{"id":43975,"date":"2010-03-08T13:40:10","date_gmt":"2010-03-08T13:40:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/08\/catequese-do-cardeal-patriarca-no-3-o-domingo-da-quaresma\/"},"modified":"2010-03-08T13:40:10","modified_gmt":"2010-03-08T13:40:10","slug":"catequese-do-cardeal-patriarca-no-3-o-domingo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-do-cardeal-patriarca-no-3-o-domingo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Catequese do Cardeal-Patriarca no 3.\u00ba Domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Sacerd&oacute;cio Apost&oacute;lico<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Como vimos na Catequese anterior, sem ser designado como Sacerdote, nem pertencer &agrave; classe sacerdotal do sacerd&oacute;cio lev&iacute;tico, Jesus, em tudo o que diz e o que faz, sobretudo no sacrif&iacute;cio da sua vida, exprime uma profunda <strong>atitude sacerdotal<\/strong> e exerce, de maneira perfeita, a <strong>fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal<\/strong>. Distancia-se do sacerd&oacute;cio oficial e assume, para Si Mesmo, a perfei&ccedil;&atilde;o do sacerd&oacute;cio escatol&oacute;gico, significado na figura do <strong>Filho do Homem<\/strong> Celeste. No entanto, atribui a esse Filho do Homem a atitude sacrificial do <strong>Servo de Yahw&eacute;<\/strong>. Na sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, entra no Santu&aacute;rio Celeste, Sumo Sacerdote definitivo, onde presidir&aacute;, por toda a eternidade, &agrave; liturgia de louvor, celebrada pela assembleia dos bem-aventurados.<\/p>\n<p>Na ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo, o tempo definitivo come&ccedil;ou, a Jerusal&eacute;m terrena deu lugar &agrave; Jerusal&eacute;m Celeste. Uma pergunta fica no cora&ccedil;&atilde;o dos disc&iacute;pulos, &agrave; qual Jesus n&atilde;o respondeu explicitamente: o que acontece &agrave; humanidade que ainda vive no tempo, em cuja hist&oacute;ria Deus sempre introduziu o dinamismo da salva&ccedil;&atilde;o e que Cristo redimiu com o Seu sangue? Duas respostas brotam espontaneamente da consci&ecirc;ncia da centralidade e do car&aacute;cter definitivo do sacerd&oacute;cio de Jesus Cristo. A primeira vai na linha de considerar que, com a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo e a sua ascens&atilde;o aos C&eacute;us, a hist&oacute;ria humana chegou ao fim e o fim dos tempos est&aacute; pr&oacute;ximo. As primeiras comunidades crist&atilde;s acreditavam que a &uacute;ltima manifesta&ccedil;&atilde;o gloriosa de Cristo estava pr&oacute;xima, porventura no espa&ccedil;o dessa gera&ccedil;&atilde;o. Desejavam-na ardentemente, e a prece &ldquo;maranhatha&rdquo; (vem Senhor Jesus), conclu&iacute;a toda a ora&ccedil;&atilde;o. Esta perspectiva n&atilde;o foi capaz de imaginar um tempo hist&oacute;rico longo, depois de Cristo, completamente centrado n&rsquo;Ele, em unidade profunda com a assembleia dos bem-aventurados.<\/p>\n<p>Mas vai nessa linha a segunda tentativa de resposta. Sobretudo o Evangelista Lucas e a vis&atilde;o que &agrave; volta dele se forma e onde se integram alguns textos de S&atilde;o Paulo, percebe esse &ldquo;tempo interm&eacute;dio&rdquo; como um tempo longo, cujos limites s&oacute; Deus conhece. Nele, os disc&iacute;pulos de Cristo, que formam um s&oacute; com Ele, s&atilde;o o novo Povo de Deus e realizam na hist&oacute;ria a fecundidade salv&iacute;fica de Cristo. Eles s&atilde;o a Igreja do Senhor, de que Ele &eacute; o &uacute;nico sacerdote e o Bom Pastor. Esta Igreja, esposa do Cordeiro, tem dois rostos: a <strong>Igreja triunfante<\/strong>, assembleia dos bem-aventurados, a que Cristo preside como Pont&iacute;fice desse santu&aacute;rio definitivo; e a <strong>Igreja militante<\/strong>, ainda peregrina no tempo, unida &agrave; Igreja triunfante sobretudo no louvor de Deus. Tamb&eacute;m a ela preside o &uacute;nico sacerdote, Cristo glorioso. N&atilde;o h&aacute; um sacerd&oacute;cio terreno, interm&eacute;dio, transit&oacute;rio; h&aacute; um &uacute;nico sacerdote, Cristo glorioso.