{"id":44499,"date":"2010-04-06T11:36:14","date_gmt":"2010-04-06T11:36:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/06\/enquadramento-teologico-do-pontificado-de-bento-xvi\/"},"modified":"2010-04-06T11:36:14","modified_gmt":"2010-04-06T11:36:14","slug":"enquadramento-teologico-do-pontificado-de-bento-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/enquadramento-teologico-do-pontificado-de-bento-xvi\/","title":{"rendered":"Enquadramento teol\u00f3gico do pontificado de Bento XVI"},"content":{"rendered":"<p>H. Noronha de Galv\u00e3o <!--more--> <\/p>\n<p>Pode reconhecer-se nas interven&ccedil;&otilde;es feitas por Bento XVI, ao longo do seu pontificado, as orienta&ccedil;&otilde;es fundamentais do seu pensamento, j&aacute; presentes no seu ensino universit&aacute;rio anterior e nas suas obras teol&oacute;gicas. Das suas preocupa&ccedil;&otilde;es fundamentais como te&oacute;logo constou sempre a tentativa de restaurar, na crise civilizacional que diagnostica no nosso tempo, as refer&ecirc;ncias fundamentais da exist&ecirc;ncia humana que est&atilde;o em perigo. Uma das suas fontes principais de inspira&ccedil;&atilde;o &eacute; St. Agostinho, tamb&eacute;m ele vivendo num tempo de profunda crise em que a Idade Antiga so&ccedil;obrava perante as invas&otilde;es b&aacute;rbaras. Foi apenas pela sabedoria da f&eacute; crist&atilde;, descoberta ao ouvir a prega&ccedil;&atilde;o de St. Ambr&oacute;sio, que p&ocirc;de superar o cepticismo do seu tempo, a descren&ccedil;a de a raz&atilde;o humana poder atingir a verdade. Tamb&eacute;m Joseph Ratzinger considera que s&oacute; a f&eacute; que Jesus Cristo nos trouxe pode salvar uma raz&atilde;o debilitada hoje pela redu&ccedil;&atilde;o ao positivismo, a qual lhe retira toda a capacidade de encontrar o verdadeiro sentido da vida e a verdadeira esperan&ccedil;a. &Eacute; essa esperan&ccedil;a que o Papa quer restituir ao homem actual &ndash; como explanou na enc&iacute;clica <em>Salvos na esperan&ccedil;a<\/em> &ndash; reconduzindo-o &agrave;quela fonte de valores que s&oacute; o aut&ecirc;ntico amor de caridade nos revela. J&aacute; na sua primeira enc&iacute;clica mostrara como <em>Deus &eacute; Amor<\/em>, de tal modo que uma raz&atilde;o aberta ao mist&eacute;rio de Deus se torna capaz de encontrar na vida pessoal e social a orienta&ccedil;&atilde;o de que carece. Este tema est&aacute; sempre ligado ao motivo da verdade, presente j&aacute; no seu lema episcopal e papal (<em>cooperatores veritatis<\/em>), verdade cuja solidez s&oacute; Deus pode garantir. <em>Caridade na verdade<\/em> &ndash; a sua terceira enc&iacute;clica &ndash; &eacute; assim a perspectiva de fundo de toda a doutrina social da Igreja.<\/p>\n<p>O horizonte &uacute;ltimo do pensamento do Papa &eacute; aberto pela f&eacute; em Jesus Cristo, que fez quest&atilde;o de apresentar, de maneira pessoal e fundamentada, no livro <em>Jesus de Nazar&eacute;<\/em>. Ao escrev&ecirc;-lo n&atilde;o como exerc&iacute;cio do seu magist&eacute;rio eclesial mas como testemunho de f&eacute; pessoal, ele repetia o que j&aacute; fizera Pedro cujo minist&eacute;rio Bento XVI actualiza para o nosso tempo. Antes de receber das m&atilde;os de Jesus a fun&ccedil;&atilde;o de primeiro respons&aacute;vel da Igreja, Pedro fez a sua profiss&atilde;o de f&eacute; em Jesus, reconhecendo-o como o Messias, o Filho de Deus (cf. Mt 16,16). Uma f&eacute; que Jesus declara n&atilde;o provir &ldquo;nem da carne nem do sangue mas apenas do Pai&rdquo; (cf. Mt 16,17). Esta a origem necess&aacute;ria da f&eacute; em Jesus Cristo, dom de Deus que o Esp&iacute;rito renova em cada tempo que &eacute; dado &agrave; Igreja viver.<\/p>\n<p>Deste modo, abre-se o horizonte do mist&eacute;rio trinit&aacute;rio de Deus revelado pela f&eacute; em Jesus Cristo e que, simultaneamente, &eacute; condi&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel para que o conhecimento de Jesus se n&atilde;o feche nos estreitos limites de uma concep&ccedil;&atilde;o positivista da hist&oacute;ria. O &ldquo;Jesus real&rdquo; n&atilde;o &eacute; o da orgulhosa redu&ccedil;&atilde;o positivista, incapaz de reconhecer o seu aut&ecirc;ntico significado e perdendo-se, por isso, nas mais arbitr&aacute;rias e contradit&oacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es. Mas se, pelo contr&aacute;rio, a raz&atilde;o acolhe na humildade o mist&eacute;rio que infinitamente a ultrapassa, e tamb&eacute;m infinitamente a dignifica, tudo ganha coer&ecirc;ncia, e a mensagem de Jesus aparece l&iacute;mpida e salvadora.<\/p>\n<p>Segundo a vis&atilde;o agostiniana que J. Ratzinger partilha, o mist&eacute;rio trinit&aacute;rio divino surge como a tripla refer&ecirc;ncia &uacute;ltima do <em>ser<\/em>, do <em>saber<\/em> e do <em>querer<\/em>, para a exist&ecirc;ncia da pessoa humana criada &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus. &Eacute;, com efeito, no seu <em>ser<\/em> criado que ela remete para o Pai criador, no seu <em>saber<\/em> verdadeiro que ela remete para o Verbo e Filho de Deus, no seu <em>querer<\/em> de amor que ela remete para o Esp&iacute;rito Santo, o Dom de Deus que derrama a caridade nos nossos cora&ccedil;&otilde;es (cf. Rm 5,5). &Eacute; este conhecimento de Deus que possibilita e garante a lucidez indispens&aacute;vel para desmascarar todo o pensamento ideol&oacute;gico nas suas formas mais delirantes, isto &eacute;, quando constru&iacute;das sem refer&ecirc;ncia &agrave; <em>realidade<\/em>, &agrave; <em>verdade<\/em> e ao <em>valor<\/em>, tentando, pelo seu artif&iacute;cio, escravizar-nos aos interesses dominantes. A f&eacute; crist&atilde; em Deus &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o da liberdade.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>H. Noronha Galv&atilde;o, professor de Teologia &#8211; UCP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H. Noronha de Galv\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,321],"class_list":["post-44499","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44499"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44499\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}