{"id":44170,"date":"2010-03-20T11:19:57","date_gmt":"2010-03-20T11:19:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/20\/carta-pastoral-de-bento-xvi-aos-catolicos-na-irlanda-sobre-os-abusos-sexuais-de-menores\/"},"modified":"2010-03-20T11:19:57","modified_gmt":"2010-03-20T11:19:57","slug":"carta-pastoral-de-bento-xvi-aos-catolicos-na-irlanda-sobre-os-abusos-sexuais-de-menores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-pastoral-de-bento-xvi-aos-catolicos-na-irlanda-sobre-os-abusos-sexuais-de-menores\/","title":{"rendered":"Carta Pastoral de Bento XVI aos cat\u00f3licos na Irlanda sobre os abusos sexuais de menores"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p>1. Amados Irm&atilde;os e Irm&atilde;s da Igreja na Irlanda, &eacute; com grande preocupa&ccedil;&atilde;o que vos escrevo como Pastor da Igreja universal. Como v&oacute;s, fiquei profundamente perturbado com as not&iacute;cias dadas sobre o abuso de crian&ccedil;as e jovens vulner&aacute;veis da parte de membros da Igreja na Irlanda, sobretudo de sacerdotes e religiosos. N&atilde;o posso deixar de partilhar a consterna&ccedil;&atilde;o e a sensa&ccedil;&atilde;o de trai&ccedil;&atilde;o que muitos de v&oacute;s experimentastes ao tomar conhecimento destes actos pecaminosos e criminais e do modo como as autoridades da Igreja na Irlanda os enfrentaram.<\/p>\n<p>Como sabeis, convidei recentemente os bispos irlandeses para um encontro aqui em Roma a fim de referir sobre o modo como trataram estas quest&otilde;es no passado e indicar os passos que empreenderam para responder a esta grave situa&ccedil;&atilde;o. Juntamente com alguns altos Prelados da C&uacute;ria Romana, ouvi quanto tinham para dizer, quer individualmente quer em grupo, enquanto propunham uma an&aacute;lise dos erros cometidos e das li&ccedil;&otilde;es aprendidas, e uma descri&ccedil;&atilde;o dos programas e dos protocolos hoje existente. As nossas reflex&otilde;es foram francas e construtivas. Alimento a confian&ccedil;a de que, como resultado, os bispos se encontrem agora numa posi&ccedil;&atilde;o mais forte para levar por diante a tarefa de reparar as injusti&ccedil;as do passado e para enfrentar as tem&aacute;ticas mais amplas relacionadas com o abuso dos menores segundo modalidades conformes com as exig&ecirc;ncias da justi&ccedil;a e com os ensinamentos do Evangelho.<\/p>\n<p>2. Por meu lado, considerando a gravidade destas culpas e a resposta muitas vezes inadequada que lhes foi reservada da parte das autoridades eclesi&aacute;sticas no vosso pa&iacute;s, decidi escrever esta Carta Pastoral para vos expressar a minha proximidade, e para vos propor um caminho de cura, de renova&ccedil;&atilde;o e de repara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na realidade, como muitos no vosso pa&iacute;s revelaram, o problema do abuso dos menores n&atilde;o &eacute; espec&iacute;fico nem da Irlanda nem da Igreja. Contudo a tarefa que agora tendes &agrave; vossa frente &eacute; enfrentar o problema dos abusos que se verificaram no &acirc;mbito da comunidade cat&oacute;lica irlandesa e de o fazer com coragem e determina&ccedil;&atilde;o. Ningu&eacute;m pense que esta dolorosa situa&ccedil;&atilde;o se resolver&aacute; em pouco tempo. Foram dados passos em frente positivos, mas ainda resta muito para fazer. &Eacute; preciso perseveran&ccedil;a e ora&ccedil;&atilde;o, com grande confian&ccedil;a na for&ccedil;a restabelecedora da gra&ccedil;a de Deus.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, devo expressar tamb&eacute;m a minha convic&ccedil;&atilde;o de que, para se recuperar desta dolorosa ferida, a Igreja na Irlanda deve em primeiro lugar reconhecer, diante do Senhor e diante dos outros, os graves pecados cometidos contra jovens indefesos. Esta consci&ecirc;ncia, acompanhada de sincera dor pelo dano causado &agrave;s v&iacute;timas e &agrave;s suas fam&iacute;lias, deve levar a um esfor&ccedil;o concentrado para garantir a protec&ccedil;&atilde;o dos jovens em rela&ccedil;&atilde;o a semelhantes crimes no futuro.<\/p>\n<p>Enquanto enfrentais os desafios deste momento, pe&ccedil;o-vos que vos recordeis da &laquo;rocha de que fostes talhados&raquo; (<em>Is<\/em> 51, 1). Reflecti sobre as contribui&ccedil;&otilde;es generosas, com frequ&ecirc;ncia her&oacute;icas, oferecidas &agrave; Igreja e &agrave; humanidade como tal pelas passadas gera&ccedil;&otilde;es de homens e mulheres irlandeses, e deixai que isto gere impulso para um honesto auto-exame e um convicto programa de renova&ccedil;&atilde;o eclesial e individual. A minha ora&ccedil;&atilde;o, assistida pela intercess&atilde;o dos seus muitos santos e purificada pela penit&ecirc;ncia, &eacute; que a Igreja na Irlanda supere a presente crise e volte a ser uma testemunha convincente da verdade e da bondade de Deus omnipotente, manifestadas no seu Filho Jesus Cristo.