{"id":44459,"date":"2010-04-04T12:00:58","date_gmt":"2010-04-04T12:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/04\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa\/"},"modified":"2010-04-04T12:00:58","modified_gmt":"2010-04-04T12:00:58","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>A Vig\u00edlia Pascal e a realidade da Igreja <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">1. Na liturgia desta noite, a Igreja celebra o seu pr&oacute;prio mist&eacute;rio, o itiner&aacute;rio da salva&ccedil;&atilde;o, vivido na f&eacute; e conduzido pelo Esp&iacute;rito de Deus. Como em nenhuma outra celebra&ccedil;&atilde;o, a Igreja &eacute; convidada a fazer mem&oacute;ria de toda a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. &Eacute; outra maneira de professar a nossa f&eacute;, ao ritmo da mem&oacute;ria do que Deus fez pelo seu Povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Come&ccedil;&aacute;mos por professar a nossa f&eacute; em Deus Criador. Na perspectiva b&iacute;blica, a cria&ccedil;&atilde;o &eacute; a primeira p&aacute;gina da Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o. O Povo de Israel chegou &agrave; consci&ecirc;ncia do poder criador da Palavra, porque experimentou, na sua caminhada de f&eacute;, o poder da Palavra de Deus. Deixar de acreditar que Deus &eacute; criador &eacute; alterar radicalmente o sentido profundo do Universo e da Hist&oacute;ria e da presen&ccedil;a do homem na realidade que o envolve e lhe foi dada para que a aperfei&ccedil;oe, para construir a sua pr&oacute;pria felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Record&aacute;mos a solicitude amorosa de Deus, que nunca abandonou o homem, apesar da sua desobedi&ecirc;ncia. Em Abra&atilde;o anuncia um povo escolhido, com quem faz Alian&ccedil;a e que dinamiza com uma promessa. Alian&ccedil;a e promessa tornam-se os esteios s&oacute;lidos da identidade desse Povo. Alian&ccedil;a que s&oacute; se mant&eacute;m devido &agrave; fidelidade de Deus, sempre mantida e renovada, at&eacute; &agrave; sua celebra&ccedil;&atilde;o definitiva ratificada no sangue de Cristo. Essa nova Alian&ccedil;a &eacute; a definitiva, porque, em Jesus Cristo, Deus e Homem, a humanidade j&aacute; n&atilde;o falhar&aacute;. N&atilde;o ser&aacute; s&oacute; Deus a ser fiel, mas a humanidade &eacute; fiel em Jesus Cristo que a representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por seu lado, a promessa galvaniza a esperan&ccedil;a e define o ritmo espiritual da caminhada. Promessa de uma terra prometida, onde correm o leite e o mel; promessa de um Messias, que &eacute; Nosso Senhor Jesus Cristo e que, na sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, introduz o Povo na verdadeira terra prometida. Quando entraram na Palestina, depois de atravessarem o deserto, os israelitas comeram os frutos dessa terra que o Senhor lhes dava. Mas &eacute; Nosso Senhor Jesus Cristo, quem, ao ressuscitar, nos permite, atrav&eacute;s do dom do seu Esp&iacute;rito, provar j&aacute; os frutos dessa terra definitiva, a nossa p&aacute;tria celeste. Sem desejar o C&eacute;u, toda a caminhada da Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o perde sentido. O Povo que Cristo reuniu &eacute; o mesmo Povo de Deus, que continua a caminho, galvanizado pela promessa da p&aacute;tria definitiva, onde Cristo j&aacute; nos introduziu para experimentarmos n&rsquo;Ele as prim&iacute;cias dessa terra prometida. Justamente Ele &eacute; chamado o novo Mois&eacute;s.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. Esta Vig&iacute;lia, com a longa Liturgia da Palavra, faz-nos sentir que nessa tamb&eacute;m longa caminhada do Povo de Deus, a Palavra do Senhor foi constante, insistente, omnipresente. Deus nunca desistiu de falar ao cora&ccedil;&atilde;o do seu Povo. Criou o homem &agrave; sua imagem para este O poder escutar, e nunca desistiu de lhe falar. Quando os reis se profanizaram, &agrave; semelhan&ccedil;a dos reis dos outros povos, quando os sacerdotes ficaram prisioneiros do poder e da formalidade do culto, enviou-lhes profetas. N&atilde;o escutar o Senhor era perder o rumo e a orienta&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria caminhada na Hist&oacute;ria. Deus levou a persist&ecirc;ncia em falar ao seu Povo at&eacute; ao extremo, ao ponto de a sua Palavra eterna, o seu Verbo, se fazer Homem para ser, com toda a sua vida e para toda a eternidade, a Palavra de Deus. Os israelitas perceberam que toda a Palavra de Deus, tinha a for&ccedil;a da palavra criadora. Antes da cria&ccedil;&atilde;o do homem, bastava Deus dizer, e a vida acontecia. Com o homem, a Palavra de Deus s&oacute; faz acontecer no seio da liberdade humana. Essa harmonia perfeita entre a Palavra criadora e a liberdade, s&oacute; aconteceu em Jesus Cristo e naqueles que, unidos a Ele, se deixam conduzir pelo Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta tens&atilde;o entre a Palavra de Deus e a liberdade do homem continua a existir, e a sua manifesta&ccedil;&atilde;o mais grave &eacute; deixar de acreditar que Deus age