{"id":44450,"date":"2010-04-03T23:11:50","date_gmt":"2010-04-03T23:11:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/03\/homilia-do-bispo-do-porto-na-sexta-feira-santa\/"},"modified":"2010-04-03T23:11:50","modified_gmt":"2010-04-03T23:11:50","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-sexta-feira-santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-sexta-feira-santa\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto na Sexta-feira Santa"},"content":{"rendered":"<p>SEXTA-FEIRA DA PAIX&Atilde;O DO SENHOR<\/p>\n<p>&#8211; Para que nesta Sexta-Feira se garanta a P&aacute;scoa do mundo!<\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s<\/p>\n<p>Reunidos como estamos neste lugar e nesta hora, somente explic&aacute;veis pelo que sucedeu noutro lugar e pela mesma hora h&aacute; tantos s&eacute;culos; tendo ouvido, realmente ouvido, uma narra&ccedil;&atilde;o antiga, que mant&eacute;m uma actualidade maior do que outras de h&aacute; pouco tempo: &eacute; caso de nos interrogarmos mais, sobre o que fazemos e por que o fazemos&hellip;<\/p>\n<p>Adiantemos j&aacute; o que diremos no tempo todo desta breve medita&ccedil;&atilde;o. Estamos aqui para responder, com a nossa f&eacute; e as nossas vidas concretas, &agrave; pergunta que Pilatos deixou no ar.<\/p>\n<p>&#8211; Lembrai-vos da pergunta?! Retomemos a narrativa: &#8220;Disse-Lhe Pilatos: &lsquo;Ent&atilde;o, Tu &eacute;s rei?&rsquo; Jesus respondeu-lhe: &lsquo;&Eacute; como dizes, sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que &eacute; da verdade escuta a Minha voz.&rsquo; Disse-lhe Pilatos: &lsquo;Que &eacute; a verdade?&rsquo;&#8221;.<\/p>\n<p>Pois bem, car&iacute;ssimos irm&atilde;os e irm&atilde;s, n&oacute;s sabemos o que &eacute; a verdade. Mais: n&oacute;s sabemos Quem &eacute; a verdade. Melhor dizendo, somos surpreendidos por ela, estando nesta mesma surpresa um grande sinal de que o &eacute; de facto, como realidade que nunca imaginar&iacute;amos.<\/p>\n<p>Os factos o comprovam. Nunca se prop&ocirc;s a ningu&eacute;m um Deus crucificado. E, tomando para a cruz as t&aacute;buas do pres&eacute;pio, nunca se imaginou a verdade de Deus na verdade dum homem, como sucedeu com o menino adorado pelos magos e perseguido por Herodes, perdido e reencontrado no templo, trabalhando numa oficina de aldeia, falando simplesmente aos pobres e interpelando fortemente os soberbos, negado por um amigo e continuando a cham&aacute;-lo assim, inteiramente despojado e iniquamente maltratado, firme apenas no pr&oacute;prio abandono, porque se definia como entrega, cordeiro imolado e p&atilde;o oferecido&hellip;<\/p>\n<p>Nunca o imaginar&iacute;amos deste modo. E os pr&oacute;prios que por algum tempo o seguiram, s&oacute; se convenceram do que Ele dizia e fazia quando a sua morte se abriu em vida, vida ineg&aacute;vel por excesso de presen&ccedil;a, assim atestando a realidade do que anunciara.<\/p>\n<p>Nada &oacute;bvio, na verdade. Como &oacute;bvia n&atilde;o fora a presen&ccedil;a de Deus entre o seu povo, tantos s&eacute;culos antes, mesmo libertando-o do Egipto, mesmo sustentando-o no deserto, mesmo revelando-lhe a Lei ou fazendo resplandecer a face de Mois&eacute;s&hellip;<\/p>\n<p>Nunca &oacute;bvio, e por isso mesmo repetimos os &iacute;dolos com que O substitu&iacute;mos, os nossos &#8220;deuses&#8221; de devaneio.<\/p>\n<p>Por isso repito: a absoluta imprevisibilidade de um Deus crucificado acaba por constituir a maior prova duma realidade totalmente oferecida. Verdade que, uma vez recebida, nos far&aacute; entender tamb&eacute;m o que nunca entender&iacute;amos de n&oacute;s pr&oacute;prios nem da vida do mundo, como somos realmente, n&atilde;o como tendemos a presumir.