{"id":44442,"date":"2010-04-02T15:00:12","date_gmt":"2010-04-02T15:00:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/02\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-missa-crismal-2\/"},"modified":"2010-04-02T15:00:12","modified_gmt":"2010-04-02T15:00:12","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-na-missa-crismal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-na-missa-crismal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Lamego na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>A celebra&ccedil;&atilde;o do Pontifical Crismal e a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos &Oacute;leos, com a presen&ccedil;a dos sacerdotes vindos de toda a Diocese, &eacute; dos momentos mais ricos e expressivos da comunh&atilde;o do nosso presbit&eacute;rio. Mas no Ano Sacerdotal que estamos a viver com empenho e seriedade, deve ser oportunidade providencial para, que, determinados e humildes, consolidemos na renova&ccedil;&atilde;o das nossas promessas, o compromisso da nossa fidelidade ao Senhor, com os olhos postos na fidelidade d&rsquo;Aquele que nos chamou.<\/p>\n<p>Nas comunidades paroquiais, os tempos de adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento s&atilde;o um significativo e mobilizador acto de piedade que aqui quero referir, e ter&aacute; vindo a contribuir para ajudar os nossos fi&eacute;is a descobrirem e agradecerem a riqueza inestim&aacute;vel do sacerd&oacute;cio ministerial. A imagem de S. Jo&atilde;o Maria Vianney, refer&ecirc;ncia desejada por Sua Santidade, Bento XVI, cujo testemunho tem iluminado a viv&ecirc;ncia deste Ano Sacerdotal, colocada em lugar de destaque em algumas das nossas Igrejas, para venera&ccedil;&atilde;o dos crist&atilde;os, &eacute; para n&oacute;s sacerdotes e restantes fi&eacute;is apelo e est&iacute;mulo de fidelidade. Quero ainda salientar a evoca&ccedil;&atilde;o escrita e falada de tantos membros do nosso presbit&eacute;rio, retirados das cinzas do esquecimento, que continuam vivos como incentivo de generosidade e dinamismo apost&oacute;lico.<\/p>\n<p>A pr&oacute;xima vinda do Santo Padre a Portugal com o programa que inclui o encontro com os sacerdotes na Igreja da Sant&iacute;ssima Trindade na tarde do dia 12 de Maio, e a possibilidade de com ele concelebrarmos, tanto em F&aacute;tima, como em Lisboa ou no Porto, vai ser ocasi&atilde;o para reflectirmos a sua mensagem que, na sequ&ecirc;ncia do pensamento de Jo&atilde;o Paulo II, desde o in&iacute;cio de seu minist&eacute;rio papal, n&atilde;o se cansa de chamar a nossa aten&ccedil;&atilde;o de padres para o essencial da nossa vida, para a identidade que havemos de testemunhar.<\/p>\n<p>Foi este o primeiro tema do Congresso Teol&oacute;gico Internacional, na Pontif&iacute;cia Universidade Lateranense, promovido pela Congrega&ccedil;&atilde;o para o Clero, nos passados dias 11 e 12 de Mar&ccedil;o. S&atilde;o as palavras proferidas por Sua Santidade no encontro que teve com os participantes, que gostaria de partilhar convosco nesta hora, com o pedido de que as meditemos com aten&ccedil;&atilde;o e profundidade, expressando, tamb&eacute;m deste modo, a nossa comunh&atilde;o com Sua Santidade que for&ccedil;as adversas pretendem debilitar: &ldquo;O tema da identidade sacerdotal, objecto do primeiro dia de estudo, &eacute; determinante para o exerc&iacute;cio do sacerd&oacute;cio ministerial no presente e no futuro. Numa &eacute;poca como a nossa, t&atilde;o &laquo;polic&ecirc;ntrica&raquo; e propensa a esfumar todo o tipo de concep&ccedil;&atilde;o de identidade, considerada por muitos como contr&aacute;ria &agrave; liberdade e democracia, &eacute; importante manter bem clara a peculiaridade teol&oacute;gica do Minist&eacute;rio ordenado, para n&atilde;o ceder &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de reduzi-lo a categorias culturais dominantes. Num contexto de difundida seculariza&ccedil;&atilde;o que progressivamente exclui Deus da esfera p&uacute;blica, e tendencialmente tamb&eacute;m da consci&ecirc;ncia social difundida, frequentemente o sacerdote aparece &laquo;estranho&raquo; ao sentir comum, precisamente pelos aspectos mais