{"id":44200,"date":"2010-03-22T12:24:23","date_gmt":"2010-03-22T12:24:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/22\/homilia-de-d-manuel-linda-em-sao-bento-da-porta-aberta\/"},"modified":"2010-03-22T12:24:23","modified_gmt":"2010-03-22T12:24:23","slug":"homilia-de-d-manuel-linda-em-sao-bento-da-porta-aberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-manuel-linda-em-sao-bento-da-porta-aberta\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Manuel Linda em S\u00e3o Bento da Porta Aberta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">A liturgia da Palavra agora mesmo acabada de escutar &eacute; tipicamente baptismal: refere-nos a vida nova da gra&ccedil;a de quem &eacute; inserido em Cristo pelo Baptismo. De facto, como sabemos, a Quaresma &eacute; tempo favor&aacute;vel para uma catequese mais intensa para aqueles que se prop&otilde;em a recep&ccedil;&atilde;o do Baptismo na Vig&iacute;lia Pascal. E mesmo que, habitualmente, n&atilde;o tenhamos muitos catec&uacute;menos devido ao h&aacute;bito de baptizarmos as crian&ccedil;as em pequenas, o esp&iacute;rito da liturgia encaminha para a renova&ccedil;&atilde;o das promessas baptismais e para a consequente tomada de consci&ecirc;ncia da nossa condi&ccedil;&atilde;o de baptizados.<\/p>\n<p>&nbsp;1. Nesta linha, lemos a primeira leitura como express&atilde;o da novidade de vida adquirida pelo Baptismo: &ldquo;<em>Olhai: Vou fazer algo de novo. N&atilde;o o notais?<\/em>&rdquo;. Esta novidade &ndash;diz-nos o trecho- passa por um &ldquo;<em>caminho aberto atrav&eacute;s da &aacute;guas<\/em>&rdquo;. E o resultado, &eacute; &ldquo;<em>um povo escolhido, um povo formado para o Senhor e que proclamar&aacute; os Seus louvores<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>O Evangelho, no conhecido caso da mulher ad&uacute;ltera levada &agrave; presen&ccedil;a de Jesus, fornece-nos alguns dados fundamentais a respeito desta novidade de vida. Ressalto-as sumariamente:<\/p>\n<p>a)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tomada de consci&ecirc;ncia de que a vida humana carece de reden&ccedil;&atilde;o ou de salva&ccedil;&atilde;o. E de que esta n&atilde;o se encontra nas nossas for&ccedil;as. N&atilde;o foi nela mesma que aquela mulher encontrou a for&ccedil;a para a mudan&ccedil;a de vida ou a salva&ccedil;&atilde;o de que carecia.<\/p>\n<p>b)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Experi&ecirc;ncia de que n&atilde;o &eacute; a sociedade quem redime, pois esta s&oacute; afunda e, hipocritamente, s&oacute; condena. Particularmente quando se cometem iguais ou maiores crimes, pois a tend&ecirc;ncia &eacute; de voltarmos os olhares para a maldade dos outros, convencidos que, assim, mais se ressalta a nossa &ndash;fingida- bondade. Que o digam aqueles fariseus e doutores da lei acusadores!<\/p>\n<p>c)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Certeza de que s&oacute; Jesus Cristo salva. Sem espalhafatos. Este &ldquo;s&oacute;&rdquo; &eacute; bem acentuado no texto, quando refere que &ldquo;<em>todos se afastaram e ficou Jesus <strong><span style=\"text-decoration: underline;\">s&oacute;<\/span><\/strong> com a mulher<\/em>&rdquo;. Embora a cena acontecesse no lugar mais movimentado da cidade: precisamente na esplanada do templo.<\/p>\n<p>d)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Confronto com a Palavra de Deus reveladora. Por isso se diz que Jesus fala e at&eacute; escreve, como refer&ecirc;ncia simb&oacute;lica &agrave; &uacute;nica Palavra que desperta as consci&ecirc;ncias, redime e salva. &Eacute; palavra diferente da algazarra da multid&atilde;o ou das comunica&ccedil;&otilde;es sem profundidade nem &eacute;tica. &Eacute; que Jesus &eacute; a palavra feita carne, &ldquo;<em>o Verbo que encarnou e habitou entre n&oacute;s<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>e)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A convers&atilde;o de vida e a ades&atilde;o a um projecto de novidade e bondade: esta reviravolta &eacute; que permite a Jesus absolver a mulher, declarar que est&aacute; ultrapassada a condena&ccedil;&atilde;o do pecado e lembrar-lhe que a ades&atilde;o aos valores do Reino de Deus sup&otilde;e e exige o corte com o passado e, consequentemente, o &ldquo;<em>n&atilde;o voltar a pecar<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>2. Evidentemente, esta mensagem continua a constituir uma interpela&ccedil;&atilde;o para o hoje da nossa hist&oacute;ria. E faz-nos ver que o processo de convers&atilde;o continua em aberto. Individual e colectivamente. Ali&aacute;s, com um humanismo enternecedor, S. Paulo, na segunda leitura, falava-nos da sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia neste campo: &ldquo;<em>Eu ainda n&atilde;o cheguei &agrave; neta nem atingi a perfei&ccedil;&atilde;o. Mas continuo a correr para ver se a alcan&ccedil;o, uma vez que tamb&eacute;m fui alcan&ccedil;ado por Cristo Jesus<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>Nesta corrida, n&atilde;o vamos s&oacute;s. Individualmente, desanimar&iacute;amos. A comunidade dos que correm para a meta e procuram atingir a perfei&ccedil;&atilde;o tem um nome: chama-se Igreja.