{"id":44358,"date":"2010-03-30T10:33:25","date_gmt":"2010-03-30T10:33:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/30\/uma-viagem-para-comunicar\/"},"modified":"2010-03-30T10:33:25","modified_gmt":"2010-03-30T10:33:25","slug":"uma-viagem-para-comunicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-viagem-para-comunicar\/","title":{"rendered":"Uma viagem para comunicar"},"content":{"rendered":"<p>N&atilde;o sei &ndash; mas gostava de saber &ndash; como organiza o Vaticano o roteiro das visitas papais. Como se escolheu por exemplo o destino das 104 viagens de Jo&atilde;o Paulo II? H&aacute; viagens papais com um indiscut&iacute;vel peso pol&iacute;tico como a de Paulo VI em 1969 ao Uganda ou a de Jo&atilde;o Paulo II &agrave; Pol&oacute;nia em 1979. O que se falou antes de as marcar? Com quem? O que se procurava em cada uma delas?<\/p>\n<p>Este entendimento da viagem como forma de afirma&ccedil;&atilde;o da f&eacute; e refor&ccedil;o de poder &eacute; indissoci&aacute;vel das grandes religi&otilde;es: do Egipto para Israel, de Meca para Medina&#8230; estamos perante gente que no destino se encontrou mais forte. Na f&eacute; e na pol&iacute;tica. Pol&iacute;tica foi tamb&eacute;m a escolha de Roma para centro do mundo do crist&atilde;o: a f&eacute; nascera na Palestina mas a Igreja edificava-se em Roma, a terra dos c&eacute;sares.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XX antes de muitos dirigentes pol&iacute;ticos terem tomado tal iniciativa os papas enfiaram-se em avi&otilde;es que os levaram aos cinco continentes. Os Papas enquanto chefes de Estado e l&iacute;deres religiosos tiveram uma percep&ccedil;&atilde;o muito clara da import&acirc;ncia da viagem. Seria sem d&uacute;vida interessant&iacute;ssimo perceber o que pessoalmente conclu&iacute;ram em cada uma dessas viagens. Ali&aacute;s viajando tanto sobretudo com Jo&atilde;o Paulo II qual &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m dos pa&iacute;ses que visitam, do que est&aacute; para l&aacute; das estradas onde as pessoas agitam os bra&ccedil;os &agrave; sua passagem? O que se v&ecirc; realmente al&eacute;m daquele c&iacute;rculo de seguran&ccedil;a e protocolo? Infelizmente n&atilde;o o sabemos e provavelmente nunca saberemos porque os papas n&atilde;o escrevem impress&otilde;es de viagem. Fazem bulas, ep&iacute;stolas, enc&iacute;clicas, constitui&ccedil;&otilde;es dogm&aacute;ticas e disciplinares, breves mas nada que relate, por exemplo, o que foi a experi&ecirc;ncia pessoal para um intelectual como era Paulo VI de confrontar-se com um santu&aacute;rio de F&aacute;tima onde as marcas da religiosidade popular eram evidentes em 1967 tal como o s&atilde;o hoje.<\/p>\n<p>As viagens papais revelam ainda a capacidade do Vaticano em colocar as novas tecnologias ao servi&ccedil;o de ritos milenares. Tal como nos anos 60 do s&eacute;culo XX o Vaticano apoiou os transplantes &ndash; recordo que um dos primeiros transplantados ao cora&ccedil;&atilde;o foi um sacerdote franc&ecirc;s &ndash; tamb&eacute;m vai revelar uma aguda percep&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da r&aacute;dio e da televis&atilde;o n&atilde;o apenas como ve&iacute;culos de propaga&ccedil;&atilde;o de doutrina mas tamb&eacute;m de afirma&ccedil;&atilde;o da figura dos papas. Creio n&atilde;o exagerar se escrever que os Papas foram os l&iacute;deres que mais partido souberam tirar das novas tecnologias aplicadas aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Tal como passado tinham percebido a import&acirc;ncia das artes, da pintura &agrave; m&uacute;sica, no s&eacute;culo XX os papas perceberam a import&acirc;ncia da tecnologia.<\/p>\n<p>Do ponto de vista comunicacional h&aacute; algo de fascinante na forma de comunicar dos papas, esses homens em cujo discurso h&aacute; um quase vazio da primeira pessoa do singular: falam em nome de Deus, numa mensagem que os fi&eacute;is v&ecirc;em como sequ&ecirc;ncias de um discurso que remonta a Pedro. Simultaneamente conseguiram n&atilde;o cair no dilema do dogma da palavra revelada que, noutros credos, como o mu&ccedil;ulmano, torna dif&iacute;cil quando n&atilde;o imposs&iacute;vel a adequa&ccedil;&atilde;o entre o discurso divino e as circunst&acirc;ncias humanas. E por fim fazem-no com os meios mais modernos ao seu dispor sejam eles os frescos da capela Sistina ou celebrando missa num est&aacute;dio de futebol.<\/p>\n<p>Na forma de comunicar dos papas percebe-se que a frase &ldquo;a C&eacute;sar o que &eacute; de C&eacute;sar, a Deus o que &eacute; de Deus&rdquo; implica isso mesmo: quem como os papas se confronta com a necessidade de propagar a palavra que entendem divina precisa de comunicar o melhor poss&iacute;vel com os meios existentes no mundo dos descendentes dos c&eacute;sares e para as circunst&acirc;ncias que os c&eacute;sares de cada tempo colocam aos homens. Assim as viagens papais, para l&aacute; da experi&ecirc;ncia de f&eacute; que t&ecirc;m para os crentes, do que representam como experi&ecirc;ncia humana no sentido terreno da viagem enquanto transforma&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o tamb&eacute;m uma das mais eficazes formas de comunica&ccedil;&atilde;o de um Estado que fez da palavra a sua for&ccedil;a e a sua raz&atilde;o de ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Helena Matos, Jornalista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N&atilde;o sei &ndash; mas gostava de saber &ndash; como organiza o Vaticano o roteiro das visitas papais. Como se escolheu por exemplo o destino das 104 viagens de Jo&atilde;o Paulo II? H&aacute; viagens papais com um indiscut&iacute;vel peso pol&iacute;tico como a de Paulo VI em 1969 ao Uganda ou a de Jo&atilde;o Paulo II &agrave; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[292],"class_list":["post-44358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-religiosidade-popular"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}