fundamentais do seu minist&eacute;rio, como os de ser homem do sagrado, subtra&iacute;do ao mundo para interceder a favor do mundo, constitu&iacute;do por Deus e n&atilde;o pelos homens em tal miss&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Esta an&aacute;lise t&atilde;o realista da mentalidade actual, provocou a advert&ecirc;ncia oportun&iacute;ssima que de imediato Sua Santidade proferiu: &ldquo;&Eacute; importante superar perigosos reducionismos que nos dec&eacute;nios passados, utilizando categorias mais funcionalistas que ontol&oacute;gicas, apresentaram o sacerdote como um &laquo;agente social&raquo;, com o risco de atrai&ccedil;oar o pr&oacute;prio sacerd&oacute;cio de Cristo&rdquo;.<\/p>\n<p>Todos recordamos que, poucos meses depois da sua elei&ccedil;&atilde;o papal, o Santo Padre Bento XVI, num notabil&iacute;ssimo discurso, &agrave; C&uacute;ria Romana, a prop&oacute;sito da correcta interpreta&ccedil;&atilde;o dos documentos conciliares, falava duma &laquo;hermen&ecirc;utica de continuidade&raquo; que devia ser a chave da sua leitura, e se contrap&otilde;e a uma &laquo;hermen&ecirc;utica da descontinuidade e da ruptura&raquo;. Bento XVI recorda-o agora para afirmar que &ldquo;parece necess&aacute;ria uma hermen&ecirc;utica &#8211; diz o Papa &ndash; que poderia definir-se &laquo;da continuidade sacerdotal&raquo;, a qual, partindo de Jesus de Nazar&eacute;, Senhor e Cristo, e passando atrav&eacute;s dos dois mil anos da hist&oacute;ria de grandeza e de santidade, de cultura e de piedade, que o Sacerd&oacute;cio escreveu no mundo, chegue at&eacute; aos nossos dias&rdquo;.<\/p>\n<p>Na sequ&ecirc;ncia da reflex&atilde;o anterior, lan&ccedil;a-nos Sua Santidade o desafio que assumo e ouso dirigir-vos e dirigir-me tamb&eacute;m. &Eacute; a forma de mantermos viva a un&ccedil;&atilde;o referida por Isaias no texto que Jesus apropriou a Si, e todos recebemos na ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal. Disse O Santo Padre: &ldquo;Caros irm&atilde;os sacerdotes, no tempo que vivemos &eacute; importante que o chamamento a participar no &uacute;nico Sacerd&oacute;cio de Cristo no Minist&eacute;rio ordenado flores&ccedil;a no &laquo;carisma da profecia&raquo;: h&aacute; grande necessidade de sacerdotes que falem de Deus ao mundo e que apresentem o mundo a Deus; homens n&atilde;o sujeitos a modas culturais ef&eacute;meras, mas capazes de viver autenticamente aquela liberdade que s&oacute; a certeza da perten&ccedil;a a Deus &eacute; capaz de conferir. [&hellip;] Hoje a profecia mais necess&aacute;ria &eacute; a da fidelidade, que partindo da Fidelidade de Cristo &agrave; humanidade, atrav&eacute;s da Igreja e do Sacerd&oacute;cio ministerial, leve a viver o pr&oacute;prio sacerd&oacute;cio na ades&atilde;o total a Cristo e &agrave; Igreja. Efectivamente, o presb&iacute;tero j&aacute; n&atilde;o pertence a si mesmo mas, pelo selo sacramental recebido, &eacute; &laquo;propriedade&raquo; de Deus. Este seu &laquo;ser de Outro&raquo; deve tornar-se reconhec&iacute;vel por todos, atrav&eacute;s de um l&iacute;mpido testemunho.&rdquo;<\/p>\n<p>Em que consiste a transpar&ecirc;ncia deste testemunho? Ou&ccedil;amos uma vez mais Bento XVI: &ldquo;No modo de pensar, de falar, de julgar os acontecimentos do mundo, de servir e amar, de relacionar-se com as pessoas, tamb&eacute;m de vestir, o sacerdote deve sacar for&ccedil;a prof&eacute;tica da sua perten&ccedil;a sacramental, do seu ser profundo. Consequentemente deve p&ocirc;r todo o cuidado em subtrair-se &agrave; mentalidade dominante que tende a associar o valor do ministro n&atilde;o ao seu ser, mas s&oacute; &agrave; fun&ccedil;&atilde;o, desconhecendo assim a obra de Deus que incide na identidade profunda da pessoa do sacerdote, configurando-o a Si de modo definitivo&rdquo;. &nbsp;E sublinha a seguir o valor do celibato que apresenta como &ldquo;aut&ecirc;ntica profecia do reino, sinal da consagra&ccedil;&atilde;o com cora&ccedil;&atilde;o indiviso ao Senhor e &agrave;s &laquo;coisas do Senhor&raquo;, express&atilde;o do dom de si a Deus e aos outros&rdquo;.