<\/p>\n<p>Mas como preside Cristo glorioso &agrave; Liturgia da Igreja, peregrina neste mundo? Atrav&eacute;s daqueles que Ele escolheu, que fez participantes do seu sacerd&oacute;cio e que, em seu nome, em vez da Sua Pessoa (in personna Christi), exercem a sua <strong>fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal<\/strong>, para bem do seu Povo ainda militante neste mundo.<\/p>\n<p><strong>Escolheu doze Ap&oacute;stolos<\/strong> (cf. Lc. 6,12-13)<\/p>\n<p>1. <strong>Escolheu doze<\/strong>, aos quais deu o nome de Ap&oacute;stolos. Esta atitude de Jesus mostra-nos que Ele tem consci&ecirc;ncia de um novo come&ccedil;o do Povo de Deus e da sua nova estrutura. N&atilde;o podemos deixar de pensar naquele momento da Hist&oacute;ria de Israel em que o Povo &eacute; dividido em 12 tribos, cada uma com o nome de um dos 12 filhos de Jacob (cf. Num. 20,19ss). Esta divis&atilde;o em 12 tribos ser&aacute; a estrutura b&aacute;sica da organiza&ccedil;&atilde;o do Povo do Antigo Testamento, presente em tudo, desde a ocupa&ccedil;&atilde;o da terra aquando da conquista da Palestina, at&eacute; &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es comuns a toda a comunidade. Jesus escolhe 12 Ap&oacute;stolos. Trata-se da nova estrutura de um novo Povo, o da Alian&ccedil;a definitiva, centrado em Cristo, seu Rei, seu Pastor, seu Mestre, seu Sacerdote e Pont&iacute;fice. Esta nova estrutura do novo Povo &eacute; definitiva, permanecer&aacute; para a eternidade. O Apocalipse, falando da Jerusal&eacute;m Celeste, descreve-a como uma cidade assente sobre 12 colunas, cada uma delas tendo gravado o nome de um dos doze Ap&oacute;stolos do Cordeiro (cf. Apc. 21,14).<\/p>\n<p>Estes doze foram uma escolha pessoal de Jesus. &ldquo;Chamou a Si aqueles que Ele queria&rdquo; (Mc. 3,13). Jesus far&aacute; quest&atilde;o em recordar-lhes sempre que eles foram escolhidos: &ldquo;N&atilde;o fostes v&oacute;s que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi e vos constitu&iacute; para virdes e dardes muito fruto&rdquo; (Jo. 15,16). Esta escolha &eacute; um chamamento que os constitui Ap&oacute;stolos. N&atilde;o &eacute; Ap&oacute;stolo quem quer, mas aqueles que o Senhor quer e chama. Ao longo dos s&eacute;culos este &eacute; um factor decisivo, a garantir que &eacute; Cristo quem conduz a Igreja.<\/p>\n<p><strong>Chamou-lhes Ap&oacute;stolos<\/strong>, isto &eacute;, enviados. S&atilde;o Marcos resume bem o que pretendia Cristo com este chamamento: &ldquo;Depois subiu a montanha e chamou a Si aqueles que Ele queria. Eles vieram a Ele e instituiu doze, para serem seus companheiros e para os enviar a pregar, com o poder de expulsar os dem&oacute;nios&rdquo; (Mc. 3,13-15). Duas manifesta&ccedil;&otilde;es da inten&ccedil;&atilde;o de Cristo ao chamar os doze: estarem com Ele, e poder envi&aacute;-los, com o mesmo poder que Ele tinha. Hoje, de expulsar os dem&oacute;nios, amanh&atilde; de celebrarem a Sua P&aacute;scoa.<\/p>\n<p><strong>Jesus prepara os Ap&oacute;stolos e comunica-lhes o seu pr&oacute;prio poder<\/strong><\/p>\n<p>2. Ao longo da sua vida p&uacute;blica Jesus, vai-os fazendo participar no seu minist&eacute;rio: envia-os a anunciar o Reino de Deus, preparando-os para os tempos da Igreja em que eles tornar&atilde;o presente Cristo, na totalidade do seu poder sacerdotal.