<\/p>\n<p>3. Historicamente os cat&oacute;licos da Irlanda demonstraram-se uma grande for&ccedil;a de bem quer na p&aacute;tria quer fora. Monges c&eacute;lticos, como S&atilde;o Columbano, difundiram o Evangelho na Europa Ocidental lan&ccedil;ando as bases da cultura mon&aacute;stica medieval. Os ideais de santidade, de caridade e de sabedoria transcendente que derivam da f&eacute; crist&atilde;, encontraram express&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o de igrejas e mosteiros e na institui&ccedil;&atilde;o de escolas, bibliotecas e hospitais que consolidaram a identidade espiritual da Europa. Aqueles mission&aacute;rios irlandeses tiraram a sua for&ccedil;a e inspira&ccedil;&atilde;o da f&eacute; s&oacute;lida, da guia forte e dos comportamentos morais rectos da Igreja na sua terra natal.<\/p>\n<p>A partir do s&eacute;culo XVI, os cat&oacute;licos na Irlanda sofreram um longo per&iacute;odo de persegui&ccedil;&atilde;o, durante o qual lutaram para manter viva a chama da f&eacute; em circunst&acirc;ncias perigosas e dif&iacute;ceis. Santo Oliver Plunkett, o Arcebispo m&aacute;rtir de Armagh, &eacute; o exemplo mais famoso de uma multid&atilde;o de corajosos filhos e filhas da Irlanda dispostos a dar a pr&oacute;pria vida pela fidelidade ao Evangelho. Depois da Emancipa&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica, a Igreja teve a liberdade de crescer de novo. Fam&iacute;lias e in&uacute;meras pessoas que tinham preservado a f&eacute; durante os tempos das prova&ccedil;&otilde;es tornaram-se a centelha de um grande renascimento do catolicismo irland&ecirc;s no s&eacute;culo XIX. A Igreja proporcionou escolariza&ccedil;&atilde;o, sobretudo aos pobres, e isto deu uma grande contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade irlandesa. Um dos frutos das novas escolas cat&oacute;licas foi um aumento de voca&ccedil;&otilde;es: gera&ccedil;&otilde;es de sacerdotes, irm&atilde;s e irm&atilde;os mission&aacute;rios deixaram a p&aacute;tria para servir em todos os continentes, sobretudo no mundo de l&iacute;ngua inglesa. Foram admir&aacute;veis n&atilde;o s&oacute; pela vastid&atilde;o do seu n&uacute;mero, mas tamb&eacute;m pela robustez da f&eacute; e pela solidez do seu empenho pastoral. Muitas dioceses, sobretudo em &Aacute;frica, Am&eacute;rica e Austr&aacute;lia, beneficiaram da presen&ccedil;a de clero e religiosos irlandeses que anunciaram o Evangelho e fundaram par&oacute;quias, escolas e universidades, cl&iacute;nicas e hospitais, que serviram tanto os cat&oacute;licos, como a sociedade em geral, com aten&ccedil;&atilde;o especial &agrave;s necessidades dos pobres.<\/p>\n<p>Em quase todas as fam&iacute;lias da Irlanda houve algu&eacute;m &ndash; um filho ou uma filha, uma tia ou um tio &ndash; que deu a pr&oacute;pria vida &agrave; Igreja. Justamente as fam&iacute;lias irlandesas t&ecirc;m em grande estima e afecto os seus queridos, que ofereceram a pr&oacute;pria vida a Cristo, partilhando o dom da f&eacute; com outros e actualizando-a num servi&ccedil;o amoroso a Deus e ao pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>4. Contudo, nos &uacute;ltimos dec&eacute;nios a Igreja no vosso pa&iacute;s teve que se confrontar com novos e graves desafios &agrave; f&eacute; que surgiram da r&aacute;pida transforma&ccedil;&atilde;o e seculariza&ccedil;&atilde;o da sociedade irlandesa. Verificou-se uma mudan&ccedil;a social muito r&aacute;pida, que muitas vezes atingiu com efeitos hostis a tradicional ades&atilde;o do povo ao ensinamento e aos valores cat&oacute;licos. Com demasiada frequ&ecirc;ncia as pr&aacute;ticas sacramentais e devocionais que sustentam a f&eacute; e a tornam capaz de crescer, como por exemplo a confiss&atilde;o frequente, a ora&ccedil;&atilde;o quotidiana e os retiros anuais, foram negligenciadas. Determinante foi tamb&eacute;m neste per&iacute;odo a tend&ecirc;ncia, at&eacute; da parte de sacerdotes e religiosos, para adoptar modos de pensamento e de ju&iacute;zo das realidades seculares sem refer&ecirc;ncia suficiente ao Evangelho. O programa de renova&ccedil;&atilde;o proposto pelo Conc&iacute;lio Vaticano II por vezes foi mal compreendido e, de facto, &agrave; luz das profundas mudan&ccedil;as sociais que se estavam a verificar, n&atilde;o era f&aacute;cil avaliar o modo melhor de o realizar. Em particular, houve uma tend&ecirc;ncia, ditada por recta inten&ccedil;&atilde;o mas errada, a evitar abordagens penais em rela&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&otilde;es can&oacute;nicas irregulares. &Eacute; neste contexto geral que devemos procurar compreender o desconcertante problema do abuso sexual de crian&ccedil;as, que contribuiu em grande medida para o enfraquecimento da f&eacute; e para a perda do respeito pela Igreja e pelos seus ensinamentos.