{"id":43883,"date":"2010-03-03T15:09:33","date_gmt":"2010-03-03T15:09:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/03\/03\/a-reparacao-ou-a-mistica-do-amor-na-beata-jacinta\/"},"modified":"2010-03-03T15:09:33","modified_gmt":"2010-03-03T15:09:33","slug":"a-reparacao-ou-a-mistica-do-amor-na-beata-jacinta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-reparacao-ou-a-mistica-do-amor-na-beata-jacinta\/","title":{"rendered":"A Repara\u00e7\u00e3o ou a m\u00edstica do amor na beata Jacinta"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Jacinto Ferreira de Farias, scj <!--more--> <\/p>\n<p>Neste breve apontamento gostaria apenas de relevar tr&ecirc;s aspectos que se me afiguram importantes e mesmo essenciais quer na espiritualidade dos Pastorinhos, e aqui importa considerar sobretudo a Jacinta, quer na espiritualidade crist&atilde;, que encontra em F&aacute;tima um momento importante de interpela&ccedil;&atilde;o sempre actual, e que importa tomar muito a s&eacute;rio neste ano centen&aacute;rio do nascimento da pequenina pastora.<\/p>\n<p><strong>1. O tema da <em>repara&ccedil;&atilde;o<\/em> na mensagem de F&aacute;tima<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Irm&atilde; L&uacute;cia, a <em>repara&ccedil;&atilde;o<\/em> &eacute; o termo que diz o essencial da espiritualidade de F&aacute;tima e da m&iacute;stica dos pastorinhos, onde se escuta, quase em surdina, aquela exclama&ccedil;&atilde;o de S. Francisco &ndash; <em>o Amor n&atilde;o &eacute; amado<\/em> -, ou a outra, mais recente, transmitida por Sta. Margarida Maria Alacoque: <em>Eis o Cora&ccedil;&atilde;o que tanto amou os homens e que n&atilde;o &eacute; correspondido&hellip;<\/em><\/p>\n<p>Nas suas <em>Mem&oacute;rias<\/em> a Irm&atilde; L&uacute;cia testemunha como os pastorinhos interiorizaram a espiritualidade da repara&ccedil;&atilde;o: <em>Consolai o vosso Deus &ndash;<\/em> pedia-lhes o Anjo!&#8230; Aqui est&aacute; uma caracter&iacute;stica essencial da teologia da repara&ccedil;&atilde;o, e ao mesmo tempo o seu aspecto paradoxal: pois ser&aacute; que Deus tem necessidade da nossa consola&ccedil;&atilde;o? O testemunho dos Pastorinhos e da grande tradi&ccedil;&atilde;o da teologia m&iacute;stica dizem-nos que sim!<\/p>\n<p><strong>2. A<\/strong><strong> m&iacute;stica do amor e da comunh&atilde;o dos santos na Jacinta<\/strong><\/p>\n<p>A espiritualidade da Jacinta &eacute; movida pelo amor: para com os pecadores, para que tenham tempo para se arrependerem e assim n&atilde;o se percam; pela Igreja e sobretudo pelo Papa.<\/p>\n<p>&Eacute; muito interessante verificar que a figura do Santo Padre, dos seus sofrimentos e das persegui&ccedil;&otilde;es de que seria v&iacute;tima, se encontra vivamente presente na m&iacute;stica e na espiritualidade de Jacinta. Naquela menina t&atilde;o fr&aacute;gil ardia um grande cora&ccedil;&atilde;o que pulsava cheio de amor. A m&iacute;stica do amor, pelos pecadores, pela Igreja, pelo Santo Padre, &eacute; a caracter&iacute;stica da Jacinta, o que &eacute; tanto mais impressionante quanto se trata de uma simples e inocente crian&ccedil;a de sete anos. O que nos deve verdadeiramente fazer pensar, nesta &eacute;poca em que corre o risco de se infantilizar as crian&ccedil;as ou de as considerar um inc&oacute;modo. Tamb&eacute;m deste ponto de vista as celebra&ccedil;&otilde;es do centen&aacute;rio do nascimento da Jacinta deviam ser um apelo e um recordar ao homem de hoje que a salva&ccedil;&atilde;o vem pelas crian&ccedil;as, que devem ser acolhidas e aceites, pois que delas &eacute; o reino dos c&eacute;us! Ora isto aconteceu em F&aacute;tima: na sua fragilidade, elas aceitaram o convite a colaborarem com Deus, a <em>consolarem-n&#8217;O<\/em>, na ora&ccedil;&atilde;o e no sacrif&iacute;cio&hellip;<\/p>\n<p>Mesmo sem o saberem, os Pastorinhos, e muito intensamente a Jacinta, viveram o mist&eacute;rio da Igreja como corpo m&iacute;stico de Cristo, e assim a viv&ecirc;ncia da santidade significa a solidariedade espiritual com todos os membros, n&atilde;o s&oacute; com aqueles que se encontram na plena comunh&atilde;o dos santos, mas tamb&eacute;m com os outros, pelos quais a ora&ccedil;&atilde;o e o sacrif&iacute;cio podem proporcionar a possibilidade da convers&atilde;o e da mudan&ccedil;a das mentalidades e dos costumes. Foi isto que, na sua inoc&ecirc;ncia infantil, mas com a fortaleza dos santos, viveu a pequenina Jacinta.<\/p>\n<p>Desde o primeiro momento, nas apari&ccedil;&otilde;es ang&eacute;licas, as tr&ecirc;s crian&ccedil;as foram convidadas a&nbsp; <em>consolar <\/em>Deus, a <em>reparar<\/em>, com a sua ora&ccedil;&atilde;o e o seu sacrif&iacute;cio, os pecados, que ofendiam Deus e O tornavam t&atilde;o triste. O anjo ensinou-lhes duas belas ora&ccedil;&otilde;es que em Portugal ainda hoje continuam a ser rezadas nas Igrejas em momentos importantes de adora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica: &laquo;Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Pe&ccedil;o-vos perd&atilde;o pelos que n&atilde;o cr&ecirc;em, n&atilde;o adoram, n&atilde;o esperam e n&atilde;o vos amam!