{"id":44403,"date":"2010-03-31T18:04:21","date_gmt":"2010-03-31T18:04:21","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/31\/para-que-serve-uma-visita-do-papa-o-que-e-que-ele-tem-para-nos-dizer\/"},"modified":"2010-03-31T18:04:21","modified_gmt":"2010-03-31T18:04:21","slug":"para-que-serve-uma-visita-do-papa-o-que-e-que-ele-tem-para-nos-dizer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/para-que-serve-uma-visita-do-papa-o-que-e-que-ele-tem-para-nos-dizer\/","title":{"rendered":"Para que serve uma visita do Papa? O que \u00e9 que ele tem para nos dizer?"},"content":{"rendered":"<p>D. Carlos Azevedo, Coordenador Geral da Visita do Papa a Portugal <!--more--> <\/p>\n<p>Desde que Jesus Cristo confiou a Pedro a miss&atilde;o de animar e confirmar os irm&atilde;os, manter a comunh&atilde;o, garantir a autenticidade e unidade da f&eacute;, o bispo de Roma, como sucessor do ap&oacute;stolo, prossegue esta tarefa de ser o princ&iacute;pio dur&aacute;vel da unidade da Igreja e dos bispos. Cada bispo &eacute; respons&aacute;vel pela sua Igreja local e com os outros bispos, colegialmente &eacute; tamb&eacute;m respons&aacute;vel pela Igreja universal, unido ao Papa. Cada bispo em comunh&atilde;o de f&eacute; com ele, exerce a sua plena responsabilidade local ou universal.<\/p>\n<p>Como sabem, o papa assume uma tripla fun&ccedil;&atilde;o: Bispo de Roma, Pastor da Igreja Universal e Chefe de Estado da Cidade do Vaticano. Como bispo de Roma exerce plena responsabilidade pela sua diocese. Tem um cardeal vig&aacute;rio e bispos auxiliares para colaborar neste servi&ccedil;o pastoral.<\/p>\n<p>Como Chefe de Estado da Cidade do Vaticano, min&uacute;sculo estado aut&oacute;nomo (o mais pequeno do mundo, 44 hectares) destinado a assegurar a independ&ecirc;ncia de qualquer for&ccedil;a temporal, o Papa exerce a totalidade dos poderes legislativo, executivo e judici&aacute;rio, com a ajuda de uma administra&ccedil;&atilde;o diversa da do governo da Igreja. As visitas ao estrangeiro respeitam e atendem tamb&eacute;m esta perspectiva de Chefe de Estado.<\/p>\n<p>No caso de uma visita pastoral o que mais se sublinha &eacute; a miss&atilde;o de Pastor da Igreja universal. Chefe do Col&eacute;gio episcopal, exerce com os bispos a condu&ccedil;&atilde;o do povo crist&atilde;o. A ordem dos bispos disp&otilde;e de autoridade suprema e plena sobre toda a Igreja, enquanto unida ao Bispo de Roma; este, enquanto sucessor de Pedro e deposit&aacute;rio do Primado no seio do col&eacute;gio episcopal, disp&otilde;e ele mesmo da autoridade suprema e plen&aacute;ria sobre toda a Igreja. Para exercer esta responsabilidade &eacute; assistido pela C&uacute;ria Romana.<\/p>\n<p>Como para cada bispo, tamb&eacute;m para o Sumo Pont&iacute;fice a miss&atilde;o de ensinar &eacute; a primeira. Uma das muitas formas de exerc&iacute;cio deste magist&eacute;rio ordin&aacute;rio &eacute; constitu&iacute;da pelas visitas a diversas partes do mundo. Os discursos e homilias e as menos frequentes cartas enc&iacute;clicas, dirigidas &agrave; Igreja universal ou a uma parte determinada do mundo, ou as exorta&ccedil;&otilde;es apost&oacute;licas, dedicadas a orientar por caminhos pastorais, formam os meios de transmiss&atilde;o do ensinamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro de dias ser&aacute; lido o texto da paix&atilde;o, que este ano adquire especial sentido, no qual Cristo, ap&oacute;s a Ceia, diz a Pedro de modo solene, perante todos: &ldquo;<em>Sim&atilde;o, Sim&atilde;o, olha que Satan&aacute;s pediu para vos joeirar como trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua f&eacute; n&atilde;o desapare&ccedil;a. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irm&atilde;os<\/em>&rdquo; ( Lc 22, 31).<\/p>\n<p>Jesus manifesta confian&ccedil;a singular em Pedro sabendo que ele vai fraquejar, convencido da sua pr&oacute;pria superioridade e vigor, ao declarara a Jesus: &ldquo;Mesmo que todos fiquem perturbados por tua causa, eu nunca me perturbarei!&rdquo; (Mt 26,33). Jesus promete rezar e especialmente por Pedro. Na hora dram&aacute;tica &eacute; Pedro que deve ser a rocha da Igreja. Ele tem uma prioridade incontest&aacute;vel no grupo dos Doze. Consideravam-no porta-voz e guardi&atilde;o da unidade. A autoridade de Pedro consiste neste servi&ccedil;o, n&atilde;o em qualquer domina&ccedil;&atilde;o. Pedro n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica pedra da funda&ccedil;&atilde;o que tem Cristo como pedra angular. Os ap&oacute;stolos e os profetas fazem parte da funda&ccedil;&atilde;o, porque a Igreja de Cristo n&atilde;o &eacute; mon&aacute;rquica, mas colegial. N&atilde;o &eacute; uma qualquer organiza&ccedil;&atilde;o internacional.