{"id":44409,"date":"2010-04-01T13:47:32","date_gmt":"2010-04-01T13:47:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/01\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-crismal\/"},"modified":"2010-04-01T13:47:32","modified_gmt":"2010-04-01T13:47:32","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-crismal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-crismal\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Minist&eacute;rio de Amor&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. A Liturgia desta Missa Crismal &eacute; a celebra&ccedil;&atilde;o do amor infinito de Jesus Cristo, a Deus, seu Pai, no seio da Sant&iacute;ssima Trindade, e a n&oacute;s homens seus irm&atilde;os, que amou at&eacute; ao sacrif&iacute;cio da pr&oacute;pria vida. S&atilde;o Jo&atilde;o confirma-o: &ldquo;Sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os at&eacute; ao fim&rdquo; (Jo. 13,1). &ldquo;Aquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de n&oacute;s um reino de sacerdotes, a Ele a gl&oacute;ria e o poder&rdquo; (Apc. 1,5-6). Estes dois textos anunciam-nos a intensidade de amor de Jesus Cristo, envolvendo-nos a n&oacute;s, ao amar-nos com tal intensidade, no seu amor ao Pai, no seio da Trindade Sant&iacute;ssima.<\/p>\n<p>Esse amor infinito de Jesus Cristo vai abra&ccedil;ar a humanidade at&eacute; ao fim dos tempos, &eacute; um amor marcado pela eternidade de Deus. Vai envolver, de modo particular, os seus disc&iacute;pulos e todos aqueles e aquelas que, no futuro, acreditaram n&rsquo;Ele. A for&ccedil;a da Igreja &eacute; o ser amada por Jesus Cristo; s&oacute; assim ela poder&aacute; amar os homens com o amor de Jesus Cristo. &Eacute; para garantir a perenidade desse amor, at&eacute; ao fim, que d&aacute; forma sacramental ao seu pr&oacute;prio amor: institui a Eucaristia, inaugura o sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, dando aos Ap&oacute;stolos o poder de estarem no seu lugar, sempre que Ele ama a Igreja e abra&ccedil;a a humanidade, redimindo-a e atraindo-a para o amor de Deus. A Liturgia de Quinta-Feira Santa desenrola, perante os nossos olhos, a infinita riqueza das formas sacramentais desse amor: a Eucaristia, o Santo &Oacute;leo do Crisma que consagra os baptizados, os confirmados, os que v&atilde;o exercer o minist&eacute;rio sacerdotal; e a un&ccedil;&atilde;o dos doentes para que todo o sofrimento humano possa ser vivido na paix&atilde;o de Jesus Cristo. Todos estes sacramentos que s&atilde;o express&otilde;es do amor infinito do Senhor, s&atilde;o realizados pelos sacerdotes, &ldquo;in personna Christi&rdquo;. O sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico &eacute; um minist&eacute;rio de amor. Lembremo-nos da exclama&ccedil;&atilde;o do Cura d&rsquo;Ars: &ldquo;Oh! O Padre tem algo de grandioso! N&atilde;o se compreender&aacute; bem o sacerd&oacute;cio sen&atilde;o no C&eacute;u. Se o compreend&ecirc;ssemos na terra, morrer&iacute;amos, n&atilde;o de espanto, mas de amor&rdquo;.<\/p>\n<p>O nosso sacerd&oacute;cio &eacute; um minist&eacute;rio de amor. A caridade pastoral &eacute; a ess&ecirc;ncia do nosso servi&ccedil;o sacerdotal e torna-se numa exig&ecirc;ncia radical e permanente de santidade pessoal. Ao povo do Antigo Testamento foi pedido: &ldquo;Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou Santo&rdquo; (Lev. 19,2). A Mois&eacute;s pediu Deus: &ldquo;tira as sand&aacute;lias porque &eacute; santa a terra que pisas&rdquo; (Ex. 3,5); a terra era santa porque tinha sido tocada pelo mist&eacute;rio do Deus vivo. A n&oacute;s, que, pelo nosso sacerd&oacute;cio, exprimimos ao Povo de Deus, o amor infinito de Jesus Cristo, &eacute;-nos dito: sede santos, porque exerceis o minist&eacute;rio do amor e da santifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>2. A primeira express&atilde;o do nosso amor &eacute; a nossa f&eacute;. A f&eacute; &eacute; a atitude que nos abre as portas da caridade, sugerindo-nos claramente que a primeira e principal express&atilde;o da caridade pastoral &eacute; o nosso amor a Jesus Cristo e, por Ele, a Deus Pai, conduzidos pelo Esp&iacute;rito. Na vossa renova&ccedil;&atilde;o dos compromissos sacerdotais, vou perguntar-vos, em primeiro lugar: &ldquo;Quereis viver mais intimamente unidos a Cristo e configurar-vos com Ele, renunciando a v&oacute;s mesmos?