenhou durante mais de 24 anos, conhece bem onde est&atilde;o as feridas do homem e da Igreja. Por isso, s&atilde;o profundamente realistas as suas interven&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Portugal<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; com estas e outras preocupa&ccedil;&otilde;es que Bento XVI definiu a sua agenda de viagens para este ano. E &eacute; com elas que aterrar&aacute; em Portugal no pr&oacute;ximo dia 11 de Maio, para uma visita de quatro dias ao nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Quatro dias para uma visita papal &eacute; mais do que &eacute; costume na Europa (Malta, por exemplo, s&atilde;o dois dias e Chipre tr&ecirc;s) e &eacute; significativo que o seu programa inclua encontros com fi&eacute;is em Lisboa e Porto, com toda a visibilidade que isso implica. Creio mesmo que se a visita do Papa fosse apenas centrada em F&aacute;tima, seria arrum&aacute;-la numa esp&eacute;cie de &ldquo;prateleira religiosa&rdquo;, confinada ao per&iacute;metro geogr&aacute;fico de um Santu&aacute;rio &ndash; um dos maiores do mundo, &eacute; certo, mas que muitos consideram a &ldquo;sacristia do pa&iacute;s&rdquo; &#8211;&nbsp; hip&oacute;tese, ali&aacute;s, pouco &ldquo;ratzingeriana&rdquo;, uma vez que este Papa, n&atilde;o tendo uma rela&ccedil;&atilde;o pessoal t&atilde;o intensa com F&aacute;tima como tinha Jo&atilde;o Paulo II, tem-se distinguido tamb&eacute;m por falar aos que est&atilde;o fora da Igreja. &Eacute; prova disso o interesse com que largos sectores intelectuais seguem este pontificado (a partir das suas interpela&ccedil;&otilde;es culturais), tendo em conta a lucidez e extraordin&aacute;ria capacidade do Papa para falar aos que est&atilde;o de fora, ou hesitantes. &Eacute; tamb&eacute;m neste contexto que se t&ecirc;m organizado sucessivos encontros com o mundo dos intelectuais e da cultura &#8211; que em Lisboa ser&aacute; na manh&atilde; de 12 de Maio no CCB.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Aura Miguel, jornalista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aura Miguel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,145,187,203,299],"class_list":["post-44500","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-conclave","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-santiago-de-compostela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44500"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44500\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}