{"id":44418,"date":"2010-04-01T15:05:28","date_gmt":"2010-04-01T15:05:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/01\/homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal-3\/"},"modified":"2010-04-01T15:05:28","modified_gmt":"2010-04-01T15:05:28","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-na-missa-crismal-3\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Relembrando a dimens&atilde;o sacerdotal da exist&ecirc;ncia crist&atilde;<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;A gra&ccedil;a e a paz vos sejam dadas por Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primog&eacute;nito dos mortos, o Pr&iacute;ncipe dos reis da terra. &Agrave;quele que nos ama e pelo Seu sangue nos libertou do pecado e fez de n&oacute;s um reino de sacerdotes para Deus, Seu Pai, a Ele a gl&oacute;ria e o poder pelos s&eacute;culos dos s&eacute;culos. &Aacute;men&rdquo;.<\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s, no sacerd&oacute;cio comum dos baptizados e no sacerd&oacute;cio ministerial em particular: &Eacute; destas r&aacute;pidas e imensas frases do Apocalipse, h&aacute; pouco ouvidas, que tiro hoje inspira&ccedil;&atilde;o e motivo para a nossa Missa Crismal. Fa&ccedil;o-o por raz&otilde;es imediatas, de estarmos em Ano Sacerdotal. Fa&ccedil;o-o por raz&otilde;es da maior oportunidade pastoral, conforme a julgo e partilho convosco &ndash; irm&atilde;os bispos, padres e di&aacute;conos, religiosos e demais consagrados, fi&eacute;is leigos aqui presentes nesta catedral de n&oacute;s todos.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Vale este ano e muito, para nos relembrar a dimens&atilde;o sacerdotal da exist&ecirc;ncia crist&atilde;<\/span>. Podia dar-se o caso de a esquecermos ou atenuarmos, imersos que estamos num mundo cada vez mais complexo e espesso, em que a densidade das coisas e a urg&ecirc;ncia dos assuntos nos fizesse adiar, ou mesmo esquecer, a finalidade de tudo.<\/p>\n<p>Outros tempos, outras circunst&acirc;ncias, levavam-nos noutro sentido, igualmente problem&aacute;tico. Est&aacute;dios menos desenvolvidos da humanidade faziam-na sempre insegura e timorata, face &agrave;s incertezas meteorol&oacute;gicas, &agrave;s fragilidades da sa&uacute;de ou &agrave;s amea&ccedil;as dos outros. Vivia-se menos e &ldquo;com o credo na boca&rdquo;. Era-se naturalmente religioso, pedindo ao c&eacute;u o que a terra n&atilde;o garantia: seguran&ccedil;a e paz.<\/p>\n<p>Associado a tudo isto, mantinha-se um &ldquo;sacerd&oacute;cio&rdquo; pag&atilde;o, protagonizado por homens ou mulheres &ldquo;de virtude&rdquo;, que com palavras e ac&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas traziam algum descanso e certeza. A natureza, na rotina das esta&ccedil;&otilde;es de cada ano, enquadrava tudo, como for&ccedil;a pr&oacute;pria, adormecida ou desperta, propiciada e festejada.<\/p>\n<p>Assim se era naturalmente &ldquo;religioso&rdquo;, ligado ao todo por momentos c&iacute;clicos, ritos ancestrais e personagens mediadoras. E n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil descortinar que, por dentro de muita solicita&ccedil;&atilde;o religiosa que ainda nos &eacute; feita, permanecem estas motiva&ccedil;&otilde;es at&aacute;vicas, conscientemente ou inconscientemente disfar&ccedil;adas com refer&ecirc;ncias crist&atilde;s, avulsas ou transtornadas.