{"id":44335,"date":"2010-03-29T14:52:52","date_gmt":"2010-03-29T14:52:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/29\/mensagem-pascal-do-bispo-de-beja\/"},"modified":"2010-03-29T14:52:52","modified_gmt":"2010-03-29T14:52:52","slug":"mensagem-pascal-do-bispo-de-beja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-pascal-do-bispo-de-beja\/","title":{"rendered":"Mensagem pascal do Bispo de Beja"},"content":{"rendered":"<p><strong>A&nbsp;P&aacute;scoa de Jesus e a nossa <\/strong><\/p>\n<p>Com a celebra&ccedil;&atilde;o do Domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa, a Semana das Semanas, a Semana Maior no calend&aacute;rio dos crist&atilde;os, pois nela se recordam e revivem os acontecimentos centrais da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o a paix&atilde;o, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus, o Filho de Deus, o Messias, que, sendo de condi&ccedil;&atilde;o divina, n&atilde;o se valeu disso, mas fez-se um de n&oacute;s, passou a vida a fazer o bem e se entregou por n&oacute;s, obediente at&eacute; &agrave; morte e morte de cruz, mas Deus O fez surgir vitorioso para nossa salva&ccedil;&atilde;o (cf Fil. 2, 1-11). Assim podemos resumir, como S. Paulo, esta vida com a qual os crist&atilde;os crentes se querem identificar cada vez mais.<\/p>\n<p>Todos os anos repetimos estas celebra&ccedil;&otilde;es, fazendo delas n&atilde;o apenas mem&oacute;ria hist&oacute;rica, mas presen&ccedil;a real nas nossas vidas e no nosso tempo. Mas podemos perguntar-nos, se isso n&atilde;o se tornou uma rotina ou se da&iacute; brota alguma for&ccedil;a de transforma&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento das nossas vidas.<\/p>\n<p>A P&aacute;scoa judaica &eacute; a mem&oacute;ria da noite da liberta&ccedil;&atilde;o do povo de Israel da escravid&atilde;o do Egipto, na qual comeram o cordeiro pascal, inserido num ritual familiar e comunit&aacute;rio. A P&aacute;scoa de Jesus deu-se no contexto da celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa judaica, mas &eacute; Ele mesmo que &eacute; imolado, qual novo Cordeiro pascal. Pelo dom da sua vida por n&oacute;s, a P&aacute;scoa passa a ser para os seus disc&iacute;pulos a liberta&ccedil;&atilde;o do homem escravo de si mesmo para o homem novo, que vive para Deus e para os outros. &Eacute; esta passagem libertadora do homem velho, pecador ego&iacute;sta, para o homem novo &agrave; semelhan&ccedil;a de Cristo, livre para o servi&ccedil;o no amor, que leva at&eacute; &agrave; plenitude do dom, da oferta, que constitui a ess&ecirc;ncia da P&aacute;scoa dos crist&atilde;os. Por isso a nossa P&aacute;scoa n&atilde;o &eacute; apenas mem&oacute;ria hist&oacute;rica do passado, mas vida actual e presente, atrav&eacute;s dos tempos, at&eacute; que Deus seja tudo em todos, como lemos na carta de S. Paulo aos Ef&eacute;sios.<\/p>\n<p>Olhando para Cristo e confrontando-nos com Ele, descobrimos que temos muito a caminhar at&eacute; &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o plena da vida em sentido pascal. Vale a pena desfilar pela nossa mente e nos encontros familiares e das nossas assembleias lit&uacute;rgicas a beleza e perfei&ccedil;&atilde;o da vida de Jesus em confronto com as nossas mis&eacute;rias e pecados.<\/p>\n<p>Nestes &uacute;ltimos dias, a comunica&ccedil;&atilde;o social tem posto na pra&ccedil;a p&uacute;blica muitos podres, mesmo de pessoas chamadas para o servi&ccedil;o na Igreja, e tamb&eacute;m muitos sofrimentos de crian&ccedil;as inocentes (e talvez tamb&eacute;m de alguns adultos condenados inocentemente!). Tudo isso tem de ser para os crentes um motivo acrescido para a celebra&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa. Nela tornamos actuante a obla&ccedil;&atilde;o da vida de Jesus para que n&rsquo;Ele tenhamos a vida, e em abund&acirc;ncia. Na P&aacute;scoa celebramos a certeza de que n&atilde;o estamos condenados a viver no pecado e no fracasso, mas que Deus vem em aux&iacute;lio da nossa fraqueza, nos liberta e nos salva. Quem nos libertar&aacute; deste corpo e deste mundo de morte, grita S. Paulo na Carta aos Romanos e responde que na f&eacute; em Cristo acontece essa maravilha.<\/p>\n<p><strong>A P&aacute;scoa de 2010 em ano sacerdotal<\/strong><\/p>\n<p>Os ap&oacute;stolos receberam de Jesus o mandato de continuar a anunciar a Boa Nova do amor salvador de Deus (fun&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica), de transmitir e alimentar a vida nova nos crentes (fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal) e de fazer crescer na unidade e na comunh&atilde;o do amor aqueles que acolheram o dom da vida nova em Cristo (fun&ccedil;&atilde;o de pastores e guias do Povo de Deus). Na P&aacute;scoa concentram-se todas estas fun&ccedil;&otilde;es, faz-se mem&oacute;ria dos actos fundantes da miss&atilde;o dos ap&oacute;stolos e da Igreja, alimenta-se e revigora-se a identidade do Povo de Deus, que, &agrave; semelhan&ccedil;a de Cristo, participa da sua dignidade sacerdotal, prof&eacute;tica e real. A miss&atilde;o do servi&ccedil;o apost&oacute;lico para o crescimento deste novo Povo de Deus, conquistado pelo dom da vida de Cristo e que brota do seu cora&ccedil;&atilde;o transpassado, nasce aqui tamb&eacute;m e alimenta-se no Mist&eacute;rio pascal.