<\/p>\n<p>Para compreendermos a rela&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o dos Ap&oacute;stolos com a miss&atilde;o de Jesus, ajuda-nos verificar que j&aacute; no Antigo Testamento h&aacute; uma institui&ccedil;&atilde;o chamada <strong>Shaliah<\/strong>, que parte do seguinte princ&iacute;pio: o que &eacute; enviado tem o mesmo poder daquele que envia. &Eacute; mais do que um delegado ou um representante. &Eacute; por isso que Jesus diz aos Ap&oacute;stolos: &ldquo;Quem vos escuta, escuta-me a Mim; quem vos despreza, despreza-me a Mim&rdquo; (Lc. 10,16). &ldquo;Como o Pai Me enviou, tamb&eacute;m eu vos envio a v&oacute;s&rdquo; (Jo. 20,21).<\/p>\n<p>Depois da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus, os Ap&oacute;stolos t&ecirc;m consci&ecirc;ncia de que o encontro com o ressuscitado &eacute; a &uacute;ltima confirma&ccedil;&atilde;o da sua miss&atilde;o apost&oacute;lica. Eles s&atilde;o testemunhas da ressurrei&ccedil;&atilde;o, e pelo Esp&iacute;rito Santo foram-lhe conferidos os poderes do ressuscitado. A primeira Carta de Paulo aos Cor&iacute;ntios &eacute; testemunho claro desta convic&ccedil;&atilde;o. Ele &eacute; o &uacute;ltimo Ap&oacute;stolo porque foi o &uacute;ltimo a encontrar-se com Cristo ressuscitado (cf. 1Cor. 15,3ss).<\/p>\n<p>Na sua P&aacute;scoa, Jesus explicita-lhes os principais poderes para estarem plenamente, em nome d&rsquo;Ele, na Igreja. Na Ceia Pascal, d&aacute; ao seu sacrif&iacute;cio pessoal, que se aproxima, a qualidade do sacrif&iacute;cio definitivo da nova Alian&ccedil;a, que Ele continuar&aacute; a oferecer na Igreja, atrav&eacute;s deles. &ldquo;Fazei isto em Minha mem&oacute;ria&rdquo; (Lc. 22,19). E j&aacute; depois da ressurrei&ccedil;&atilde;o, ao ritmo do Esp&iacute;rito, explicita-lhes outro poder que s&oacute; Ele tem, como Filho de Deus: &ldquo;A quem perdoardes os pecados, ser-lhe-&atilde;o perdoados&rdquo; (Jo. 20,22ss).<\/p>\n<p>Os 12 Ap&oacute;stolos garantem a continuidade da salva&ccedil;&atilde;o e da sua actualidade em cada tempo, at&eacute; ao fim. J&aacute; vimos que o n&uacute;mero de 12 sugere a continuidade com o Antigo Testamento. Eles garantem, sobretudo, a continuidade entre a miss&atilde;o terrena de Jesus e a Sua ressurrei&ccedil;&atilde;o em que se inaugura o tempo definitivo. Este &eacute; o crit&eacute;rio para a escolha de Matias, para preencher o lugar de Judas: algu&eacute;m que tenha acompanhado Jesus desde o in&iacute;cio e que tenha sido testemunha da sua ressurrei&ccedil;&atilde;o (<strong>Act. 1,22ss<\/strong>).<\/p>\n<p>A explicita&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o dos Ap&oacute;stolos fica completa, com as palavras que Jesus lhes dirige antes da Ascens&atilde;o:<\/p>\n<p><em>&ldquo;Os onze disc&iacute;pulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado, e, vendo-o, O adoraram; mas houve alguns que tinham duvidado. Aproximou-se-lhes Jesus e falou-lhes nestes termos: &laquo;foi-Me dado todo o poder no C&eacute;u e na Terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Esp&iacute;rito Santo, ensinando-as a observar tudo o que vos mandei. E eis que Eu estou convosco todos os dias at&eacute; ao fim do mundo&raquo;&rdquo; <\/em>(Mt. 28,16-20)<\/p>\n<p>O horizonte da miss&atilde;o &eacute; universal: destina-se aos homens de todos os tempos e at&eacute; ao fim dos tempos. V&ecirc;-se que Jesus queria que eles escolhessem sucessores (1).<\/p>\n<p>Como aconteceu com o pr&oacute;prio Jesus, o Novo Testamento n&atilde;o aplica aos 12 Ap&oacute;stolos a linguagem sacerdotal. O assento &eacute; posto na continuidade da miss&atilde;o de Jesus. Nunca eles se consideraram membros da classe sacerdotal. Mesmo aos seus sucessores, aos quais, pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, os Ap&oacute;stolos comunicam a miss&atilde;o, S&atilde;o Paulo chama-lhes, de prefer&ecirc;ncia &ldquo;anci&atilde;os&rdquo; (presb&iacute;teros) ou &ldquo;vigilantes&rdquo; (bispos). S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo, nos seus escritos, s&oacute; chamam sacerdotal a toda a Igreja, novo Povo Sacerdotal.