{"id":44492,"date":"2010-04-05T16:11:46","date_gmt":"2010-04-05T16:11:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/05\/homilia-de-d-jacinto-botelho-na-missa-da-ceia-do-senhor\/"},"modified":"2010-04-05T16:11:46","modified_gmt":"2010-04-05T16:11:46","slug":"homilia-de-d-jacinto-botelho-na-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jacinto-botelho-na-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jacinto Botelho na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p>Depois de termos celebrado de manh&atilde; com o Presbit&eacute;rio de Lamego o Pontifical Crismal, abrimos nesta solene Eucaristia da Ceia o assim denominado Tr&iacute;duo Pascal que culminar&aacute; na Missa da Vig&iacute;lia Pascal e se prolongar&aacute; como um longo Dia at&eacute; ao Pentecostes.<\/p>\n<p>Mas para a Paroquia da S&eacute; &eacute; hoje o seu dia por excel&ecirc;ncia, o dia da comunidade, o dia da Comunh&atilde;o Pascal, celebrada t&atilde;o significativamente nesta Eucaristia Memorial da Ceia.<\/p>\n<p>Toda a Igreja Cat&oacute;lica vive, por decis&atilde;o do Santo Padre, desde a &uacute;ltima at&eacute; &agrave; pr&oacute;xima Solenidade do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, o Ano Sacerdotal. Temo-lo vivido com interesse e generosidade, evocando com respeito, admira&ccedil;&atilde;o e sufr&aacute;gios, eclesi&aacute;sticos falecidos do nosso presbit&eacute;rio, reflectindo sobre a riqueza e a gra&ccedil;a do minist&eacute;rio ordenado, e sobretudo com os especiais e multiplicados tempos de adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento, pedindo para os nossos sacerdotes a Gra&ccedil;a da fidelidade, &agrave; imita&ccedil;&atilde;o da fidelidade de Jesus.<\/p>\n<p>O ano em curso &eacute; por isso, tamb&eacute;m oportunidade para aprofundarmos a nossa consci&ecirc;ncia de perten&ccedil;a a um povo sacerdotal, participantes do sacerd&oacute;cio comum dos fi&eacute;is. Recordemos o ensino do Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica: &ldquo;Cristo, sumo sacerdote e &uacute;nico mediador, fez da Igreja &laquo;um reino de sacerdotes para Deus Seu Pai&raquo;. Toda a comunidade dos crentes, como tal, &eacute; uma comunidade sacerdotal. Os fi&eacute;is exercem o seu sacerd&oacute;cio baptismal atrav&eacute;s da participa&ccedil;&atilde;o, cada qual segundo a sua voca&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, na miss&atilde;o de Cristo, sacerdote, profeta e rei. &Eacute; pelos sacramentos do Baptismo e da Confirma&ccedil;&atilde;o que os fi&eacute;is s&atilde;o &laquo;consagrados para serem um sacerd&oacute;cio santo&raquo;.&rdquo; E explicita o Catecismo logo a seguir: &ldquo;O sacerd&oacute;cio ministerial ou hier&aacute;rquico dos bispos e dos presb&iacute;teros e o sacerd&oacute;cio comum de todos os fi&eacute;is &ndash; embora &laquo;um e outro, cada qual segundo o seu modo pr&oacute;prio, participem do &uacute;nico sacerd&oacute;cio de Cristo&raquo; &#8211; s&atilde;o, no entanto, essencialmente diferentes, ainda que sendo &laquo;ordenados um para o outro&raquo;. [&hellip;] O sacerd&oacute;cio comum dos fi&eacute;is realiza-se no desenvolvimento da vida baptismal &ndash; vida de f&eacute;, esperan&ccedil;a e caridade, vida segundo o Esp&iacute;rito.