{"id":4425,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/os-caminhos-interditos-do-sincretismo-religioso\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"os-caminhos-interditos-do-sincretismo-religioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-caminhos-interditos-do-sincretismo-religioso\/","title":{"rendered":"Os caminhos interditos do sincretismo religioso"},"content":{"rendered":"<p>O Pe. Joseph Marie Verlinde, uma das figuras de proa, na luta contra as \u201csabedorias orientais\u201d, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA sobre a import\u00e2ncia do fen\u00f3meno da \u201cNew Age\u201d, na sua incompatibilidade com o cristianismo, e sobre o seu pr\u00f3prio percurso de vida <!--more--> <img decoding=\"async\" border=\"1\" src=\"\/pub\/1\/img\/photo_pjm.jpg\" align=\"left\">O especialista belga em filosofias orientais e dos esoterismos, Pe. Joseph Marie Verlinde, \u00e9 uma das figuras de proa, na Europa, dentro da luta contra as \u201csabedorias orientais\u201d. \u00c0 Ag\u00eancia ECCLESIA fala sobre a import\u00e2ncia do fen\u00f3meno da New Age, na sua incompatibilidade com o cristianismo e sobre o seu pr\u00f3prio percurso de vida. Antes de se converter ao catolicismo, percorreu os caminhos da Medita\u00e7\u00e3o Transcendental, tendo seguido Maharshi Mahesh Yogi e sido admitido como seu disc\u00edpulo nos ashrams dos Himalaias. Mesmo ap\u00f3s a sua convers\u00e3o frequentou escolas de esoterismo, na esperan\u00e7a de integrar a sua experi\u00eancia no Oriente com a figura de Jesus, mas abandonou essa pretens\u00e3o e, ap\u00f3s o que denomina de \u201ccaminho de cura interior\u201d, foi ordenado. O sacerdote escreveu, entre outras obras, \u201cA divindade sem nome e sem rosto\u201d, \u201cO cristianismo e o desafio das novas religiosidades\u201d, \u201cCem quest\u00f5es sobre as novas religiosidades\u201d e \u201cPercursos de cura interior pela escuta da Palavra\u201d.  Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Tem um itiner\u00e1rio interior muito particular. Como \u00e9 que veio encontrar Jesus Cristo? Pe. Joseph Marie Verlinde \u2013 Fiz parte da gera\u00e7\u00e3o de \u201868 (tinha na altura 21 anos, ndr), que contestou tudo o que era tradicional e qualquer forma de autoridade. Renunciei \u00e0 F\u00e9, n\u00e3o tinha nenhuma raz\u00e3o para abandonar Jesus Cristo a n\u00e3o ser obedecer aos slogans filos\u00f3ficos da \u00e9poca.  AE \u2013 Disse abandonar e n\u00e3o perder a F\u00e9. \u00c9 diferente? JMV \u2013 \u00c9 diferente, porque foi uma decis\u00e3o de romper com a minha tradi\u00e7\u00e3o religiosa, foi um momento muito duro. Queria ser plenamente livre, como se dizia.  AE \u2013 Frutos de uma ideologia pol\u00edtica? JMV \u2013 Pol\u00edtica, filos\u00f3fica, a que eu era mais sens\u00edvel. Eu n\u00e3o tinha argumentos para contestar o reducionismo de algumas correntes, a contesta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, pelo que procurei dar um sentido \u00e0 minha vida a partir da pesquisa cient\u00edfica. A dimens\u00e3o espiritual, por\u00e9m, estava sempre presente e decidi seguir Maharshi Mahesh Yogi, mestre da medita\u00e7\u00e3o transcendental, e era claro que tinha um efeito \u2013 um caminho de interioridade -, mas agora que revejo essa parte da minha vida \u00e9 incontest\u00e1vel que estava um pouco perdido.  AE \u2013 N\u00e3o havia nenhuma refer\u00eancia pessoal a Deus? JMV \u2013 Bom, seria preciso perceber de que interioridade se fala quando abordamos este tipo de percursos. Encontrei um guru e tornei-me seu disc\u00edpulo nos ashrams dos Himalaias, onde fiquei com ele 4 anos. Aprofundei todos os aspectos, te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, do Yoga e tive a experi\u00eancia de mergulhar naquilo que consider\u00e1vamos como a divindade \u2013 mas ficou evidente a diferen\u00e7a entre a interioridade crist\u00e3 e a hindu.   