{"id":4438,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/importa-agir-e-legislar-em-favor-da-vida\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"importa-agir-e-legislar-em-favor-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/importa-agir-e-legislar-em-favor-da-vida\/","title":{"rendered":"Importa agir e legislar em favor da vida"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do bispo de Angra <!--more--> NOTA PASTORAL DEBATE SOBRE O ABORTO 1) Reacendeu-se, na sociedade portuguesa, o debate sobre o aborto. Embora, \u00e0 primeira vista, possa parecer extempor\u00e2neo e com algum aproveitamento pol\u00edtico, este debate \u00e9 uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para esclarecer ideias e aprofundar as quest\u00f5es.   De todos os quadrantes afirma-se que \u00e9 uma quest\u00e3o de consci\u00eancia. E est\u00e1 certo. Em tudo, \u00e9 preciso agir em consci\u00eancia. S\u00f3 que para um cat\u00f3lico, inclusive pol\u00edtico, a consci\u00eancia tem de ser formada \u00e0 luz do ensinamento da Igreja, que importa, neste momento, explicitar.  A posi\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 clara, como foi reafirmado ainda recentemente pelo Secretariado Permanente da CEP, a prop\u00f3sito da instrumentaliza\u00e7\u00e3o das declara\u00e7\u00f5es do Bispo do Porto. A Igreja op\u00f5e-se, seja ao aborto, como \u00e0 sua despenaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo de sua compet\u00eancia determinar a pena, na ordem jur\u00eddica civil.  2) O sentido da argumenta\u00e7\u00e3o de fundo da Igreja \u00e9 este: o fruto da concep\u00e7\u00e3o \u00e9 um novo ser humano, que iniciou a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Precisa ser defendido, tanto mais quanto, no caso do aborto, \u00e9 uma v\u00edtima inocente e indefesa. Um Estado de Direito tem de tutelar a vida, desde o come\u00e7o at\u00e9 ao seu termo, com leis apropriadas.   \u201cA Igreja op\u00f5e-se a todas as tentativas legais ditas de \u2018despenaliza\u00e7\u00e3o\u2019 do aborto, n\u00e3o porque queira acentuar a pena, mas porque todas elas sup\u00f5em a legitima\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica do aborto, que passe a constituir um direito da mulher gr\u00e1vida, com interven\u00e7\u00e3o activa das estruturas de sa\u00fade p\u00fablica. Mesmo quando o aborto se torna permitido, como nos casos previstos na lei actualmente em vigor, do ponto de vista religioso e na ordem can\u00f3nica, o aborto continua a ser uma desordem moral. Nenhuma lei civil pode alterar a verdade fundamental do car\u00e1cter inviol\u00e1vel da vida humana, como dever moral grave, j\u00e1 expresso no 5\u00ba Mandamento do Dec\u00e1logo\u201d (CEP, 2003\/12\/16).   O aborto \u00e9 uma medida dr\u00e1stica, que n\u00e3o pode ser aceite, como m\u00e9todo de contracep\u00e7\u00e3o, porque elimina uma vida.   Diz-se: \u201cA mulher \u00e9 dona do seu corpo\u201d. Mas o ser concebido n\u00e3o \u00e9 o seu corpo; \u00e9 outro corpo e outro ser. N\u00e3o se podem resolver os problemas complicados, em que pode vir a encontrar-se uma mulher gr\u00e1vida, \u00e0 custa de outra vida.  3) Na cultura actual h\u00e1 tanta sensibilidade \u2013 e isso \u00e9 sinal de avan\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 na defesa da natureza e dos animais, na protec\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, em rela\u00e7\u00e3o aos crimes de abuso sexual. E os nascituros, quem os defende?  Isto n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o religiosa. \u00c9 uma quest\u00e3o de humanidade. A Igreja n\u00e3o faz outra coisa sen\u00e3o refor\u00e7ar uma posi\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o humana, iluminando-a com a luz da Revela\u00e7\u00e3o Divina.  O que n\u00e3o significa insensibilidade relativamente ao drama das mulheres, que se v\u00eaem for\u00e7adas a recorrer ao aborto, como foi expresso pelo Bispo do Porto. N\u00e3o basta condenar e penalizar o aborto. Urge criar condi\u00e7\u00f5es, para que ele n\u00e3o aconte\u00e7a. S\u00e3o precisas medidas pol\u00edticas de apoio \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 mulher gr\u00e1vida e \u00e0s crian\u00e7as. Importa agir e legislar em favor da vida.    4) Falando da participa\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica, esclarece a Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, citando Jo\u00e3o Paulo II: \u201cQuantos se encontram directamente empenhados nas esferas da representa\u00e7\u00e3o legislativa, t\u00eam a \u201cclara obriga\u00e7\u00e3o de se op\u00f4r\u201d a qualquer lei, que represente um atentado \u00e0 vida humana. Para eles, como para todo o cat\u00f3lico, vale a impossibilidade de participar em campanhas de opini\u00e3o em favor de semelhantes leis, n\u00e3o sendo a ningu\u00e9m consentido apoi\u00e1-las com o pr\u00f3prio voto&#8230; (cf. Evangelium Vitae, n. 73).    \u201cA consci\u00eancia crist\u00e3 bem formada n\u00e3o permite a ningu\u00e9m favorecer com o seu voto a realiza\u00e7\u00e3o de um programa pol\u00edtico ou at\u00e9 de uma \u00fanica lei, em que os conte\u00fados fundamentais da f\u00e9 e da moral estejam subvertidos pela apresenta\u00e7\u00e3o de propostas alternativas ou contr\u00e1rias a tais conte\u00fados.\u201d (Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Cat\u00f3licos na vida Pol\u00edtica, 2003, n.\u00ba 4).  Daqui a grande responsabilidade dos cat\u00f3licos, inclusive pol\u00edticos, quando a ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 confrontada com princ\u00edpios morais irrenunci\u00e1veis, como \u00e9 o caso do aborto e da sua despenaliza\u00e7\u00e3o. Exige-se a coer\u00eancia da f\u00e9, em conson\u00e2ncia com o ensinamento da Igreja.  + Ant\u00f3nio, Bispo de Angra Angra, 30 de Janeiro de 2004.     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral do bispo de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,154,169,187,206,237],"class_list":["post-4438","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-crianca","tag-diocese-de-angra","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4438\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}