{"id":44437,"date":"2010-04-01T22:49:05","date_gmt":"2010-04-01T22:49:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/01\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-da-ceia-do-senhor-2\/"},"modified":"2010-04-01T22:49:05","modified_gmt":"2010-04-01T22:49:05","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-da-ceia-do-senhor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-da-ceia-do-senhor-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;O Corpo de Cristo, o nosso corpo para Cristo&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. Esta celebra&ccedil;&atilde;o &eacute; profundamente repassada pela intensidade de amor de Nosso Senhor Jesus Cristo e da sua comunh&atilde;o profunda com toda a humanidade. E pela primeira vez Jesus explicita uma dimens&atilde;o decisiva para a comunh&atilde;o de amor entre seres humanos, que t&ecirc;m um corpo, atrav&eacute;s do qual exprimem toda a densidade espiritual. N&atilde;o h&aacute; comunh&atilde;o de amor sem o dom do pr&oacute;prio corpo. Por isso Jesus, naquela Ceia Pascal, exprime a profundidade de comunh&atilde;o com os homens de todos os tempos, anunciando o dom do seu pr&oacute;prio Corpo: &ldquo;Isto &eacute; o meu Corpo que vai ser entregue por v&oacute;s&rdquo; (Lc. 22,19). Corpo entregue a n&oacute;s e por n&oacute;s, numa comunh&atilde;o de amor que anuncia a nossa salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Jesus tinha preparado os disc&iacute;pulos para esta express&atilde;o humana do seu amor, ao dizer-lhes: &ldquo;N&atilde;o h&aacute; maior prova de amor do que dar a vida por aqueles que se ama&rdquo; (Jo. 15,13). A for&ccedil;a do amor que redime e transforma, &eacute; divina; para que esse amor fosse humano, envolvendo os homens na comunh&atilde;o de amor divino, Deus precisava de um Corpo. A Carta aos Hebreus di-lo expressamente: &ldquo;&eacute; por isso que, ao entrar no mundo, Cristo disse: n&atilde;o Te agradaram, nem sacrif&iacute;cios, nem holocaustos pelos pecados, mas deste-me um Corpo&rdquo; (He. 10,5). Este amor redentor de Cristo, expresso no dom do pr&oacute;prio Corpo, revela-nos o motivo radical do mist&eacute;rio da encarna&ccedil;&atilde;o: Deus precisava que os homens sentissem a profundidade do seu amor divino na linguagem do amor humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. &ldquo;Isto &eacute; o Meu corpo, que &eacute; para v&oacute;s&rdquo;. Ao entregar o seu Corpo, num acto de amor, Jesus deseja que aqueles que O recebem com f&eacute;, se envolvam nessa rela&ccedil;&atilde;o de amor, entregando a Cristo o seu pr&oacute;prio corpo. S&atilde;o Paulo insiste continuamente nisso, nas suas cartas &agrave;s comunidades: &ldquo;O corpo &eacute; para o Senhor e o Senhor &eacute; para o corpo&rdquo; (1Co. 6,13). &ldquo;&Eacute; preciso glorificar a Deus no nosso corpo&rdquo; (1Co. 6,20). &ldquo;Exorto-vos a oferecer os vossos corpos como h&oacute;stias vivas&rdquo; (Rom. 12,1). A uni&atilde;o a Cristo que o dom do seu Corpo gera em n&oacute;s, leva o Ap&oacute;stolo a afirmar que os nossos corpos se tornam membros de Cristo (cf. 1Co. 6,15) e templos do Esp&iacute;rito Santo (cf. 1Co. 6,19-20).<\/p>\n<p>Isto significa que Cristo ao unir-se a n&oacute;s, no dom do seu Corpo, redime o nosso pr&oacute;prio corpo, restitui-lhe a dignidade como express&atilde;o de amor, conduzindo-o &agrave; plenitude da vida. Jesus chama ao seu Corpo entregue por n&oacute;s, o p&atilde;o da vida: &ldquo;Eu sou o p&atilde;o da vida, descido do C&eacute;u. Quem comer deste p&atilde;o, viver&aacute; para sempre. E o p&atilde;o que Eu vou dar-vos &eacute; o meu Corpo, para a vida do mundo&rdquo; (Jo. 6,51).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Esta vida nova, fruto do alimento que o Corpo do Senhor passou a ser para n&oacute;s, exprime a novidade da exist&ecirc;ncia crist&atilde; e encontra as suas express&otilde;es fundamentais na participa&ccedil;&atilde;o no mist&eacute;rio do Corpo do Senhor. Quis Deus, exigia-o a realidade humana, que a mais radical express&atilde;o deste amor de Cristo, que entrega o seu Corpo por n&oacute;s, fosse a sua morte na Cruz, revelando o sentido pleno daquele an&uacute;ncio do Livro do &Ecirc;xodo: &ldquo;O sangue ser&aacute; para v&oacute;s um sinal&rdquo; (Ex. 12,13). O Senhor sabia-o: a maior prova de amor &eacute; dar a vida, oferecendo a dureza de uma morte violenta.