<\/p>\n<p>S&oacute; examinando com aten&ccedil;&atilde;o os numerosos elementos que deram origem &agrave; crise actual &eacute; poss&iacute;vel realizar um diagn&oacute;stico claro das suas causas e encontrar rem&eacute;dios eficazes. Certamente, entre os factores que para ela contribu&iacute;ram podemos enumerar: procedimentos inadequados para determinar a idoneidade dos candidatos ao sacerd&oacute;cio e &agrave; vida religiosa; insuficiente forma&ccedil;&atilde;o humana, moral, intelectual e espiritual nos semin&aacute;rios e nos noviciados; uma tend&ecirc;ncia na sociedade a favorecer o clero e outras figuras com autoridade e uma preocupa&ccedil;&atilde;o inoportuna pelo bom nome da Igreja e para evitar os esc&acirc;ndalos, que levaram como resultado &agrave; malograda aplica&ccedil;&atilde;o das penas can&oacute;nicas em vigor e &agrave; falta da tutela da dignidade de cada pessoa. &Eacute; preciso agir com urg&ecirc;ncia para enfrentar estes factores, que tiveram consequ&ecirc;ncias t&atilde;o tr&aacute;gicas para as vidas das v&iacute;timas e das suas fam&iacute;lias e obscureceram a luz do Evangelho a tal ponto, ao qual nem sequer s&eacute;culos de persegui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tinham chegado.<\/p>\n<p>5. Em diversas ocasi&otilde;es desde a minha elei&ccedil;&atilde;o para a S&eacute; de Pedro, encontrei v&iacute;timas de abusos sexuais, assim como estou dispon&iacute;vel a faz&ecirc;-lo no futuro. Detive-me com elas, ouvi as suas vicissitudes, tomei nota do seu sofrimento, rezei com elas e por elas. Precedentemente no meu pontificado, na preocupa&ccedil;&atilde;o por enfrentar este tema, pedi aos Bispos da Irlanda, por ocasi&atilde;o da visita <em>ad limina<\/em> de 2006, que &laquo;estabelecessem a verdade de quanto aconteceu no passado, tomassem todas as medidas adequadas para evitar que se repita no futuro, garantissem que os princ&iacute;pios de justi&ccedil;a sejam plenamente respeitados e, sobretudo, curassem as v&iacute;timas e quantos s&atilde;o atingidos por estes crimes enormes&raquo; (<em>Discurso aos Bispos da Irlanda<\/em>, 28 de Outubro de 2006).<\/p>\n<p>Com esta Carta, pretendo exortar todos v&oacute;s, como povo de Deus na Irlanda, a reflectir sobre as feridas infligidas ao corpo de Cristo, sobre os rem&eacute;dios, por vezes dolorosos, necess&aacute;rios para as fechar e curar, e sobre a necessidade de unidade, de caridade e de ajuda rec&iacute;proca no longo processo de restabelecimento e de renova&ccedil;&atilde;o eclesial. Dirijo-me agora a v&oacute;s com palavras que me v&ecirc;m do cora&ccedil;&atilde;o, e desejo falar a cada um de v&oacute;s individualmente e a todos como irm&atilde;os e irm&atilde;s no Senhor.<\/p>\n<p>6. <strong>&Agrave;s v&iacute;timas de abuso e &agrave;s suas fam&iacute;lias<\/strong><\/p>\n<p>Sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi tra&iacute;da a vossa confian&ccedil;a e violada a vossa dignidade. Muitos de v&oacute;s experimentastes que, quando &eacute;reis suficientemente corajosos para falar de quanto tinha acontecido, ningu&eacute;m vos ouvia. Quantos de v&oacute;s sofrestes abusos em internatos deveis ter compreendido que n&atilde;o havia modo de evitar os vossos sofrimentos. &Eacute; compreens&iacute;vel que vos seja dif&iacute;cil perdoar ou reconciliar-vos com a Igreja. Em seu nome expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos sentimos. Ao mesmo tempo pe&ccedil;o-vos que n&atilde;o percais a esperan&ccedil;a. &Eacute; na comunh&atilde;o da Igreja que encontramos a pessoa de Jesus Cristo, ele mesmo v&iacute;tima de injusti&ccedil;a e de pecado. Como v&oacute;s, ele ainda tem as feridas do seu injusto padecer. Ele compreende a profundeza dos vossos padecimentos e o persistir do seu efeito nas vossas vidas e nos relacionamentos com os outros, inclu&iacute;das as vossas rela&ccedil;&otilde;es com a Igreja. Sei que alguns de v&oacute;s t&ecirc;m dificuldade at&eacute; de entrar numa igreja depois do que aconteceu. Contudo, as mesmas feridas de Cristo, transformadas pelos seus sofrimentos redentores, s&atilde;o os instrumentos gra&ccedil;as aos quais o poder do mal &eacute; quebrado e n&oacute;s renascemos para a vida e para a esperan&ccedil;a. Creio firmemente no poder restabelecedor do seu amor sacrifical &ndash; tamb&eacute;m nas situa&ccedil;&otilde;es mais obscuras e sem esperan&ccedil;a &ndash; que traz a liberta&ccedil;&atilde;o e a promessa de um novo in&iacute;cio.