{"id":44460,"date":"2010-04-04T12:13:01","date_gmt":"2010-04-04T12:13:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/04\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao-2\/"},"modified":"2010-04-04T12:13:01","modified_gmt":"2010-04-04T12:13:01","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-pontifical-da-ressurreicao-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca no Pontifical da Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Tudo come&ccedil;a a&iacute;: acreditar que Jesus ressuscitou dos mortos<\/strong><\/p>\n<p>1. Acreditar na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo &eacute;, certamente, o aspecto mais exigente e decisivo da f&eacute; crist&atilde;. Sempre o foi e &eacute;-o particularmente no tempo que estamos a viver.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; J&aacute; o foi para as primeiras testemunhas da ressurrei&ccedil;&atilde;o. Jesus, sempre que anunciou a sua Paix&atilde;o, anunciou a sua Ressurrei&ccedil;&atilde;o. Mas os disc&iacute;pulos, se tinham dificuldade em aceitar a morte de Jesus, n&atilde;o perceberam de forma nenhuma o an&uacute;ncio da ressurrei&ccedil;&atilde;o. Numa dessas ocasi&otilde;es, o Evangelista diz que eles ficaram a discutir entre si o que &eacute; que queria dizer ressuscitar dos mortos. Quando Jesus ressuscita e lhes aparece &eacute; uma surpresa total e exigente.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tentemos perceber quais as causas dessa dificuldade em aceitar a ressurrei&ccedil;&atilde;o. A primeira est&aacute; na dificuldade de identificar no ressuscitado o mesmo Jesus que eles conheceram e amaram, que os impressionou com os seus milagres, os atraiu com a sua Palavra e os ensinou como um Mestre. &Eacute; Ele, ou &eacute; uma esp&eacute;cie de fantasma? Jesus tem consci&ecirc;ncia dessa dificuldade e faz tudo para lhes mostrar que &eacute; Ele mesmo. Parece que era mais f&aacute;cil para eles aceitar um outro ser misterioso do que admitir que a ressurrei&ccedil;&atilde;o era agora o novo rosto de Jesus, que levantava o v&eacute;u que encobria o mist&eacute;rio do Jesus hist&oacute;rico. &Eacute; que aceitar que Ele &eacute; o mesmo, um s&oacute; e n&atilde;o dois, obriga a reler, &agrave; luz deste seu novo rosto, todas as suas palavras, gestos, milagres, a sua pr&oacute;pria morte. O rosto do ressuscitado ilumina o rosto do Jesus hist&oacute;rico, mas n&atilde;o o anula.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma segunda causa dessa exig&ecirc;ncia consistia nisto: acreditar no ressuscitado exigia come&ccedil;ar tudo de novo: a&nbsp; compreens&atilde;o do Reino de Deus, a sua voca&ccedil;&atilde;o e chamamento, o seu envio em miss&atilde;o. Tudo o que o Senhor tinha feito com eles era v&aacute;lido, permanecia, mas a sua amplitude s&oacute; o ressuscitado a revelava.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas a principal dificuldade estava na nova exig&ecirc;ncia da f&eacute;. A ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo n&atilde;o se podia verificar, era preciso acreditar. Mesmo aqueles a quem Jesus ressuscitado apareceu, tinham de acreditar e foram escolhidos para serem testemunhas e n&atilde;o provas de verifica&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Jo&atilde;o d&aacute; a entender que, perante o t&uacute;mulo vazio, sintoma que algo de estranho tinha acontecido, ele acreditou primeiro que Pedro. E esta f&eacute; era mais exigente do que aquela que tinham manifestado no Jesus hist&oacute;rico, seguindo-O, considerando que era o Messias prometido. Acreditar no ressuscitado n&atilde;o anulava nada, mas transformava tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. Projectemos estas dificuldades para o nosso tempo. A primeira &eacute; real: &eacute; mais f&aacute;cil aceitar a figura hist&oacute;rica de Jesus, o car&aacute;cter sublime dos seus ensinamentos, a sua autoridade moral. Mesmo sujeitando-o &agrave;s exig&ecirc;ncias da cr&iacute;tica hist&oacute;rica, Ele fica prisioneiro do tempo hist&oacute;rico. Acreditar no ressuscitado &eacute; abrir o cora&ccedil;&atilde;o humano ao insond&aacute;vel de Deus, &eacute; mudar radicalmente as vis&otilde;es que se t&ecirc;m do sentido da vida humana, da sua plena realiza&ccedil;&atilde;o, do horizonte do seu futuro. Acreditar na ressurrei&ccedil;&atilde;o &eacute; aceitar que Jesus Cristo est&aacute; vivo, &eacute; tremendamente actual, &eacute; um desafio de amor e de eternidade na precariedade do horizonte restrito da nossa exist&ecirc;ncia hist&oacute;rica. Mesmo os ateus podem aceitar o Jesus hist&oacute;rico. Mas quem acreditar na ressurrei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode, nem ser ateu, nem confinar o sentido da vida ao horizonte deste mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. A segunda dificuldade sentida pelos disc&iacute;pulos &eacute; tamb&eacute;m real no nosso tempo: acreditar na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo &eacute; aceitar come&ccedil;ar tudo de novo: o sentido da vida e da morte, do amor e do sofrimento, da responsabilidade e da miss&atilde;o. Que o digam aqueles que um dia mergulharam nesse mist&eacute;rio do ressuscitado. As primeiras gera&ccedil;&otilde;es de crist&atilde;os disseram que era como &ldquo;nascer de novo&rdquo;. Deixa de ser poss&iacute;vel continuar a viver como se s&oacute; existisse este mundo. &Eacute; a clareza da mensagem de Paulo aos Colossenses: &ldquo;Irm&atilde;os: se ressuscitastes com Cristo, aspirai &agrave;s coisas do alto, onde est&aacute; Cristo, sentado &agrave; direita de Deus. Afei&ccedil;oai-vos &agrave;s coisas do alto e n&atilde;o &agrave;s da terra. Porque v&oacute;s morrestes, e a vossa vida est&aacute; escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que &eacute; a vossa vida, Se manifestar, tamb&eacute;m v&oacute;s vos haveis de manifestar com Ele na gl&oacute;ria&rdquo; (Col. 3,1-4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4. A terceira dificuldade &eacute; a exig&ecirc;ncia da f&eacute;. S&oacute; esta nos leva a mergulhar na realidade do ressuscitado. Essa f&eacute; &eacute; um dom do Esp&iacute;rito de Cristo ressuscitado, mas n&oacute;s podemos facilit&aacute;-la e acolh&ecirc;-la, confiando nas testemunhas sinceras. Foi assim que tudo come&ccedil;ou: Deus ressuscitou-O ao terceiro dia, e n&oacute;s somos disso testemunhas. A for&ccedil;a de um testemunho n&atilde;o &eacute; menos comovedora do que uma prova racional, sobretudo porque o testemunho exprime-se com a vida, na maneira de amar, na forma de estar no mundo com os olhos na eternidade. As palavras convencem, mas o testemunho comove.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na Igreja do nosso tempo, n&atilde;o basta a clarivid&ecirc;ncia da doutrina, &eacute; necess&aacute;ria a ousadia das testemunhas. Porque o testemunho &eacute; dado com a vida, as testemunhas s&atilde;o aberturas a essa outra dimens&atilde;o da vida, onde s&oacute; Cristo continua a ser a fonte da vida. S&oacute; podemos dizer &ldquo;boa P&aacute;scoa&rdquo; se tivermos no nosso cora&ccedil;&atilde;o a convic&ccedil;&atilde;o e a ousadia de testemunhas.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 4 de Abril de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger;<\/em><em> JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p align=\"center\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come&ccedil;a a&iacute;: acreditar que Jesus ressuscitou dos mortos 1. 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