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">A resist&ecirc;ncia da religiosidade natural mal convertida continua a ser um dos escolhos mais dif&iacute;ceis da ac&ccedil;&atilde;o pastoral que pretendemos<\/span>. Sabemo-lo bem e leva-nos por vezes a uma aut&ecirc;ntica &ldquo;conversa de surdos&rdquo; entre o que nos pedem e n&atilde;o devemos oferecer, sem que n&oacute;s compreendamos bem o que pretendem. S&oacute; com acolhimento paciente da humanidade de cada um e uma evangeliza&ccedil;&atilde;o mais decidida, na catequese e no acompanhamento espiritual, poderemos avan&ccedil;ar neste campo. Campo em que por vezes parecemos come&ccedil;ar, mesmo que o cristianismo tenha chegado ao nosso territ&oacute;rio h&aacute; tantos s&eacute;culos&hellip;<\/p>\n<p>Foi aquele quadro que a modernidade e a contemporaneidade alteraram profundamente. A modernidade foi substituindo a investiga&ccedil;&atilde;o ao empirismo e a raz&atilde;o &agrave; crendice, valorizando doutro modo a realidade secular, temporal. A contemporaneidade trouxe-nos uma grande velocidade e precipita&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es, espa&ccedil;os e ideias, estremecendo e alterando sucessivamente as bases e os modelos em que nos entend&iacute;amos, a n&oacute;s e aos outros. Logicamente, os sentimentos e as convic&ccedil;&otilde;es sofrem igual instabilidade. Eclesialmente, os espa&ccedil;os comunit&aacute;rios, das fam&iacute;lias &agrave;s par&oacute;quias, diluem-se tamb&eacute;m. Consequentemente, os credos e os ritos, tamb&eacute;m por falta de enquadramento tradicional, privatizam-se e subjectivizam-se.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Voltando ao trecho do Apocalipse: &#8211; Que &ldquo;reino de sacerdotes&rdquo; teremos ent&atilde;o, quando a conviv&ecirc;ncia rareia e as inten&ccedil;&otilde;es pouco ultrapassam as de cada um?<\/span> Reino implica perten&ccedil;a geral, sacerd&oacute;cio significa projec&ccedil;&atilde;o para Deus, ambas mais complexas agora, entre um quadro que passou e outro que havemos de refazer, mais adiante. &Eacute; o nosso momento e encargo. O nosso hoje indispens&aacute;vel.<\/p>\n<p>Traz-nos isto mesmo ao que o Conc&iacute;lio Vaticano II considerou no cap&iacute;tulo VII da <em>Lumen Gentium<\/em>, a saber, &ldquo;o car&aacute;cter escatol&oacute;gico da Igreja peregrina e a sua uni&atilde;o com a Igreja celeste&rdquo;, lembrando-nos que vivemos a partir do &ldquo;fim&rdquo;, j&aacute; oferecido na P&aacute;scoa de Cristo; e que tudo quanto dizemos e fazemos, enquanto Igreja, tem o &uacute;nico sentido alargar a todos o que j&aacute; se realizou em Cristo.<\/p>\n<p>Isso mesmo agradecemos, como filhos, e oferecemos ao Pai em exerc&iacute;cio sacerdotal. Nisto se legitima a Igreja, como realidade e ac&ccedil;&atilde;o: &ldquo;J&aacute; cheg&aacute;mos, portanto, ao fim dos tempos: a renova&ccedil;&atilde;o do mundo est&aacute; irrevogavelmente decretada e vai-se realizando de certo modo j&aacute; neste mundo&rdquo; (n&ordm; 48). E em todo o tamanho da Igreja, da terra ao c&eacute;u: &ldquo;Vivemos de maneira eminente a nossa uni&atilde;o com a Igreja celeste, especialmente quando, na sagrada Liturgia, na qual a virtude do Esp&iacute;rito Santo age sobre n&oacute;s mediante os sinais sacramentais, celebramos juntos, em fraterna alegria, os louvores da majestade divina, e quando todos, resgatados pelo sangue de Cristo, de todas as l&iacute;nguas e povos e na&ccedil;&otilde;es, reunidos numa &uacute;nica Igreja, glorificamos a Deus uno e trino, com o mesmo c&acirc;ntico de louvor&rdquo; (n&ordm; 50).