{"id":44472,"date":"2010-04-05T11:09:00","date_gmt":"2010-04-05T11:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/05\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-da-ceia-do-senhor-2\/"},"modified":"2010-04-05T11:09:00","modified_gmt":"2010-04-05T11:09:00","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-da-ceia-do-senhor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-da-ceia-do-senhor-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de Braga na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><strong>N&atilde;o s&oacute; Comunh&atilde;o Eucar&iacute;stica <\/strong><\/p>\n<p>Vivemos a celebra&ccedil;&atilde;o da Ceia do Senhor ancorados na l&oacute;gica e no dinamismo do amor m&uacute;tuo. O que aconteceu no Cen&aacute;culo transformou-se num &ldquo;dia memor&aacute;vel&rdquo; a &ldquo;festejar de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o como institui&ccedil;&atilde;o perp&eacute;tua&rdquo; (Ex 12,13-14). N&atilde;o &eacute; mera recorda&ccedil;&atilde;o. &Eacute; nossa responsabilidade assumir a imagem do lava-p&eacute;s como &iacute;cone que recorda o que Jesus realizou mas, particularmente, sinal de que o disc&iacute;pulo de Cristo, aqui e agora, d&aacute; o que muitos necessitam de ver. &ldquo;Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os at&eacute; ao fim&rdquo;. &ldquo;Se eu, que sou, Mestre e Senhor, vos lavei os p&eacute;s, tamb&eacute;m v&oacute;s deveis lavar os p&eacute;s uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, assim como Eu fiz, v&oacute;s o fa&ccedil;ais tamb&eacute;m&rdquo; (Jo 13, 15).<\/p>\n<p>Que significado poder&aacute; ter este &iacute;cone maravilhoso que resume a vida de Cristo e atinge o seu auge nos momentos finais da Sua vida?<\/p>\n<p>O Ano Sacerdotal, que estamos a viver, deveria conduzir-nos &agrave; eclesiologia contida no Conc&iacute;lio Vaticano II para melhor compreendermos e amarmos a miss&atilde;o dos presb&iacute;teros na Igreja. A&iacute; a Igreja apresentou-se como mist&eacute;rio de comunh&atilde;o e miss&atilde;o. Como mist&eacute;rio, n&atilde;o devemos ter receio de afirmar que a Igreja encontra a sua defini&ccedil;&atilde;o fora de si, e dever&aacute; ser interpretada &agrave; imagem da Sant&iacute;ssima Trindade que a gera e ao mundo ao qual &eacute; enviada. Gerada pela Trindade expressa-se como mist&eacute;rio de comunh&atilde;o; enviada para o mundo &eacute;, intrinsecamente, mission&aacute;ria.<\/p>\n<p>A comunh&atilde;o j&aacute; nos foi dada mas deve ser constru&iacute;da, na l&oacute;gica do &ldquo;como Eu fiz fazei-o v&oacute;s tamb&eacute;m&rdquo;. O dia de hoje &eacute; de comunh&atilde;o, mas o grande problema ou desafio da Igreja est&aacute; na viv&ecirc;ncia da comunh&atilde;o. Crescemos no amor &agrave; comunh&atilde;o eucar&iacute;stica mas a vida continua manchada por atentados ao amor fraterno, &agrave; l&oacute;gica do querer-se bem, &agrave; sinceridade de um relacionamento fraterno, &agrave; verdade de uma transpar&ecirc;ncia que n&atilde;o engana.<\/p>\n<p>Esta manh&atilde;, nesta Catedral, durante a missa crismal, os presb&iacute;teros renovaram as suas promessas. Fizeram-no como Corpo e, dentro das exig&ecirc;ncias de uma fidelidade a Cristo, gostaria de acrescentar mais algumas reflex&otilde;es.<\/p>\n<p>Eles n&atilde;o se encontram aqui. S&oacute; que toda a Igreja deve estar consciente de um novo modo de interpretar o sacerd&oacute;cio. No passado era vivido num estilo individual e a sua miss&atilde;o era interpretada em fun&ccedil;&atilde;o do culto, da&iacute; serem chamados &ldquo;sacerdotes&rdquo;. Hoje, teremos de regressar &agrave;s origens, onde o &ldquo;sacerdote&rdquo; era &ldquo;presb&iacute;tero&rdquo; e vivia em verdadeira comunh&atilde;o no presbit&eacute;rio.<\/p>\n<p>Os padres n&atilde;o s&atilde;o chamados simplesmente a <strong>construir <\/strong>o presbit&eacute;rio, como se de uma tarefa importante se tratasse. S&atilde;o convocados, acima de tudo, a <strong>serem <\/strong>presbit&eacute;rio, uma vez que o presbit&eacute;rio existe antes do padre. Da&iacute; que ser presb&iacute;tero &eacute; essencialmente <strong><em>ser corpo <\/em><\/strong>de pessoas sol&iacute;citas e atentas aos outros, encorajando-se na estima rec&iacute;proca, levando os pesos e fardos uns dos outros, sem invejas, ci&uacute;mes, divis&otilde;es. Este <strong><em>ser corpo <\/em><\/strong>acontece, em primeira inst&acirc;ncia, na Igreja Particular, ou seja, na Diocese, o que leva a concluir que a responsabilidade pela comunh&atilde;o eclesial deve a base do cumprimento fiel de uma tarefa que lhe &eacute; confiada pelo Bispo.