{"id":44124,"date":"2010-03-16T16:14:25","date_gmt":"2010-03-16T16:14:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/16\/cardeal-cerejeira-superar-as-caricaturas\/"},"modified":"2010-03-16T16:14:25","modified_gmt":"2010-03-16T16:14:25","slug":"cardeal-cerejeira-superar-as-caricaturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cardeal-cerejeira-superar-as-caricaturas\/","title":{"rendered":"Cardeal Cerejeira: superar as caricaturas"},"content":{"rendered":"<p>Biografia editada pela Esfera dos Livros <!--more--> <\/p>\n<p>Irene Flunser Pimentel acaba de apresentar a sua obra &ldquo;Cardeal Cerejeira. Pr&iacute;ncipe da Igreja&rdquo;, uma biografia editada pela Esfera dos Livros.<\/p>\n<p>Ao longo de 361 p&aacute;ginas, a historiadora centra o seu olhar sobre o Patriarca de Lisboa, figura de refer&ecirc;ncia da Igreja Cat&oacute;lica e na sociedade portuguesa, inserindo-o na sua &eacute;poca e na hist&oacute;ria nacional com um longo conjunto final de notas explicativas sobre as quest&otilde;es afloradas no texto, uma cronologia e uma s&eacute;rie de encartes fotogr&aacute;ficos.<\/p>\n<p>Irene Flunser Pimentel esclarece na nota introdut&oacute;ria que esta biografia do Cardeal Cerejeira n&atilde;o pretende centrar-se na revela&ccedil;&atilde;o de &ldquo;epis&oacute;dios privados ou desconhecidos&rdquo;. A abordagem envereda por um car&aacute;cter historiogr&aacute;fico que visa &ldquo;uma tentativa de interpreta&ccedil;&atilde;o pessoal de epis&oacute;dios j&aacute; conhecidos&rdquo;.<\/p>\n<p>A historiadora admite que o seu interesse por esta figura da Igreja Cat&oacute;lica surgiu ap&oacute;s ter realizado uma investiga&ccedil;&atilde;o e estudos para publicar uma Fotobiografia sobre D. Manuel Gon&ccedil;alves Cerejeira.<br \/>&ldquo;Como para muitas da minha gera&ccedil;&atilde;o, do Cardeal Cerejeira eu vislumbrava apenas uma caricatura uniforme de um homem e de uma personagem que, &agrave; frente da hierarquia da Igreja Cat&oacute;lica, era encarada como suporte e c&uacute;mplice do Estado Novo ditatorial&rdquo;, confessa.<\/p>\n<p>Ao come&ccedil;ar a ler a obra historiogr&aacute;fica, religiosa e mesmo pol&iacute;tica de Manuel Gon&ccedil;alves Cerejeira, Irene Pimental confessa que &ldquo;a personagem foi ganhando densidade humana, contradi&ccedil;&otilde;es, complexidade e riqueza&rdquo;.<br \/>A historiadora admite ter descoberto no Cardeal Cerejeira &ldquo;um intelectual, acad&eacute;-mico e historiador, que nessa qualidade escolheu, ali&aacute;s, como objecto de estudo da sua disserta&ccedil;&atilde;o de doutoramento Clenardo, um humanista renascentista&rdquo;.<\/p>\n<p>Entre os livros que o Patriarca de Lisboa leu, refere Irene Pimentel, estavam muitos situados &ldquo;nos ant&iacute;podas das suas concep&ccedil;&otilde;es morais e ideol&oacute;gicas&rdquo; e n&atilde;o se furtava a debates com intelectuais com opini&atilde;o bastante diferente da sua.<\/p>\n<p>A contra-capa da obra deixa, ali&aacute;s, algumas provoca&ccedil;&otilde;es sobre a diversidade de opini&otilde;es que existem a respeito do Cardeal Cerejeira: &ldquo;Conservador e elitista ou renovador e humilde? Amante do luxo e da riqueza ou atento &agrave; pobreza e defensor dos mais oprimidos? Homem caloroso ou autorit&aacute;rio? Sinuoso ou insinuante? Alinhado com o Estado Novo ou defensor da independ&ecirc;ncia da Igreja em rela&ccedil;&atilde;o ao regime de Salazar, seu amigo &iacute;ntimo desde os tempos de Coimbra? Defensor da vida e dos direitos humanos ou silencioso perante a viol&ecirc;ncia da PIDE, a guerra colonial e a censura?&rdquo;<\/p>\n<p>O livro est&aacute; organizado cronologicamente e em treze cap&iacute;tulos, que v&atilde;o desde o nascimento numa zona rural do Minho em 1888, at&eacute; ao final da vida, a 1 de Agosto de 1977, ap&oacute;s os anos como Cardeal-Patriarca de Lisboa entre 1929 e 1971.<\/p>\n<p>Os seus &uacute;ltimos anos de vida, p&oacute;s-25 de Abril, s&atilde;o tamb&eacute;m objecto de an&aacute;lise.<\/p>\n<p>O &uacute;ltimo cap&iacute;tulo da biografia aborda o &ldquo;legado&rdquo; de D. Manuel Gon&ccedil;alves Cerejeira: &ldquo;Cerejeira iniciou, em 1930, a sua estada &agrave; frente do Patriarcado, com o magno prop&oacute;sito de recristianizar a sociedade portuguesa, reconstruir a diocese de Lisboa e formar novos padres cultos, ligados ao &laquo;seu&raquo; bispo, politicamente inactivos mas socialmente empenhados. No entanto, quando concluiu em 1971 a sua vida activa, o panorama era completamente diverso&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o s&oacute; a Ac&ccedil;&atilde;o Cat&oacute;lica Portuguesa quase n&atilde;o existia, como a falta de padres continuava cr&oacute;nica e a cristianiza&ccedil;&atilde;o dos anos 30 tinha sido substitu&iacute;da por uma laiciza&ccedil;&atilde;o da sociedade&rdquo;, defende a autora.<br \/>Irene Flunser Pimentel venceu em 2007 o Pr&eacute;mio Pessoa e &eacute; doutorada em Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea com uma tese sobre a PIDE\/DGS, pol&iacute;cia pol&iacute;tica do Estado, entre 1945\/74. Licenciou-se em Hist&oacute;ria pela Faculdade de Letras da Universidade Cl&aacute;ssica de Lisboa, em 1984. Concluiu o mestrado em Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea pela Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. &Eacute; investigadora do Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Publicou diversos artigos em jornais e revistas nacionais e estrangeiras, sobre o Estado Novo, a II Guerra Mundial, o nacional-socialismo alem&atilde;o e o Holocausto, entre outros temas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biografia editada pela Esfera dos Livros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[92,174,189],"class_list":["post-44124","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-25-de-abril","tag-diocese-de-coimbra","tag-direitos-humanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44124","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44124"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44124\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44124"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44124"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44124"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}