<\/p>\n<p>N&atilde;o nos pare&ccedil;a isto demasiadamente &ldquo;espiritual&rdquo;, pois, se n&atilde;o for assim, n&atilde;o ser&aacute; propriamente &ldquo;eclesial&rdquo;. Creio que, fora desta radicaliza&ccedil;&atilde;o escatol&oacute;gica e finalizada, quer como consci&ecirc;ncia e interioridade, quer como motiva&ccedil;&atilde;o e atitude, n&atilde;o podermos cumprir o que a actualidade da Igreja requer e o pr&oacute;prio mundo reclama, mesmo quando parece dispensar-nos. Ou seja, que estejamos no mundo e nas mais correntes das circunst&acirc;ncias, oferecendo-lhes a P&aacute;scoa de Cristo, pela palavra mais clara, os sinais mais expressivos, a ora&ccedil;&atilde;o mais contemplativa e a caridade mais activa.<\/p>\n<p>E, em tudo isto, serviremos a paz. Na sua &uacute;ltima enc&iacute;clica, o Papa Bento XVI reflecte sobre a problem&aacute;tica contempor&acirc;nea, para dela fazer ocasi&atilde;o de novidade nas v&aacute;rias dimens&otilde;es da vida pessoal e colectiva. E &ndash; retomando considera&ccedil;&otilde;es de Jo&atilde;o Paulo II &#8211; n&atilde;o deixa de insistir neste ponto fundamental: &ldquo;&Eacute; necess&aacute;ria uma real mudan&ccedil;a de mentalidade, que nos induza a adoptar novos estilos de vida, nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunh&atilde;o com os outros homens para um crescimento comum sejam os elementos que determinam as op&ccedil;&otilde;es dos consumos, das poupan&ccedil;as e dos investimentos&rdquo; (<em>Caritas in Veritate<\/em>, n&ordm; 51).<\/p>\n<p>Sim, car&iacute;ssimos irm&atilde;os e irm&atilde;s, o melhor servi&ccedil;o que prestaremos ao mundo ser&aacute; dar-lhe o exemplo e o est&iacute;mulo dum povo sacerdotal, em que cada um dos seus membros tenha, como Cristo, o seu cora&ccedil;&atilde;o no Pai; da&iacute; ganhando uma conviv&ecirc;ncia alargada e fraterna com tudo e com todos, fruindo sem dissipar, partilhando sem a&ccedil;ambarcar, louvando sem se fechar. E a exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal <em>Ecclesia in Europa<\/em>, que h&aacute; sete anos quis oferecer-nos &ldquo;Jesus Cristo, vivo na sua Igreja, fonte de esperan&ccedil;a para a Europa&rdquo;, disse-o eloquentemente: &ldquo;A Igreja, que acolhe esta revela&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma comunidade que reza. Ao rezar, escuta o seu Senhor e aquilo que o Esp&iacute;rito lhe diz; adora, louva, agradece, e tamb&eacute;m implora a vinda do Senhor: &lsquo;Vem, Senhor Jesus!&rsquo;, afirmando deste modo que s&oacute; dele espera a salva&ccedil;&atilde;o&rdquo; (n&ordm; 66).<\/p>\n<p>E aqui nos reencontramos tamb&eacute;m como povo sacerdotal, quer no sacerd&oacute;cio comum dos baptizados, quer no sacerd&oacute;cio ministerial dos padres.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Quanto a n&oacute;s, bispos e padres, a condi&ccedil;&atilde;o celibat&aacute;ria s&oacute; nesta verdade se compreende e assume, segundo a gra&ccedil;a recebida<\/span>. N&atilde;o se compreender&aacute; fora desta luz, n&atilde;o se viver&aacute; sen&atilde;o ao seu fulgor. Ainda menos hoje, quando a mentalidade geral parece contrari&aacute;-la, encontrando em graves contrafac&ccedil;&otilde;es de alguns cl&eacute;rigos o refor&ccedil;o da sua cr&iacute;tica, como se o celibato sacerdotal fosse inadequado ao minist&eacute;rio e at&eacute; um &oacute;bice &agrave; maturidade pessoal.