<\/p>\n<p>Todos os presb&iacute;teros participam da &uacute;nica miss&atilde;o da Diocese e, ainda que colocados num determinado lugar, n&atilde;o s&atilde;o perten&ccedil;a dessas comunidades ou das institui&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o pode perdurar a ideia do &ldquo;nosso padre&rdquo; que trabalha para a par&oacute;quia e s&oacute; faz o que esta necessita. A comunh&atilde;o eclesial passa tamb&eacute;m pela compreens&atilde;o dos fi&eacute;is no que concerne esta exig&ecirc;ncia. &Eacute; fundamental que os presb&iacute;teros cres&ccedil;am em comunidades sacerdotais, uma vez que isto comporta in&uacute;meras vantagens: complementaridade de servi&ccedil;os, vantagens econ&oacute;micas nas resid&ecirc;ncias comuns, maior qualidade na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os e, acima de tudo, uma comunh&atilde;o presbiteral alicer&ccedil;ada na Trindade.<\/p>\n<p>Sempre na linha da comunh&atilde;o, o presb&iacute;tero deve privilegiar o relacionamento com as pessoas e investir todas as suas energias na luta contra o individualismo. As par&oacute;quias n&atilde;o podem ser um mero laborat&oacute;rio de actividades muito bem preparadas e realizadas. Se estas n&atilde;o nascerem da comunh&atilde;o entre as pessoas e se n&atilde;o forem orientadas para criar la&ccedil;os familiares e de amor, que certamente ultrapassam qualquer limite geogr&aacute;fico, ent&atilde;o perdem a sua verdadeira identidade.<\/p>\n<p>A l&oacute;gica da comunh&atilde;o sup&otilde;e que os leigos reconhe&ccedil;am a sua responsabilidade baptismal, expressa numa efectiva consci&ecirc;ncia eclesial, e que os sacerdotes se empenhem em promover uma presen&ccedil;a diferenciada de minist&eacute;rios e apostolados, n&atilde;o como express&atilde;o de uma necessidade moment&acirc;nea mas consequ&ecirc;ncia de um estatuto pr&oacute;prio. Estamos todos comprometidos na miss&atilde;o evangelizadora da Igreja e fazemo-lo promovendo carismas e responsabilidades diversificadas. Neste sentido, a identidade pastoral dos presb&iacute;teros redefine-se como a capacidade de promover e integrar todos os fi&eacute;is, numa s&iacute;ntese a que preside sem autoritarismos.<\/p>\n<p>A Confer&ecirc;ncia Episcopal Italiana apresentava, de um modo admir&aacute;vel, esta revolu&ccedil;&atilde;o no ser e agir da Igreja como comunh&atilde;o: &ldquo;Os presb&iacute;teros devem valorizar sempre mais o seu minist&eacute;rio de pais da f&eacute; e guias na vida segundo o Esp&iacute;rito, evitando com grande cuidado cair num certo &ldquo;funcionalismo&rdquo;. De tal modo que, apoiados na fraternidade presbiteral e na solidariedade pastoral, possam ser servos da comunh&atilde;o eclesial, como aqueles que levam &agrave; unidade os carismas e os minist&eacute;rios na comunidade, verdadeiros educadores mission&aacute;rios de que todos t&ecirc;m necessidade&rdquo; (CEI, <em>Il volto missionario delle parrocchie in un mundo che cambia<\/em>, 11). Com esta mentalidade, teremos de descobrir momentos comuns de forma&ccedil;&atilde;o e, simultaneamente, momentos que permitam evidenciar a mesma paix&atilde;o num servi&ccedil;o complementar ao &uacute;nico Evangelho.<\/p>\n<p>Em Quinta-feira Santa do Ano Sacerdotal, e impelido pelo &iacute;cone do lava-p&eacute;s, quis sublinhar o rosto de comunh&atilde;o da Igreja Arquidiocesana. Fa&ccedil;o-o como prece ao presbit&eacute;rio arquidiocesano, assim como aos leigos j&aacute; empenhados no acolhimento e an&uacute;ncio do Evangelho e ainda a outros que queiram encetar esta caminhada eclesial.<\/p>\n<p>Necessitamos de aprender &ldquo;a gram&aacute;tica&rdquo; da comunh&atilde;o de vida, que deve ser pronunciada, em primeiro lugar, pelos presb&iacute;teros, ou talvez em un&iacute;ssono com os nossos crist&atilde;os. Somos todos aprendizes e o fundamental &eacute; que invistamos tempo e energias nesta prioridade. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. N&atilde;o podemos dispersar, andando de um lado para outro, ou, o que &eacute; pior, atribuindo as responsabilidades aos outros.<\/p>\n<p>Como consequ&ecirc;ncia, que n&atilde;o quer dizer adiamento, devemos fazer com que a mesma gram&aacute;tica da comunh&atilde;o encontre uma express&atilde;o vis&iacute;vel no trabalhar juntos com os dons de todos, na aceita&ccedil;&atilde;o da diversidade, no di&aacute;logo da procura e correc&ccedil;&atilde;o fraterna, na revis&atilde;o que n&atilde;o magoa, no apontar de rectifica&ccedil;&otilde;es a fazer.<\/p>\n<p>S&oacute; temos um &uacute;nico Senhor e Mestre. Sigamos as Suas pegadas e compreenderemos a Eucaristia, o sacerd&oacute;cio e o amor.<\/p>\n<p>Braga, 01 de Abril de 2010,<\/p>\n<p>Quinta-feira Santa,<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o s&oacute; Comunh&atilde;o Eucar&iacute;stica Vivemos a celebra&ccedil;&atilde;o da Ceia do Senhor ancorados na l&oacute;gica e no dinamismo do amor m&uacute;tuo. O que aconteceu no Cen&aacute;culo transformou-se num &ldquo;dia memor&aacute;vel&rdquo; a &ldquo;festejar de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o como institui&ccedil;&atilde;o perp&eacute;tua&rdquo; (Ex 12,13-14). 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