{"id":44312,"date":"2010-03-28T15:49:47","date_gmt":"2010-03-28T15:49:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/28\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos-2\/"},"modified":"2010-03-28T15:49:47","modified_gmt":"2010-03-28T15:49:47","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-no-domingo-de-ramos-2\/","title":{"rendered":"Homilia do Cardeal-Patriarca no Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jesus Cristo, sinal de contradi&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>1. Entramos hoje na celebra&ccedil;&atilde;o anual da P&aacute;scoa. A leitura do Evangelho com que inici&aacute;mos a celebra&ccedil;&atilde;o diz: &ldquo;Jesus caminhava &agrave; frente dos seus disc&iacute;pulos, subindo para Jerusal&eacute;m&rdquo;. Hoje, os seus disc&iacute;pulos s&atilde;o todos os baptizados, membros da sua Igreja, que fazem, com Cristo, esta caminhada, n&atilde;o para a Jerusal&eacute;m deste mundo, mas para a participa&ccedil;&atilde;o na gl&oacute;ria do Messias, manifestada na Sua ressurrei&ccedil;&atilde;o. Nesta caminhada, somos conduzidos pela Palavra de Deus e pelo confronto com o esc&acirc;ndalo da Cruz, para penetrarmos mais profundamente na verdade da nossa f&eacute; e da nossa identidade crist&atilde;. N&atilde;o fujamos &agrave; contradi&ccedil;&atilde;o significada na Cruz de Cristo; aceitemos a nossa f&eacute; como confronto e ruptura com os crit&eacute;rios deste mundo, que assumem, em cada tempo, o concreto da realidade humana, que t&atilde;o dificilmente faz a passagem para a perspectiva da novidade pascal. Escutemos com ouvidos de disc&iacute;pulo, para perceber que naquela caminhada de Jesus para Jerusal&eacute;m, est&aacute; contido o sentido da nossa vida, como crist&atilde;os, a caminho da Jerusal&eacute;m Celeste. As atitudes de Jesus sugerem as atitudes da Igreja e de cada crist&atilde;o, disc&iacute;pulo do Senhor, na nossa caminhada, em cada momento da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>2. A primeira atitude de Jesus, que Ele espera seja seguida pelos seus disc&iacute;pulos, &eacute; a consci&ecirc;ncia clara da sua verdade e miss&atilde;o, que Ele aprofunda, escutando a Palavra do Pai, com ouvidos de disc&iacute;pulo, no dizer do Profeta Isa&iacute;as. Nesta caminhada da P&aacute;scoa, somos chamados a purificar os nossos ouvidos, para serem sempre ouvidos de disc&iacute;pulo, escutando o Senhor e o chamamento que dirige a cada um de n&oacute;s, e purificando a nossa verdade, a verdade deste povo de disc&iacute;pulos, que &eacute; a Igreja.<\/p>\n<p>Jesus sabe que a sua verdade &eacute; a plenitude de uma longa hist&oacute;ria de Alian&ccedil;a de Deus com o seu Povo, que vai exprimir na sua fidelidade at&eacute; &agrave; morte, a decisiva manifesta&ccedil;&atilde;o do amor de Deus pelos homens. Jesus sabe que &eacute; o Messias prometido e t&atilde;o ansiosamente esperado, e &eacute; com Ele que a Alian&ccedil;a de Deus com o seu Povo atinge a sua plenitude, transformando-se em alian&ccedil;a de Deus com toda a humanidade; Ele sabe e aceita que na sua morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, o tempo atingiu o seu &ldquo;termo&rdquo;, isto &eacute;, inicia-se a verdade do tempo definitivo.<\/p>\n<p>Durante a sua vida p&uacute;blica, Jesus evitou quase sempre a sua identifica&ccedil;&atilde;o como Messias, devido &agrave;s ambiguidades de que estavam carregadas, na consci&ecirc;ncia colectiva, a figura e a miss&atilde;o do Messias. Preferiu sempre identificar-se com a figura escatol&oacute;gica do Filho do Homem, que haveria de manifestar-se em gl&oacute;ria, no fim dos tempos, e com a figura do Servo Sofredor, com que o Profeta Isa&iacute;as anuncia a fun&ccedil;&atilde;o redentora e sacerdotal da miss&atilde;o do Messias.