{"id":43911,"date":"2010-03-04T12:47:54","date_gmt":"2010-03-04T12:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/04\/diocese-do-algarve-forma-leigos-que-ajudem-a-explicar-o-sentido-da-morte\/"},"modified":"2010-03-04T12:47:54","modified_gmt":"2010-03-04T12:47:54","slug":"diocese-do-algarve-forma-leigos-que-ajudem-a-explicar-o-sentido-da-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/diocese-do-algarve-forma-leigos-que-ajudem-a-explicar-o-sentido-da-morte\/","title":{"rendered":"Diocese do Algarve forma leigos que ajudem a explicar o sentido da morte"},"content":{"rendered":"<p>A Diocese do Algarve promoveu no passado s&aacute;bado a segunda parte da forma&ccedil;&atilde;o para leigos (entenda-se n&atilde;o cl&eacute;rigos), propostos pelas par&oacute;quias algarvias para presidirem &agrave;s celebra&ccedil;&otilde;es f&uacute;nebres, na aus&ecirc;ncia de um ministro ordenado (bispo, padre ou di&aacute;cono). A iniciativa, que continuou no Centro Pastoral e Social de Ferragudo, centrou-se desta vez na certeza crist&atilde; de que a vida n&atilde;o acaba na morte, mas apenas se transforma.<\/p>\n<p>Neste sentido, o padre M&aacute;rio de Sousa, que abordou o tema &lsquo;A morte e a vida na Sagrada Escritura&rsquo;, afirmou que &ldquo;a vida eterna &eacute; um dom de Deus que acontece pelo Batismo, por isso a Igreja sempre disse e continua a dizer que o Baptismo &eacute; necess&aacute;rio para a salva&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Nesta mesma linha, foi tamb&eacute;m a interven&ccedil;&atilde;o do padre Jos&eacute; &Aacute;guas, que reflectiu sobre o tema &lsquo;O sentido redentor do sofrimento e da morte&rsquo;, afirmando que &ldquo;se morrermos com Cristo, com Ele ressuscitamos para a vida eterna&rdquo;.<\/p>\n<p>O padre M&aacute;rio de Sousa ressalvou no entanto que a &ldquo;garantia da eternidade&rdquo; est&aacute; na &ldquo;liga&ccedil;&atilde;o a Jesus&rdquo;. &ldquo;Embora, pelo Baptismo, tenha recebido a vida divina, posso perd&ecirc;-la. Quando corto a minha rela&ccedil;&atilde;o com Aquele que alimenta em mim a vida de Deus, eu auto excluo-me de participar na rela&ccedil;&atilde;o com Deus atrav&eacute;s d&rsquo;Aquele que &eacute; o &uacute;nico Salvador&rdquo;, justificou.<\/p>\n<p><strong>Corpo, alma e esp&iacute;rito<\/strong><\/p>\n<p>O formador, que explicitou ainda a diferen&ccedil;a entre corpo, alma e esp&iacute;rito, rejeitou a ideia de &ldquo;corpo mau e alma boa&rdquo; e lembrou que &ldquo;o homem s&oacute; &eacute; homem porque &eacute; corpo e alma&rdquo;.<\/p>\n<p>O padre M&aacute;rio de Sousa, explicou a prop&oacute;sito que &ldquo;o homem passa para a eternidade como corpo e alma, embora seja um corpo completamente diferente&rdquo;. &ldquo;Este que agora temos est&aacute; feito para esta fase da nossa vida, mas &eacute; preciso que se transforme para entrarmos numa nova dimens&atilde;o onde n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o nem h&aacute; tempo&rdquo;, afirmou, referindo-se ao &ldquo;corpo glorioso caracterizado pelo esp&iacute;rito&rdquo;. &ldquo;A morte &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o do nosso ser que nos permite entrar na dimens&atilde;o de Deus. Porque n&atilde;o temos duas vidas mas apenas uma marcada por diversas etapas, &eacute; necess&aacute;rio que o corpo acompanhe essas etapas e se v&aacute; sempre transformando de acordo com elas&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>O sacerdote classificou ent&atilde;o o momento da morte como o &ldquo;momento da transforma&ccedil;&atilde;o&rdquo; porque &ldquo;nem ela nos pode separar de Cristo&rdquo;. &ldquo;Eu que vivia em Cristo passo a viver com Cristo para sempre&rdquo;, complementou, retomando a ideia j&aacute; anteriormente abordada de que &ldquo;a liberdade do homem&rdquo; &eacute; a &uacute;nica coisa que o pode separar de Deus. &ldquo;Podemos querer-nos separar de Deus e Deus respeita essa nossa op&ccedil;&atilde;o&rdquo;, sublinhou o sacerdote.<\/p>\n<p><strong>Miseric&oacute;rdia de Deus<\/strong><\/p>\n<p>O padre M&aacute;rio de Sousa reconheceu que S&atilde;o Paulo &ldquo;n&atilde;o concebe uma ressurrei&ccedil;&atilde;o para os n&atilde;o crist&atilde;os&rdquo;, no entanto, ressalvou que a Igreja acredita &ldquo;na miseric&oacute;rdia de Deus e noutros meios que Deus tem para salvar o homem&rdquo;.<\/p>\n<p>Nesta mesma linha, o c&oacute;nego Jos&eacute; Pedro Martins, que interveio sobre &ldquo;O Ritual das Ex&eacute;quias&rdquo; e &ldquo;Propostas pastorais para a celebra&ccedil;&atilde;o das ex&eacute;quias&rdquo;, abordou a celebra&ccedil;&atilde;o de ex&eacute;quias de crian&ccedil;as n&atilde;o baptizadas, explicando que estas t&ecirc;m direito &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o mediante a autoriza&ccedil;&atilde;o do ordin&aacute;rio do lugar, ou seja do bispo, vig&aacute;rio geral ou vig&aacute;rio episcopal.