{"id":44455,"date":"2010-04-04T11:41:34","date_gmt":"2010-04-04T11:41:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/04\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-vigilia-pascal\/"},"modified":"2010-04-04T11:41:34","modified_gmt":"2010-04-04T11:41:34","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo de Braga na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Justo nasce para todos<\/strong><\/p>\n<p>A vit&oacute;ria de Cristo sobre a morte &eacute; a grande novidade a celebrar e a anunciar em Igreja. Sem a ressurrei&ccedil;&atilde;o estar&iacute;amos integrados num mero grupo de admiradores de uma personalidade hist&oacute;rica. A verdade &eacute; que Ele est&aacute; vivo e operante na Hist&oacute;ria e, em Seu nome, continuamos a batalha de vencer as diversas formas de morte, at&eacute; que em todos resplande&ccedil;a a dignidade oferecida pelo Criador.<\/p>\n<p>Motivados pela P&aacute;scoa, teremos de percorrer as estradas dos homens e chegar aos mais rec&ocirc;nditos lugares. Alguns s&atilde;o conhecidos, outros est&atilde;o disfar&ccedil;ados pelo desejo de mostrar algo que n&atilde;o existe. E, quando a&iacute; chegarmos, &eacute; necess&aacute;ria coragem para remover as pedras que impedem que muitos saiam do sepulcro, ou seja, de situa&ccedil;&otilde;es estruturais de injusti&ccedil;a, mis&eacute;rias materiais e morais, explora&ccedil;&atilde;o fraudulenta e incapacidade de usufruir o necess&aacute;rio. Neste sentido, o Santo Padre recordava na <em>Mensagem Quaresmal <\/em>que &eacute; imperativo &ldquo;contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de sociedades justas, onde todos recebem o necess&aacute;rio para viver segundo a pr&oacute;pria dignidade de homens e onde a justi&ccedil;a &eacute; vivificada pelo amor&rdquo;.<\/p>\n<p>N&atilde;o dizemos nada de novo se afirmarmos que a vida, na nossa regi&atilde;o, n&atilde;o &eacute; digna para muitas fam&iacute;lias. &Eacute; certo que a crise mundial &eacute; apresentada como causa, mas h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o podem esperar. Da&iacute; que, tendo a Igreja um conhecimento pr&oacute;ximo dessas situa&ccedil;&otilde;es, deva cada vez mais empenhar-se em ser parte da solu&ccedil;&atilde;o, quer a n&iacute;vel individual, quer enquanto institui&ccedil;&atilde;o. A Arquidiocese de Braga est&aacute;, portanto, disposta a contribuir para que a P&aacute;scoa aconte&ccedil;a em muitos lares, desde que cheguem informa&ccedil;&otilde;es e sugest&otilde;es realistas de respostas. N&atilde;o temos uma f&oacute;rmula m&aacute;gica. A f&eacute; acompanha-nos e, com a co-responsabilidade social de todos os crist&atilde;os e de todas as pessoas de boa vontade, poderemos atenuar muitas situa&ccedil;&otilde;es e diminuir dramas que incomodam as consci&ecirc;ncias de quem quer ver a realidade.<\/p>\n<p>Podemos correr o risco de uma resigna&ccedil;&atilde;o que delega responsabilidades pessoais, apontando simplesmente o dedo a quem dirige em Portugal e no mundo. Se h&aacute; caminhos que poderiam e deveriam ter sido percorridos pela classe dirigente, saibamos, por outro lado, dar espa&ccedil;o a uma criatividade pessoal e familiar que sempre caracterizou a nossa regi&atilde;o. Olhando para a especificidade da nossa zona, &eacute; ainda razo&aacute;vel esperar da criatividade empresarial, e de solu&ccedil;&otilde;es familiares, um contributo importante na g&eacute;nese de novos empregos. Neste sentido, poderia surgir um interc&acirc;mbio de compet&ecirc;ncias para uma complementaridade de fun&ccedil;&otilde;es na concretiza&ccedil;&atilde;o de pequenas iniciativas. Que os universit&aacute;rios e t&eacute;cnicos se aproximem do povo simples e que estes invistam as suas energias com a ajuda de quem possui compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas.<\/p>\n<p>Esta noite de Vig&iacute;lia Pascal &eacute; oportunidade &uacute;nica de renascermos para uma vida nova, de passarmos de uma morte lenta para uma vida ritmada. O ego&iacute;smo tem de dar lugar &agrave; solidariedade e a vida de quem se contenta com o seu bem-estar deve percorrer caminhos de maior sobriedade pessoal e familiar. Deste modo, o amor realiza a justi&ccedil;a, no sentido de dar a cada um o que &eacute; &ldquo;seu&rdquo;, tal como nos lembra o Papa Bento XVI.