{"id":44419,"date":"2010-04-01T15:28:22","date_gmt":"2010-04-01T15:28:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/01\/sexta-feira-santa-em-jerusalem-2\/"},"modified":"2010-04-01T15:28:22","modified_gmt":"2010-04-01T15:28:22","slug":"sexta-feira-santa-em-jerusalem-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sexta-feira-santa-em-jerusalem-2\/","title":{"rendered":"Sexta-feira Santa em Jerusal\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p>Santo Sepulcro atrai as aten\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is das diversas comunidades crist\u00e3s <!--more--> <\/p>\n<p>Milhares de sacerdotes, fi&eacute;is e peregrinos participam todos os anos nas celebra&ccedil;&otilde;es de Sexta-feira Santa, na Bas&iacute;lica do Santo Sepulcro em Jerusal&eacute;m, localizada no local em que a tradi&ccedil;&atilde;o afirma que Jesus foi crucificado e sepultado.<\/p>\n<p>Os peregrinos se ajoelharam para beijar a pedra que marca o local em que o corpo de Jesus foi colocado ap&oacute;s a crucifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A prociss&atilde;o da Via-Sacra, seguindo os passos que Cristo fez nas ruas da Jerusal&eacute;m antiga, marca o fim do dia.<\/p>\n<p><strong>Santo sepulcro<\/strong><\/p>\n<p>Na liturgia judaica, a P&aacute;scoa era essencialmente um memorial. O recordar da liberta&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o do Egipto (Ex. 12, 14). Tem como data o novil&uacute;nio da Primavera, ou seja o 14 de Nisan, e prolonga-se por toda a semana. Talvez originada de duas festas antiqu&iacute;ssimas: uma de origem rural, com a oferta dos primeiros frutos da terra (o p&atilde;o &aacute;zimo); outra de origem n&oacute;mada, em que se sacrificava o cordeiro, como prim&iacute;cias dos rebanhos. Na P&aacute;scoa, o povo Judeu celebrava, de modo exultante, a liberta&ccedil;&atilde;o do Egipto, fazendo do &Ecirc;xodo uma nova cria&ccedil;&atilde;o de Deus, e por isso conferindo &agrave; festa um car&aacute;cter messi&acirc;nico. Recordando o &Ecirc;xodo numa perspectiva messi&acirc;nica, a P&aacute;scoa como que interpela o povo para a liberta&ccedil;&atilde;o escatol&oacute;gica, a qual acontecer&aacute; no reino de Deus.<\/p>\n<p>Podemos dizer que toda a simbologia da liturgia pascal que se celebrava no Templo encontrar&aacute; a sua plena realiza&ccedil;&atilde;o na nova P&aacute;scoa, a P&aacute;scoa de Jesus Cristo, tal como no-la apresenta a carta aos Hebreus e muitos dos padres da Igreja. A pr&oacute;pria vida de Jesus, especialmente a sua paix&atilde;o e morte, pode ser interpretada &agrave; luz duma grelha de leitura que tem, como n&uacute;cleo constituinte, a liturgia pascal judaica.<\/p>\n<p>O Santo Sepulcro &eacute;, para os crist&atilde;os, o lugar mais sagrado de Jerusal&eacute;m, aquele que concentra as emo&ccedil;&otilde;es mais secretas do peregrino. Na &eacute;poca de Jesus, este local deveria estar al&eacute;m muralhas da cidade, e num s&iacute;tio mais alto, porque todos deveriam ver os condenados a penas capitais. Chamava-se G&oacute;lgota, deriva do aramaico gulgoleth, que significa lugar do cr&acirc;nio, um pouco pela forma arredondada que &eacute; semelhante a um cr&acirc;nio e um pouco pela lenda que afirma: &#8220;Ad&atilde;o foi ali sepultado&#8221;.<\/p>\n<p>A 15 de Julho de 1099, os cruzados conquistaram a cidade de Jerusal&eacute;m e acharam a igreja, que tinha sido reconstru&iacute;da pelo imperador Constantino Monomaco, bela, mas n&atilde;o suficientemente grandiosa para este acontecimento central do cristianismo. Os cruzados empenharam-se e realizaram obras de melhoramento e embelezamento e a nova igreja foi sagrada em 1149.<\/p>\n<p>Durante s&eacute;culos a igreja sofreu poucas modifica&ccedil;&otilde;es at&eacute; ao c&eacute;lebre inc&ecirc;ndio de 1808. Nesta triste ocasi&atilde;o, o mundo ocidental estava mais preocupado com as batalhas napole&oacute;nicas e n&atilde;o prestou aten&ccedil;&atilde;o aos pedidos de ajuda para a sua reconstru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os monges gregos, rivais antigos dos latinos, aproveitaram-se da ocasi&atilde;o e obtiveram autoriza&ccedil;&atilde;o para restaurar a igreja, ficando como &aacute;rbitros da situa&ccedil;&atilde;o. Infelizmente n&atilde;o se tratou de um restauro, mas um apagar de tudo o que fizesse lembrar o mundo latino. Actualmente o Santo Sepulcro &eacute; subdividido entre seis comunidades religiosas: cat&oacute;lica, greco-ortodoxa, arm&eacute;nia, copta, s&iacute;ria e abissina.<\/p>\n<p>No topo do G&oacute;lgota, ao qual se pode subir por meio duma escada, existem hoje duas capelas: uma cat&oacute;lica e outra greco-ortodoxa. Na cat&oacute;lica situam-se duas esta&ccedil;&otilde;es da Via-Sacra: &#8220;Jesus desnudado e Jesus crucificado&#8221;. Na capela greco-ortodoxa est&aacute; a esta&ccedil;&atilde;o: &#8220;Jesus morto na cruz&#8221;.