&nbsp;<\/p>\n<p>Dirigindo-me a v&oacute;s como pastor, preocupado pelo bem de todos os filhos de Deus, pe&ccedil;o-vos com humildade que reflictais sobre quanto vos disse. Rezo a fim de que, aproximando-vos de Cristo e participando na vida da sua Igreja &ndash; uma Igreja purificada pela penit&ecirc;ncia e renovada na caridade pastoral &ndash; possais redescobrir o amor infinito de Cristo por todos v&oacute;s. Tenho confian&ccedil;a em que deste modo sereis capazes de encontrar reconcilia&ccedil;&atilde;o, profunda cura interior e paz.<\/p>\n<p><strong>7. Aos sacerdotes e aos religiosos que abusaram de crian&ccedil;as<\/strong><\/p>\n<p>Tra&iacute;stes a confian&ccedil;a que jovens inocentes e os seus pais tinham em v&oacute;s. Por isto deveis responder diante de Deus omnipotente, assim como diante de tribunais devidamente constitu&iacute;dos. Perdestes a estima do povo da Irlanda e lan&ccedil;astes vergonha e desonra sobre os vossos irm&atilde;os. Quantos de v&oacute;s sois sacerdotes violastes a santidade do sacramento da Ordem Sagrada, no qual Cristo se torna presente em n&oacute;s e nas nossas ac&ccedil;&otilde;es. Juntamente com o enorme dano causado &agrave;s v&iacute;timas, foi perpetrado um grande dano &agrave; Igreja e &agrave; percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do sacerd&oacute;cio e da vida religiosa.<\/p>\n<p>Exorto-vos a examinar a vossa consci&ecirc;ncia, a assumir a vossa responsabilidade dos pecados que cometestes e a expressar com humildade o vosso pesar. O arrependimento sincero abre a porta ao perd&atilde;o de Deus e &agrave; gra&ccedil;a da verdadeira emenda. Oferecendo ora&ccedil;&otilde;es e penit&ecirc;ncias por quantos ofendestes, deveis procurar reparar pessoalmente as vossas ac&ccedil;&otilde;es. O sacrif&iacute;cio redentor de Cristo tem o poder de perdoar at&eacute; o pecado mais grave e de obter o bem at&eacute; do mais terr&iacute;vel dos males. Ao mesmo tempo, a justi&ccedil;a de Deus exige que prestemos contas das nossas ac&ccedil;&otilde;es sem nada esconder. Reconhecei abertamente a vossa culpa, submetei-vos &agrave;s exig&ecirc;ncias da justi&ccedil;a, mas n&atilde;o desespereis da miseric&oacute;rdia de Deus.<\/p>\n<p><strong>8. Aos pais<\/strong><\/p>\n<p>Ficastes profundamente abalados ao tomar conhecimento das coisas terr&iacute;veis que tiveram lugar naquele que deveria ter sido o ambiente mais seguro para todos. No mundo de hoje n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil construir um lar e educar os filhos. Eles merecem crescer num ambiente seguro, amados e queridos, com um forte sentido da sua identidade e do seu valor. T&ecirc;m direito a ser educados nos valores morais aut&ecirc;nticos, radicados na dignidade da pessoa humana, a serem inspirados pela verdade da nossa f&eacute; cat&oacute;lica e a aprender modos de comportamento e de ac&ccedil;&atilde;o que os levem a uma sadia estima de si e &agrave; felicidade duradoura. Esta tarefa nobre e exigente est&aacute; confiada em primeiro lugar a v&oacute;s, seus pais. Exorto-vos a fazer a vossa parte para garantir o melhor cuidado poss&iacute;vel das crian&ccedil;as, quer em casa quer na sociedade em geral, enquanto a Igreja, por seu lado, continua a p&ocirc;r em pr&aacute;tica as medidas adoptadas nos &uacute;ltimos anos para tutelar os jovens nos ambientes paroquiais e educativos. Enquanto dais continuidade &agrave;s vossas importantes responsabilidades, asseguro&#8209;vos que estou pr&oacute;ximo de v&oacute;s e que vos dou o apoio da minha ora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>9. &Agrave;s crian&ccedil;as e aos jovens da Irlanda<\/strong><\/p>\n<p>Desejo oferecer-vos uma particular palavra de encorajamento. A vossa experi&ecirc;ncia de Igreja &eacute; muito diversa da que fizeram os vossos pais e av&oacute;s. O mundo mudou muito desde quando eles tinham a vossa idade. N&atilde;o obstante, todos, em cada