{"id":43884,"date":"2010-03-03T15:15:01","date_gmt":"2010-03-03T15:15:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/03\/jacinta-marto-uma-vida-com-profundidade\/"},"modified":"2010-03-03T15:15:01","modified_gmt":"2010-03-03T15:15:01","slug":"jacinta-marto-uma-vida-com-profundidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jacinta-marto-uma-vida-com-profundidade\/","title":{"rendered":"Jacinta Marto: uma vida com profundidade"},"content":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 \u00c2ngela de F\u00e1tima Coelho, Vice-Postuladora da Causa de Canoniza\u00e7\u00e3o do Francisco e da Jacinta Marto  <!--more--> <\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>O te&oacute;logo Hans Urs von Balthasar afirmou que &ldquo;h&aacute; santos feitos pela Igreja e que Deus acolhe, mas tamb&eacute;m h&aacute; santos feitos por Deus e impostos &agrave; sua Igreja&rdquo;.&nbsp; Por outras palavras, h&aacute; santos cuja canoniza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma verdadeira interpela&ccedil;&atilde;o de Deus &agrave; Igreja e &agrave; sociedade de cada tempo. Mais do que uma iniciativa da Igreja, a santidade de alguns crist&atilde;os &eacute; sobretudo um desafio que a pr&oacute;pria Igreja acolhe, sentindo-se tamb&eacute;m ela questionada e estimulada na sua procura de santidade.<\/p>\n<p>Talvez possamos incluir o processo de reconhecimento da santidade dos Pastorinhos de F&aacute;tima neste segundo modelo. De facto, apesar de o Conc&iacute;lio Vaticano II ter chamado a aten&ccedil;&atilde;o para a voca&ccedil;&atilde;o universal &agrave; santidade, at&eacute; 1981 n&atilde;o era poss&iacute;vel a canoniza&ccedil;&atilde;o de jovens n&atilde;o m&aacute;rtires com menos de 16 anos. Foi devido &agrave; santidade do Francisco e da Jacinta que Jo&atilde;o Paulo II se sentiu na necessidade de mudar esta disciplina eclesi&aacute;stica.<\/p>\n<p>Trata-se, portanto, de figuras que merecem toda a nossa aten&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que s&atilde;o modelos de vida crist&atilde; e &ldquo;exemplo de vida evang&eacute;lica&rdquo; (1), com uma actualidade reconhecida e uma for&ccedil;a expressiva impressionante.<\/p>\n<p>Neste sentido &eacute; perfeitamente oportuna a celebra&ccedil;&atilde;o do centen&aacute;rio do nascimento de Jacinta Marto, j&aacute; que &eacute; uma boa ocasi&atilde;o para reflectir sobre a vida e a personalidade desta menina, a quem Nossa Senhora apareceu em 1917. Compreender a personalidade da pequena Jacinta &eacute; um bom ponto de partida para nos deixarmos questionar pela sua santidade.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos esquecer que caracterizar ou descrever a personalidade duma pessoa &eacute; sempre uma tarefa muito dif&iacute;cil. A personalidade da pequena Jacinta &eacute; tamb&eacute;m complexa e abrangente, mesmo se a comparamos com a do seu irm&atilde;o Francisco. Um exemplo da riqueza multifacetada da sua pessoa &eacute; vis&iacute;vel durante a sua estadia na pris&atilde;o, quando L&uacute;cia lhe pede para escolher uma inten&ccedil;&atilde;o pela qual oferecer os sacrif&iacute;cios: pelos pecadores, ou pelo Santo Padre, ou em repara&ccedil;&atilde;o ao Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria. A Jacinta responde: &ldquo;eu ofere&ccedil;o por todas, porque gosto muito de todas&rdquo; (2). Transparece aqui n&atilde;o s&oacute; a sua vontade de incluir nas suas preocupa&ccedil;&otilde;es tudo aquilo que reconhece como importante, mas tamb&eacute;m de se entregar com todo o cora&ccedil;&atilde;o a tudo aquilo que estiver ao seu alcance.