{"id":44286,"date":"2010-03-26T12:02:17","date_gmt":"2010-03-26T12:02:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/26\/conviver-com-a-morte-2\/"},"modified":"2010-03-26T12:02:17","modified_gmt":"2010-03-26T12:02:17","slug":"conviver-com-a-morte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conviver-com-a-morte-2\/","title":{"rendered":"Conviver com a morte"},"content":{"rendered":"<p>Simp\u00f3sio sobre o acompanhamento de doentes em fim de vida reuniu mais de 800 pessoas <!--more--> <\/p>\n<p>Quando um doente se aproxima dos &uacute;ltimos&nbsp;dias, a esperan&ccedil;a na cura n&atilde;o deve dar lugar &agrave; ang&uacute;stia perante a imin&ecirc;ncia do fim mas a uma proximidade que atrav&eacute;s da&nbsp;escuta, dos gestos e&nbsp;dos afectos contribua para suscitar conforto e confian&ccedil;a.<\/p>\n<p>Esta &eacute; uma das principais convic&ccedil;&otilde;es resultantes do simp&oacute;sio &ldquo;Con(viver) com a morte&rdquo;, que decorreu a 18 e 19 de Mar&ccedil;o, em Coimbra.<\/p>\n<p>A realiza&ccedil;&atilde;o do encontro e o elevado n&uacute;mero de inscritos &ndash; mais de 800 &ndash; s&atilde;o reveladores das lacunas no acompanhamento dos doentes que se aproximam do termo da sua vida.<\/p>\n<p>&ldquo;Contactamos com a morte todos os dias e a todas as horas&rdquo; mas &ldquo;vemos que as pessoas n&atilde;o est&atilde;o preparadas para lidar com esta realidade&rdquo;, constata o Pe. Jos&eacute; Ant&oacute;nio Pais, coordenador dos capel&atilde;es dos hospitais da diocese de Coimbra,<\/p>\n<p>O sacerdote considera que o mais importante na sua tarefa &eacute; &ldquo;saber fazer-se igual em tudo, no sofrimento mas tamb&eacute;m na alegria&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;J&aacute; me aconteceu muitas vezes sair do quarto de algu&eacute;m que est&aacute; no fim da vida para ir chorar,&nbsp;encontrar um enfermeiro ou enfermeira e ficarmos os dois a chorar no ombro um do outro. Vivenciamos todos as mesmas situa&ccedil;&otilde;es&rdquo;, revelou &agrave; ECCLESIA.<\/p>\n<p><strong>Forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais precisa de ter &laquo;vertente humana&raquo; <\/strong><\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia do Pe. Jos&eacute; Ant&oacute;nio Pais enquanto capel&atilde;o dos Hospitais Universit&aacute;rios de Coimbra leva-o a garantir que a dimens&atilde;o espiritual est&aacute; sempre presente aquando da imin&ecirc;ncia da morte, mesmo para os ateus.<\/p>\n<p>O sacerdote espera que o simp&oacute;sido tenha sido uma &ldquo;chamada de aten&ccedil;&atilde;o&rdquo; para as escolas de sa&uacute;de e de servi&ccedil;o social, que t&ecirc;m uma forma&ccedil;&atilde;o &ldquo;muito boa mas que ainda n&atilde;o &eacute; completa&rdquo;.<\/p>\n<p>O capel&atilde;o entende que &ldquo;falta a vertente humana&rdquo; &agrave; lecciona&ccedil;&atilde;o nas universidades e que &eacute; preciso apresentar mais conte&uacute;dos sobre a morte, o luto e a &eacute;tica, disciplina que qualifica de &ldquo;muito importante, e cada vez mais hoje em dia&rdquo;.<\/p>\n<p>Daniel Serr&atilde;o, um dos conferencistas, tamb&eacute;m defende que os profissionais de sa&uacute;de, assistentes sociais, psic&oacute;logos e volunt&aacute;rios t&ecirc;m de come&ccedil;ar a ser preparados para o acompanhamento &ldquo;que as pessoas merecem e a que t&ecirc;m direito&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Preparar o fim<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Costumo dizer que cada um vai ter a morte que mereceu em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vida que teve&rdquo;, isto &eacute;, a vida prepara a morte&rdquo;, assinalou Daniel Serr&atilde;o.<\/p>\n<p>O autor do livro &ldquo;Viver, envelhecer e morrer com dignidade&rdquo; classifica de &ldquo;m&aacute; pr&aacute;tica cl&iacute;nica&rdquo; as tentativas de tratar uma doen&ccedil;a que n&atilde;o tem sa&iacute;da poss&iacute;vel: &ldquo;Tenho sempre recomendado que, com cuidado, prud&ecirc;ncia e sabedoria, se d&ecirc;em os elementos necess&aacute;rios para que a pr&oacute;pria pessoa reconhe&ccedil;a que j&aacute; n&atilde;o vai ter cura&rdquo;.<\/p>\n<p>A partir do momento em que assume o progn&oacute;stico, assiste-se frequentemente a uma mudan&ccedil;a completa, &ldquo;&agrave;s vezes para muit&iacute;ssimo melhor&rdquo;, assegura o investigador.<\/p>\n<p>Por isso, a pior coisa que se pode fazer a algu&eacute;m que sabe que vai morrer &eacute; suscitar a esperan&ccedil;a de que a doen&ccedil;a tem cura, considera o especialista em anatomia patol&oacute;gica.<\/p>\n<p>Diante de um doente que se confronta com a morte, os profissionais de sa&uacute;de devem &ldquo;saber ouvir, saber respeitar os sil&ecirc;ncios, saber respeitar as narrativas&rdquo;, aconselha Daniel Serr&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; pessoas, diz, que querem contar a sua vida antes de morrer e precisam de quem as escute com paci&ecirc;ncia, e serenidade.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Coopera&ccedil;&atilde;o ecum&eacute;nica<\/strong><\/p>\n<p>A capelania dos Hospitais Universit&aacute;rios de Coimbra conta actualmente com dois padres, uma consagrada e oito pastores evang&eacute;licos, que procuram atender as necessidades de aproximadamente 1500 doentes e 5000 profissionais de sa&uacute;de.<\/p>\n<p>No entender do Pe. Jos&eacute; Ant&oacute;nio Pais, a presen&ccedil;a constante de assistentes espirituais e religiosos no hospital &ldquo;&eacute; muito importante&rdquo;, pelo que foi elaborada uma escala para as 24 horas do dia.<\/p>\n<p>Mais do que as convic&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas de cada ministro, &ldquo;o que conta aqui &eacute; o doente como pessoa, que pode ou n&atilde;o ser religiosa&rdquo;, observa o Pastor Heitor Gomes.&nbsp;<\/p>\n<p>Por seu lado, o Pastor R&uacute;ben Martins destaca a import&acirc;ncia que a &ldquo;perspectiva da eternidade&rdquo; pode oferecer aos doentes, considerando igualmente que &ldquo;quanto mais falamos da morte, mais devemos valorizar a vida que temos&rdquo;.<\/p>\n<p>O Pastor Marcos Amazonas recorre a uma imagem para real&ccedil;ar esta certeza: &ldquo;H&aacute; um rabino judeu que diz que a morte ensina a viver. Por isso olho para a morte n&atilde;o como um fim mas como uma experi&ecirc;ncia de vida&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simp\u00f3sio sobre o acompanhamento de doentes em fim de vida reuniu mais de 800 pessoas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[174],"class_list":["post-44286","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-coimbra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44286\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}