{"id":44380,"date":"2010-03-30T17:36:35","date_gmt":"2010-03-30T17:36:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/30\/da-tradicao-da-pascoa-na-regiao-de-aveiro\/"},"modified":"2010-03-30T17:36:35","modified_gmt":"2010-03-30T17:36:35","slug":"da-tradicao-da-pascoa-na-regiao-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/da-tradicao-da-pascoa-na-regiao-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Da tradi\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, na regi\u00e3o de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p>&Eacute; verdade que cada tempo tem seu rosto, isto &eacute;, cada gera&ccedil;&atilde;o marca o seu tempo&hellip; A gera&ccedil;&atilde;o que hoje conta mais de cinquenta anos bem recorda a P&aacute;scoa da sua juventude, quando, passado o <em>s&aacute;bado santo<\/em> (que fechava com a &ldquo;queima do Judas&rdquo;), logo no domingo da Ressurrei&ccedil;&atilde;o, bem cedo, o &ldquo;compasso&rdquo; sa&iacute;a da igreja ao toque festivo dos seus sinos, sempre acompanhado de sineta que ia anunciando o progresso da caminhada paroquial &ndash; o p&aacute;roco, em sobrepeliz branca, mais o juiz da igreja com a cruz enfeitada, e seus ac&oacute;litos, todos vestidos com opas de cor vermelha &ndash; ao som estridente do estoirar de foguetes. E, de rua em rua e de casa em casa, o p&aacute;roco a todos anunciava, festivamente: <em>Jesus Cristo ressuscitou, aleluia, aleluia<\/em>!<\/p>\n<p>Por vezes, o compasso era acompanhado de m&uacute;sica instrumental e de c&acirc;nticos, e todas as par&oacute;quias da regi&atilde;o participavam da grande festa comunit&aacute;ria em que se convertia esta viv&ecirc;ncia de f&eacute;, acorrendo as fam&iacute;lias &agrave;s casas dos seus para, a&iacute;, partilharem da mensagem crist&atilde; e, depois, confraternizarem ao gosto e possibilidades da casa que os acolhia. Era lindo&hellip; ver como, em regra, a Natureza se engalanava em primavera radiosa, para dar mais cor e odores diferentes, ressuscitando tamb&eacute;m ela da &ldquo;Quaresma invernal&rdquo;!<\/p>\n<p>Mas os tempos fl&uacute;em&hellip; e hoje, mantendo-se aqui e al&eacute;m o mesmo esp&iacute;rito de f&eacute;, rareiam os compassos, sobretudo nas zonas urbanas, e quando saem &agrave; rua, raras vezes se v&ecirc; o p&aacute;roco da freguesia, em tudo substitu&iacute;do por grupos que a comunidade crist&atilde; organiza para levar, onde quer que haja uma casa aberta, em comunh&atilde;o espiritual, a mensagem sagrada que consubstancia o pilar da F&eacute; &ndash; <em>Cristo Ressuscitou<\/em>!<\/p>\n<p>A Natureza, por&eacute;m, essa continua radiosa no seu ciclo de vida&hellip; mas as fam&iacute;lias, naquele sentido crist&atilde;o tradicional, est&atilde;o mais dispersas pelas solicita&ccedil;&otilde;es do mundo que as envolve, repartindo-se entre uns dias de f&eacute;rias e outros, de conv&iacute;vio familiar, sem todavia esquecerem &ndash; por ser demasiado evidente &#8211; que &eacute; a &ldquo;quadra da P&aacute;scoa&rdquo; que lhes marca o ritmo, restando ainda algumas, mais conscientes do esp&iacute;rito religioso em que esta se alicer&ccedil;a, que preferem manter o essencial da partilha familiar.<\/p>\n<p>Se, dantes, s&oacute; em dia de P&aacute;scoa voltava a carne &agrave; mesa como alimento essencial, ap&oacute;s o jejum e a abstin&ecirc;ncia quaresmal, &eacute; ainda neste dia que as fam&iacute;lias a preferem para melhor composi&ccedil;&atilde;o da refei&ccedil;&atilde;o primeira, consoante as bolsas de cada qual, entre as chanfanas, os roj&otilde;es, o cabrito ou o leit&atilde;o&#8230; mais sobre as povoa&ccedil;&otilde;es da zona serrana aveirense e da Bairrada. N&atilde;o h&aacute;, em todo o caso, receita espec&iacute;fica a assinalar em qualquer &aacute;rea suficientemente alargada e o litoral, por seu lado, oferece cada vez mais solu&ccedil;&otilde;es ajustadas ao fluxo tur&iacute;stico, nomeadamente espanhol.<\/p>\n<p>De do&ccedil;aria, voltam &agrave; mesa, a gosto da cozinha familiar, alguns dos apetecidos doces tradicionais, mas &eacute; o <em>folar <\/em>que tem a primazia, variando de gosto entre o norte e o sul, a serra e o litoral, de prefer&ecirc;ncia com ovos de um acastanhado forte (cozidos em casca de cebola) integrados na massa do folar. Este casa bem com uma abundante t&aacute;bua de queijos regionais&hellip; e, quanto &agrave;s am&ecirc;ndoas, elas existem de v&aacute;rios sabores e composi&ccedil;&otilde;es!<\/p>\n<p>De acompanhamento, entre os vinhos, duas zonas assumem maior representa&ccedil;&atilde;o: os verdes, a norte\/interior do Distrito; os maduros, brancos ou tintos da Bairrada, na zona sul, complementados pelos do Douro e do D&atilde;o. No entanto, entre uns e outros ou apenas como remate, muitos s&atilde;o aqueles que jamais dispensariam um brinde com os espumantes regionais de excelente qualidade.<\/p>\n<p>Noutra perspectiva tradicional, se nesta quadra festiva persiste arreigado o costume de visitar a <em>Feira de Mar&ccedil;o<\/em> (Aveiro), ela cumpre-se igualmente com o &ldquo;ir de f&eacute;rias&rdquo; por uns dias, eventualmente at&eacute; ao Algarve, mas muitos h&aacute; que preferem rumar para as serenas montanhas do norte e do interior, &agrave; descoberta de vilas e aldeias de um Portugal nost&aacute;lgico ou, simplesmente, recuperar for&ccedil;as na paz familiar ao toque mais persistente do sino da igreja que, com ou sem compasso, a todos lembra: &#8211; <em>Jesus Cristo ressuscitou, aleluia, aleluia<\/em>!<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Amaro Neves<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; verdade que cada tempo tem seu rosto, isto &eacute;, cada gera&ccedil;&atilde;o marca o seu tempo&hellip; 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