&rdquo;<\/p>\n<p>Trata-se do testemunho do aut&ecirc;ntico disc&iacute;pulo de Cristo que havemos de dar em todos as circunst&acirc;ncias, afirmado duma forma consciente e respons&aacute;vel nesta Comunh&atilde;o Pascal, preparada seriamente no sacramento da Penit&ecirc;ncia, o qual sempre nos empurra para a convers&atilde;o, com prop&oacute;sitos firmes de emenda e o compromisso exigente &laquo;duma vida santa e duma caridade eficaz&raquo;.<\/p>\n<p>Na Missa da 25.&ordf; Jornada Mundial da Juventude celebrada na Pra&ccedil;a de S. Pedro em Roma no passado Dia de Ramos, referiu Bento XVI na homilia a subida para Jerusal&eacute;m,&nbsp; s&iacute;mbolo e imagem &ldquo;do movimento interior da exist&ecirc;ncia, que se concretiza no seguimento de Cristo: subida para a verdadeira altura de sermos homens&rdquo;. E o Santo Padre convida-nos &agrave; reflex&atilde;o: &ldquo;O homem pode escolher uma vida c&oacute;moda e evitar tudo quanto &eacute; fadiga. Pode ainda descer ao que &eacute; baixo, &agrave; vulgaridade. Pode atolar-se no p&acirc;ntano da mentira e da desonestidade. Cristo caminha diante de n&oacute;s e dirige-se para o alto. Ele conduz-nos em direc&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; grande e puro, conduz-nos para os ares despolu&iacute;dos das alturas: para a vida segundo a verdade; para a coragem que se n&atilde;o deixa intimidar com o charlatanismo das opini&otilde;es dominantes; para a paci&ecirc;ncia que suporta e auxilia os outros. Conduz-nos para a disponibilidade em rela&ccedil;&atilde;o aos que sofrem, aos abandonados; para a fidelidade que h&aacute; da parte do outro, mesmo quando a situa&ccedil;&atilde;o se torna dif&iacute;cil. Conduz-nos para a disponibilidade em prestar ajuda; para a bondade que nem a ingratid&atilde;o desmotiva. Conduz-nos para o amor &ndash; conduz-nos para Deus.&rdquo; Bel&iacute;ssimo programa de renova&ccedil;&atilde;o pascal que nos empenharemos em seguir, at&eacute; numa atitude de comunh&atilde;o com Sua Santidade, cuja visita em Maio pr&oacute;ximo, assim prepararemos, abrindo desde j&aacute; o cora&ccedil;&atilde;o &agrave; riqueza da sua mensagem.&nbsp;<\/p>\n<p>O contexto s&oacute;cio-religioso que vivemos n&atilde;o se compadece com atitudes de ambiguidade: exige de n&oacute;s, com a transpar&ecirc;ncia inequ&iacute;voca do comportamento, o desassombro do testemunho, sempre sereno e humilde, mas firme e claro. Ligados a uma sociedade onde a corrup&ccedil;&atilde;o encapotada quase parece prevalecer &agrave; dignidade e &agrave; justi&ccedil;a, perante uma legisla&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o respeita o dom inviol&aacute;vel da vida humana desde a concep&ccedil;&atilde;o ao derradeiro instante da exist&ecirc;ncia, promovendo e subsidiando mesmo, com dinheiros p&uacute;blicos, pr&aacute;ticas abortivas; diante duma errada e aberrante concep&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lia j&aacute; votada e aprovada por maioria na Assembleia da Rep&uacute;blica, acto que foi sublinhado por quem nos governa como express&atilde;o de modernidade e passo de gigante na afirma&ccedil;&atilde;o do nosso progresso cultural, a resposta determinada n&atilde;o pode ser sen&atilde;o a discord&acirc;ncia, tanto na linha do pensamento, como no agir.