{"id":438989,"date":"2026-08-20T08:00:13","date_gmt":"2026-08-20T07:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=438989"},"modified":"2026-08-19T12:55:46","modified_gmt":"2026-08-19T11:55:46","slug":"um-cristianismo-festeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-cristianismo-festeiro\/","title":{"rendered":"Um Cristianismo Festeiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Victor Pereira, Diocese de Vila Real<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem passe pelas igrejas em muitas partes do nosso pa\u00eds, durante estes meses de ver\u00e3o e, sobretudo, durante o m\u00eas de agosto, e se depare com os programas festivos e com o frenesim que toma conta de muitas par\u00f3quias, o n\u00famero de sacramentos que se celebram, chegar\u00e1 facilmente \u00e0 conclus\u00e3o de que as comunidades crist\u00e3s t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria de crist\u00e3os, a viv\u00eancia crist\u00e3 est\u00e1 bem e recomenda-se, o compromisso crist\u00e3o na Igreja \u00e9 grande. Bem poder\u00e1 ser fogo de vista. As Igrejas, e desculpem o exagero, tornam-se o sal\u00e3o de festas dos muitos crist\u00e3os que nem um minuto por l\u00e1 passam durante o ano.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 uma certa cultura errada instalada nas nossas comunidades crist\u00e3s, que tem de ser seriamente refletida: a celebra\u00e7\u00e3o de festas e sacramentos sem a viv\u00eancia do Domingo, dia central para os crist\u00e3os, e sem a participa\u00e7\u00e3o na vida da comunidade de que se faz parte. \u00c9 habitual, mais do que seria expect\u00e1vel, encontrarmos muitas fam\u00edlias que se apresentam na igreja com filhos para batizar ou para fazer as comunh\u00f5es, que andam completamente alheadas da vida paroquial e t\u00eam uma liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja muito pobre, para n\u00e3o dizer nula. Cada vez se acentua mais esta viv\u00eancia errada da f\u00e9 crist\u00e3. Reduzir o cristianismo s\u00f3 a meia d\u00fazia de festas, para se quebrar rotinas e se poder celebrar qualquer coisa com a fam\u00edlia e os amigos e fazer bonitos \u00e1lbuns de fotografias, \u00e9 uma desfigura\u00e7\u00e3o inaceit\u00e1vel da f\u00e9 crist\u00e3 e um reducionismo religioso inconceb\u00edvel. O Cristianismo tem as suas festas, mas \u00e9 muito mais do que festas, \u00e9 seguimento de Jesus Cristo, \u00e9 viver como disc\u00edpulo, \u00e9 comunidade e caminhada de f\u00e9 com os outros, \u00e9 compromisso com o Reino de Deus, \u00e9 testemunho audaz e coerente do Evangelho, \u00e9 ora\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o com Deus, na Igreja e com a Igreja. Esquecer isto ou n\u00e3o estar disposto a viv\u00ea-lo, querendo-se s\u00f3 a Igreja para festas, \u00e9 viver uma mentira diante de Deus, instrumentalizar e desvirtuar a religi\u00e3o e viver um cristianismo superficial e adulterado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O mesmo se diga para os festeiros e romeiros das romarias de ver\u00e3o, que n\u00e3o aparecem numa missa durante o ano e que pouco ou nada se importam com a vida da comunidade que assumiram e com a qual se comprometeram, ou para os jovens casais, que v\u00eam celebrar o casamento na Igreja e s\u00f3 se voltam a ver nos dias dos batizados dos filhos, ou at\u00e9 para as fam\u00edlias que pedem missas pelos defuntos durante a semana e raramente participam na Eucaristia do Domingo, centro da comunidade crist\u00e3. Ali\u00e1s, vivemos atualmente uma contradi\u00e7\u00e3o gritante na Igreja, que deve fazer p\u00f4r os cabelos em p\u00e9 a Jesus Cristo, salvo seja: pedir-se um sacramento ou participar numa festa n\u00e3o para progredir na f\u00e9 e aprofundar a rela\u00e7\u00e3o com Deus e com a Igreja, porque \u00e9 para isso que se celebra um sacramento, mas para se continuar indiferente a Deus e se abandonar a Igreja. Ro\u00e7a o escandaloso e \u00e9 um testemunho inaceit\u00e1vel e indigno de quem se diz crist\u00e3o. Sem as festas e sacramentos, muitos nunca mais apareceriam numa Igreja. A f\u00e9 em vez de ser vista como um tesouro e um dom que d\u00e1 sentido, grandeza e plenitude \u00e0 vida, ao inv\u00e9s, \u00e9 entendida, e s\u00f3 pode ser por m\u00e1 ou falta de forma\u00e7\u00e3o, como uma obriga\u00e7\u00e3o ou um estorvo, de que devemos prescindir e de que nos devemos libertar, porque pouco ou nada importa na vida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Temos de repensar seriamente estes comportamentos e estas pr\u00e1ticas, que n\u00e3o s\u00e3o corretas e n\u00e3o ficam nada bem a quem se diz crente crist\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 qualquer argumenta\u00e7\u00e3o que as sustente. Temos de rever as nossas pr\u00e1ticas pastorais, apontar novos caminhos e rever o sentido e o significado de alguma tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que n\u00e3o cria ades\u00e3o a Deus e n\u00e3o gera comunidade, presen\u00e7a e interven\u00e7\u00e3o crist\u00e3. A Igreja est\u00e1 de portas abertas e alegra-se pelo facto de as fam\u00edlias quererem batizar e crismar os seus filhos e de desejarem introduzi-los na comunh\u00e3o com Deus e com a Igreja, exulta com os muitos casais que pedem o casamento cat\u00f3lico, mas ficarmo-nos s\u00f3 por a\u00ed, sem se assumir a s\u00e9rio a viv\u00eancia da f\u00e9 e um verdadeiro compromisso com Deus e com a Igreja, \u00e9 patrocinar uma insan\u00e1vel falsifica\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3. Continuarmos no cristianismo das festarolas \u00e9 nutrir uma certa viv\u00eancia da f\u00e9 oca e vazia, de fachada, aparatosa, mas est\u00e9ril e sem alma, que Jesus condenou nos judeus do seu tempo, e que jamais aceitar\u00e1 aos seus disc\u00edpulos e \u00e0 sua Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Victor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[183],"class_list":["post-438989","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-vila-real"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=438989"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438989\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":438990,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438989\/revisions\/438990"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=438989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=438989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=438989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}