<\/p>\n<p>&ldquo;Em face das graves formas de explora&ccedil;&atilde;o e de injusti&ccedil;a social&rdquo;, torna-se sempre mais ampla e sentida a necessidade de uma radical renova&ccedil;&atilde;o pessoal e social, capaz de assegurar justi&ccedil;a, solidariedade, honestidade, transpar&ecirc;ncia. &Eacute; certamente longa e dura a estrada a percorrer; numerosos e ingentes s&atilde;o os esfor&ccedil;os a cumprir para levar a cabo uma tal renova&ccedil;&atilde;o, inclusive pela multiplicidade e gravidade das causas que geram e alimentam as situa&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a hoje presentes no mundo&rdquo; (CCE 577). Mas, a P&aacute;scoa que celebramos <strong><em>semanalmente<\/em><\/strong><em>, <\/em>na certeza de que Ele estar&aacute; sempre connosco, outorga-nos a responsabilidade de aceitar esta renova&ccedil;&atilde;o pessoal para termos direito a exigir a social.<\/p>\n<p>Como Igreja, existimos para anunciar Cristo Vivo e, como Arquidiocese, queremos que a &ldquo;Palavra tome conta de n&oacute;s&rdquo; para evangelizarmos e, n&oacute;s pr&oacute;prios, sermos evangelizados ou convertidos. Contudo, temos de reconhecer que nunca &eacute; poss&iacute;vel separar a evangeliza&ccedil;&atilde;o da promo&ccedil;&atilde;o humana. O Papa Paulo VI, na <em>Evangelii Nuntiandi <\/em>(31), apontava diversas raz&otilde;es. Em primeiro lugar <strong><em>antropol&oacute;gicas<\/em><\/strong><em>, <\/em>uma vez que &ldquo;o homem que h&aacute;-de ser evangelizado n&atilde;o &eacute; um ser abstracto, mas &eacute; sim um ser condicionado pelo conjunto dos problemas sociais e econ&oacute;micos.&rdquo; Como explicita&ccedil;&atilde;o <strong><em>teol&oacute;gica <\/em><\/strong>n&atilde;o podemos separar o plano da cria&ccedil;&atilde;o do plano da reden&ccedil;&atilde;o: &ldquo;um e outro a abrangerem as situa&ccedil;&otilde;es bem concretas da injusti&ccedil;a que h&aacute;-de ser combatida e da justi&ccedil;a que h&aacute;-de ser restaurada.&rdquo; Por &uacute;ltimo, o Evangelho, na apresenta&ccedil;&atilde;o do mandamento novo, sup&otilde;e que a partir das suas exig&ecirc;ncias se promova &ldquo;na justi&ccedil;a e na paz, o verdadeiro e o aut&ecirc;ntico progresso do homem.&rdquo;<\/p>\n<p>Se a P&aacute;scoa passa por esta luta pela justi&ccedil;a, creio que ela deve acontecer, particularmente, na fam&iacute;lia. Preocupa-me quer a situa&ccedil;&atilde;o social quer, tamb&eacute;m, a situa&ccedil;&atilde;o moral em que algumas fam&iacute;lias se encontram.<\/p>\n<p>Todos sabemos que o futuro reside nas fam&iacute;lias. Da&iacute; que, neste momento, vivemos o perigo real de serem introduzidas mensagens nefastas nos lares, as quais n&atilde;o deveriam ser acolhidas. Bem pelo contr&aacute;rio, urge anunciar por todos os meios a verdadeira identidade da fam&iacute;lia. No caso de a ressurrei&ccedil;&atilde;o entrar nas fam&iacute;lias crist&atilde;s, ent&atilde;o o Ressuscitado manifestar&aacute; a Sua presen&ccedil;a e, pelo meio da exig&ecirc;ncia, apontar&aacute; o caminho da verdadeira e aut&ecirc;ntica felicidade.<\/p>\n<p>Que a P&aacute;scoa nos fa&ccedil;a descobrir a responsabilidade hist&oacute;rica de colocar Cristo e Deus no cora&ccedil;&atilde;o da cidade, de modo que estes se abram para acolherem a Sua Palavra enquanto caminho de dignidade humana para todos.<\/p>\n<p>Braga, 3 de Abril de 2010,<\/p>\n<p><em>Vig&iacute;lia Pascal em S&aacute;bado Santo, <\/em><\/p>\n<p>&dagger; Jorge Ortiga, <em>Arcebispo Primaz<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Justo nasce para todos A vit&oacute;ria de Cristo sobre a morte &eacute; a grande novidade a celebrar e a anunciar em Igreja. Sem a ressurrei&ccedil;&atilde;o estar&iacute;amos integrados num mero grupo de admiradores de uma personalidade hist&oacute;rica. 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