AE \u2013 Onde est\u00e3o essas diferen\u00e7as? JMV \u2013 Penso que a interioridade hindu, segundo a express\u00e3o de Mircea Eliade, \u00e9 uma \u201cinstase\u201d, enquanto o cristianismo \u00e9 sair do \u00eaxtase em direc\u00e7\u00e3o a Deus, que vem at\u00e9 mim na pessoa de Cristo.  O encontro, a comunh\u00e3o de amor, s\u00e3o elementos fundamentais na nossa religi\u00e3o, enquanto que no Oriente o caminho interior n\u00e3o provoca o encontro com ningu\u00e9m, deseja a \u201cn\u00e3o-exist\u00eancia\u201d.   AE \u2013 Como se fez a passagem desta sua situa\u00e7\u00e3o para o encontro com Jesus Cristo? JMV \u2013 Fez-se de uma maneira verdadeiramente desconcertante, porque nunca pensei que ap\u00f3s um corte t\u00e3o radical pudesse regressar ao cristianismo. Acontece que, um dia, algu\u00e9m me perguntou se tinha sido crist\u00e3o e o que \u00e9 que Cristo se tinha tornado para mim. S\u00f3 mais tarde \u00e9 que percebi que esta \u00e9 a quest\u00e3o central dos Evangelhos, o que dizemos n\u00f3s que \u00e9 Jesus.  A partir da\u00ed, foi como se esta pergunta tivesse feito crescer em mim o \u201cselo\u201d do Baptismo, a mem\u00f3ria de Jesus. Depois tive a experi\u00eancia de sentir que Ele estava l\u00e1, ao p\u00e9 de mim, e que permaneceu fiel, seguiu-me.  AE \u2013 Abandonou todos os seus planos? JMV \u2013 O reencontro foi t\u00e3o forte que n\u00e3o podia duvidar, por um instante, que me tinha deparado com Cristo. Portanto, encontrara o que sempre procurei e n\u00e3o tinha motivos para continuar longe da minha terra.  AE \u2013 Foi um encontro interior? JMV \u2013 Um encontro interior, mas com uma alteridade. A experi\u00eancia interior do Oriente n\u00e3o \u00e9 um encontro, \u00e9 um vazio; o encontro com Cristo \u00e9 um encontro com uma pessoa que me ama incondicionalmente e esperava que eu me voltasse para Ele. A convers\u00e3o, percebi ent\u00e3o, mais n\u00e3o \u00e9 do que \u201cvoltar-se em direc\u00e7\u00e3o a Ele\u201d, Deus espera que eu. Para mim foi evidente que era Jesus, mas n\u00e3o sei dizer porqu\u00ea.  AE \u2013 Recome\u00e7ou noutro caminho, o sacerd\u00f3cio? JMV \u2013 O sacerd\u00f3cio que morava no meu cora\u00e7\u00e3o desde que era pequeno, pelo que quando reencontrei Jesus Cristo foi uma escolha evidente. Procurei algu\u00e9m que me pudesse compreender, que n\u00e3o achasse que eu era doido pela minha experi\u00eancia de via. A determinado momento encontrei o que queria, num grupo de pessoas que falava dos Evangelhos, mas que falava de coisas que conheci nas montanhas: as energias, a reencarna\u00e7\u00e3o: uma escola esot\u00e9rica, cr\u00edstica, n\u00e3o crist\u00e3. Achei que podia ligar o antigo e o novo, o hindu\u00edsmo e o cristianismo, mas como n\u00e3o conhecia o Evangelho achei que estava no bom caminho e cheguei mesmo a ser introduzido nos ritos ocultos. Por\u00e9m, quando comecei a ouvir coisas bizarras, exteriores, percebi que era necess\u00e1rio afastar-me. Tive a experi\u00eancia de ouvir vozes, \u201cesp\u00edritos\u201d, mesmo durante celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, e procurei ajuda junto de um sacerdote que, curiosamente, era o exorcista da Diocese. Reconhe\u00e7o que agi, pratiquei ci\u00eancias ocultas, onde me fiz ajudar por entidades ocultas para obter resultados. Ap\u00f3s abandonar tudo isso fui capaz de come\u00e7ar os estudos, 10 anos no semin\u00e1rio, para p\u00f4r as minhas ideias em ordem, foi um tempo de \u201ccura interior\u201d (o Pe. Verlinde foi ordenado em 1983).  