<\/p>\n<p>Car&iacute;ssimos irm&atilde;os sacerdotes! A igreja sofre nos &uacute;ltimos tempos uma doloros&iacute;ssima prova&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode deixar-nos insens&iacute;veis. Amemos muito a nossa M&atilde;e, a Igreja, santa, mas tamb&eacute;m pecadora, e rezemos por todas as v&iacute;timas inocentes, porventura irremediavelmente marcadas para toda a vida; amemos a M&atilde;e Igreja e rezemos e sacrifiquemo-nos por todos os culpados que por voca&ccedil;&atilde;o deveriam apresent&aacute;-la pura e imaculada, e com o seu torpe comportamento a conspurcam; amemos a Santa Igreja e rezemos por aqueles que com falsidades a insidiam, infamando-a e caluniando-a, na pessoa dos que, por voca&ccedil;&atilde;o, ministerialmente a servem, com o exclusivo objectivo de desacredit&aacute;-la. Seja o testemunho da nossa fidelidade a resposta humilde, mas firme, da nossa compaix&atilde;o.<\/p>\n<p>O esp&iacute;rito que h&aacute;-de presidir &agrave; nossa viv&ecirc;ncia de padres ter&aacute; de reflectir sempre o nosso entusiasmo e a nossa felicidade de sacerdotes, factor importante na pastoral vocacional, o que leva Bento XVI na Mensagem para o 47&ordm; Dia Mundial de Ora&ccedil;&atilde;o pelas Voca&ccedil;&otilde;es. a pedir-nos que o manifestemos corajosamente na renova&ccedil;&atilde;o das nossas promessas sacerdotais.<\/p>\n<p>Em Ano Sacerdotal e neste ambiente de comunh&atilde;o, agradecemos ao Senhor a Gra&ccedil;a que &eacute; para a Diocese a ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal do P. Ponciano Joaquim Baptista dos Santos e do P. Miguel dos Santos Patr&iacute;cio Peixoto. Comungamos igualmente o j&uacute;bilo e alegria do P. Lu&iacute;s Ribeiro da Silva pelos 50 anos do seu sacerd&oacute;cio e tamb&eacute;m do P. Jos&eacute; Ant&oacute;nio Fonseca Pontes que celebra as suas Bodas de Prata sacerdotais. Agradecidos pelo testemunho do seu sacerd&oacute;cio, sufragamos as almas dos nossos irm&atilde;os falecidos, P. Joaquim Sobral e P. Jo&atilde;o Ferreira; e ainda os pais do P. Abel Rodrigues da Costa e do P. Am&eacute;rico Ribeiro de Freitas, as m&atilde;es do P. Jo&atilde;o Ferreira e do Senhor D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, e o irm&atilde;o do P. Diamantino Alva&iacute;de Duarte. Atrav&eacute;s da ora&ccedil;&atilde;o, exprimimos a nossa comunh&atilde;o com os nossos irm&atilde;os sacerdotes que testemunham o seu sacerd&oacute;cio na fragilidade da idade ou da doen&ccedil;a: Mons. Ver&iacute;ssimo, Mons. Sim&atilde;o, P. Manuel Pinto Afonso, P. &Aacute;lvaro de Almeida, P. Alberto Ferreira, P. Delfim Pedro, P. Manuel Pinto de Almeida, P. M&aacute;rio Ferreira Lages, P. Duarte Vaz, P. Jo&atilde;o Duarte de Carvalho, C. Joaquim Mendes de Castro. C. Ant&oacute;nio de Sousa Pinto, P. Lucas Ribeiro Pedrinho, P. Melchior Pinto dos Santos Coelho, P. Diamantino Jos&eacute; Pereira Duarte, P. Jos&eacute; Maria de Lacerda que hoje completa 93 anos e se encontra internado no Hospital de Lamego. Rezamos ainda pela sa&uacute;de das m&atilde;es dos Padres Ramos, dos Padres Seixeira, do P. Jos&eacute; Abrunhosa, do P. Justino Lopes e pelos pais do P. Ant&oacute;nio Lemos de Almeida.<\/p>\n<p>&Agrave; M&atilde;e de Jesus e M&atilde;e dos sacerdotes entregamos confiadamente, neste Ano Sacerdotal, o nosso Presbit&eacute;rio, com as suas preocupa&ccedil;&otilde;es e problemas, e pedimos-Lhe que sempre nos cubra com o Seu manto protector e aben&ccedil;oe o nosso minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Concluo com as palavras que na Audi&ecirc;ncia Geral de ontem, Quarta-feira, o Santo Padre Bento XVI dirigiu a todos os sacerdotes: &ldquo;A exemplo do Santo Cura de Ars, deixai-vos conquistar por Cristo, e sereis tamb&eacute;m v&oacute;s, no mundo de hoje, mensageiros de esperan&ccedil;a, de reconcilia&ccedil;&atilde;o e de paz&rdquo;.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A celebra&ccedil;&atilde;o do Pontifical Crismal e a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos &Oacute;leos, com a presen&ccedil;a dos sacerdotes vindos de toda a Diocese, &eacute; dos momentos mais ricos e expressivos da comunh&atilde;o do nosso presbit&eacute;rio. 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