gera&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o chamados a percorrer o mesmo caminho da vida, sejam quais forem as circunst&acirc;ncias. Todos estamos escandalizados com os pecados e as fracassos de alguns membros da Igreja, sobretudo de quantos foram escolhidos de modo especial para guiar e servir os jovens. Mas &eacute; na Igreja que encontrareis Jesus Cristo que &eacute; o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. <em>Hb<\/em> 13, 8). Ele ama-vos e ofereceu-se a si pr&oacute;prio na Cruz por v&oacute;s. Procurai uma rela&ccedil;&atilde;o pessoal com ele na comunh&atilde;o da sua Igreja, porque ele nunca trair&aacute; a vossa confian&ccedil;a! S&oacute; ele pode satisfazer as vossas expectativas mais profundas e conferir &agrave;s vossas vidas o seu significado mais pleno orientando-as para o servi&ccedil;o do pr&oacute;ximo. Mantende o olhar fixo em Jesus e na sua bondade e protegei no vosso cora&ccedil;&atilde;o a chama da f&eacute;. Juntamente com os vossos irm&atilde;os cat&oacute;licos na Irlanda olho para v&oacute;s a fim de que sejais disc&iacute;pulos fi&eacute;is do nosso Deus e contribuais com o vosso entusiasmo e com o vosso idealismo t&atilde;o necess&aacute;rios para a reconstru&ccedil;&atilde;o e para o renovamento da nossa amada Igreja.<\/p>\n<p><strong>10. Aos sacerdotes e aos religiosos da Irlanda<\/strong><\/p>\n<p>Todos n&oacute;s estamos a sofrer como consequ&ecirc;ncia dos pecados dos nossos irm&atilde;os que tra&iacute;ram uma ordem sagrada ou n&atilde;o enfrentaram de modo justo e respons&aacute;vel as acusa&ccedil;&otilde;es de abuso. Perante o ultraje e a indigna&ccedil;&atilde;o que isto causou, n&atilde;o s&oacute; entre os leigos mas tamb&eacute;m entre v&oacute;s e as vossas comunidades religiosas, muitos de v&oacute;s sentis-vos pessoalmente desanimados e tamb&eacute;m abandonados. Al&eacute;m disso, estou consciente de que aos olhos de alguns sois culpados por associa&ccedil;&atilde;o, e considerados como que de certo modo respons&aacute;veis pelos delitos de outros. Neste tempo de sofrimento, desejo reconhecer-vos a dedica&ccedil;&atilde;o da vossa vida de sacerdotes e de religiosos e dos vossos apostolados, e convido-vos a reafirmar a vossa f&eacute; em Cristo, o vosso amor &agrave; sua Igreja e a vossa confian&ccedil;a na promessa de reden&ccedil;&atilde;o, de perd&atilde;o e de renova&ccedil;&atilde;o interior do Evangelho. Deste modo, demonstrareis a todos que onde abunda o pecado, superabunda a gra&ccedil;a (cf. <em>Rm<\/em> 5, 20).<\/p>\n<p>Sei que muitos de v&oacute;s estais desiludidos, confundidos e encolerizados pelo modo como estas quest&otilde;es foram tratadas por alguns dos vossos superiores. N&atilde;o obstante, &eacute; essencial que colaboreis de perto com quantos t&ecirc;m autoridade e que vos comprometais para fazer com que as medidas adoptadas para responder &agrave; crise sejam verdadeiramente evang&eacute;licas, justas e eficazes. Sobretudo, exorto-vos a tornar-vos cada vez mais claramente homens e mulheres de ora&ccedil;&atilde;o, seguindo com coragem o caminho da convers&atilde;o, da purifica&ccedil;&atilde;o e da reconcilia&ccedil;&atilde;o. Deste modo, a Igreja na Irlanda haurir&aacute; nova vida e vitalidade do vosso testemunho ao poder redentor do Senhor tornado vis&iacute;vel na vossa vida.<\/p>\n<p><strong>11. Aos meus irm&atilde;os bispos<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o se pode negar que alguns de v&oacute;s e dos vossos predecessores falharam, por vezes gravemente, na aplica&ccedil;&atilde;o das normas do direito can&oacute;nico, estabelecido h&aacute; muito tempo, sobre os crimes de abusos de crian&ccedil;as. Foram cometidos s&eacute;rios erros no tratamento das acusa&ccedil;&otilde;es. Compreendo como era dif&iacute;cil lan&ccedil;ar m&atilde;o da extens&atilde;o e da complexidade do problema, obter informa&ccedil;&otilde;es fi&aacute;veis e tomar decis&otilde;es justas &agrave; luz de conselhos divergentes de peritos. Contudo, deve-se admitir que foram cometidos graves erros de ju&iacute;zo e que se verificaram faltas de governo. Tudo isto minou seriamente a vossa credibilidade e efic&aacute;cia. Aprecio os esfor&ccedil;os que fizestes para remediar os erros do passado e para garantir que n&atilde;o se repitam. Al&eacute;m de p&ocirc;r plenamente em pr&aacute;tica as normas do direito can&oacute;nico ao enfrentar os casos de abuso de crian&ccedil;as, continuai a cooperar com as autoridades civis no &acirc;mbito da sua compet&ecirc;ncia. Claramente, os superiores religiosos devem fazer o mesmo. Tamb&eacute;m eles participaram em recentes encontros aqui em Roma destinados a estabelecer uma abordagem clara e coerente destas quest&otilde;es. &Eacute; obrigat&oacute;rio que as normas da Igreja na Irlanda para a tutela dos jovens sejam constantemente revistas e actualizadas e que sejam aplicadas, de modo pleno e imparcial, em conformidade com o direito can&oacute;nico.