{"id":44426,"date":"2010-04-01T17:12:23","date_gmt":"2010-04-01T17:12:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/01\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-crismal\/"},"modified":"2010-04-01T17:12:23","modified_gmt":"2010-04-01T17:12:23","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-crismal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-crismal\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Coimbra na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>Meus irm&atilde;os,<\/p>\n<p>Queridos Padres,<\/p>\n<p>Aplicando a si mesmo a profecia do Livro de Isa&iacute;as, Jesus definiu-se na Sinagoga de Nazar&eacute; como o Servidor de Deus que o Esp&iacute;rito Santo do Senhor ungiu com o &oacute;leo santo para anunciar a boa nova aos pobres.<\/p>\n<p>E o texto do Profeta, que Jesus proclamou, aplica a outros, &agrave; &ldquo;linguagem que o Senhor aben&ccedil;oou&rdquo;, a mesma honra que o Mestre tomou para Si: &ldquo;sereis chamados sacerdotes do Senhor, enviados a consolar todos os aflitos porque perfumados com o &oacute;leo da alegria&rdquo;.<\/p>\n<p>Caros padres, somos enviados ao mundo marcados com o &ldquo;&oacute;leo da alegria&rdquo;.<\/p>\n<p>O &oacute;leo, extra&iacute;do da palmeira ou da oliveira, foi ao longo de mil&eacute;nios que a B&iacute;blia documenta, o suporte natural do perfume. E porqu&ecirc; &ldquo;&oacute;leo da alegria&rdquo;? Justamente porque quem &eacute; perfumado dever&aacute; s&ecirc;-lo n&atilde;o para sua vaidade, mas para alegria dos outros.<\/p>\n<p>E mais n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio, irm&atilde;os todos, para que fa&ccedil;amos agora breve reflex&atilde;o sobre o padre como homem consagrado para anunciar o Evangelho com o testemunho das suas convic&ccedil;&otilde;es e da sua alegria.<\/p>\n<p>De certo todos acertais em que a escolha desta minha reflex&atilde;o partiu de circunst&acirc;ncias que actualmente nos envolvem, acentuando rugas e n&oacute;doas que chamamos &ldquo;esc&acirc;ndalo&rdquo;. Irm&atilde;os de todos aqueles que, por imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os no sacramento da Ordem, se tornaram participantes do Sacerd&oacute;cio de Cristo, amargura-nos o que lemos, e imaginamos a tristeza do Povo de Deus, ferido pelas not&iacute;cias que se repetem.<\/p>\n<p>Talvez por isso a Palavra de Deus seja agora oportun&iacute;ssima: &ldquo;sereis chamados Sacerdotes do Senhor, enviados a curar, com o &oacute;leo da alegria, os cora&ccedil;&otilde;es atribulados.&rdquo;<\/p>\n<p>Para que tal aconte&ccedil;a, irm&atilde;os sacerdotes, &ldquo;curar, com o &oacute;leo da alegria, os cora&ccedil;&otilde;es atribulados&rdquo;, importa, antes de mais, que nenhum esmore&ccedil;a na sua convic&ccedil;&atilde;o de ser o que &eacute;: ser padre, e s&ecirc;-lo de cabe&ccedil;a erguida.<\/p>\n<p>Esta nossa assumida persuas&atilde;o n&atilde;o resulta de dotes pessoais, t&iacute;tulos conquistados, em t&atilde;o pouco de uni&atilde;o de sentimentos. Assenta na humildade e agradecida certeza de que foi o Senhor Jesus que para tal nos escolheu: &ldquo;O Senhor me ungiu e me enviou&rdquo;, Ele que &ldquo;fez de n&oacute;s sua Igreja, um reino de Sacerdotes para Deus, seu Pai,&rdquo; proclama S. Jo&atilde;o.<\/p>\n<p>Chamei-lhe certeza humildade, porque bem sabemos como somos fr&aacute;geis. Pesa-nos a fraqueza dos irm&atilde;os que ca&iacute;ram; confessamo-la, dela pedimos perd&atilde;o e por eles rezamos. Afinal, todos n&oacute;s somos d&eacute;beis; se eles se mancharam na baixeza de actos, escandalosos para quem os padeceu, quem de n&oacute;s poder&aacute; negar as suas falhas em outros campos: porventura o abandono da ora&ccedil;&atilde;o, a rudeza no trato, o descuido na prepara&ccedil;&atilde;o do ensino?<\/p>\n<p>A humildade a que agora somos convidados, leva-nos tamb&eacute;m a uma atitude de procura. Temos de acertar com os gestos que, nos tempos que correm, realizam a tarefa de curar os cora&ccedil;&otilde;es atribulados, proclamar a liberdade aos prisioneiros na consci&ecirc;ncia, entoar c&acirc;nticos de louvor aos esp&iacute;ritos abatidos.<\/p>\n<p>N&atilde;o ser&aacute; com palavras bem escolhidas, programas excelentemente urdidos, nem com o primor da organiza&ccedil;&atilde;o paroquial que o padre surgir&aacute; como um &ldquo;servidor marcado com o &oacute;leo da alegria&rdquo;. Tudo isso &eacute; necess&aacute;rio, mesmo indispens&aacute;vel: o estudo e a leitura, a programa&ccedil;&atilde;o reflectida e a organiza&ccedil;&atilde;o inteligente, mas &eacute; pelos gestos sinceros de amor crist&atilde;o que o padre revela e comunica a alegria que lhe vem de Deus. Gestos como a visita a um doente, o acolhimento sem pressas de um angustiado, o acompanhamento paciente de um casal, o sorriso aberto e franco para uma crian&ccedil;a s&atilde;o hoje, de novo, momentos em que os nossos fi&eacute;is testemunhar&atilde;o a alegria de quem recebeu o Esp&iacute;rito do Senhor para anunciar o amor de Deus, que &eacute; boa novidade tamb&eacute;m para os nossos tempos.