<\/p>\n<p><strong>Os Sucessores dos Ap&oacute;stolos<\/strong><\/p>\n<p>3. O sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico &eacute; institu&iacute;do por Jesus para garantir o exerc&iacute;cio da sua fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal de &uacute;nico e definitivo sacerdote em todo o &ldquo;tempo interm&eacute;dio&rdquo;, o tempo da Igreja, desde a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo at&eacute; ao fim dos tempos. S&oacute; a Igreja garante, no seio da hist&oacute;ria humana, enquanto esta durar, a for&ccedil;a salv&iacute;fica da P&aacute;scoa de Cristo. Essa &eacute; a raz&atilde;o da infus&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, o Esp&iacute;rito de Cristo ressuscitado, aos Ap&oacute;stolos e a todos os membros da Igreja. Por isso o sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, plenitude do sacerd&oacute;cio de Cristo comunicado aos doze Ap&oacute;stolos &eacute;, por natureza, para durar at&eacute; ao fim dos tempos. Esse &eacute; o sentido da miss&atilde;o universal confirmada por Jesus aos doze Ap&oacute;stolos, no momento da Ascens&atilde;o aos C&eacute;us (cf. Mt. 28,16-20). H&aacute;, pois, necessariamente, uma sucess&atilde;o apost&oacute;lica. Os Ap&oacute;stolos assumem isso sem hesita&ccedil;&atilde;o: t&ecirc;m de comunicar a outros o seu minist&eacute;rio sacerdotal (2).<\/p>\n<p>Estes sucessores s&atilde;o os Bispos. N&atilde;o &eacute; cada Ap&oacute;stolo que tem sucessores multiplicados atrav&eacute;s dos tempos, mas &eacute; o col&eacute;gio dos doze Ap&oacute;stolos que &eacute; continuado no &ldquo;Col&eacute;gio dos Bispos&rdquo;. O primeiro efeito da ordena&ccedil;&atilde;o episcopal &eacute; agregar uma pessoa concreta a esse Col&eacute;gio dos Bispos, que garante a sucess&atilde;o do sacerd&oacute;cio do col&eacute;gio apost&oacute;lico. A miss&atilde;o universal, referida no texto de S&atilde;o Mateus j&aacute; citado, &eacute; a primeira explicita&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o de cada Bispo, porque &eacute; a miss&atilde;o de todo o col&eacute;gio. N&atilde;o &eacute; o n&uacute;mero dos doze que aumenta; &eacute; a miss&atilde;o dos doze que continua, ao ritmo do crescimento da Igreja e das exig&ecirc;ncias da miss&atilde;o universal.<\/p>\n<p>Os crit&eacute;rios para a escolha destes membros do Col&eacute;gio dos Bispos s&atilde;o os mesmos de Jesus ao escolher os doze Ap&oacute;stolos:<\/p>\n<p>&uuml;&nbsp;&nbsp; Os que Ele escolhe e chama;<\/p>\n<p>&uuml;&nbsp;&nbsp; A quem confere todos os seus poderes;<\/p>\n<p>&uuml;&nbsp;&nbsp; A quem consagra para a miss&atilde;o, atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, garantindo a intimidade com Ele exigida aos primeiros doze;<\/p>\n<p>&uuml;&nbsp;&nbsp; Que sejam testemunhas fi&eacute;is da Tradi&ccedil;&atilde;o e da f&eacute; da Igreja, desde Jesus at&eacute; ao presente.<\/p>\n<p>A sucess&atilde;o apost&oacute;lica exige que entre cada Bispo, membro do Col&eacute;gio Episcopal, e os doze Ap&oacute;stolos, haja uma cadeia ininterrupta. Se essa cadeia se quebrar, a ordena&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; v&aacute;lida. Nos primeiros s&eacute;culos as Igrejas apresentavam, como garantia da sua autenticidade, a lista ininterrupta da sucess&atilde;o apost&oacute;lica dos seus Bispos. &Eacute; o caso de Tertuliano e de Santo Ireneu de Li&atilde;o.