{"id":44493,"date":"2010-04-05T16:14:31","date_gmt":"2010-04-05T16:14:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/05\/homilia-de-d-jacinto-botelho-na-sexta-feira-santa\/"},"modified":"2010-04-05T16:14:31","modified_gmt":"2010-04-05T16:14:31","slug":"homilia-de-d-jacinto-botelho-na-sexta-feira-santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jacinto-botelho-na-sexta-feira-santa\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jacinto Botelho na Sexta Feira Santa"},"content":{"rendered":"<p>Recomendam as rubricas para esse dia uma breve homilia.<\/p>\n<p>Viemos na tarde desta Sexta-feira de Trevas para acompanharmos Jesus na Sua Hora, como t&atilde;o frequentemente Ele a tinha designado. S&atilde;o impressionantes as palavras prof&eacute;ticas deIsaias ouvidas na primeira leitura: Caiu sobre Ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados [&hellip;] Maltratado, humilhou-se voluntariamente e n&atilde;o abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, Ele n&atilde;o abriu a boca, palavras que provocaram o coment&aacute;rio de S. Le&atilde;o Magno: &ldquo;Torna-se clara realidade o que desde h&aacute; muito havia sido prenunciado em figura e mist&eacute;rio: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um &uacute;nico sacrif&iacute;cio realiza-se plenamente o que a variedade das antigas v&iacute;timas significava&rdquo;.<\/p>\n<p>Na narrativa da Paix&atilde;o que escutamos recolhidos e talvez emocionados, h&aacute; um pormenor que despertou a minha aten&ccedil;&atilde;o. Diz-nos S. Jo&atilde;o que ele, o evangelista, entrou com Jesus no p&aacute;tio do sumo sacerdote, enquanto Pedro ficou &agrave; porta do lado de fora. Tamb&eacute;m n&oacute;s que seguimos, porventura at&eacute; com respeito, a riqueza destas cerim&oacute;nias, podemos, como Pedro, ficar do lado de fora. Viemos para viver com o Senhor a Sua Hora. Voltemos &agrave; Palavra de Isa&iacute;as: Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades [&hellip;] E o Senhor fez cair sobre Ele as faltas de todos n&oacute;s. A nossa decis&atilde;o de acompanhar o Senhor, antes de mais reclama de cada um, o reconhecimento sincero e humilde dos pecados, sem eufemismos, sem desculpas, com total transpar&ecirc;ncia, em rela&ccedil;&atilde;o ao mais secreto e mais &iacute;ntimo que escondemos, com a verdade nua e crua, possivelmente dolorosa, da nossa real situa&ccedil;&atilde;o. Em 2005, o ent&atilde;o Cardeal Ratzinger, redigiu a Via Sacra que Jo&atilde;o Paulo II, extremamente fragilizado, s&oacute; p&ocirc;de seguir da sua Capela particular. Isto ocorria 10 dias antes da sua morte que se verificaria precisamente, faz hoje 5 anos: 2 de Abril de 2005. Quase parece que intuindo o que agora estamos a viver, a reflex&atilde;o do ent&atilde;o Cardeal que presidia &agrave; Via-Sacra, exprimia de modo chocante, quase provocat&oacute;rio: &ldquo;Quantas vezes se abusa do Sant&iacute;ssimo Sacramento e da Sua presen&ccedil;a! Como est&aacute; frequentemente vazio e mal preparado o cora&ccedil;&atilde;o onde Ele entra! Quantas vezes se contorce e abusa da Sua Palavra; qu&atilde;o pouca f&eacute; existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta sujidade h&aacute; na Igreja e precisamente entre aqueles que no sacerd&oacute;cio deviam pertencer completamente a Ele! Quanta soberba, quanta auto-sufici&ecirc;ncia! Respeitamos t&atilde;o pouco o sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o onde Ele est&aacute; &agrave; nossa espera para nos levantar das nossas quedas!&rdquo; Meus irm&atilde;os: queremos acompanhar o Senhor por dentro de n&oacute;s pr&oacute;prios, encontrando-nos na nudez da nossa mis&eacute;ria e do nosso pecado.<\/p>\n<p>Mas seguir Jesus &eacute; encontrarmo-nos com o Crucificado. A Cruz que agora vamos adorar, &eacute; fonte inexaur&iacute;vel e torrente inesgot&aacute;vel de miseric&oacute;rdia. Pai, perdoai-lhes, porque n&atilde;o sabem o que fazem. Como ouvimos na Carta aos Hebreus, n&oacute;s n&atilde;o temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas. [&hellip;] Vamos, portanto, cheios de confian&ccedil;a ao trono da gra&ccedil;a, a fim de alcan&ccedil;armos miseric&oacute;rdia e obtermos a gra&ccedil;a dum aux&iacute;lio oportuno. Que ao beijarmos sentidamente o Senhor crucificado, ou&ccedil;amos no nosso interior a Palavra do milagre, a Palavra da reconcilia&ccedil;&atilde;o: Levanta-te e caminha.<\/p>\n<p>O Corpo de Cristo que hoje comungaremos, nas esp&eacute;cies sacramentais consagradas na Missa da Ceia de ontem, &eacute; o modo perfeito de vivermos a Sua Hora. A comunh&atilde;o desta Ac&ccedil;&atilde;o Lit&uacute;rgica exige-nos, &agrave; imita&ccedil;&atilde;o de Jesus, um total despojamento de n&oacute;s pr&oacute;prios e uma generosa disponibilidade em favor de todos os irm&atilde;os. S&oacute; podemos comungar Jesus no dia da Sua Paix&atilde;o e da Sua Morte, sentindo-nos conscientemente &laquo;p&atilde;o repartido&raquo; para os outros, sem exclus&atilde;o de ningu&eacute;m.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A M&atilde;e de Jesus, que junto &agrave; Cruz de Seu Filho, sofreu as dores da maternidade que a tornaram nossa M&atilde;e, nos obtenha a gra&ccedil;a duma sincera convers&atilde;o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><em>D. Jacinto Botelho,<br \/>Bispo de Lamego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recomendam as rubricas para esse dia uma breve homilia. Viemos na tarde desta Sexta-feira de Trevas para acompanharmos Jesus na Sua Hora, como t&atilde;o frequentemente Ele a tinha designado. 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