<\/p>\n<p>Creio bem que, daqui a algum tempo &ndash; mais ou menos longo, n&atilde;o o sei &ndash; vir&aacute; ao de cima a verdade dos factos, decerto mais &ldquo;verdadeira&rdquo; do que as generaliza&ccedil;&otilde;es absolutamente indevidas, que entretanto se propalam, com gritante injusti&ccedil;a. Ou seja, que a grande maioria do clero vive de modo sereno e feliz o seu celibato &ldquo;pelo reino dos c&eacute;us&rdquo;, assim participando na pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o existencial e pastoral de Jesus Cristo, como Ele a quis viver tamb&eacute;m. E que esta mesma condi&ccedil;&atilde;o ajuda a manter a Igreja nesse plano &uacute;ltimo que &eacute; realmente o dela, figurando e activando a finaliza&ccedil;&atilde;o de todas as coisas em Deus.<\/p>\n<p>Pelo contr&aacute;rio, n&atilde;o deixa de ser estranho que, depois de &ndash; t&atilde;o &aacute;rdua e justamente &ndash; a modernidade ter dessacralizado o mundo &ndash; pretender agora algu&eacute;m mundanizar a Igreja. &ndash; Vivam rec&iacute;proca e dinamicamente o mundo como mundo e a Igreja como Igreja: aquele para realizar a cria&ccedil;&atilde;o, que &eacute; o seu dinamismo espec&iacute;fico, esta para lhe oferecer a nova cria&ccedil;&atilde;o no Esp&iacute;rito de Cristo, que tudo conclui! N&atilde;o com rivalidade, mas como dois momentos duma &uacute;nica finaliza&ccedil;&atilde;o, ou como aprofundamento das coisas para al&eacute;m delas, oferecendo eternidade ao tempo.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, tudo o que existe na Igreja &eacute; oferecido ao mundo, para o abrir al&eacute;m dele, n&atilde;o tanto como nega&ccedil;&atilde;o, antes como interpela&ccedil;&atilde;o e desafio, manifestando em cada padre celibat&aacute;rio &#8211; como Paulo e tantos outros o perceberam de Cristo &ndash; que, de facto, Deus &eacute; bastante e s&oacute; n&rsquo;Ele nos ultimamos. Assim mesmo edificando a Igreja de todos os baptizados, chamando-os &agrave;quela realidade que ser&aacute; geral, depois dos dias: &ldquo;Na ressurrei&ccedil;&atilde;o, nem os homens ter&atilde;o mulheres nem as mulheres, maridos; mas ser&atilde;o como anjos no C&eacute;u&rdquo; (<em>Mt<\/em> 22, 30). &nbsp;N&atilde;o s&atilde;o alus&otilde;es facilmente aceites pela mentalidade actual. Nunca o ter&atilde;o sido muito, ali&aacute;s, porque irredut&iacute;veis a horizontes cerrados. Mas aconteceu especialmente connosco, car&iacute;ssimos irm&atilde;os no sacerd&oacute;cio ministerial de Cristo, o mesmo que j&aacute; sucedeu aos primeiros ouvintes, quando Ele disse estas coisas. Porque o evangelista conclui assim, passados dois vers&iacute;culos: &ldquo;E a multid&atilde;o, ouvindo-o, maravilhava-se com a sua doutrina&rdquo; (<em>Mt<\/em> 22, 33).<\/p>\n<p>E todos sabemos &ndash; caros padres &#8211; como a nossa presen&ccedil;a junto dos outros baptizados de qualquer estado de vida, exactamente pela marca escatol&oacute;gica que um celibato correctamente assumido nos confere, os ajuda a encarar mais esperan&ccedil;osamente a vida e a morte, mais serenamente as vicissitudes, pela largueza do fim &ndash; dos &uacute;ltimos fins do homem, precisamente. &Eacute; por esses &uacute;ltimos fins, em n&oacute;s tornados princ&iacute;pio de outra vida, que n&oacute;s, sacerdotes celibat&aacute;rios, damos a nossa contribui&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e org&acirc;nica, com todos os outros irm&atilde;os e irm&atilde;s &#8211; tamb&eacute;m celibat&aacute;rios, ou vivendo em sagrado matrim&oacute;nio -, para come&ccedil;ar neste mundo um Reino sem fronteiras. Aconteceu que percebemos: &ldquo;H&aacute; os que assim se fizeram a si mesmos, por amor do Reino do C&eacute;u. Quem puder compreender, compreenda&rdquo; (cf. <em>Mt<\/em> 19, 12).