<\/p>\n<p>Pelo modo desconcertante e maravilhoso como Deus nos manifesta o seu amor e nos salva damos gra&ccedil;as, fazemos mem&oacute;ria, alimentamos a nossa vida de disc&iacute;pulos e reavivamos a nossa voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Neste ano sacerdotal queremos celebrar todos este acontecimentos pascais, agradecendo de modo especial o dom do servi&ccedil;o apost&oacute;lico dos nossos pastores. Sabemos como esse servi&ccedil;o tem sido espezinhado na pra&ccedil;a p&uacute;blica pela infedilidade de alguns e pela cal&uacute;nia e clima de suspei&ccedil;&atilde;o reinante. Temos consci&ecirc;ncia de que trazemos este tesouro em vasos de barro e como &agrave; fidelidade de Deus nem sempre corresponde a fidelidade do disc&iacute;pulo. Tamb&eacute;m sabemos como a inveja n&atilde;o tolera o diferente, o esfor&ccedil;o de alguns em ser santos e ajudar a que outros tamb&eacute;m o sejam, para que todos vivamos n&atilde;o para n&oacute;s mesmos, mas para Deus e para todos os seus filhos e irm&atilde;os nossos, caminhando com os olhos fixos na meta da vida, que &eacute; Cristo, que por n&oacute;s viveu e deu a vida, mas Deus O ressuscitou, para nos atrair ao seu amor e nos acolher no seu Reino.<\/p>\n<p><strong>Preparando a visita do sucessor de Pedro<\/strong><\/p>\n<p>Em Portugal celebramos esta P&aacute;scoa tamb&eacute;m em ambiente de prepara&ccedil;&atilde;o para a visita do sucessor de Pedro, o Papa Bento XVI, que vai ter lugar de 11 a 14 de Maio. Estamos conscientes da import&acirc;ncia e da dificuldade da miss&atilde;o apost&oacute;lica num mundo em que a maioria dos seus habitantes n&atilde;o se orienta pelos ideais de Jesus Cristo. A miss&atilde;o do ap&oacute;stolo Pedro e do seu sucessor, que &eacute; o bispo de Roma, o Papa, tem um papel preponderante no col&eacute;gio apost&oacute;lico e na Igreja, mas tamb&eacute;m uma dificuldade acrescida numa Igreja santa e pecadora, mas sempre peregrina da perfei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os lobbies dos poderes anti-igreja, que n&atilde;o aceitam a verdade da f&eacute; crist&atilde;, que o sucessor de Pedro, a tempo e a contratempo, continua a proclamar, montaram uma campanha, que tem como objectivo denegrir e derrubar o actual Papa, Bento XVI, e isto desde a sua elei&ccedil;&atilde;o em 2005. Por isso os cat&oacute;licos portugueses devem preparar-se para acolher com alegria a visita de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, abafando as vozes discordantes e contestat&aacute;rias com a ora&ccedil;&atilde;o, o canto e a festa. Como portugueses, que, em 1917, benefici&aacute;mos da escolha por Nossa Senhora dos tr&ecirc;s pastorinhos de F&aacute;tima, para serem mensageiros da convers&atilde;o, da ora&ccedil;&atilde;o e da paz, mas tamb&eacute;m do amor ao Papa, n&atilde;o nos esque&ccedil;amos de cumprir um dos pedidos dos pastorinhos: rezemos pelo Santo Padre, que tem muito que sofrer, para continuar a confirmar os irm&atilde;os na f&eacute; em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Oxal&aacute; esta visita nos fortale&ccedil;a no amor a Cristo, &agrave; sua Igreja e ao Papa. Todos seremos beneficiados com isso. Pois a unidade e a alegria da comunh&atilde;o renovam em n&oacute;s as energias da esperan&ccedil;a, necess&aacute;rias para vencermos as crises que a nossa sociedade e o mundo atravessam. O nosso combate &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o social precisam desta energia espiritual e an&iacute;mica, que brota da P&aacute;scoa de Cristo e da sua celebra&ccedil;&atilde;o na vida da Igreja e dos crist&atilde;os.<\/p>\n<p>Neste sentido desejo a todos uma Santa e feliz P&aacute;scoa e uma boa prepara&ccedil;&atilde;o para a visita do sucessor de Pedro, Sua Santidade o Papa Bento XVI.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Vitalino, Bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A&nbsp;P&aacute;scoa de Jesus e a nossa Com a celebra&ccedil;&atilde;o do Domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa, a Semana das Semanas, a Semana Maior no calend&aacute;rio dos crist&atilde;os, pois nela se recordam e revivem os acontecimentos centrais da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o a paix&atilde;o, morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus, o Filho de Deus, o 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