<\/p>\n<p>A interrup&ccedil;&atilde;o da sucess&atilde;o apost&oacute;lica &eacute; a grande fragilidade das Igrejas reformadas. A d&uacute;vida existe, mesmo na Igreja Anglicana.<\/p>\n<p>Por outro lado, desde que esteja garantida a sucess&atilde;o, a Igreja reconhece como Bispos validamente ordenados mesmo Bispos de Igrejas que se separaram da unidade da Igreja Cat&oacute;lica: &eacute; o caso das Igrejas ortodoxas e dos &ldquo;velhos cat&oacute;licos&rdquo;, e hoje, dos Bispos que foram ordenados por Mons. Lefebvre.<\/p>\n<p><strong>Sacerd&oacute;cio Apost&oacute;lico na Igreja, comunh&atilde;o de amor<\/strong><\/p>\n<p>4. O sacerd&oacute;cio de Cristo, participado pelos Ap&oacute;stolos, est&aacute; ao servi&ccedil;o da salva&ccedil;&atilde;o. E esta &eacute; uma experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o. Em Cristo, a humanidade pecadora, &eacute; reintroduzida na comunh&atilde;o de amor que Deus &eacute;, Trindade Sant&iacute;ssima. Os que foram resgatados para o amor, s&atilde;o o novo Povo de Deus, o Povo da nova Alian&ccedil;a que &eacute; chamado a ser uma experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o. &Eacute; por isso que o mandamento do amor &eacute; chamado o mandamento novo: &ldquo;Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei&rdquo; (Jo. 13,34).<\/p>\n<p>Os 12 Ap&oacute;stolos s&atilde;o concebidos pelo Senhor como uma comunh&atilde;o apost&oacute;lica. Eles s&atilde;o um col&eacute;gio, um &ldquo;eu colectivo&rdquo; e &eacute;, enquanto tal, que recebem a miss&atilde;o e s&atilde;o a base s&oacute;lida da Igreja. Pedro &eacute; constitu&iacute;do como a cabe&ccedil;a deste col&eacute;gio, a garantia da unidade na caridade.<\/p>\n<p><em>&ldquo;Ora tamb&eacute;m eu te digo: Tu &eacute;s Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno n&atilde;o prevalecer&atilde;o contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos C&eacute;us, e o que ligares na terra ficar&aacute; ligado nos C&eacute;us; e o que desligares na terra ficar&aacute; desligado nos C&eacute;us&rdquo; <\/em>(Mt. 16,18-19)<\/p>\n<p><em>&ldquo;Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra, ser&aacute; ligado no C&eacute;u; e tudo o que desligardes na terra ser&aacute; desligado no C&eacute;u&rdquo;<\/em> (Mt. 18,18)<\/p>\n<p>Poder e comunh&atilde;o de amor est&atilde;o interligados na miss&atilde;o apost&oacute;lica. Desde o primeiro chamamento esses aspectos est&atilde;o ligados: estar com Jesus e ser enviado. A Pedro, Jesus acentua a prioridade da rela&ccedil;&atilde;o de amor com Ele:<em> &ldquo;Depois de comerem, pergunta Jesus a Sim&atilde;o Pedro: &laquo;Sim&atilde;o, filho de Jo&atilde;o, amas-Me tu mais do que estes?&raquo;. Responde-lhe ele: &laquo;Sim, Senhor. Tu sabes que te amo!&raquo; Diz-lhe Jesus: &laquo;Apascenta os meus cordeiros&raquo;. Volta a perguntar-lhe pela segunda vez: &laquo;Sim&atilde;o, filho de Jo&atilde;o, tu amas-Me?&raquo; &raquo;Sim, Senhor&raquo;, responde ele, &laquo;Tu sabes que te amo&raquo;. Diz-lhe Jesus: &laquo;Apascenta as minhas ovelhas&raquo;. Pergunta-lhe pela terceira vez: &laquo;Sim&atilde;o, filho de Jo&atilde;o, tu amas-Me?&raquo; entristeceu-se Pedro por lhe ter perguntado pela terceira vez: &laquo;tu amas-Me?&raquo;, e respondeu-lhe: &laquo;Senhor, Tu sabes tudo; tu sabes que te amo&raquo;&rdquo; <\/em>(Jo. 21,15-17)<\/p>\n<p>Esta exig&ecirc;ncia de comunh&atilde;o &eacute; a for&ccedil;a de unidade do <strong>Col&eacute;gio Episcopal<\/strong>, dos Bispos, sucessores dos Ap&oacute;stolos, na comunh&atilde;o com Cristo e na universalidade da miss&atilde;o (3).