<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">Car&iacute;ssimos sacerdotes: Deixai-me concluir com uma cita&ccedil;&atilde;o particularmente expressiva, que fique como resumo e incentivo para a nossa vida e miss&atilde;o<\/span>. &Eacute; do nosso grande e actual Pont&iacute;fice, que dentro em breve acolheremos no Porto, com toda a gratid&atilde;o pelo modo l&uacute;cido e corajoso com que nos confirma na f&eacute;, persistindo &ndash; j&aacute; octogen&aacute;rio, como tantos membros do nosso presbit&eacute;rio &ndash; na trabalhosa condu&ccedil;&atilde;o duma Igreja em convers&atilde;o cont&iacute;nua. Retiro-a da exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal <em>Sacramentum Caritatis<\/em>, no seu precioso n&uacute;mero 24, onde estabelece a rela&ccedil;&atilde;o entre a Eucaristia e o celibato sacerdotal: &ldquo;Com efeito, nesta op&ccedil;&atilde;o do sacerdote encontram express&atilde;o peculiar a dedica&ccedil;&atilde;o que o conforma a Cristo e a oferta exclusiva de si mesmo pelo Reino de Deus. O facto de o pr&oacute;prio Cristo, eterno sacerdote, ter vivido a sua miss&atilde;o at&eacute; ao sacrif&iacute;cio da cruz no estado de virgindade constitui o ponto seguro de refer&ecirc;ncia para perceber o sentido da tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja Latina a tal respeito. Assim, n&atilde;o &eacute; suficiente compreender o celibato sacerdotal em termos meramente funcionais; na realidade, constitui uma especial conforma&ccedil;&atilde;o ao estilo de vida do pr&oacute;prio Cristo. Antes de mais, semelhante op&ccedil;&atilde;o &eacute; esponsal: a identifica&ccedil;&atilde;o com o cora&ccedil;&atilde;o de Cristo Esposo que d&aacute; a vida pela sua Esposa. [&hellip;] O celibato sacerdotal, vivido com maturidade, alegria e dedica&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o enorme para a Igreja e para a pr&oacute;pria sociedade&rdquo;.<\/p>\n<p>Continuemos ent&atilde;o, car&iacute;ssimos irm&atilde;os sacerdotes. E ficai bem certos e cientes de que a melhor apologia do vosso celibato por amor do Reino, est&aacute; na gratid&atilde;o das vossas comunidades e de todos quantos usufruem da vossa inteira disponibilidade para o louvor de Deus e o servi&ccedil;o do pr&oacute;ximo, alargando na terra uma familiaridade nova, que j&aacute; assinala e implanta o que o &uacute;ltimo futuro nos oferece.<\/p>\n<p>Sim, car&iacute;ssimos irm&atilde;os sacerdotes, dirigem-se muito especialmente a v&oacute;s &ndash; e, atrav&eacute;s de v&oacute;s, &agrave;s comunidades que elevais em cada Eucaristia -, as palavras do Apocalipse, nosso futuro presente: &ldquo;A gra&ccedil;a e a paz vos sejam dadas por Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primog&eacute;nito dos mortos, o Pr&iacute;ncipe dos reis da terra!&rdquo;.<\/p>\n<p>S&eacute; do Porto, 1 de Abril de 2010 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Manuel Clemente<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relembrando a dimens&atilde;o sacerdotal da exist&ecirc;ncia crist&atilde; &ldquo;A gra&ccedil;a e a paz vos sejam dadas por Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primog&eacute;nito dos mortos, o Pr&iacute;ncipe dos reis da terra. &Agrave;quele que nos ama e pelo Seu sangue nos libertou do pecado e fez de n&oacute;s um reino de sacerdotes para Deus, Seu Pai, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[114,120,127,187,203,246],"class_list":["post-44418","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44418"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44418\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}