<\/p>\n<p>Mas a sua hora tinha chegado e j&aacute; n&atilde;o podia evitar a sua afirma&ccedil;&atilde;o messi&acirc;nica. Se aqueles disc&iacute;pulos que O aclamam no Monte das Oliveiras O seguirem at&eacute; ao fim da subida para Jerusal&eacute;m, experimentar&atilde;o, confundidos, a contradi&ccedil;&atilde;o entre o modo como viam a gl&oacute;ria do Messias e o drama da Cruz. E os que tiverem coragem de ficar at&eacute; ao fim, at&eacute; ao sil&ecirc;ncio pesado daquele t&uacute;mulo, verificar&atilde;o surpreendidos que o t&uacute;mulo ficou vazio e que a gl&oacute;ria do Filho do Homem se manifestou na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus. Mas n&atilde;o foram muitos os que ficaram at&eacute; ao fim. Aos mais chegados, o Senhor teve de os surpreender, aparecendo-lhes ressuscitado, fazendo-lhes perceber que tudo come&ccedil;ava de novo. N&atilde;o era f&aacute;cil aceitar a ressurrei&ccedil;&atilde;o, esse novo rosto de Jesus, pois acreditar no ressuscitado inclu&iacute;a uma contradi&ccedil;&atilde;o dolorosa: nada das realidades deste mundo, mesmo a pr&oacute;pria f&eacute; religiosa, era definitivo. Tudo come&ccedil;ava de novo. Como S&atilde;o Jo&atilde;o perceber&aacute; mais tarde, aceitar o ressuscitado &eacute;, inevitavelmente, relativizar as realidades deste mundo, tendo-as como n&atilde;o definitivas. &Eacute; mergulhar num outro horizonte de verdade.<\/p>\n<p>3. Ao assumir que a realiza&ccedil;&atilde;o da sua miss&atilde;o messi&acirc;nica se exprime na obedi&ecirc;ncia do Servo Sofredor, Jesus d&aacute; um sentido novo ao sofrimento. Esta &eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil de aceitar numa vis&atilde;o cultural que tanto provoca o sofrimento como foge dele, considerando-o uma desgra&ccedil;a. Aquele Servo, em que Jesus se transformou, experimentou todas as express&otilde;es do sofrimento humano: o sofrimento f&iacute;sico da flagela&ccedil;&atilde;o, da coroa&ccedil;&atilde;o de espinhos, da crucifix&atilde;o; a injusti&ccedil;a do julgamento; a infidelidade dos disc&iacute;pulos; a mentira da sociedade.<\/p>\n<p>A infidelidade dos disc&iacute;pulos: uns fugiram, Pedro negou conhec&ecirc;-l&rsquo;O. A sua generosidade, certamente aut&ecirc;ntica, de quem se mostra dispon&iacute;vel para seguir Jesus at&eacute; &agrave; morte, so&ccedil;obra ao medo de se relacionar com o Senhor.<\/p>\n<p>A mentira das autoridades. Para se verem livres de Jesus, n&atilde;o hesitam em apresentar a Pilatos um motivo em que eles pr&oacute;prios n&atilde;o acreditam. Jesus que se tinha definido a Si pr&oacute;prio como sendo a verdade, deve ter sofrido ao ver as autoridades mais sagradas do seu povo a recorrerem &agrave; mentira perante a autoridade ocupante s&oacute; para conseguirem o seu objectivo, desejado e inconfessado. Todo este sofrimento se torna express&atilde;o da sua obedi&ecirc;ncia ao des&iacute;gnio do Pai, como diz a Carta aos Hebreus: &ldquo;Sendo o Filho, aprendeu a obedi&ecirc;ncia no sofrimento&rdquo; (Heb. 5,8).<\/p>\n<p>4. Ponhamo-nos a caminho, sigamos Jesus desde o Monte das Oliveiras at&eacute; ao sil&ecirc;ncio do t&uacute;mulo, onde ele sepultou todos os nossos pecados, para ressuscitarmos com Ele, renovados pela for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo. Tenhamos a humildade de reconhecer que ainda n&atilde;o O seguimos, at&eacute; &agrave;s &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias da sua P&aacute;scoa em n&oacute;s. Quantas vezes fomos generosos, como Pedro, na grandeza das nossas promessas, e ca&iacute;mos como Ele, porque n&atilde;o aceit&aacute;mos a contradi&ccedil;&atilde;o com as verdades deste mundo. S&oacute; podemos continuar esta caminhada, subindo a Jerusal&eacute;m, com a sua for&ccedil;a de ressuscitado, que nos comunica ao infundir em n&oacute;s o seu Esp&iacute;rito. Que as mentiras, as meias verdades e a agressividade deste mundo n&atilde;o nos fa&ccedil;am desanimar, porque Ele venceu o mundo. N&atilde;o nos escondeu que esta caminhada &eacute; um combate, que Ele anunciou aos disc&iacute;pulos: &ldquo;quem n&atilde;o tiver espada venda a capa e compre uma&rdquo; (Lc. 32,36-37). As espadas para este combate s&atilde;o-nos oferecidas pelo Esp&iacute;rito de Jesus ressuscitado.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 28 de Mar&ccedil;o de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger;<\/em><em> JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus Cristo, sinal de contradi&ccedil;&atilde;o 1. Entramos hoje na celebra&ccedil;&atilde;o anual da P&aacute;scoa. A leitura do Evangelho com que inici&aacute;mos a celebra&ccedil;&atilde;o diz: &ldquo;Jesus caminhava &agrave; frente dos seus disc&iacute;pulos, subindo para Jerusal&eacute;m&rdquo;. 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