<\/p>\n<p>Na parte inferior do altar emerge o cume duma rocha: um sinal de prata indica o lugar onde, provavelmente, foi pregada a cruz. Entre as duas capelas encontramos o <em>Stabat Mater<\/em> em lembran&ccedil;a da agonia de Maria pela morte do seu filho.<\/p>\n<p>Uma pedra de calc&aacute;rio, com tons rosados, representa para os latinos, o lugar onde, sobre o corpo de Jesus, depois de retirado da cruz, foi espalhada &#8220;uma composi&ccedil;&atilde;o de mirra e alo&eacute;s&#8221;.<\/p>\n<p>Uma constru&ccedil;&atilde;o no centro do An&aacute;stasis. Atrav&eacute;s do coro latino, chega-se &agrave; ed&iacute;cula, formada por dois ambientes: a capela do anjo e a c&acirc;mara mortu&aacute;ria, uma pequen&iacute;ssima c&acirc;mara &#8220;ad arcololium&#8221;, que &eacute; tamb&eacute;m a &uacute;ltima esta&ccedil;&atilde;o da via dolorosa. Uma laje de m&aacute;rmore branco com quase dois metros de comprimento fecha a rocha origin&aacute;ria daquele t&uacute;mulo. Sobre este est&atilde;o penduradas 43 l&acirc;mpadas de prata: os gregos, latinos e arm&eacute;nios possuem treze cada e os coptas t&ecirc;m quatro.<\/p>\n<p>A Capela de Santa Helena, perten&ccedil;a da comunidade arm&eacute;nia, foi dedicada &agrave; m&atilde;e de Constantino a qual, atrav&eacute;s da for&ccedil;a da f&eacute;, descobriu aqui o t&uacute;mulo e a cruz de Cristo.<\/p>\n<p>O T&uacute;mulo de Jos&eacute; de Arimateia &eacute; o &uacute;nico lugar do santo Sepulcro que pertence &agrave; comunidade abiss&iacute;nia.<\/p>\n<p>A igreja de S. Marcos, que faz parte do convento dos jacobitas, &eacute; da comunidade s&iacute;rio-ortodoxa.<\/p>\n<p>J&aacute; a igreja de S. Tiago, o Maior, &eacute; perten&ccedil;a da Igreja arm&eacute;nia-ortodoxa. O interior, ricamente adornado, conserva pedras relacionadas com os lugares b&iacute;blicos: Sinai, Tabor e Jord&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>A &uacute;ltima ceia <\/strong><\/p>\n<p>A sudoeste da cidade velha, o Monte Si&atilde;o concentra um dos monumentos mais importantes da f&eacute; crist&atilde;: desde os tempos mais antigos, dizem que aqui se realizou a &Uacute;ltima Ceia, durante a qual foi institu&iacute;da a Eucaristia.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XV, os maometanos conquistaram o Monte Si&atilde;o e alteraram a Igreja, tornando-a uma mesquita. Durante muitos anos foi proibida a entrada neste lugar aos crist&atilde;os e aos hebreus.<\/p>\n<p>Segundo diz a tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica, nesta sala, situada perto da Igreja da Dormi&ccedil;&atilde;o, durante a Ceia Pascal, Jesus Cristo, instituiu a Eucaristia na presen&ccedil;a dos ap&oacute;stolos quando tomou o p&atilde;o e, depois de pronunciar a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o, partiu-o e deu-o aos Seus disc&iacute;pulos, dizendo: &#8220;Tomai e comei: Isto &eacute; o meu corpo. Tomou, em seguida, um c&aacute;lice, deu gra&ccedil;as e entregou-lho dizendo: Bebei dele todos. Porque este &eacute; o meu sangue, sangue da nova alian&ccedil;a, que vai ser derramado por muitos para remiss&atilde;o dos pecados&#8221; (Mt. 26, 28; Mc. 14, 22-24). No entanto, simultaneamente, Jesus Cristo instituiu tamb&eacute;m o Sacerd&oacute;cio, pelo que o Evangelista S. Lucas, no passo paralelo referente &agrave; Eucaristia, ainda acrescentou: &#8220;Fazei isto em minha mem&oacute;ria&#8221; (Lc. 22, 19).<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, &#8220;quando chegou o dia de Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente ressoou, vindo do c&eacute;u, um som compar&aacute;vel ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram, ent&atilde;o, aparecer umas l&iacute;nguas &agrave; maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios de Esp&iacute;rito Santo&#8221; (Act. 2, 1-4).<\/p>\n<p>Devido a todos estes acontecimentos o local passou a ser venerado e julga-se que no segundo s&eacute;culo da era crist&atilde;, existia ali uma capela que foi depois substitu&iacute;da por um novo templo, desaparecido mais tarde com a invas&atilde;o dos persas em 614.<\/p>\n<p>Actualmente, na parte inferior do edif&iacute;cio venera-se o t&uacute;mulo do Rei David e na parte superior, primeiro andar, est&aacute; a Sala do Cen&aacute;culo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santo Sepulcro atrai as aten\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is das diversas comunidades crist\u00e3s<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[246],"class_list":["post-44419","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44419\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}