{"id":44474,"date":"2010-04-05T11:18:45","date_gmt":"2010-04-05T11:18:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/05\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-2\/"},"modified":"2010-04-05T11:18:45","modified_gmt":"2010-04-05T11:18:45","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-celebracao-da-paixao-do-senhor-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Aveiro na Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><strong>&#8220;Fortalece, Senhor, os que acreditam na P&aacute;scoa&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1.A solene Ac&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica da Paix&atilde;o do Senhor nesta tarde de Sexta-feira Santa coloca-nos diante do acontecimento central da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o da humanidade.<\/p>\n<p>Diante de n&oacute;s deparamo-nos com um Messias sofredor, que renuncia a todos os triunfalismos f&aacute;ceis e imediatos que uma presumida realeza humana significaria e que a vontade dos mais pr&oacute;ximos esperava.<\/p>\n<p>O Messias, Rei esperado pela multid&atilde;o, que no domingo passado aclamava Jesus na sua entrada triunfal em Jerusal&eacute;m, &eacute; agora o Servo acusado e humilhado, o Justo tra&iacute;do e negado e o Inocente condenado e abandonado.<\/p>\n<p>&nbsp;&Eacute; a partir deste acontecimento da morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo que se iluminam todos os acontecimentos da hist&oacute;ria de salva&ccedil;&atilde;o, se compreendem os sofrimentos das v&iacute;timas inocentes ao longo do tempo e as tribula&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria da humanidade.<\/p>\n<p>2. A palavra de Deus, hoje proclamada, ajuda-nos a ler em chave pascal este acontecimento e a fazer dele luz que brilhe no horizonte dos acontecimentos de cada tempo.<\/p>\n<p>Na palavra de Isa&iacute;as, o Servo sofredor &ldquo;entregou a sua vida &agrave; morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multid&otilde;es e intercedeu pelos pecadores&rdquo; (&nbsp; Is 53, 12).<\/p>\n<p>No dizer da Carta aos Hebreus, este Servo Sofredor, &ldquo;Jesus, o Filho de Deus, aprendeu a obedi&ecirc;ncia no sofrimento e tornou-se para cada um de n&oacute;s, causa de salva&ccedil;&atilde;o eterna&rdquo; (cf Hebr 4, 14-16; 5, 7-9).<\/p>\n<p>Por seu lado o texto do Evangelho mostra-nos que na Paix&atilde;o do Senhor se concentraram todos os desvios da humanidade: a trai&ccedil;&atilde;o de um disc&iacute;pulo e amigo que o entrega a troco de dinheiro; a dispers&atilde;o assustada dos disc&iacute;pulos que fogem e O abandonam; a mentira dos testemunhos falsos, a ambiguidade perversa dos objectivos, a perplexidade e a hesita&ccedil;&atilde;o de quem julga; a press&atilde;o e o constrangimento da multid&atilde;o amotinada, o sil&ecirc;ncio c&uacute;mplice dos que tinham o dever de falar, a crueldade e a tortura na execu&ccedil;&atilde;o da pena, n&atilde;o respeitando a dignidade do condenado.<\/p>\n<p>Olhemos o nosso mundo, n&atilde;o ignoremos os que est&atilde;o dispostos a tudo por dinheiro e esquecem os valores maiores por oportunismo, ou a indiferen&ccedil;a dos amigos na hora da prova&ccedil;&atilde;o, ou as incertezas da justi&ccedil;a humana, ou os assass&iacute;nios de car&aacute;cter nas pra&ccedil;as p&uacute;blicas das multid&otilde;es descontroladas.<\/p>\n<p>Olhemos o nosso mundo de frente. S&atilde;o tantos, infelizmente, os dramas e os pecados que a todos nos entristecem e magoam e s&atilde;o t&atilde;o numerosas e aviltantes as fraquezas que fazem parte da sociedade que queremos transformar!<\/p>\n<p>Face aos dramas do mundo e &agrave; fragilidade humana vemos como continua a ser importante que Jesus Cristo, o Filho de Deus, tenha suportado e oferecido a sua vida toda, no amor, e que a generosidade da sua morte continue a ser o maior testemunho do amor de Deus por n&oacute;s, pela Igreja e pelo mundo!<\/p>\n<p>E se alcan&ccedil;armos e envolvermos Jesus, o Servo Sofredor, e todos os nossos irm&atilde;os que sofrem num mesmo olhar, teremos aberto o nosso cora&ccedil;&atilde;o &agrave; luz da P&aacute;scoa, anunciando a morte do Senhor e proclamando a sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, at&eacute; que Ele venha.