<\/p>\n<p>Por este epis&oacute;dio narrado no evangelho se v&ecirc; que sem a convers&atilde;o de Pedro a miss&atilde;o falhar&aacute; infalivelmente. Pedro deve transformar o seu car&aacute;cter. Menos presun&ccedil;&atilde;o e mais confian&ccedil;a nos irm&atilde;os, menos orgulho e mais escuta. Converter-se n&atilde;o &eacute; coisa r&aacute;pida.<\/p>\n<p>&nbsp;Os outros ap&oacute;stolos ajudar&atilde;o Pedro a evoluir. Paulo ser&aacute; o mais contestat&aacute;rio. E conta a Carta aos G&aacute;latas: &ldquo;<em>Quando Cefas veio para Antioquia, opus-me frontalmente a ele, porque estava a comportar-se de modo conden&aacute;vel. Com efeito, antes de terem chegado umas pessoas da parte de Tiago, ele comia juntamente com os gentios. Mas quando elas chegaram, Pedro retirava-se e separava-se, com medo dos partid&aacute;rios da circuncis&atilde;o. E com ele tamb&eacute;m os outros judeus agiram hipocritamente &hellip; Mas quando vi que n&atilde;o procediam correctamente, de acordo com a verdade do evangelho, disse a Cefas diante de todos: &ldquo;Se tu sendo judeu, vives segundo os costumes gentios e n&atilde;o judaicos, como te atreves a for&ccedil;ar os gentios a viver como judeus<\/em>?&rdquo;.<\/p>\n<p>O afastamento do esp&iacute;rito de Cristo e do Evangelho &eacute; contra-testemunho e esc&acirc;ndalo. O novo mil&eacute;nio impulsiona a uma grande purifica&ccedil;&atilde;o das incoer&ecirc;ncias, infidelidades e lentid&otilde;es.&nbsp; Requer-se uma convers&atilde;o de cada crist&atilde;o e das comunidades crist&atilde;s, na fidelidade ao &uacute;nico Senhor.<\/p>\n<p>Alguns podem perguntar, como um jornalista outro dia, se, nas suas viagens, o Papa se mostra mais como sucessor de Pedro ou como sucessor de Paulo!<\/p>\n<p>Uma visita pastoral &eacute; um sinal sens&iacute;vel da comunh&atilde;o. O Papa cumpre o mandato de ensinar todas as na&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o se espera de uma visita nem ensinamentos novos, nem resolu&ccedil;&atilde;o dos nossos problemas pastorais.<\/p>\n<p>As visitas s&atilde;o ocasi&atilde;o para juntar grandes multid&otilde;es que refor&ccedil;am a confian&ccedil;a e o fervor e convidam &agrave; alegria de partilhar e celebrar publicamente a f&eacute;. As tr&ecirc;s eucaristias presididas pelo vig&aacute;rio de Cristo geram uma uni&atilde;o espantosa e mexem por dentro no caminho do bem, da verdade e da beleza. Constituem uma experi&ecirc;ncia espiritual &uacute;nica, uma vibra&ccedil;&atilde;o interior que aproxima do essencial que &eacute; a comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>O papa n&atilde;o quer exercer a sua miss&atilde;o do alto do Vaticano, mas encontrar-se com as igrejas concretas e com o episcopado real. A comunh&atilde;o efectiva com as igrejas locais, na sua diversidade, encontra uma forma de exerc&iacute;cio para o seu minist&eacute;rio de servi&ccedil;o, livre de press&otilde;es e de interesses, mais itinerante e menos sedent&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;A hora &eacute; de profecia e de inven&ccedil;&atilde;o, de fidelidade e de esperan&ccedil;a. Os v&aacute;rios encontros com Bento XVI semear&atilde;o no mundo da cultura, das organiza&ccedil;&otilde;es sociais e nos agentes pastorais mais empenhados no povo sacerdotal um dinamismo de convers&atilde;o capaz de suscitar esp&iacute;rito mission&aacute;rio. A proposta de sabedoria evang&eacute;lica ser&aacute; para todos desafio a pensar Portugal, 100 anos ap&oacute;s a Rep&uacute;blica a repensar a ac&ccedil;&atilde;o da Igreja, quase a 50 anos do in&iacute;cio do II Conc&iacute;lio do Vaticano, j&aacute; em 2012.<\/p>\n<p>Estou certo de que a vinda do Santo Padre a Portugal ser&aacute; uma lufada de ar renovador que implique a todos e suscite maior responsabilidade e coes&atilde;o. A vossa presen&ccedil;a aqui, de modo t&atilde;o significativo, revela a vontade de entender, narrar e comentar com compet&ecirc;ncia, verdade, sentido cr&iacute;tico e honestidade o que estes quatro dias de visita papal nos oferecer&atilde;o de experi&ecirc;ncia &uacute;nica. Muito obrigado.<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 26 de Mar&ccedil;o de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa,<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Coordenador Geral da Visita do Papa a Portugal<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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