CONTRA O SINCRETISMO A corrente New Age tem assumido grande influencia na cultura actual, especialmente no que se refere \u00e0 cultura dos sectores mais jovens da popula\u00e7\u00e3o e nos meios universit\u00e1rios, como inicia\u00e7\u00e3o e encorajamento aos sincretismos religiosos e aos esoterismos.   AE \u2013 A F\u00e9 tradicional est\u00e1 povoada, hoje em dia, de express\u00f5es esot\u00e9ricas, bizarras. Que an\u00e1lise \u00e9 poss\u00edvel fazer deste sincretismo? JMV \u2013 Penso que sou um bom exemplo do que se passou nos anos60-80. Agora, pass\u00e1mos de um paradigma para outro, do \u201cjudeo-crist\u00e3o\u201d para um mundo que tenta misturar caminhos antigos com os modernos. Hoje em dia h\u00e1 um quadro de pensamento que n\u00e3o se d\u00e1 conta de que \u00e9 incompat\u00edvel crer ao mesmo tempo na reencarna\u00e7\u00e3o e na ressurrei\u00e7\u00e3o!   AE \u2013 Onde est\u00e1 o centro do problema? JMV \u2013 Quem diz \u201cacredito em Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador\u201d, que acredita que Ele \u00e9 o Verbo de Deus feito carne, que recapitula todos os homens em si, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para incorporar-me noutras correntes, n\u00e3o se pode jogar dos dois lados. H\u00e1 alguma coisa de parasit\u00e1rio no \u201cNew Age\u201d, por exemplo.  AE \u2013 A Igreja ainda n\u00e3o tem resposta para as quest\u00f5es ocultas da pessoa humana? JMV \u2013 Para mim \u00e9 claro que tem respostas, acontece \u00e9 que quando se ouve na resposta da Igreja o termo \u201cmist\u00e9rio\u201d, vamos procurar no secreto. O drama, hoje em dia, \u00e9 que os nossos contempor\u00e2neos n\u00e3o querem voltar \u00e0 Igreja depois da ruptura. Eu, quando regressei, fiquei maravilhado! Aquilo que se prop\u00f5e no cristianismo \u00e9 fabuloso e eu tive de reconhecer que n\u00e3o o conhecia, quando me aventurei nos caminhos do hindu\u00edsmo e do budismo.  AE \u2013 H\u00e1 necessidade falar do \u201cmist\u00e9rio\u201d? JMV \u2013 Muita gente fala da B\u00edblia como se ela n\u00e3o conhecesse as \u201ccoisas ocultas\u201d, por exemplo, mas penso que n\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico que os autores b\u00edblicos ignorassem o mundo oculto.  Eles conheciam as doutrinas da \u00e9poca, os cultos m\u00e1gicos e mist\u00e9ricos, se n\u00e3o falam deles \u00e9 porque querem deixar uma mensagem: todos esses conhecimentos, secretos e esot\u00e9ricos, fazem parte do nosso mundo, do mundo criado, e n\u00e3o \u00e9 por ele que vamos chegar a Deus. \u00c9 pela Revela\u00e7\u00e3o Divina.  AE \u2013 E \u00e9 poss\u00edvel dialogar com os seguidores deste cultos? JMV \u2013 As grandes tradi\u00e7\u00f5es religiosas s\u00e3o caminhos por onde o homem procurou Deus, mas na plenitude dos tempos Ele manifestou-se em Jesus. Logo, o di\u00e1logo baseia-se no respeito, nos tra\u00e7os de verdade que possam existir nessas tradi\u00e7\u00f5es. Muito mais delicada \u00e9 a quest\u00e3o da \u201cNew Age\u201d, porque ela tem um car\u00e1cter parasit\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 filosofia nem teologia, \u00e9 um movimento muito vago que assume elementos de v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es. O seu problema \u00e9 a \u201cconfus\u00e3o\u201d, o n\u00e3o saber quem \u00e9 o interlocutor. N\u00e3o nenhuma face claramente definida, \u00e9 preciso exigir, em primeiro lugar, que ela se clarifique, sen\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel dialogar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pe. 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