<\/p>\n<p>S&oacute; uma ac&ccedil;&atilde;o decidida levada em frente com total honestidade e transpar&ecirc;ncia poder&aacute; restabelecer o respeito e a benevol&ecirc;ncia dos Irlandeses em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja &agrave; qual consagr&aacute;mos a nossa vida. Isto deve brotar, antes de tudo, do exame de v&oacute;s pr&oacute;prios, da purifica&ccedil;&atilde;o interior e da renova&ccedil;&atilde;o espiritual. O povo da Irlanda espera justamente que sejais homens de Deus, que sejais santos, que vivais com simplicidade, que procureis todos os dias a convers&atilde;o pessoal. Para eles, segundo a express&atilde;o de Santo Agostinho, sois bispos; contudo estais chamados a ser com eles seguidores de Cristo (cf. <em>Discurso<\/em> 340, 1). Exorto-vos portanto a renovar o vosso sentido de responsabilidade diante de Deus, a crescer em solidariedade com o vosso povo e a aprofundar a vossa solicitude pastoral por todos os membros da vossa grei. Em particular, sede sens&iacute;veis &agrave; vida espiritual e moral de cada um dos vossos sacerdotes. Sede um exemplo com as vossas pr&oacute;prias vidas, estai-lhes pr&oacute;ximos, ouvi as suas preocupa&ccedil;&otilde;es, oferecei-lhes encorajamento neste tempo de dificuldades e alimentai a chama do seu amor a Cristo e o seu compromisso no servi&ccedil;o dos seus irm&atilde;os e irm&atilde;s.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m os leigos devem ser encorajados a fazer a sua parte espec&iacute;fica na vida da Igreja. Fazei com que sejam formados de modo que possam dizer a raz&atilde;o, de maneira articulada e convincente, do Evangelho na sociedade moderna (cf. <em>1 Pd<\/em> 3, 15), e cooperem mais plenamente na vida e na miss&atilde;o da Igreja. Isto, por sua vez, ajudar-vos-&aacute; a ser de novo guias e testemunhas cred&iacute;veis da verdade redentora de Cristo.<\/p>\n<p><strong>12. A todos os fi&eacute;is da Irlanda<\/strong><\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia que um jovem faz da Igreja deveria dar sempre fruto num encontro pessoal e vivificante com Jesus Cristo numa comunidade que ama e que oferece alimento. Neste ambiente, os jovens devem ser encorajados a crescer at&eacute; &agrave; sua plena estatura humana e espiritual, a aspirar por ideais nobres de santidade, de caridade e de verdade e a inspirar-se nas riquezas de uma grande tradi&ccedil;&atilde;o religiosa e cultural. Na nossa sociedade cada vez mais secularizada, na qual tamb&eacute;m n&oacute;s crist&atilde;os, muitas vezes, temos dificuldade em falar da dimens&atilde;o transcendente da nossa exist&ecirc;ncia, precisamos de encontrar novos caminhos para transmitir aos jovens a beleza e a riqueza da amizade com Jesus Cristo na comunh&atilde;o da sua Igreja. Ao enfrentar a presente crise, as medidas para se ocupar de modo justo de cada um dos crimes s&atilde;o essenciais, mas por si s&oacute; n&atilde;o s&atilde;o suficientes: h&aacute; necessidade de uma nova vis&atilde;o para inspirar a gera&ccedil;&atilde;o actual e as futuras a fazer guardar o dom da nossa f&eacute; comum. Caminhando pela via indicada pelo Evangelho, observando os mandamentos e conformando a nossa vida de maneira cada vez mais pr&oacute;xima com a pessoa de Jesus Cristo, fareis a experi&ecirc;ncia da renova&ccedil;&atilde;o profunda da qual hoje h&aacute; uma urgente necessidade. Convido-vos a todos a perseverar neste caminho.<\/p>\n<p>13. Amados irm&atilde;os e irm&atilde;s em Cristo, &eacute; com profunda preocupa&ccedil;&atilde;o por todos v&oacute;s neste tempo de sofrimento, no qual a fragilidade da condi&ccedil;&atilde;o humana foi t&atilde;o claramente revelada, que desejei oferecer-vos estas palavras de encorajamento e de apoio. Espero que as acolhais como um sinal da minha proximidade espiritual e da minha confian&ccedil;a na vossa capacidade de responder aos desafios do momento actual tirando renovada inspira&ccedil;&atilde;o e for&ccedil;a das nobres tradi&ccedil;&otilde;es da Irlanda de fidelidade ao Evangelho, de perseveran&ccedil;a na f&eacute; e de firmeza na busca da santidade. Juntamente com todos v&oacute;s, rezo com insist&ecirc;ncia para que, com a gra&ccedil;a de Deus, as feridas que atingiram muitas pessoas e fam&iacute;lias possam ser curadas e que a Igreja na Irlanda possa conhecer uma &eacute;poca de renascimento e de renova&ccedil;&atilde;o espiritual.