<\/p>\n<p>Tentando encontrar uma imagem que exprima os tra&ccedil;os pr&oacute;prios da Jacinta surge-nos o cora&ccedil;&atilde;o, porque toda ela &eacute; marcada por uma paix&atilde;o que conduz as suas escolhas e a sua forma de viver. Certamente que falamos do cora&ccedil;&atilde;o em sentido b&iacute;blico, que &ldquo;significa o centro da exist&ecirc;ncia humana, uma conflu&ecirc;ncia da raz&atilde;o, vontade, temperamento e sensibilidade, onde a pessoa encontra a sua unidade e orienta&ccedil;&atilde;o interior&rdquo; (3). O cora&ccedil;&atilde;o fala-nos de uma forma profunda de ver a vida e de pensar os acontecimentos.<\/p>\n<p>Na Jacinta encontramos uma caracter&iacute;stica pouco comum em crian&ccedil;as da sua idade e muitas vezes ausente na sociedade actual. Falamos da sua tend&ecirc;ncia para interiorizar as experi&ecirc;ncias que vivia, para meditar no significado dos acontecimentos, para encontrar raz&otilde;es para o seu agir. Nesta crian&ccedil;a &eacute; marcante uma grande interioridade e profundidade. Esta sua atitude pode ser percebida em diversos momentos da sua vida. Um dia, quando a L&uacute;cia lhe perguntou porque n&atilde;o queria brincar, a Jacinta respondeu: &ldquo;Porque estou a pensar&rdquo; (4). Noutra ocasi&atilde;o, em resposta a uma interroga&ccedil;&atilde;o de sua m&atilde;e, surpreendida pela sua atitude reflexiva, sobre o que a ocupava tanto tempo, apenas respondeu: &ldquo;Gosto muito de pensar&rdquo; (5).<\/p>\n<p>Neste aspecto a pequena Jacinta faz-nos recordar a atitude de Maria que o Evangelho de Lucas nos transmite, ao dizer que ela &ldquo;conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu cora&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Lc 2,19). Trata-se de captar em profundidade os acontecimentos, descobrindo-lhes o sentido profundo e procurando ver neles a possibilidade de esperan&ccedil;a. Por outro lado, tamb&eacute;m deixa que os acontecimentos a toquem em profundidade, aceitando transformar-se por eles, envolvendo o seu cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esta &eacute; uma atitude que contrasta com a cultura actual marcada pela superficialidade e pela busca de uma felicidade epid&eacute;rmica. As pessoas t&ecirc;m dificuldade em pensar sobre o que &eacute; verdadeiramente fundamental e decisivo na vida, refugiando-se habitualmente nas quest&otilde;es perif&eacute;ricas da exist&ecirc;ncia humana.<\/p>\n<p>A Jacinta v&ecirc; para al&eacute;m da superf&iacute;cie e do momento, v&ecirc; em profundidade e ao longe, afasta-se da superficialidade e n&atilde;o vive meramente no imediato. Tamb&eacute;m nisto, esta crian&ccedil;a &eacute; modelo para os crentes de todas as idades.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Irm&atilde; &Acirc;ngela de F&aacute;tima Coelho<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Vice-Postuladora da Causa de Canoniza&ccedil;&atilde;o do Francisco e da Jacinta Marto<\/em><\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 &#8211; Jo&atilde;o Paulo II, Alocu&ccedil;&atilde;o da Audi&ecirc;ncia geral de 17.05.2000<\/p>\n<p>&nbsp;2 -Mem&oacute;rias, 53<\/p>\n<p>3 &#8211; J. Ratzinger, Coment&aacute;rio teol&oacute;gico &agrave; terceira parte do segredo, in: Memorias, 227<\/p>\n<p>4 &#8211; Memorias, 45<\/p>\n<p>5 &#8211; Memorias, 61<em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 \u00c2ngela de F\u00e1tima Coelho, Vice-Postuladora da Causa de Canoniza\u00e7\u00e3o do Francisco e da Jacinta Marto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[207],"class_list":["post-43884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43884"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43884\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}