{"id":4443,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-ucp-esta-na-cidade-e-trabalha-para-esta-cidade\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-ucp-esta-na-cidade-e-trabalha-para-esta-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-ucp-esta-na-cidade-e-trabalha-para-esta-cidade\/","title":{"rendered":"A UCP est\u00e1 na cidade e trabalha para esta cidade"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, no Dia da Universidade Cat\u00f3lica <!--more--> As Visitas Pastorais \u00e0s nove par\u00f3quias da zona pastoral da cidade de Braga permitem-me deixar uma ideia em cada uma procurando sublinhar alguns dinamismos que considero fundamentais para a pastoral urbana. No final teremos um conjunto de ideias coordenadas que ajudar\u00e1 os agentes pastorais a discernir prioridades e a estipular, claramente, objectivos. As visitas, com mais ou menos iniciativas, concretizam-se num momento. Acontece que valem pelos dinamismos de renova\u00e7\u00e3o que imprimem.  Atendendo a que hoje celebramos, em Portugal o Dia da Universidade Cat\u00f3lica, quero sublinhar a import\u00e2ncia que ela reveste no contexto da nossa Arquidiocese e cidade. Desde que aqui se instalou a Igreja e a sociedade enriqueceram-se. Hoje contamos com o seu trabalho e queremos que se imponha, sempre na fidelidade \u00e0 sua miss\u00e3o, como algo de imprescind\u00edvel.  1 \u2013 \u00c9 com j\u00fabilo que sa\u00fado a todos v\u00f3s, comunidade crist\u00e3 implantada em St\u00ba Adri\u00e3o, aqui num dos p\u00f3los de desenvolvimento da cidade de Braga, zona voltada ao futuro, e sa\u00fado tamb\u00e9m os dirigentes, os professores, os alunos e funcion\u00e1rios da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa que tornam real este projecto acad\u00e9mico espec\u00edfico aqui em Braga, em dia comemorativo de 37 anos ao servi\u00e7o do Evangelho no Ensino Superior Universit\u00e1rio.  2 &#8211; A liturgia de hoje  A Palavra que nos \u00e9 dirigida nesta celebra\u00e7\u00e3o final de visita pastoral a esta comunidade, com a presen\u00e7a da Universidade Cat\u00f3lica, envolve-nos em tr\u00eas orienta\u00e7\u00f5es, que creio constitu\u00edrem um apelo constante \u00e0 renova\u00e7\u00e3o da nossa forma de edificar a Igreja. Todos estamos envolvidos, como comunidade. A Palavra \u00e9 para n\u00f3s um incentivo a uma presen\u00e7a construtiva constante, em renova\u00e7\u00e3o permanente e na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa miss\u00e3o, miss\u00e3o que nos obriga \u00e0 cr\u00edtica positiva da nossa forma de estar.  \u00c9 a juventude do nosso minist\u00e9rio que est\u00e1 aqui em destaque, como em Jeremias, tomando consci\u00eancia de que \u201ca cidade fortificada\u201d, que vamos construindo, n\u00e3o \u00e9 feita por n\u00f3s, mas passa por n\u00f3s, consagrados por Deus desde a Cria\u00e7\u00e3o e constitu\u00eddos por Deus como profetas anunciadores da Sua Palavra. N\u00e3o constru\u00edmos algo do qual sejamos propriet\u00e1rios exclusivos, mas o que realizamos \u00e9 sempre sob o olhar de Deus, que \u00e9 o nosso baluarte desde o seio materno. Escolhe-nos, de forma continuada, e estabelece connosco um pacto de presen\u00e7a para que possamos ser profetas entre as na\u00e7\u00f5es. Isto n\u00e3o acontece apenas em alguns dias mais solenes. A escolha do Senhor permanece em n\u00f3s todos os dias, Ele est\u00e1 connosco para nos salvar (cf. 1\u00aa leitura).  Ao reflectirmos sobre o texto de Paulo aos Cor\u00edntios, a consagra\u00e7\u00e3o que Deus realiza em n\u00f3s, fazendo de n\u00f3s mensageiros da sua Boa Nova, aparece ent\u00e3o traduzida na forma pr\u00f3pria de Deus estar no mundo. \u00c9 na caridade que se espelha, de forma concreta, a nossa rela\u00e7\u00e3o de intimidade em Deus, tornando-nos seus mensageiros de forma real. Deus \u00e9 Amor. Por isso, s\u00f3 na caridade concreta se manifesta de forma amadurecida a consagra\u00e7\u00e3o que Deus faz em n\u00f3s todos os dias. Os dons que a cada um pertencem em benef\u00edcio de todos traduzem o Amor imenso de Deus pelo Seu Povo se exercidos na caridade para com todos. As capacidades pessoais ter\u00e3o de se exercer imbu\u00eddas do Amor evang\u00e9lico. Este n\u00e3o se compagina nem com a vangl\u00f3ria pessoal, nem com a riqueza orgulhosa, nem com espect\u00e1culos para dar nas vistas, nem com a inveja, nem com a impaci\u00eancia, nem com a injusti\u00e7a. O Amor evang\u00e9lico, no qual cada disc\u00edpulo est\u00e1 consagrado, \u00e9 paci\u00eancia, \u00e9 benignidade, \u00e9 justi\u00e7a, \u00e9 proposta de verdade, \u00e9 desculpa, \u00e9 perd\u00e3o, \u00e9 esperan\u00e7a. \u00c9 esta atitude, a da caridade, que brota da intimidade com Deus, que identifica uma comunidade crist\u00e3 como tal e que a torna capaz de ser mensageira para o mundo da outra dimens\u00e3o das coisas.  