<\/p>\n<p>Permiti que repita o que esta manh&atilde; j&aacute; afirmei na Missa Crismal. A Igreja sofre nos &uacute;ltimos tempos uma doloros&iacute;ssima prova&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode deixar-nos insens&iacute;veis. Amemos muito a nossa M&atilde;e, a Igreja santa, mas tamb&eacute;m pecadora, e rezemos por todas as v&iacute;timas inocentes, porventura irremediavelmente marcadas para toda a sua vida; amemos a M&atilde;e Igreja e rezemos e sacrifiquemo-nos pelos culpados que deveriam apresent&aacute;-la pura e imaculada, e com o seu torpe comportamento a conspurcam; amemos a Santa Igreja e rezemos por aqueles que com falsidades a insidiam, com o exclusivo objectivo de desacredit&aacute;-la, infamando-a e caluniando-a, na pessoa dos que por voca&ccedil;&atilde;o ministerialmente a servem.<\/p>\n<p>O sacrif&iacute;cio que o livro do &Ecirc;xodo imp&otilde;e como obriga&ccedil;&atilde;o aos filhos de Israel, &eacute; figura do sacrif&iacute;cio de Cristo que revela o amor infinito de Deus por cada homem &laquo;at&eacute; ao fim&raquo;, o amor &laquo;maior&raquo;: o amor que leva a &laquo;dar a vida pelos amigos&raquo;. O pensamento &eacute; de Bento XVI, recordado no Plano de Pastoral que este ano temos seguido. Celebramos, aqui e agora, de modo particularmente significativo o seu memorial, a Ceia do Senhor, descrita com extrema preocupa&ccedil;&atilde;o de fidelidade por S. Paulo na segunda leitura. &ldquo;Cada Eucaristia actualiza sacramentalmente a doa&ccedil;&atilde;o que Jesus faz da sua pr&oacute;pria vida por n&oacute;s e pelo mundo inteiro [&hellip;] e impele todo o que acredita n&rsquo;Ele a fazer-se &laquo;p&atilde;o repartido&raquo; para os outros e consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e mais fraterno&rdquo;.<\/p>\n<p>O caminho &eacute; o do servi&ccedil;o humilde para com todos, como nos ensinou Jesus no Lava-p&eacute;s t&atilde;o sugestivamente evocado j&aacute; a seguir, dispondo-nos a celebrar a nossa Comunh&atilde;o Pascal com a consci&ecirc;ncia e responsabilidade de disc&iacute;pulos seus. H&aacute;, para todos n&oacute;s, p&eacute;s a lavar, nos gestos simples da delicadeza e da amabilidade, calando os sentimentos de vingan&ccedil;a, as manifesta&ccedil;&otilde;es de orgulho que levantam barreiras de oposi&ccedil;&atilde;o, os modos agressivos que distanciam e provocam respostas de hostilidade ou corte de rela&ccedil;&otilde;es. A quem me pede o Senhor que lave os p&eacute;s? Pensa e n&atilde;o abandones esta S&eacute; sem concretizar um prop&oacute;sito. O largo tempo, at&eacute; &agrave; tarde de amanh&atilde;, em que o Sant&iacute;ssimo Sacramento, na Sagrada Reserva, lembrando a Sua violent&iacute;ssima agonia e solid&atilde;o no Horto das Oliveiras, espera a consola&ccedil;&atilde;o e o desagravo da nossa presen&ccedil;a, pode ser uma excelente ocasi&atilde;o para consolidarmos a sinceridade das nossas disposi&ccedil;&otilde;es interiores.<\/p>\n<p>Que a Senhora da Assun&ccedil;&atilde;o, titular desta Catedral, a apontar-nos, a meta definitiva da exist&ecirc;ncia, acompanhe com solicitude de M&atilde;e o nosso caminhar, e n&oacute;s saibamos comportar-nos, em cada dia, com a dedica&ccedil;&atilde;o e a responsabilidade de filhos.<\/p>\n<p><em>D. Jacinto Botelho,<br \/>Bispo de Lamego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de termos celebrado de manh&atilde; com o Presbit&eacute;rio de Lamego o Pontifical Crismal, abrimos nesta solene Eucaristia da Ceia o assim denominado Tr&iacute;duo Pascal que culminar&aacute; na Missa da Vig&iacute;lia Pascal e se prolongar&aacute; como um longo Dia at&eacute; ao Pentecostes. 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