connosco na constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. Mas esta Vig&iacute;lia n&atilde;o se limita a evocar a mem&oacute;ria da Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o, mas define o ritmo da nossa caminhada de f&eacute;, como Povo de Deus. Reconhecemos, nesta Vig&iacute;lia, o ritmo da Inicia&ccedil;&atilde;o Crist&atilde;. Tudo come&ccedil;a num longo per&iacute;odo de escuta da Palavra de Deus que se acolhe na f&eacute;. Esta come&ccedil;a no momento em que se reconhece na palavra escutada a Palavra de Deus. Ent&atilde;o acolhemos essa Palavra, n&atilde;o apenas tentando compreend&ecirc;-la, mas respondendo, na confian&ccedil;a do cora&ccedil;&atilde;o, ao Deus que nos fala. Isso torna-se decisivo quando acreditamos em Jesus Cristo, Palavra definitiva de Deus e que resume em Si todas as palavras que Deus disse ao seu Povo, ao longo da hist&oacute;ria. E quando, depois desse longo per&iacute;odo de escuta da Palavra, acreditamos com o cora&ccedil;&atilde;o e confessamos com a l&iacute;ngua, que Jesus Cristo &eacute; a Palavra de Deus e que o Pai O ressuscitou dos mortos, podemos unir-nos a Ele pelo baptismo, receber a for&ccedil;a do seu Esp&iacute;rito e celebrar a Eucaristia, sacramento da sua P&aacute;scoa. A nossa f&eacute; come&ccedil;ou na escuta da Palavra, adensa-se no compromisso com Jesus Cristo, arrasta-nos para viver ao ritmo do Esp&iacute;rito. A f&eacute; torna-se compromisso de vida, sempre renovado como express&atilde;o da nossa fidelidade. A escuta da Palavra, nesta celebra&ccedil;&atilde;o, conduz-nos ao baptismo, ao sacramento do Esp&iacute;rito, &agrave; renova&ccedil;&atilde;o dos nossos compromissos de f&eacute; com Jesus Cristo ressuscitado. S&oacute; depois podemos celebrar a Eucaristia que &eacute;, e sempre ser&aacute;, a mais completa e empenhativa profiss&atilde;o de f&eacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; por isso que a Eucaristia marca o ritmo da nossa vida crist&atilde;. Porque nos unimos a Cristo, no baptismo, e recebemos o Esp&iacute;rito Santo, podemos escutar, sempre de novo, a Palavra do Senhor, na alegria de estarmos j&aacute; a experimentar os frutos da terra prometida. Essa alegria exprimir-se-&aacute; na aclama&ccedil;&atilde;o jubilosa do Aleluia. Quem participa da P&aacute;scoa de Cristo tem de sentir essa alegria profunda, fruto do Esp&iacute;rito Santo, e que anuncia a alegria da bem-aventuran&ccedil;a eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4. Al&eacute;m de evocar a mem&oacute;ria da Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o e o ritmo da inicia&ccedil;&atilde;o que leva um homem ou uma mulher a serem crist&atilde;os, esta Vig&iacute;lia tra&ccedil;a o ritmo da vida crist&atilde;, da nossa fidelidade em cada tempo e no concreto da nossa vida. O elemento fundamental e decisivo &eacute; a nossa uni&atilde;o a Cristo ressuscitado, de modo a poder dizer como Paulo: &ldquo;para mim viver &eacute; Cristo&rdquo; (Fil. 1,21). Isso sup&otilde;e a abertura ao ritmo do Esp&iacute;rito Santo que nos permite dar dimens&atilde;o eucar&iacute;stica a toda a nossa exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Recorda-nos o papel decisivo da escuta da Palavra de Deus nessa caminhada de fidelidade. &Eacute; preciso escutar continuamente a Palavra. S&oacute; assim perceberemos que a nossa vida &eacute; obra de Deus, que Ele age connosco e &eacute; protagonista da nossa hist&oacute;ria. S&oacute; a Palavra nos revela as realidades a que aderimos, nos ilumina nos momentos de obscuridade e de d&uacute;vida, nos conduz &agrave; verdade e nos ajuda a discernir a realidade segundo os crit&eacute;rios de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta Vig&iacute;lia recorda-nos tamb&eacute;m que somos dinamizados por uma promessa, a da eternidade com Cristo, o qual, sendo Palavra criadora, criar&aacute; para n&oacute;s novos c&eacute;us e nova terra. A verdade do cristianismo n&atilde;o se esgota no tempo presente; somos peregrinos da cidade definitiva, da Jerusal&eacute;m Celeste. A luz de Cristo &eacute; a luz da nossa f&eacute;, &eacute; o sentido de todas as coisas que Ele encerra em Si mesmo, no mist&eacute;rio da sua ressurrei&ccedil;&atilde;o. E a luz n&atilde;o serve para esconder, mas para elevar de maneira a iluminar toda a fam&iacute;lia humana. Ter sido iluminados por essa luz &eacute; o acontecimento decisivo da nossa vida e o princ&iacute;pio da exig&ecirc;ncia da miss&atilde;o. Se nos deixarmos inundar por essa luz, o Senhor dir-nos-&aacute;, a n&oacute;s tamb&eacute;m: &ldquo;V&oacute;s sois a luz do mundo&rdquo;! (Mt. 5,14).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>S&eacute; Patriarcal, 3 de Abril de 2010<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>&dagger;<\/em><em> JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Vig\u00edlia Pascal e a realidade da Igreja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[246],"class_list":["post-44459","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44459\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}