<\/p>\n<p>Basta reparar como, mesmo os crist&atilde;os, com dois mil anos andados &agrave; roda da cruz, nos distra&iacute;mos tanto dela. Derrama tal luz que preferimos fugir-lhe com os olhos, fixando-os em tantas coisas secund&aacute;rias, que nem ver&iacute;amos sen&atilde;o fossem iluminadas por ela. Basta ver como nalguns templos, mesmo quando belos, s&oacute; com esfor&ccedil;o reparamos na cruz, t&atilde;o distra&iacute;dos ficamos com outros motivos&hellip; Pior ainda, &eacute; que esta distrac&ccedil;&atilde;o visual em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cruz, &eacute; geralmente sinal duma distrac&ccedil;&atilde;o mental e espiritual em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade de Deus e do que as nossas vidas podem e devem ser a partir de Deus. &ndash; Triste preju&iacute;zo, enorme perda de tempo!<\/p>\n<p>No Evangelho de Jo&atilde;o, esta declara&ccedil;&atilde;o da verdade de Deus em Cristo e da nossa verdade a partir d&rsquo;Ele, &eacute; certamente mais acentuada. Talvez tivesse passado mais tempo, para os primeiros disc&iacute;pulos se darem conta do que realmente acontecera, do que definitivamente acontecera em Cristo, como verdade divina assim patenteada.<\/p>\n<p>As alus&otilde;es sucedem-se. Como quando Tom&eacute;, ouvindo os prop&oacute;sitos de Jesus, lhe perguntou: &#8220;Senhor, n&atilde;o sabemos para onde vais, como podemos n&oacute;s saber o caminho?&#8221; Para ouvir a resposta de Jesus: &#8220;Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ningu&eacute;m pode ir ao Pai sen&atilde;o por mim&#8221; (Jo 14, 5-6).<\/p>\n<p>J&aacute; ouvimos esta resposta de Jesus. &ndash; At&eacute; que ponto a compreendemos deveras? Jesus &eacute; a Verdade, convence-nos e deslumbra-nos. &#8211; Mas j&aacute; percebemos que essa Verdade &eacute; Caminho, mais existencial do que essencialista, ou melhor, que a sua &#8220;ess&ecirc;ncia&#8221; est&aacute; no constante movimento para o Pai, levando-nos no seu encal&ccedil;o e, nisso mesmo, fazendo-nos viver?<\/p>\n<p>&#8211; Percebemos que viver &eacute; conviver, pois a verdade &eacute; a vida em caminho, com quantos avan&ccedil;am em Cristo Caminho, no constante regresso ao seu princ&iacute;pio, para nele e s&oacute; nele progredir?<\/p>\n<p>Isso mesmo nos permite Jesus para al&eacute;m de n&oacute;s, pois nos oferece como meta de realiza&ccedil;&atilde;o eterna o seu pr&oacute;prio Pai, em quem e com quem ali&aacute;s vive sempre. Retomemos o trecho: &#8220;[Jesus respondeu a Tom&eacute;]: &lsquo;Se ficastes a conhecer-me, conhecereis tamb&eacute;m o meu Pai. E j&aacute; o conheceis, pois estais a v&ecirc;-lo.&rsquo; Disse-lhe Filipe: &lsquo;Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!&rsquo; Jesus disse-lhe: &lsquo;H&aacute; tanto tempo que estou convosco, e n&atilde;o me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me v&ecirc;, v&ecirc; o Pai. Como &eacute; que me dizes, ent&atilde;o, &lsquo;mostra-nos o Pai? N&atilde;o cr&ecirc;s que Eu estou no Pai e o Pai est&aacute; em mim?&rsquo;&#8221; (Jo 14, 7-10).<\/p>\n<p>Deixai-me insistir, car&iacute;ssimos irm&atilde;os e irm&atilde;s: &#8211; J&aacute; nos convertemos verdadeiramente a um Deus assim? Ou, dito doutro modo: &#8211; J&aacute; nos convertemos &agrave; verdade de Deus, que assim se manifesta em Cristo?<\/p>\n<p>Retomando o di&aacute;logo entre Jesus e Pilatos, certamente n&atilde;o o terminar&iacute;amos como o governador romano. N&atilde;o perguntar&iacute;amos displicentemente: &#8220;- Que &eacute; a verdade?&#8221;. Reconhecemos, isso sim, que a verdade de Deus est&aacute; exactamente ali, naquele &#8220;homem de dores&#8221;, um s&oacute; com o Pai e um tamb&eacute;m connosco, no amor imenso que partilham entre si e agora nos abrange a todos, como miseric&oacute;rdia e gra&ccedil;a.