<\/p>\n<p>14. Desejo propor-vos algumas iniciativas concretas para enfrentar a situa&ccedil;&atilde;o. No final do meu encontro com os Bispos da Irlanda, pedi que a Quaresma deste ano fosse considerada como tempo de ora&ccedil;&atilde;o para uma efus&atilde;o da miseric&oacute;rdia de Deus e dos dons de santidade e de for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo sobre a Igreja no vosso pa&iacute;s. Agora convido todos v&oacute;s a oferecer as vossas penit&ecirc;ncias da sexta-feira, durante todo o ano, de agora at&eacute; &agrave; P&aacute;scoa de 2011, por esta inten&ccedil;&atilde;o. Pe&ccedil;o-vos que ofere&ccedil;ais o vosso jejum, a vossa ora&ccedil;&atilde;o, a vossa leitura da Sagrada Escritura e as vossas obras de miseric&oacute;rdia para alcan&ccedil;ar a gra&ccedil;a da cura e da renova&ccedil;&atilde;o para a Igreja na Irlanda. Encorajo-vos a redescobrir o sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o e a aproveitar, com mais frequ&ecirc;ncia, a for&ccedil;a transformadora da sua gra&ccedil;a.<\/p>\n<p>Deve ser dedicada tamb&eacute;m particular aten&ccedil;&atilde;o &agrave; adora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, e em cada diocese dever&atilde;o haver igrejas ou capelas reservadas especificamente para esta finalidade. Pe&ccedil;o que as par&oacute;quias, os semin&aacute;rios, as casas religiosas e os mosteiros organizem tempos para a adora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, de modo que todos tenham a possibilidade de participar deles. Com ora&ccedil;&atilde;o fervorosa diante da presen&ccedil;a real do Senhor, podeis fazer a repara&ccedil;&atilde;o pelos pecados de abuso que causaram tantos danos, e ao mesmo tempo implorar a gra&ccedil;a de uma renovada for&ccedil;a e de um sentido de miss&atilde;o mais profundo por parte de todos os bispos, sacerdotes, religiosos e fi&eacute;is.<\/p>\n<p>Tenho esperan&ccedil;a em que este programa levar&aacute; a um renascimento da Igreja na Irlanda na plenitude da pr&oacute;pria verdade de Deus, porque &eacute; a verdade que nos torna livres (cf. <em>Jo<\/em> 8, 32).<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, depois de ter consultado e rezado sobre a quest&atilde;o, tenciono anunciar uma Visita Apost&oacute;lica a algumas dioceses da Irlanda, assim como a semin&aacute;rios e congrega&ccedil;&otilde;es religiosas. A Visita prop&otilde;e-se ajudar a Igreja local no seu caminho de renova&ccedil;&atilde;o e ser&aacute; estabelecida em coopera&ccedil;&atilde;o com os departamentos competentes da C&uacute;ria Romana e com a Confer&ecirc;ncia Episcopal Irlandesa. Os pormenores ser&atilde;o anunciados no devido momento.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso proponho que se realize uma Miss&atilde;o a n&iacute;vel nacional para todos os bispos, sacerdotes e religiosos. Alimento a esperan&ccedil;a de que, haurindo da compet&ecirc;ncia de competentes pregadores e organizadores de retiros quer da Irlanda como de outras partes, e reexaminando os documentos conciliares, os ritos lit&uacute;rgicos da ordena&ccedil;&atilde;o e da profiss&atilde;o e os recentes ensinamentos pontif&iacute;cios, alcanceis um apre&ccedil;o mais profundo das vossas respectivas voca&ccedil;&otilde;es, de modo a redescobrir as ra&iacute;zes da vossa f&eacute; em Jesus Cristo e a beber abundantemente nas fontes da &aacute;gua viva que ele vos oferece atrav&eacute;s da sua Igreja.<\/p>\n<p>Neste Ano dedicado aos Sacerdotes, recomendo-vos de modo muito particular a figura de S&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianney, que teve uma compreens&atilde;o t&atilde;o rica do mist&eacute;rio do sacerd&oacute;cio. &laquo;O sacerdote, escreveu, possui a chave dos tesouros do c&eacute;u: &eacute; ele quem abre a porta, &eacute; ele o dispensador do bom Deus, o administrador dos seus bens&raquo;. O Cura d&rsquo;Ars compreendeu bem como &eacute; grandemente aben&ccedil;oada uma comunidade quando &eacute; servida por um sacerdote bom e santo. &laquo;Um bom pastor, um pastor segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Deus, &eacute; o tesouro maior que o bom Deus pode dar a uma par&oacute;quia e um dos dons mais preciosos da miseric&oacute;rdia divina&raquo;. Por intercess&atilde;o de S&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianney possa o sacerd&oacute;cio na Irlanda retomar vida e a inteira Igreja na Irlanda crescer na estima do grande dom do minist&eacute;rio sacerdotal.