<\/p>\n<p><strong>Os Presb&iacute;teros, cooperadores da Ordem Episcopal<\/strong><\/p>\n<p>5. Desde a &eacute;poca apost&oacute;lica, os Ap&oacute;stolos e os seus sucessores, impuseram as m&atilde;os a cooperadores, que exercem, em seu nome, o seu minist&eacute;rio. S&atilde;o Paulo chama-lhes presb&iacute;teros (anci&atilde;os), hoje chamamos &ldquo;padres&rdquo;. Fazem com o Bispo de quem s&atilde;o cooperadores um <strong>col&eacute;gio<\/strong>, com as mesmas exig&ecirc;ncias de comunh&atilde;o e de miss&atilde;o do Col&eacute;gio dos Bispos, sucessores dos Ap&oacute;stolos. Eles s&atilde;o um Presbit&eacute;rio (4).<\/p>\n<p>O seu poder de an&uacute;ncio da Palavra e de celebrar os sacramentos &eacute; o do Bispo. Podem fazer tudo o que o Bispo faz e os envia a fazer. S&oacute; n&atilde;o podem impor as m&atilde;os, comunicando esse minist&eacute;rio a outros. Eles s&atilde;o, no seio do Povo de Deus, a presen&ccedil;a da gra&ccedil;a do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, e porque est&atilde;o permanentemente em todos os lugares onde o Bispo n&atilde;o pode estar sempre, eles exprimem a proximidade do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico no meio do Povo de Deus.<\/p>\n<p>6. Este &ldquo;presbiterium&rdquo; &eacute; o verdadeiro respons&aacute;vel por garantir a todo o Povo a gra&ccedil;a do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico. Isso est&aacute; claro na defini&ccedil;&atilde;o que o Conc&iacute;lio d&aacute; de Diocese: &ldquo;Uma diocese &eacute; uma por&ccedil;&atilde;o do Povo de Deus confiada a um Bispo para que, com a ajuda do seu presbit&eacute;rio, ele seja o seu pastor. Assim a diocese, ligada ao seu pastor e por ele reunida, no Esp&iacute;rito Santo, gra&ccedil;as ao Evangelho e &agrave; Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual est&aacute; verdadeiramente presente e actuante a Igreja de Cristo, una, santa, cat&oacute;lica e apost&oacute;lica&rdquo; (5). Portanto, o pastor de uma diocese &eacute; o Bispo com o seu presbit&eacute;rio. &Eacute; este col&eacute;gio que &eacute; respons&aacute;vel de garantir a toda a diocese a gra&ccedil;a do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico.<\/p>\n<p>Esta defini&ccedil;&atilde;o de Diocese diz tamb&eacute;m que, no minist&eacute;rio do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, se vence a dicotomia entre palavra prof&eacute;tica e celebra&ccedil;&atilde;o do culto, porque Cristo &eacute; o &uacute;nico Profeta e Sacerdote. A Palavra e o Sacrif&iacute;cio, que Cristo reconduziu &agrave; unidade na Sua Pessoa, s&atilde;o elementos constitutivos da Liturgia da Igreja. &Eacute; a Igreja como um todo que escuta a Palavra e celebra a Eucaristia ou, mais exactamente, que celebra a Palavra sempre que celebra a Eucaristia. Servida pelo dom do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, que torna Cristo Sacerdote presente no meio dela, a Igreja exprime-se como Povo Sacerdotal.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 7 de Mar&ccedil;o de 2010<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger;<\/em><em> JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 &#8211; cf. <strong>Lumen Gentium<\/strong>, n&ordm; 19<\/p>\n<p>2 &#8211; cf. <strong>Ibidem<\/strong>, n&ordm; 20<\/p>\n<p>3 &#8211; cf. <strong>Ibidem<\/strong>, n&ordm; 22<\/p>\n<p>4 &#8211; cf. <strong>Ibidem<\/strong>, n&ordm; 28<\/p>\n<p>5 &#8211; Christus Dominus, n&ordm; 11<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sacerd&oacute;cio Apost&oacute;lico Introdu&ccedil;&atilde;o Como vimos na Catequese anterior, sem ser designado como Sacerdote, nem pertencer &agrave; classe sacerdotal do sacerd&oacute;cio lev&iacute;tico, Jesus, em tudo o que diz e o que faz, sobretudo no sacrif&iacute;cio da sua vida, exprime uma profunda atitude sacerdotal e exerce, de maneira perfeita, a fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal. 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