<\/p>\n<p>Neste dia, a Igreja n&atilde;o celebra a Eucaristia. Prostramo-nos diante da cruz em adora&ccedil;&atilde;o. A Ceia do Senhor, ontem celebrada, antecipa o Calv&aacute;rio e anuncia o sacrif&iacute;cio da Cruz, como entrega da vida de Jesus para nossa salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;A d&aacute;diva do Corpo e Sangue de Cristo, na &Uacute;ltima Ceia, n&atilde;o &eacute; diferente nem est&aacute; separada da entrega de Cristo na Cruz. &Eacute; um mesmo acto de amor a Deus, seu Pai, e de entrega redentora a n&oacute;s, seus irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Esta atrac&ccedil;&atilde;o de Deus, vivemo-la na Eucaristia e na adora&ccedil;&atilde;o da Cruz. Por isso compreendemos as palavras de Jesus: &ldquo;Quando for elevado da terra atrairei todos a mim&rdquo; (Jo 12, 32).<\/p>\n<p>A luta entre o mal e a humanidade trava-se na Cruz e quem sai vencedora &eacute; a humanidade que, redimida na Cruz de Cristo, volta a deixar-se atrair por Deus.<\/p>\n<p>O drama do Calv&aacute;rio &eacute; grande demais porque ali se decidiu o nosso destino.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&oacute;s somos chamados a beber do mesmo c&aacute;lice vivendo e ensinando a sabedoria da cruz, como escrevia Paulo aos Cor&iacute;ntios: &laquo;frente &agrave;s diversas sabedorias do mundo, eu prego Cristo crucificado, esc&acirc;ndalo para os judeus e loucura para os pag&atilde;os, mas para os que foram chamados Ele &eacute; poder de Deus e sabedoria de Deus &raquo; ( cf 1 Cor 1, 23-24).<\/p>\n<p>3. Contemplemos e adoremos a Cruz do Senhor. Ela &eacute;, na Liturgia, um sinal de presen&ccedil;a real da Paix&atilde;o de Cristo.<\/p>\n<p>Na Cruz, do lado trespassado do Senhor morto, S. Jo&atilde;o viu sair sangue e &aacute;gua; do olhar terno e materno de Maria, a M&atilde;e dolorosa, ali presente, brota a serenidade da esperan&ccedil;a e em Jo&atilde;o todos n&oacute;s somos recebidos como seus filhos: &laquo;M&atilde;e, eis a&iacute; o teu Filho; filho eis a&iacute; a tua M&atilde;e&raquo;.<\/p>\n<p>A luz da P&aacute;scoa brilha j&aacute;, para l&aacute; da penumbra da morte e da densidade do sofrimento, na adora&ccedil;&atilde;o daquele Calv&aacute;rio silencioso, em que tudo foi consumado e no encontro com tantas pessoas que oferecem a vida a aliviar o sofrimento dos irm&atilde;os mais fr&aacute;geis, inocentes e sacrificados do nosso tempo.<\/p>\n<p>Ajoelhemos tamb&eacute;m diante de tantos irm&atilde;os e irm&atilde;s para quem a cruz da doen&ccedil;a, do medo, da solid&atilde;o, do des&acirc;nimo ou da prova&ccedil;&atilde;o &eacute; hoje mais pesada.<\/p>\n<p>Pensemos sobretudo naqueles a quem faltam cirineus com olhar de irm&atilde;os que com eles transportem a sua cruz.<\/p>\n<p>A longa ora&ccedil;&atilde;o desta solene Ac&ccedil;&atilde;o Lit&uacute;rgica da Paix&atilde;o diz-nos que caminhos de dor n&atilde;o foram apenas os do Calv&aacute;rio de Jesus mas s&atilde;o tamb&eacute;m os caminhos de tantos calv&aacute;rios humanos que ao longo da vida tantos irm&atilde;os nossos percorrem.<\/p>\n<p>Com Jesus, suspenso na tua Cruz, e sustentados no exemplo firme da sua M&atilde;e, tamb&eacute;m n&oacute;s rezamos, como crian&ccedil;a que estende os bra&ccedil;os para a sua m&atilde;e ou para o seu pai: &laquo;Pai nas tuas m&atilde;os, entrego o meu esp&iacute;rito&raquo;.<\/p>\n<p><em>&laquo;Faz-nos entrar, Senhor, no caminho pascal<\/em><\/p>\n<p><em>No dinamismo de ressurrei&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p><em>Que passa pelas dores de quem sofre e de quem faz sofrer<\/em><\/p>\n<p><em>Que supera os limites e os pecados.<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>Fortalece, Senhor, os que acreditam na P&aacute;scoa,<\/em><\/p>\n<p><em>Os que defendem a vida<\/em><\/p>\n<p><em>Os que clamam e promovem a justi&ccedil;a<\/em><\/p>\n<p><em>Os que repartem a miseric&oacute;rdia<\/em><\/p>\n<p><em>E constroem a paz.&raquo;<\/em><\/p>\n<p>S&atilde;o estes os verdadeiros adoradores da Cruz do Senhor, os indispens&aacute;veis cirineus da humanidade e os necess&aacute;rios profetas da P&aacute;scoa do nosso Redentor.<\/p>\n<p>S&eacute; de Aveiro, 2 de Abril de 2010<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Fortalece, Senhor, os que acreditam na P&aacute;scoa&rdquo; 1.A solene Ac&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica da Paix&atilde;o do Senhor nesta tarde de Sexta-feira Santa coloca-nos diante do acontecimento central da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o da humanidade. 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