{"id":44379,"date":"2010-04-04T10:39:14","date_gmt":"2010-04-04T10:39:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/04\/04\/procissao-das-tochas-floridas-no-algarve\/"},"modified":"2010-04-04T10:39:14","modified_gmt":"2010-04-04T10:39:14","slug":"procissao-das-tochas-floridas-no-algarve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/procissao-das-tochas-floridas-no-algarve\/","title":{"rendered":"Prociss\u00e3o das Tochas Floridas no Algarve"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel <!--more--> <\/p>\n<p>Nos s&eacute;culos XV-XVI, a prociss&atilde;o da Ressurrei&ccedil;&atilde;o era teatralizada. A cerim&oacute;nia do &rdquo;encontro&rdquo; de Maria com Cristo era o momento mais alto da prociss&atilde;o. Cantavam-se as &ldquo;alegrias&rdquo; de Maria e de &ldquo;Cristo Triunfante&rdquo;. Era a Prociss&atilde;o do Triunfo ou Real.<\/p>\n<p>O Conc&iacute;lio de Trento (1545-1563) pro&iacute;be esta representa&ccedil;&atilde;o ao vivo nas prociss&otilde;es, devido &agrave; &ldquo;falta de dec&ecirc;ncia&rdquo; e ao &ldquo;burlesco&rdquo; de algumas encena&ccedil;&otilde;es. Surgem as prociss&otilde;es com o Sant&iacute;ssimo Sacramento no dia de P&aacute;scoa e Corpo de Deus. Por&eacute;m, n&atilde;o foi f&aacute;cil a mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Nos s&eacute;culos XVII e XVIII, abadias e catedrais, a pouco e pouco, realizam a mesma prociss&atilde;o mas com as figuras b&iacute;blicas em andores. O Sant&iacute;ssimo Sacramento ia no fim da prociss&atilde;o alumiado por tochas acesas.<\/p>\n<p>No Algarve, em 1674, D. Francisco Barreto, em 1674, nas <em>Constitui&ccedil;oens Synodais do Bispado do Algarve<\/em>, decreta a prociss&atilde;o pascal com o Sant&iacute;ssimo Sacramento.<\/p>\n<p>Em S&atilde;o Br&aacute;s de Alportel, D. Jos&eacute; de Santa Susana, em 9 de Maio de 1731, autorizou a prociss&atilde;o com o Sant&iacute;ssimo Sacramento, na festa do Corpo de Deus. A prociss&atilde;o pascal foi implantada depois desta data. Era exigido &laquo;cl&eacute;rigos bastantes&raquo; e &laquo;c&oacute;pia de confrarias&raquo; com tochas acesas para a organiza&ccedil;&atilde;o da prociss&atilde;o.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XIX, no Algarve, a prociss&atilde;o, no dia de P&aacute;scoa, com o Sant&iacute;ssimo Sacramento<strong> &laquo;<\/strong>est&aacute; t&atilde;o espalhada que poucas ou nenhumas freguesias a n&atilde;o fazem. Nalguns lugares ela tem foros de grande acontecimento. As ruas s&atilde;o juncadas, nas casas p&otilde;em-se colgaduras e at&eacute; as pr&oacute;prias velas das crian&ccedil;as e dos fi&eacute;is s&atilde;o floridas. &Eacute; a prociss&atilde;o das flores, como nalguns lugares lhe chamam&raquo;.(1)<\/p>\n<p>Em S&atilde;o Br&aacute;s de Alportel, nos finais do s&eacute;culo XIX, realizava-se uma prociss&atilde;o grandiosa. As colunas da igreja tinham damascos ou veludos encarnados. As portas e janelas eram ornamentadas e as ruas atapetadas com &rdquo;erva de cheiro&rdquo; e flores. Havia arcos triunfais floridos.<\/p>\n<p>Os homens empunhavam as suas tochas (velas) floridas. &Agrave; falta de cera, pintavam paus que decoravam com flores dos alegretes. As confrarias incorporavam-se. Os cl&eacute;rigos iam no meio das alas a cantar os hinos e ant&iacute;fonas pascais e o povo respondia: <em>Aleluia, aleluia, aleluia<\/em>.<\/p>\n<p>S&atilde;o Br&aacute;s de Alportel, em 1910, era uma par&oacute;quia muito crist&atilde;. Com a implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica tudo se alterou. As confrarias quase se extinguiram. Em 1912, ainda saiu a prociss&atilde;o.<\/p>\n<p>O furor anticlerical desmotivou as pessoas. Em 1920 saiu de novo a prociss&atilde;o da Ressurrei&ccedil;&atilde;o: &laquo;&uacute;nica em todo o Portugal. Incorporam-se nela dezenas de rapazes, que empunhando suas velas enfeitadas com lindas flores, entoam em alta grita, o &ldquo;ressuscitou como disse, aleluia, aleluia&rdquo;. Isto s&oacute; em S&atilde;o Br&aacute;s e a alegria que em todos se nota e a satisfa&ccedil;&atilde;o que em todos os rostos se l&ecirc;, &eacute; como que a compensa&ccedil;&atilde;o da tristeza profunda dos dois dias anteriores&raquo;.(2)<\/p>\n<p>Nas d&eacute;cadas de quarenta e cinquenta, do s&eacute;culo passado, os homens de S&atilde;o Br&aacute;s de Alportel voltaram &agrave;s prociss&otilde;es. O tradicional canto das ant&iacute;fonas, em latim, desapareceu com a falta de cl&eacute;rigos. Presentemente, a prociss&atilde;o &eacute; um mar de gente com as suas tochas floridas a cantar com voz forte o <em>aleluia<\/em> da ressurrei&ccedil;&atilde;o. A prociss&atilde;o inicia a sua caminhada e, na falta de cantores, um homem levanta a voz e proclama esta ant&iacute;fona pascal: <em>Ressuscitou como disse!<\/em> E o povo responde cantando: <em>Aleluia, aleluia, aleluia!<\/em> Imediatamente outro cantor entoa a ant&iacute;fona e todos respondem empunhando bem alto e com orgulho a sua tocha florida. &Eacute; um coro de vozes aqui e ali ao longo de toda a prociss&atilde;o. As vozes sobrep&otilde;em-se umas &agrave;s outras. As gargantas ficam ressequidas com a gritaria. Novos e velhos levantam o canto e todos repetem <em>aleluia<\/em>. &Eacute; uma festa dentro dos cora&ccedil;&otilde;es desta gente. &Eacute; um ambiente &uacute;nico, cheio de cor, de alegria e de f&eacute; popular. A raiz religiosa est&aacute; dentro do cora&ccedil;&atilde;o destes homens, alguns vindos de longe, e neste dia todos cantam <em>aleluia<\/em>. Unidos por uma for&ccedil;a at&aacute;vica, crentes e n&atilde;o crentes, (a maioria dos homens n&atilde;o frequenta a igreja), por&eacute;m, irmanados pelo mesmo sentimento religioso, todos cantam at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o o <em>aleluia<\/em> em honra de Cristo Ressuscitado. As ruas s&atilde;o engalanadas e t&ecirc;m um tapete florido ao longo da prociss&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Pe. Jos&eacute; Duarte da Cunha<\/em><\/p>\n<p><strong>Notas <\/strong><\/p>\n<p>1 &#8211; Azevedo, 1960, p. 89<\/p>\n<p>2 &#8211; Folha do Domingo, n.&ordm; 290, de 25. 04.1920<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[185],"class_list":["post-44379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-algarve"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44379\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}