<\/p>\n<p>Essa ser&aacute;, tamb&eacute;m para os crist&atilde;os, a mais radical express&atilde;o da uni&atilde;o do seu corpo ao Corpo de Cristo. Viver o sofrimento, participando na Paix&atilde;o de Cristo, torna-se um ideal crist&atilde;o. S&atilde;o Paulo confessa acerca de si mesmo: &ldquo;Trazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que tamb&eacute;m a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo&rdquo; (2Co. 4,19). Mas a express&atilde;o radical do dom do pr&oacute;prio corpo, que pertence ao Senhor, porque se uniu ao d&rsquo;Ele, &eacute; o mart&iacute;rio, imita&ccedil;&atilde;o de Cristo no dom do seu pr&oacute;prio Corpo. Esse &eacute; o sentido profundo do mart&iacute;rio crist&atilde;o. Quem uniu o seu corpo ao do Senhor, n&atilde;o pode, para evitar a morte, ser infiel a essa uni&atilde;o de amor. &Eacute; a forma radical de responder ao dom do pr&oacute;prio Cristo, dizendo-Lhe e dizendo ao mundo, que o nosso corpo Lhe pertence, &eacute; um corpo para o Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. A obedi&ecirc;ncia amorosa de Cristo at&eacute; &agrave; morte, mereceu-lhe a plenitude definitiva da ressurrei&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Por isso Deus O elevou acima de tudo e Lhe concedeu o nome que est&aacute; acima de todo o nome&rdquo; (Fil. 2,9). Depois de ressuscitado, continua a entregar-nos o seu Corpo, a unir-se a n&oacute;s pelo dom do Corpo, na Eucaristia e infundindo o Esp&iacute;rito Santo, o que anuncia o destino do nosso pr&oacute;prio corpo, unido ao do Senhor. S&atilde;o Paulo anuncia-o aos Filipenses: &ldquo;Ele transfigurar&aacute; o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu Corpo glorioso, com aquela energia que o torna capaz de sujeitar, a si mesmo, todas as coisas&rdquo; (Fil. 3,21).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. O dom do corpo, como linguagem de amor tem, na natureza humana, uma express&atilde;o importante na esponsalidade, que envolve a sexualidade, a afectividade, a fecundidade: a uni&atilde;o de amor entre o homem e a mulher, fazendo, pelo dom do seu pr&oacute;prio corpo, &ldquo;uma s&oacute; carne&rdquo;. O dom do Corpo de Cristo, para nos amar, deu um sentido novo a este dinamismo fundamental da humanidade. O Esp&iacute;rito conduziu a Igreja para a compreens&atilde;o dos novos caminhos de viv&ecirc;ncia desse dinamismo, desde que o Senhor uniu o seu Corpo ao nosso.<\/p>\n<p>Aquele que exprimiu mais a ousadia da novidade crist&atilde;, foi a viv&ecirc;ncia desse dinamismo na virgindade escolhida e assumida como realiza&ccedil;&atilde;o de amor. Essa profunda comunh&atilde;o com o Corpo de Cristo envolve todas as capacidades do nosso corpo ao ser express&atilde;o de amor. Quem a vive sente que continuamente d&aacute; sentido ao seu corpo como um corpo para o Senhor, intuindo, certamente, aquela que ser&aacute; a forma definitiva de amar, no Reino dos C&eacute;us.<\/p>\n<p>Outra forma de viver, ao ritmo do dom do Corpo do Senhor, esse dinamismo fundamental, &eacute; a viv&ecirc;ncia das n&uacute;pcias como sinal da uni&atilde;o com Cristo; a realidade das n&uacute;pcias humanas tornou-se sacramento, isto &eacute;, realidade sinal, significando essa uni&atilde;o total do nosso corpo ao Corpo de Cristo. No matrim&oacute;nio o corpo &eacute; dom, &eacute; entrega a Cristo e ao c&ocirc;njuge. Sempre que os esposos crist&atilde;os, na totalidade da sua entrega, se sentem um s&oacute;, um s&oacute; corpo, deviam poder rezar a Cristo que se Lhe entrega continuamente: Senhor, este novo corpo do nosso amor &eacute; para v&oacute;s. Ao falar do amor dos esposos crist&atilde;os, S&atilde;o Paulo exclama: &ldquo;&eacute; precisamente o que Cristo fez pela Igreja: n&atilde;o somos n&oacute;s membros do seu Corpo?&rdquo; (Efs. 5,29-30).<\/p>\n<p>Express&atilde;o permanente deste mist&eacute;rio &eacute; para todos a virtude da castidade, enquanto viv&ecirc;ncia de toda a sexualidade, ao ritmo desta uni&atilde;o amorosa do nosso corpo com o Corpo de Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Em todas estas express&otilde;es crist&atilde;s da uni&atilde;o ao Corpo do Senhor, manifesta-se a centralidade da Eucaristia. &Eacute; neste sacramento que o Senhor continua a dar-nos o seu Corpo, a entregar-se por n&oacute;s. A Eucaristia &eacute; a for&ccedil;a dos m&aacute;rtires e de todos os que sofrem em uni&atilde;o com a Paix&atilde;o de Cristo; &eacute; a luz que atrai para o amor virginal aqueles que o Senhor escolheu; &eacute; o alimento do amor dos esposos e a pureza que exige a castidade. Em todas estas circunst&acirc;ncias os crist&atilde;os s&atilde;o chamados a cumprir a Palavra do Senhor: &ldquo;Fazei isto em Minha mem&oacute;ria&rdquo;.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 1 de Abril de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger;<\/em><em> JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;O Corpo de Cristo, o nosso corpo para Cristo&rdquo; 1. Esta celebra&ccedil;&atilde;o &eacute; profundamente repassada pela intensidade de amor de Nosso Senhor Jesus Cristo e da sua comunh&atilde;o profunda com toda a humanidade. 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