<\/p>\n<p>Aproveito esta ocasi&atilde;o para agradecer desde j&aacute; a quantos se comprometerem no empenho de organizar a Visita Apost&oacute;lica e a Miss&atilde;o, assim como os tantos homens e mulheres que em toda a Irlanda j&aacute; se comprometeram pela tutela de crian&ccedil;as nos ambientes eclesi&aacute;sticos. Desde quando a gravidade e a extens&atilde;o do problema dos abusos sexuais de crian&ccedil;as em institui&ccedil;&otilde;es cat&oacute;licas come&ccedil;ou a ser plenamente compreendido, a Igreja realizou um trabalho imenso em muitas partes do mundo, a fim de o enfrentar e remediar. Enquanto n&atilde;o se deve poupar esfor&ccedil;o algum para melhorar e actualizar procedimentos j&aacute; existentes, encoraja-me o facto de que as pr&aacute;ticas de tutela em vigor, adoptadas pelas Igrejas locais, s&atilde;o consideradas, nalgumas partes do mundo, um modelo que deve ser seguido por outras institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Desejo concluir esta Carta com uma especial Ora&ccedil;&atilde;o pela Igreja na Irlanda, que vos envio com o cuidado que um pai tem pelos seus filhos e com o afecto de um crist&atilde;o como v&oacute;s, escandalizado e ferido por quanto aconteceu na nossa amada Igreja. Ao utilizardes esta ora&ccedil;&atilde;o nas vossas fam&iacute;lias, par&oacute;quias e comunidades, que a Bem-Aventurada Virgem Maria vos proteja e vos guie pelo caminho que conduz a uma uni&atilde;o mais estreita com o seu Filho, crucificado e ressuscitado. Com grande afecto e firme confian&ccedil;a nas promessas de Deus, concedo de cora&ccedil;&atilde;o a todos v&oacute;s a minha B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica como penhor de for&ccedil;a e paz no Senhor.<\/p>\n<p><em>Vaticano, 19 de Mar&ccedil;o de 2010, Solenidade de S&atilde;o Jos&eacute;<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Papa Bento XVI<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>ORA&Ccedil;&Atilde;O PELA IGREJA NA IRLANDA<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Deus dos nossos pais, renovai-nos na f&eacute; que &eacute; para n&oacute;s vida e salva&ccedil;&atilde;o, na esperan&ccedil;a que promete perd&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o interior, na caridade que purifica e abre os nossos cora&ccedil;&otilde;es para Vos amar, e em V&oacute;s, amar todos os nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor Jesus Cristo, possa a Igreja na Irlanda renovar o seu milen&aacute;rio compromisso na forma&ccedil;&atilde;o dos nossos jovens no caminho da verdade, da bondade, da santidade e do servi&ccedil;o generoso &agrave; sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esp&iacute;rito Santo consolador, advogado e guia, inspirai uma nova primavera de santidade e de zelo apost&oacute;lico para a Igreja na Irlanda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Possa a nossa tristeza e as nossas l&aacute;grimas, o nosso esfor&ccedil;o sincero por corrigir os erros do passado, e o nosso firme prop&oacute;sito de correc&ccedil;&atilde;o, dar abundantes frutos de gra&ccedil;a para o aprofundamento da f&eacute; nas nossas fam&iacute;lias, par&oacute;quias, escolas e associa&ccedil;&otilde;es, e para o progresso espiritual da sociedade irlandesa, e para o crescimento da caridade, da justi&ccedil;a, da alegria e da paz, na inteira fam&iacute;lia humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A V&oacute;s, Deus Trindade, com plena confian&ccedil;a na amorosa protec&ccedil;&atilde;o de Maria, Rainha da Irlanda, nossa M&atilde;e, e de S&atilde;o Patr&iacute;cio, de Santa Br&iacute;gida e de todos os santos, nos encomendamos a n&oacute;s pr&oacute;prios, aos nossos jovens, e as necessidades da Igreja na Irlanda. Amen.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Amados Irm&atilde;os e Irm&atilde;s da Igreja na Irlanda, &eacute; com grande preocupa&ccedil;&atilde;o que vos escrevo como Pastor da Igreja universal. Como v&oacute;s, fiquei profundamente perturbado com as not&iacute;cias dadas sobre o abuso de crian&ccedil;as e jovens vulner&aacute;veis da parte de membros da Igreja na Irlanda, sobretudo de sacerdotes e religiosos. 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