{"id":44458,"date":"2010-04-04T11:57:27","date_gmt":"2010-04-04T11:57:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/04\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-sexta-feira-santa\/"},"modified":"2010-04-04T11:57:27","modified_gmt":"2010-04-04T11:57:27","slug":"homilia-de-d-antonio-carrilho-na-sexta-feira-santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-sexta-feira-santa\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho na Sexta-feira Santa"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Paix&atilde;o de Cristo no hoje da Hist&oacute;ria<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>A Palavra de Deus, h&aacute; pouco proclamada, e a cerim&oacute;nia da adora&ccedil;&atilde;o da cruz, que se vai seguir, evocam neste dia de sexta-feira santa o amor eterno do Pai, revelado em Jesus Cristo, Dom por excel&ecirc;ncia &agrave; Humanidade. Como escreveu S. Pedro, <em>&ldquo;nas Suas Chagas fomos curados&rdquo;<\/em> (1 Ped 2,24).<\/p>\n<p>&nbsp;Hoje a Igreja n&atilde;o celebra a Eucaristia, mas oferece-nos, em comunh&atilde;o sacramental, o p&atilde;o eucar&iacute;stico consagrado ontem &agrave; tarde, na Eucaristia da Ceia do Senhor, e que juntamente com o jejum e a abstin&ecirc;ncia deste dia, nos ajudam a participar no sacrif&iacute;cio de Cristo na Cruz, hoje comemorado de modo t&atilde;o expressivo e eloquente.<\/p>\n<p>Car&iacute;ssimos diocesanos, fixemos o nosso olhar na Cruz de Cristo. A Sua morte violenta na Cruz &eacute; a express&atilde;o mais alta da Sua entrega e obedi&ecirc;ncia ao Pai e do Seu amor sem limites pela Humanidade. Nela refulge a Luz da Sabedoria divina e a Beleza do Amor do Crucificado por cada um de n&oacute;s. Nela se aponta, segundo o des&iacute;gnio de Deus, para a vit&oacute;ria definitiva sobre a morte, mediante a gra&ccedil;a e o mist&eacute;rio da Ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Unidos ao sofrimento redentor<\/strong><\/p>\n<p>A Paix&atilde;o de Cristo e todo o Seu Mist&eacute;rio Pascal permanecem vivos no cora&ccedil;&atilde;o da nossa hist&oacute;ria. Em todo o tempo e lugar, nos sofrimentos, medos, adversidades e incertezas, somos iluminados pela Luz da P&aacute;scoa, Morte e Ressurrei&ccedil;&atilde;o do Senhor, porque Deus est&aacute; connosco na supera&ccedil;&atilde;o dos limites da nossa pr&oacute;pria natureza.<\/p>\n<p>Ainda perduram na lembran&ccedil;a e no cora&ccedil;&atilde;o de muitos, as not&iacute;cias e imagens dolorosas, que invadiram as nossas casas, aquando dos sismos no Haiti, no Chile, na Turquia e das intemp&eacute;ries da Madeira, que mergulharam milhares de pessoas numa dor indescrit&iacute;vel. &Eacute; a Paix&atilde;o de Cristo encarnada no hoje da nossa hist&oacute;ria, e que o Crucificado, uma vez Ressuscitado, continua a inundar de Luz e de Esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Este sofrimento indiz&iacute;vel, feito de destrui&ccedil;&atilde;o e morte, uniu os cora&ccedil;&otilde;es n&atilde;o somente dos madeirenses e de tantos outros portugueses, mas tamb&eacute;m da comunidade internacional. Podemos dizer que, na nossa <em>&ldquo;aldeia global&rdquo;<\/em>, circulou o amor, a comunh&atilde;o de vida e de esperan&ccedil;a, em gestos de solidariedade e fraternidade, verdadeiros sinais de Vida e de Ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Como poderemos esquecer os sinais vis&iacute;veis da bondade do Senhor Crucificado e de Maria, que nos foi dada por M&atilde;e, junto da Cruz de seu Filho?! Como bem sabeis e eu tive ocasi&atilde;o de recordar na eucaristia de sufr&aacute;gio das v&iacute;timas do temporal do passado dia 20 de Fevereiro, o crucifixo e a imagem da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, resgatados quase intactos do meio do lama&ccedil;al, que ficou a ocupar o espa&ccedil;o da conhecida Capela das Babosas totalmente desaparecida, bem podem considerar-se verdadeiros sinais de consola&ccedil;&atilde;o e de esperan&ccedil;a para o nosso povo. Sinais que foram logo interpretados por muita gente como apelos &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o da Capela, mas sobretudo, &agrave; viv&ecirc;ncia dos momentos dif&iacute;ceis, em uni&atilde;o com o sofrimento de Cristo e contando com a protec&ccedil;&atilde;o da M&atilde;e Imaculada, a Virgem Nossa Senhora.