<\/p>\n<p>O padre Jos&eacute; &Aacute;guas constatou ainda que &ldquo;hoje a sociedade esconde a morte como se fosse uma vergonha, como se fosse suja&rdquo;. &ldquo;Vemos nela apenas o horror, sofrimento in&uacute;til e penoso, esc&acirc;ndalo insuport&aacute;vel e no entanto &eacute; o momento culminante da nossa vida, o seu coroamento, o que lhe confere sentido e valor&rdquo;, afirmou, advertindo que &ldquo;a morte n&atilde;o &eacute; o fim, n&atilde;o &eacute; o t&eacute;rmino&rdquo;. &ldquo;&Eacute; o momento da passagem para a gl&oacute;ria e para o Pai&rdquo;.<\/p>\n<p>Citando Fran&ccedil;ois Mitterrand, o sacerdote afirmou que &ldquo;talvez nunca a rela&ccedil;&atilde;o com a morte tenha sido t&atilde;o pobre como nestes tempo de avidez espiritual em que os homens, na pressa de existir, parecem sofismar o mist&eacute;rio&rdquo;. &ldquo;Ignoram que deste modo secam uma fonte essencial do gosto de viver&rdquo;, complementou numa refer&ecirc;ncia ao falecido presidente da Fran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m o c&oacute;nego Jos&eacute; Pedro Martins lamentou que a morte seja &ldquo;escondida e esquecida&rdquo; em vez de &ldquo;acompanhada&rdquo; e salientou o dever de se &ldquo;tratar o corpo com rever&ecirc;ncia e honra&rdquo; e &ldquo;n&atilde;o de qualquer maneira&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Pastoral da vida<\/strong><\/p>\n<p>O vig&aacute;rio episcopal para a Pastoral da Diocese do Algarve come&ccedil;ou por sublinhar na sua interven&ccedil;&atilde;o que a pastoral das ex&eacute;quias insere-se na pastoral da vida. &ldquo;Para quem &eacute; crist&atilde;o, e vive nesse dinamismo da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus, a pastoral da vida &eacute; o quadro mais adequado para relacionarmos todos estes aspectos&rdquo;, justificou, considerando que &ldquo;o mist&eacute;rio da morte desafia-nos a aprofundar o sentido da vida&rdquo;. Neste sentido, o sacerdote lembrou que o corpo do falecido &eacute; &ldquo;cad&aacute;ver para o mundo, mas &eacute; corpo ressuscitado para Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>O padre Jos&eacute; Pedro Martins, que explicou ainda que o termo ex&eacute;quias significa &ldquo;acompanhar na ora&ccedil;&atilde;o aquele que seguiu para o Senhor&rdquo;, lembrou que &ldquo;a Igreja sempre previu, porque n&atilde;o se trata de um sacramento, que os fi&eacute;is leigos possam assistir &agrave; ora&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica&rdquo; das ex&eacute;quias. &ldquo;S&oacute; n&atilde;o o fazia porque os textos lit&uacute;rgicos eram todos em latim e era mais complicado pedir a um fiel leigo que pudesse realizar essa fun&ccedil;&atilde;o&rdquo;, justificou.<\/p>\n<p><strong>Crema&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Sobre a crema&ccedil;&atilde;o, o sacerdote explicou que &ldquo;a Igreja pretende que se conserve o costume tradicional de sepultar os corpos dos crist&atilde;os porque, este gesto, se identifica melhor com a sepultura de Cristo&rdquo;. &ldquo;Os fi&eacute;is t&ecirc;m contudo a liberdade de preferir a crema&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio corpo, sem que esta escolha impe&ccedil;a a celebra&ccedil;&atilde;o dos ritos&rdquo;, disse, desde que essa escolha n&atilde;o seja motivada por alguma quest&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; f&eacute; como acontece com as motiva&ccedil;&otilde;es que levam a querer que os restos mortais sejam jogados fora. &ldquo;&Eacute; um ind&iacute;cio de que a pessoa n&atilde;o homenageia o seu corpo que, muito embora cinza, foi batizado e templo do Senhor&rdquo;, frisou, explicando que &ldquo;s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel fazer rito antes ou ap&oacute;s a crema&ccedil;&atilde;o de fi&eacute;is, cujas cinzas ficam religiosamente guardadas no cemit&eacute;rio ou em casa&rdquo;.<\/p>\n<p>A forma&ccedil;&atilde;o agora terminada surge na sequ&ecirc;ncia do decreto assinado recentemente pelo Bispo do Algarve que regulamenta as celebra&ccedil;&otilde;es das ex&eacute;quias f&uacute;nebres orientadas por um leigo.<\/p>\n<p>Os candidatos propostos pelos p&aacute;rocos para ministros das ex&eacute;quias ser&atilde;o agora avaliados pelos pr&oacute;prios priores, pelo Departamento de Liturgia da Diocese do Algarve e pelo Bispo diocesano. Alguns deles poder&atilde;o eventualmente n&atilde;o chegar a ser mandatados para exercer a miss&atilde;o, confirmou &agrave; &ldquo;Folha do Domingo&rdquo; o padre Carlos de Aquino.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Samuel Mendon&ccedil;a<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Diocese do Algarve promoveu no passado s&aacute;bado a segunda parte da forma&ccedil;&atilde;o para leigos (entenda-se n&atilde;o cl&eacute;rigos), propostos pelas par&oacute;quias algarvias para presidirem &agrave;s celebra&ccedil;&otilde;es f&uacute;nebres, na aus&ecirc;ncia de um ministro ordenado (bispo, padre ou di&aacute;cono). 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