<\/p>\n<p>E sabemo-lo tanto, realmente tanto, que daqui n&atilde;o sa&iacute;mos, enquanto fixa&ccedil;&atilde;o da nossa alma e da nossa vida. Verdade imensa, revelada n&rsquo;Ele, atrac&ccedil;&atilde;o indiz&iacute;vel, actuada assim: mutuamente nos pertencemos agora, Cristo e n&oacute;s, reino indestrut&iacute;vel que s&oacute; a verdade consegue. Sentimos, ouvimos, sabemos que &eacute; exactamente como Ele respondeu a Pilatos: &#8220;&Eacute; como dizes: sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que &eacute; da verdade escuta a Minha voz&#8221;.<\/p>\n<p>Exactamente assim, esta verdade. Exactamente por isso, aqui estamos agora, como em todo o mundo crist&atilde;o se re&uacute;ne a inumer&aacute;vel multid&atilde;o dos crentes em torno da Sant&iacute;ssima Cruz. Nada mais de Deus e nada mais de todos, do que esta inaudita verdade para sempre revelada: aqui, finalmente, cabe todo o drama do mundo; aqui, finalmente, toda a realidade de Deus, na dor que em Cristo compartilhou e salvou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Resta agora acompanh&aacute;-Lo ao Calv&aacute;rio. Ali O crucificaram, e com ele mais dois: &#8220;um de cada lado e Jesus no meio&#8221;. &ndash; Estais a v&ecirc;-Lo, irm&atilde;os: &#8220;E Jesus no meio&#8221;?! No meio, no centro, no cume, gostam alguns de estar, mas com altivez ou vaidade. Cristo tamb&eacute;m ficou no meio, mas como caridade e fonte; n&atilde;o para se adiantar aos outros, mas para servir igualmente a todos. Deste modo, estejamos tamb&eacute;m no meio, como disponibilidade e prontid&atilde;o, como quem serve.<\/p>\n<p>Na cruz permaneceremos. Ali receberemos as &uacute;ltimas ofertas, precisamente as mais &iacute;ntimas e pessoais, que Jesus reparte connosco. A sua pr&oacute;pria M&atilde;e, oferecida e para sempre recebida em nossas &#8220;casas&#8221;, ou seja, na vida de cada um: &#8220;Eis a tua m&atilde;e!&#8221;. Por fim, o sangue e a &aacute;gua que brotam do cora&ccedil;&atilde;o trespassado, Esp&iacute;rito e vida de Jesus em n&oacute;s, gra&ccedil;a infinita de salva&ccedil;&atilde;o e paz.<\/p>\n<p>&#8211; Quantas coisas aprendemos, irm&atilde;os e irm&atilde;s, no reino de Cristo, onde a gra&ccedil;a de Deus nos mant&eacute;m! &ndash; Quantas coisas acontecem em n&oacute;s a partir dela, grandes demais para as dizermos, verdadeiras tamb&eacute;m porque as experimentamos!<\/p>\n<p>Mas algo mais ser&aacute; necess&aacute;rio ainda, para que a ades&atilde;o seja completa e esta celebra&ccedil;&atilde;o aut&ecirc;ntica. &Eacute; necess&aacute;rio que a verdade recebida seja tamb&eacute;m em n&oacute;s caminho e vida. Que em Cristo, reconhecido e confessado, tamb&eacute;m nos dirijamos cada vez mais para o Pai, em filia&ccedil;&atilde;o coerente. Que em Cristo, vida oferecida, nos ofere&ccedil;amos tamb&eacute;m em conviv&ecirc;ncia e partilha: com quem n&atilde;o saiba, com quem n&atilde;o tenha, com quem ainda n&atilde;o &#8220;viva&#8221; no reino do amor de Deus.<\/p>\n<p>Por agora, concentremo-nos inteiramente na cruz do Senhor. Com os olhos, ir&aacute; a aten&ccedil;&atilde;o; com a aten&ccedil;&atilde;o, o cora&ccedil;&atilde;o convertido. Tudo acontece pelo Esp&iacute;rito que, provindo do Pai, nos concentra em Jesus. &#8211; Para que nesta Sexta-Feira se garanta a P&aacute;scoa do mundo!<\/p>\n<p>&#12288;<\/p>\n<p>+ Manuel Clemente<\/p>\n<p>S&eacute; do Porto, 2 de Abril de 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEXTA-FEIRA DA PAIX&Atilde;O DO SENHOR &#8211; Para que nesta Sexta-Feira se garanta a P&aacute;scoa do mundo! 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