Isto n\u00e3o acontecer\u00e1 sem adversidades. O texto do Evangelho leva a meditar nesta orienta\u00e7\u00e3o. \u00c9, por vezes, nos ambientes mais pr\u00f3ximos, entre os seus e junto dos da sua terra, que o Evangelho do amor \u00e9 mais dif\u00edcil de anunciar. Quem ama realmente n\u00e3o espera o fruto imediato para si. F\u00e1-lo sempre em benef\u00edcio dos outros, \u201cn\u00e3o procura o pr\u00f3prio interesse\u201d. O seu an\u00fancio, a sua ac\u00e7\u00e3o, a sua obra, s\u00e3o para a Gl\u00f3ria do Senhor, n\u00e3o esperando grandes recompensas terrenas, passageiras. \u00c9 assim para quem se dedica ao Evangelho de todo o cora\u00e7\u00e3o.  Numa comunidade paroquial, \u00e9 urgente esta comunh\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o, na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a do Senhor em cada um, na pr\u00e1tica do amor fraterno que nos deve caracterizar, ultrapassando rivalidades, pondo de parte impaci\u00eancias e ci\u00fames, sem orgulho nem inveja e na serenidade pr\u00f3pria de quem est\u00e1 convicto de que Deus o consagrou para esta miss\u00e3o simples.  3 &#8211; Universidade na e para a cidade  A Igreja, que somos, estar\u00e1 na cidade que constru\u00edmos assim identificada, se cada um souber n\u00e3o perder a sua origem, abrir-se continuamente ao amor de Deus e ser assim Seu mensageiro nas actividades concretas do seu dia. A Igreja, como comunidade de Amor \u00e0 imagem da Trindade, est\u00e1 nesta cidade de Braga com este des\u00edgnio, n\u00e3o para se vangloriar, mas para construir a cidade de Deus na cidade dos homens. N\u00e3o para se precipitar em realiza\u00e7\u00f5es passageiras, mas para, pacientemente, anunciar o Evangelho, propondo-o como caminho de realiza\u00e7\u00e3o feliz para cada homem e cada mulher. A Igreja, aqui em Braga, s\u00f3 deve desdobrar-se em projectos novos se neles conseguir anunciar Deus aos homens do nosso tempo, de forma ponderada e prof\u00e9tica. Isto diz respeito a todos os sectores da sua actividade.  Aqui, importa referir-nos ao projecto que anima a Igreja portuguesa, projecto implantado em quatro regi\u00f5es do pa\u00eds e que hoje comemora 37 anos de actividade. A UCP \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o, nos seus estatutos e nos seus variados programas, da presen\u00e7a da Igreja no \u00e2mbito da forma\u00e7\u00e3o cultural superior universit\u00e1ria. Trata-se de um sector relevante na sociedade de hoje e que, por isso, pede uma aten\u00e7\u00e3o redobrada da parte de todos, quer os envolvidos na estrutura da Universidade, quer de todo o povo de Deus que deve acalentar os seus projectos. A UCP n\u00e3o \u00e9 uma realidade sem a Igreja Portuguesa, mas no interior da Igreja Portuguesa, formando no presente os quadros da sociedade no futuro.   Aqui em Braga, a UCP est\u00e1 na cidade e trabalha para esta cidade. Ali se concebem as linhas de for\u00e7a de uma arte de construir a comunidade humana, \u00e0 luz do Evangelho, sob a marca do amor fraterno. Ali se procura construir plataformas de converg\u00eancia na reflex\u00e3o dos grandes problemas do nosso tempo, facilitando aos alunos crit\u00e9rios de discernimento que os acompanhar\u00e3o ao longo da vida na constru\u00e7\u00e3o da sociedade humana mais justa, mais inclusiva, mais aberta aos mais fracos. Ali se constr\u00f3i um pensamento e se partilha com os mais novos, para que de forma eficaz possam orientar a vida dos grupos e das comunidades numa raiz crist\u00e3 duradoira. A cultura acad\u00e9mica que a UCP desenvolve \u00e9 um dos sinais de que a Igreja est\u00e1 em