<\/p>\n<p>Maria, t&atilde;o viva e presente na devo&ccedil;&atilde;o do nosso povo madeirense, nas suas festas e tradi&ccedil;&otilde;es, e de forma t&atilde;o expressiva no acolhimento e celebra&ccedil;&otilde;es da Imagem Peregrina, em visita &agrave; nossa Diocese &ndash; Maria acompanha-nos com a sua ternura de M&atilde;e, sempre pr&oacute;xima de n&oacute;s, em especial nos momentos de ang&uacute;stia e sofrimento, para acolher as nossas l&aacute;grimas e nos envolver no seu abra&ccedil;o maternal de consola&ccedil;&atilde;o e de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p><strong>Viver as dimens&otilde;es da f&eacute; <\/strong><\/p>\n<p>Houve quem perguntasse onde estava Deus durante aquelas trag&eacute;dias. Como j&aacute; tenho dito e agora repito, coloca-se aqui a quest&atilde;o da f&eacute; e da provid&ecirc;ncia divina, perante as dificuldades da vida e situa&ccedil;&otilde;es de maior sofrimento. Nestes momentos, quem n&atilde;o desejaria a interven&ccedil;&atilde;o miraculosa de Deus, como resposta directa aos problemas pessoais e sociais? O milagre &eacute; poss&iacute;vel, mas constitui sempre algo de extraordin&aacute;rio e aponta, como sinal, para uma mensagem de salva&ccedil;&atilde;o. Normalmente, Deus respeita as leis da natureza, que Ele pr&oacute;prio estabeleceu, e com elas ofereceu ao Homem, na sua liberdade respons&aacute;vel, as imensas possibilidades do desenvolvimento da Ci&ecirc;ncia e da T&eacute;cnica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Irm&atilde;os: a f&eacute; coloca-nos no seguimento de Jesus, vivendo &agrave; luz do Seu mist&eacute;rio pascal, que &eacute; sofrimento, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o! Como nos adverte o Conc&iacute;lio Vaticano II, Jesus podia ter cumprido plenamente a Sua miss&atilde;o redentora de outro modo, sem a cruz; f&ecirc;-lo assim, para tocar o sofrimento e a morte, aquilo que &eacute; mais dif&iacute;cil aceitar e assumir na vida do Homem, dando-lhe, por&eacute;m, um sentido de vida e de esperan&ccedil;a, na perspectiva da Sua gloriosa Ressurrei&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p>Afinal, naqueles momentos de dor, Deus n&atilde;o estava longe, mas bem perto de todos os que sofriam, crian&ccedil;as, jovens e idosos, bem presente nos gestos de amor e de esperan&ccedil;a dos que se disponibilizaram para, de algum modo, ajudar consolar. E n&atilde;o obstante a dor e saudade por aqueles que morreram, temos a certeza da f&eacute; e a firme esperan&ccedil;a de que, &agrave; semelhan&ccedil;a da semente que jaz no sil&ecirc;ncio da terra e volta a germinar, os que partiram s&atilde;o chamados a viver eternamente na Luz do Ressuscitado.<\/p>\n<p><strong>S&oacute; o Amor liberta e encoraja<\/strong><\/p>\n<p>No sil&ecirc;ncio desta Sexta-Feira Santa, contemplemos, cheios de gratid&atilde;o, Cristo Trespassado e Suas Chagas benditas, pelas quais fomos curados. Jesus ofereceu-Se ao Pai em sacrif&iacute;cio, como Cordeiro imolado, inocente e sem mancha, para nos reconciliar com Ele e nos libertar do pecado e de toda a esp&eacute;cie de mal.<\/p>\n<p>Sob a ternura do olhar de Jesus, envoltos no Seu abra&ccedil;o de amor universal, lembramos as Suas palavras inspiradoras de grande f&eacute; e confian&ccedil;a: <em>&ldquo;E Eu, quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim&rdquo;<\/em> (Jo 12,32). S&oacute; o Amor salva, liberta e encoraja, dando-nos a for&ccedil;a para trilhar caminhos de serenidade, paz, alegria e esperan&ccedil;a!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\">Funchal, 2 de Abril 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/em><strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Paix&atilde;o de Cristo no hoje da Hist&oacute;ria &nbsp; A Palavra de Deus, h&aacute; pouco proclamada, e a cerim&oacute;nia da adora&ccedil;&atilde;o da cruz, que se vai seguir, evocam neste dia de sexta-feira santa o amor eterno do Pai, revelado em Jesus Cristo, Dom por excel&ecirc;ncia &agrave; Humanidade. Como escreveu S. Pedro, &ldquo;nas Suas Chagas fomos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,335,314],"class_list":["post-44458","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-haiti","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44458\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}