&#8230;&raquo; (1). E a outra, onde a adora&ccedil;&atilde;o da Sant&iacute;ssima Trindade &eacute; feita em atitude de <em>repara&ccedil;&atilde;o<\/em>: &ldquo;Sant&iacute;ssima Trindade, Pai, Filho, Esp&iacute;rito Santo, (<em>adoro-Vos profundamente e<\/em>) ofere&ccedil;o-Vos o precios&iacute;ssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacr&aacute;rios da terra, em <em>repara&ccedil;&atilde;o<\/em> dos ultrajes, sacril&eacute;gios e indiferen&ccedil;as com que Ele mesmo &eacute; ofendido. E pelos m&eacute;ritos infinitos do Seu Sant&iacute;ssimo Cora&ccedil;&atilde;o e do Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria, pe&ccedil;o-vos a convers&atilde;o dos pobres pecadores&raquo; (2).<\/p>\n<p><strong>3. A<\/strong><strong> escatologia interm&eacute;dia<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o testemunho de L&uacute;cia nas suas Mem&oacute;rias, o Francisco e a Jacinta sentiram-se muito tocados pelo tremendo espect&aacute;culo das multid&otilde;es que se perdem, caindo no abismo do inferno. A vis&atilde;o do inferno impressionou profundamente a Jacinta, pelo horror da irremedi&aacute;vel perdi&ccedil;&atilde;o de tantas almas, que como fa&uacute;lhas ca&iacute;am no mar imenso da perdi&ccedil;&atilde;o eterna.<\/p>\n<p>A partir daquele momento, a sua vida modificou-se totalmente, e tudo o que fazia (ora&ccedil;&atilde;o, sacrif&iacute;cios, mortifica&ccedil;&otilde;es) era por amor dos pobres pecadores para que se n&atilde;o perdessem, e em repara&ccedil;&atilde;o das ofensas contra os Cora&ccedil;&otilde;es de Jesus e de Maria.<\/p>\n<p>Na &lsquo;escola de Maria&rsquo; os Pastorinhos aprenderam o que significa ser membro do corpo m&iacute;stico de Cristo, verdade que corremos o risco de esquecer e de perder. Os Pastorinhos tomaram esta verdade muito a s&eacute;rio e viveram-na intensamente, mesmo sem nada saberem de teologia. De facto as grandes verdades da f&eacute; s&atilde;o primeiro vividas e celebradas e depois pensadas. E neste ponto de vista, a mensagem de F&aacute;tima, especialmente vivida e sentida pela Jacinta, &eacute; de uma enorme import&acirc;ncia para hoje. O sofrimento da Jacinta por causa do destino das <em>almas<\/em> recorda-nos o tema fundamental da <em>escatologia interm&eacute;dia. <\/em>A leitura das Mem&oacute;rias da Irm&atilde; L&uacute;cia, e muito concretamente da primeira dedicada especialmente &agrave; Jacinta, ser&aacute; para todos de enorme utilidade sobre estes temas essenciais da espiritualidade crist&atilde;.<\/p>\n<p><strong>4. Duas notas que s&atilde;o tamb&eacute;m sugest&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>O centen&aacute;rio do nascimento da Jacinta deve ser uma oportunidade para avivar entre n&oacute;s o sentido da Igreja como corpo m&iacute;stico de Cristo e os grandes temas da escatologia, especialmente da escatologia interm&eacute;dia, cujo esquecimento ou n&atilde;o considera&ccedil;&atilde;o p&otilde;e em causa o sentido e a compreens&atilde;o do presente.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, seja uma ocasi&atilde;o para incentivar nas comunidades a pr&aacute;tica da <em>adora&ccedil;&atilde;o reparadora<\/em>. A adora&ccedil;&atilde;o reparadora e a contempla&ccedil;&atilde;o das realidades &uacute;ltimas n&atilde;o alienam o homem do mundo; pelo contr&aacute;rio, oferecem-lhe a possibilidade de ver toda a realidade partir do sentir de Deus. Bem-aventurado o homem que acolhe esta mensagem. Bem-aventurada a na&ccedil;&atilde;o que tiver entre si focos de adora&ccedil;&atilde;o e de repara&ccedil;&atilde;o, pois s&atilde;o esses focos de sil&ecirc;ncio e de recolhimento que misteriosamente sustentam o mundo.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jos&eacute; Jacinto Ferreira de Farias, scj<\/em><\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 &#8211; IRM&Atilde; L&Uacute;CIA, <em>Mem&oacute;rias<\/em> II (F&aacute;tima: Secretariado dos Pastorinhos 2004<sup>9<\/sup>) 77-78<\/p>\n<p>2 &#8211; <em>Mem&oacute;rias<\/em> II, 79<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Jacinto Ferreira de Farias, scj<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[199,314],"class_list":["post-43883","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-espiritualidade","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43883"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43883\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}