Braga na cidade e para a cidade. Para muitos a descristianiza\u00e7\u00e3o imp\u00f4s-se na sociedade e na cultura Portuguesa e, naturalmente, em Braga. A UCP pretende formar cristamente os que vir\u00e3o a ser dirigentes que, posteriormente, ficar\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o privilegiada e determinante para a forma\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de refer\u00eancias e comportamentos. Muitos poder\u00e3o influenciar positivamente a vida social econ\u00f3mica e pol\u00edtica. Como sociedade somos povo que se deixa moldar pelas orienta\u00e7\u00f5es de elites e, quase sempre, as crises das sociedades edificam-se com as crises destas elites que fugiram ou desconsideraram os valores evang\u00e9licos.  Na Universidade Cat\u00f3lica ningu\u00e9m \u00e9 exclu\u00eddo. Quem nos dera que as inst\u00e2ncias de governo deste pa\u00eds soubessem abrir caminhos novos de forma a que as fam\u00edlias pudessem escolher para os seus filhos o lugar de forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica que mais conv\u00e9m \u00e0 sua cultura crist\u00e3. Isto passa pela liberdade de acesso que, na actualidade, \u00e9 travada pelo desn\u00edvel econ\u00f3mico, subsistindo um sistema de propina que revela uma desigualdade de base. Creio j\u00e1 ser tempo de afirmar uma cultura mais democr\u00e1tica neste sector, dando a mesma igualdade \u00e0s universidades com a mesma qualidade, sejam p\u00fablicas, privadas ou de direito concordat\u00e1rio.  Estamos aqui em Braga, como Arquidiocese, a apostar numa presen\u00e7a permanente da Igreja nos campus universit\u00e1rios, quer da Universidade p\u00fablica, quer da nossa Universidade. Gostar\u00edamos de o fazer, cada vez mais, num esp\u00edrito de servi\u00e7o \u00e0 causa cultural. O campo da cultura sempre foi n\u00e3o s\u00f3 estimado mas tamb\u00e9m desenvolvido pela Igreja. Importa, da nossa parte, ser capaz de acompanhar os novos sinais dos tempos, estando presente com a marca do Evangelho de Jesus. Faremos, como Igreja, o nosso esfor\u00e7o redobrado, pois passa por aqui a nossa miss\u00e3o na cidade e para a cidade. Quem dera que uma Pastoral Universit\u00e1ria fosse assumida por um n\u00famero amplo de estudantes capazes de influenciar crist\u00e3mente todos os ambientes das diversas Academias.  A UCP desenvolve diferentes programas de forma\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds, Lisboa, Porto, Beiras e Braga. Aqui, em Braga, gostaria de desafiar aqueles de quem dependem os programas novos de forma\u00e7\u00e3o, agradecendo o trabalho que a Cat\u00f3lica vem desenvolvendo entre n\u00f3s, na Faculdade de Teologia, na Faculdade de Filosofia e na Faculdade de Ci\u00eancias Sociais. Importa abrir novos horizontes. A cultura urbana e o estilo de vida urbano desafiam a Universidade. Desafiam-na os sectores da sa\u00fade, com todos os profissionais que os integram. Desafiam-na tamb\u00e9m os sectores do lazer, da empresa e da educa\u00e7\u00e3o. Gostaria de ver nascer em Braga projectos novos nestes sectores, sem rivalidades, mas apenas no servi\u00e7o que devemos prestar \u00e0 comunidade humana. N\u00e3o se trata de rivalizar, nem de entrar em campos alheios. Trata-se de responder \u00e0s necessidades actuais com programas nos quais transpare\u00e7a o Evangelho de Jesus, que estrutura a Igreja. O Evangelho tem a ver com a sa\u00fade, com o lazer, com a empresa e sua gest\u00e3o, com a educa\u00e7\u00e3o, com a cidade.  4 \u2013 Conclus\u00e3o  Desejo \u00e0 nossa Universidade Cat\u00f3lica, particularmente aqui em Braga, muita paci\u00eancia e um esp\u00edrito redobrado de fortaleza para prosseguir a sua miss\u00e3o.   Confio no seu trabalho quotidiano e espero que o seu servi\u00e7o \u00e0 cultura e ao Evangelho resplande\u00e7a no panorama universit\u00e1rio. Os ventos parecem adversos. Na Universidade entre todos \u2013 Faculdades, corpo docente e discente, funcion\u00e1rios \u2013 daremos ao Centro Regional de Braga aquela express\u00e3o que Braga necessita e merece.  Braga, 01.02.04 + Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz         <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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