&rdquo;. O pr&oacute;prio facto de agirmos em nome d&rsquo;Ele, exprimindo o Seu amor infinito, convida-nos a mergulhar toda a nossa vida nesse mist&eacute;rio de amor intenso. O nosso minist&eacute;rio exige de n&oacute;s que sejamos contemplativos. Cada acto do nosso minist&eacute;rio &eacute; um acto de f&eacute; e, por isso, uma abertura &agrave; caridade. Ministros de Cristo, dando actualidade ao seu amor salv&iacute;fico, somos sacramentos da sua solicitude amorosa de Bom Pastor. S&oacute; o amor, a caridade pastoral, exprime a verdade do nosso minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>3. A caridade pastoral valoriza as nossas capacidades humanas de amar, mas purifica-as. O nosso amor tem de ser express&atilde;o do pr&oacute;prio amor de Cristo, o que exige que amemos na verdade. &ldquo;Caridade na verdade&rdquo; foi o desafio lan&ccedil;ado a toda a Igreja pelo Papa Bento XVI na sua &uacute;ltima Enc&iacute;clica. Dois pontos dos compromissos que ides renovar o sugerem e exigem: a disposi&ccedil;&atilde;o de renunciardes a v&oacute;s mesmos e &ldquo;desempenhar fielmente o minist&eacute;rio da prega&ccedil;&atilde;o, como seguidores de Cristo, Cabe&ccedil;a e Pastor&rdquo;.<\/p>\n<p>Cristo &eacute; a verdade, a sua Palavra &eacute; a verdade. Na sua ora&ccedil;&atilde;o como Sumo Sacerdote da nova Alian&ccedil;a, Cristo rezou ao Pai pelos Ap&oacute;stolos: &ldquo;Eu dei-lhes a tua Palavra (&hellip;) consagra-os na verdade, a tua Palavra &eacute; a Verdade&rdquo; (Jo. 17,14.17). O amor pastoral, nas suas express&otilde;es humanas, tem de estar repassado desta Palavra. &Eacute; por isso que anunci&aacute;-la, proclam&aacute;-la, iluminar com ela a vida concreta dos crist&atilde;os, &eacute; a primeira express&atilde;o da nossa caridade pastoral.<\/p>\n<p>Isso exige &ldquo;ren&uacute;ncia a n&oacute;s mesmos&rdquo;, &agrave; nossa maneira de exprimir o amor, abrindo-se humildemente &agrave; verdade de Deus, expressa e transmitida pela Igreja. Isto sup&otilde;e renunciarmos, por vezes, a sermos humanamente bons e compreensivos, para transmitirmos as exig&ecirc;ncias transformadoras do amor de Jesus Cristo. Este &eacute; um aspecto dif&iacute;cil do nosso minist&eacute;rio nos tempos actuais. A complexidade e o sofrimento da vida dos crist&atilde;os, pode levar-nos &agrave; &ldquo;tenta&ccedil;&atilde;o&rdquo; de sermos humanamente bons e compreensivos, n&atilde;o transmitindo a exig&ecirc;ncia renovadora de Cristo e da sua Palavra. Os caminhos exigentes nunca podem reduzir-se a enunciar proibi&ccedil;&otilde;es ou regras disciplinares; estas t&ecirc;m de ser transmitidas com amor, repassadas da esperan&ccedil;a que o amor suscita sempre.<\/p>\n<p>4. Com um minist&eacute;rio de amor, somos chamados a semear a alegria. O cardeal Walter Kasper chama aos sacerdotes os &ldquo;servidores da alegria&rdquo;. Esse foi o sentido profundo do minist&eacute;rio de Jesus: &ldquo;digo-vos isto para que a Minha alegria esteja em v&oacute;s e a vossa alegria seja perfeita&rdquo; (Jo. 15,11). O texto de Isa&iacute;as, que Jesus aplica a Si Mesmo na Sinagoga de Nazar&eacute;, anuncia o Messias como um portador de alegria: &ldquo;O Esp&iacute;rito do Senhor est&aacute; sobre Mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos infelizes, a curar os cora&ccedil;&otilde;es atribulados, a proclamar a reden&ccedil;&atilde;o aos cativos e a liberdade aos prisioneiros&rdquo; (Is. 61,1-2). A alegria que semeamos &eacute; a do Reino de Deus, tem a sua fonte no encontro amoroso com o Senhor, &eacute; a alegria da salva&ccedil;&atilde;o que brota da experi&ecirc;ncia de se sentir amado por Deus em Jesus Cristo. &Eacute; por isso que n&oacute;s somos servidores da alegria, e n&atilde;o a sua fonte. Os Ap&oacute;stolos fizeram essa experi&ecirc;ncia no encontro com o ressuscitado: &ldquo;Os disc&iacute;pulos ficaram cheios de alegria quando viram o Senhor&rdquo; (Jo. 20,20). E os primeiros crist&atilde;os sentiam essa alegria como um dom do Esp&iacute;rito: &ldquo;Os disc&iacute;pulos estavam cheios de alegria e do Esp&iacute;rito Santo&rdquo; (Act. 13,52).<\/p>\n<p>Na nossa sociedade contempor&acirc;nea &eacute; muito importante este minist&eacute;rio da alegria. Ela brota da experi&ecirc;ncia da reconcilia&ccedil;&atilde;o e do perd&atilde;o, e, numa sociedade de viol&ecirc;ncia e de dificuldade em perdoar, este servi&ccedil;o da Igreja &eacute; b&aacute;lsamo para tanta dor, semente de transforma&ccedil;&atilde;o progressiva da sociedade, redescoberta da alegria de viver.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 1 de Abril de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger;<\/em><em> JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Minist&eacute;rio de Amor&rdquo; 1. A Liturgia desta Missa Crismal &eacute; a celebra&ccedil;&atilde;o do amor infinito de Jesus Cristo, a Deus, seu Pai, no seio da Sant&iacute;ssima Trindade, e a n&oacute;s homens seus irm&atilde;os, que amou at&eacute; ao sacrif&iacute;cio da pr&oacute;pria vida. 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