<\/p>\n<p>Fazemos esta nossa reflex&atilde;o em Ano Sacerdotal. Mais do que as minhas palavras, ganha particular significado esta assembleia do Presbit&eacute;rio de Coimbra, presidida pelo seu Bispo, em torno do Altar onde celebramos a Eucaristia e unida na b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos &oacute;leos santos. Como quem se contempla num espelho, assim agora nos olhamos e vemos o que somos: &ldquo;Uma s&oacute; fam&iacute;lia (assim diz o Conc&iacute;lio), em que v&oacute;s, presb&iacute;teros, como cooperadores necess&aacute;rios, esclarecidos e providentes, exerceis comigo o sacerd&oacute;cio &uacute;nico de Cristo. Praza a Deus que nos saibamos ajudar para o cumprimento desta miss&atilde;o apaixonante. Ela cumpre de verdade o prop&oacute;sito anunciado por Jesus na sinagoga: aos famintos de verdade e de vida repartimos no altar o P&atilde;o de Deus; aos que nascem, aos que crescem, aos que enfermam, ministramos a for&ccedil;a divina que os santos &oacute;leos transportam, &oacute;leos que vamos benzer e consagrar e h&atilde;o-de passar ao longo do ano pelas vossas m&atilde;os como a &aacute;gua corre pelas fontes.<\/p>\n<p>Estimados seminaristas:<\/p>\n<p>Esperamos por v&oacute;s. A Igreja de Coimbra h&aacute;-de alegrar-se quando assistir &agrave; vossa progressiva entrada para este col&eacute;gio de irm&atilde;os tomados pela paix&atilde;o que &eacute; servir Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Pr&iacute;ncipe dos Reis da Terra. Se somos fr&aacute;geis,&nbsp; e se not&iacute;cias intencionalmente repetidas vos falam de padres que em diversos lugares tra&iacute;ram a sua miss&atilde;o, n&atilde;o tenhais medo. Quem &eacute; fiel &agrave; ora&ccedil;&atilde;o recebe o Esp&iacute;rito da Fortaleza. E todos n&oacute;s acreditamos, sim, irm&atilde;os todos que me escutais todos n&oacute;s acreditamos que quando Deus permite que a Igreja seja crucificada, como agora acontece, por causa dos seus pecados, &eacute; porque o Senhor a quer purificada, como fez a Israel no ex&iacute;lio, para ressuscitar em primavera de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Queridos padres:<\/p>\n<p>Estas e outras reflex&otilde;es sobre a nossa vida havemos de as prolongar na Assembleia que temos marcada para o dia 6 de Maio, assembleia de que havemos de sair todos mais empenhados numa pastoral inteligente e persuasiva de voca&ccedil;&otilde;es para o sacerd&oacute;cio.<\/p>\n<p>Estes pensamentos, acompanhados de ora&ccedil;&atilde;o, estar&atilde;o muito presentes nas inten&ccedil;&otilde;es e no cora&ccedil;&atilde;o do grupo que, de 26 a 30 de Abril, se deslocar&aacute; a Ars, grupo composto por 25 sacerdotes que, em nome do Presbit&eacute;rio de Coimbra, ir&atilde;o peregrinar &agrave; terra onde nos deixou maravilhoso exemplo: o nosso santo irm&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianey.<\/p>\n<p>S&atilde;o iniciativas com que assinalamos o presente Ano Sacerdotal e que h&atilde;o-de deixar-nos motiva&ccedil;&otilde;es para o ano pastoral seguinte.<\/p>\n<p>Falo assim porque sei que continuarei convosco uma boa parte dele. Efectivamente, conheceis que completei recentemente 75 anos de idade. Grato a Deus que mos concedeu, escrevi ao Santo Padre, fiel &agrave; actual norma da Igreja, expondo o meu empenho em preparar condignamente a entrada do sucessor dos Ap&oacute;stolos enviado para novo Pastor de Coimbra. Foi-me respondido que assim ir&aacute; acontecer, presumivelmente dentro de um ano.<\/p>\n<p>Cabe-nos, pois, dar pleno sentido ao di&aacute;logo que de seguida vamos estabelecer, pelo qual novamente nos comprometemos, eu e v&oacute;s, a trabalhar na vinha do Senhor, como servidores que Ele escolheu e marcou com o &oacute;leo da alegria.<\/p>\n<p>Que Ele aben&ccedil;oe o nosso trabalho, derramando sobre n&oacute;s o seu Esp&iacute;rito.<\/p>\n<p>S&eacute; Catedral de Coimbra, 1 de Abril de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meus irm&atilde;os, Queridos Padres, Aplicando a si mesmo a profecia do Livro de Isa&iacute;as, Jesus definiu-se na Sinagoga de Nazar&eacute; como o Servidor de Deus que o Esp&iacute;rito Santo do Senhor ungiu com o &oacute;leo santo para anunciar a boa nova aos pobres. 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