<\/p>\n<p>3. Esta Igreja, particularmente em alguns membros que deveriam dar bom e acabaram por dar mau exemplo, foi, recentemente, arrastada para a pra&ccedil;a p&uacute;blica. Tal como a mulher do Evangelho. &Eacute; verdade que, como no caso dos doutores da lei e dos fariseus, por parte de alguns acusadores nota-se o mesmo gosto de chacota e de chafurdar na lama. N&atilde;o obstante, o mal &eacute; sempre mal. E, nestes casos, absolutamente lament&aacute;vel. E que nos obrigam &agrave; convers&atilde;o radical para que tais situa&ccedil;&otilde;es confrangedoras nunca mais se repitam.<\/p>\n<p>N&atilde;o obstante, a Igreja continua como a &uacute;nica comunidade de salva&ccedil;&atilde;o. Como tal, cred&iacute;vel. Assegura-o a f&eacute; e compreende-o a intelig&ecirc;ncia e a racionalidade dos homens e mulheres de boa vontade: na compara&ccedil;&atilde;o dos que, mesmo com grande esfor&ccedil;o, correm para a meta da perfei&ccedil;&atilde;o, &eacute; muito diminuto o n&uacute;mero dos que se voltam para tr&aacute;s. Se o consider&aacute;ssemos somente sob o ponto de vista das estat&iacute;sticas &ndash;o que eu n&atilde;o farei- quase se poderia considerar residual e insignificante. Pelo menos &eacute; t&atilde;o diminuto que n&atilde;o pode p&ocirc;r em causa a condi&ccedil;&atilde;o e o bom-nome da maioria. Quase me apetecia dizer que, por cada grama de maldade que alguns constru&iacute;ram &ndash;deixem-me diz&ecirc;-lo com esta linguagem- os outros introduzem no mundo quilos e quilos &ndash;ou at&eacute; toneladas&hellip;- de bem e de bondade. Nos mais diversos sectores que tecem a sociedade humana, na maioria das vezes de forma absolutamente apagada, naquilo que n&atilde;o constitui not&iacute;cia para quem s&oacute; relata esc&acirc;ndalos, mas que, n&atilde;o obstante, constitui o que mais interessa ao mundo. &Eacute; um bem n&atilde;o mensur&aacute;vel, mas efectivo: na escuta dos dramas e orienta&ccedil;&atilde;o de vidas; no est&iacute;mulo da esperan&ccedil;a aos desanimados; no incentivo &agrave; viv&ecirc;ncia de uma condi&ccedil;&atilde;o humana chamada a transcender-se continuamente; na prega&ccedil;&atilde;o dos valores, mormente da miseric&oacute;rdia e da paz; na promo&ccedil;&atilde;o das obras e estruturas de assist&ecirc;ncia e solidariedade social; no apelo &agrave; partilha com quem mais necessita; na promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento integral; na luta contra o materialismo que reduz o humano ao pior da natureza; na cria&ccedil;&atilde;o de uma mentalidade mais universalista ou mission&aacute;ria; na esmola escondida; na promo&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia; nos mundos da cultura e da educa&ccedil;&atilde;o; na aten&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica aos pobres e rejeitados da sociedade, etc., etc. N&atilde;o o reconhecer seria sinal de m&aacute; vontade.<\/p>\n<p>4. Como &eacute; sabido, S. Bento, em cujo conhecid&iacute;ssimo santu&aacute;rio nos encontramos, consegui conciliar, magistralmente, a dimens&atilde;o espiritual da novidade de vida com v&iacute;nculos e din&acirc;micas comunit&aacute;rias tais que o constitu&iacute;ram, nele e nos monges que lhe seguiram o exemplo, pela ora&ccedil;&atilde;o e pelo trabalho, porventura, no mais importante factor para a constru&ccedil;&atilde;o da unidade europeia de que hoje beneficiamos. Por isso foi declarado &ldquo;Pai da Europa&rdquo;. &Eacute; que os grandes s&atilde;o assim: consequentes com o seu Baptismo, &agrave; medida que sobem para Deus, ajudam os irm&atilde;os em igual escalada.<\/p>\n<p>Ele nos ajude a fazer como ele fez.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Linda,<br \/><\/em><em>Bispo auxiliar de Braga<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A liturgia da Palavra agora mesmo acabada de escutar &eacute; tipicamente baptismal: refere-nos a vida nova da gra&ccedil;a de quem &eacute; inserido em Cristo pelo Baptismo. De facto, como sabemos, a Quaresma &eacute; tempo favor&aacute;vel para uma catequese mais intensa para aqueles que se prop&otilde;em a recep&ccedil;&atilde;o do Baptismo na Vig&iacute;lia Pascal. 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