{"id":4386,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mensagem-de-joao-paulo-ii-para-a-quaresma-de-2004\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mensagem-de-joao-paulo-ii-para-a-quaresma-de-2004","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-joao-paulo-ii-para-a-quaresma-de-2004\/","title":{"rendered":"Mensagem de Jo\u00e3o Paulo II para a Quaresma de 2004"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Jo\u00e3o Paulo II para a Quaresma de 2004  Car\u00edssimos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s!  1. Com o sugestivo rito da imposi\u00e7\u00e3o das Cinzas tem in\u00edcio o tempo sagrado da Quaresma, durante o qual a liturgia renova aos crentes o apelo a uma convers\u00e3o radical, confiando na miseric\u00f3rdia divina.  O tema deste ano &#8211; \u00abQuem acolher em meu nome uma crian\u00e7a como esta, acolhe-Me a Mim\u00bb (Mt 18, 5) &#8211; oferece a oportunidade de reflectir sobre a condi\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as; crian\u00e7as que Jesus continua hoje a chamar a Si e a indicar como exemplo para aqueles que desejam tornar-se seus disc\u00edpulos. As palavras de Jesus constituem uma exorta\u00e7\u00e3o a examinar como s\u00e3o tratadas as crian\u00e7as nas nossas fam\u00edlias, na sociedade civil e na Igreja; e s\u00e3o tamb\u00e9m um est\u00edmulo a apreciar aquela simplicidade e confian\u00e7a que o crente deve cultivar, imitando o Filho de Deus que compartilhou a sorte dos pequeninos e dos pobres. A este prop\u00f3sito, Santa Clara de Assis gostava de dizer que Ele, nascido, foi \u00abreclinado numa manjedoura, viveu pobre sobre a terra e ficou despido na cruz\u00bb (Testamento, Fontes Franciscanas, n. 2841).  Jesus amou as crian\u00e7as como suas predilectas pela sua \u00absimplicidade e alegria de viver, a sua espontaneidade e a sua f\u00e9 cheia de assombro\u00bb (Angelus de 18.12.1994). Por isso, quer que a comunidade as acolha, com os bra\u00e7os e o cora\u00e7\u00e3o abertos, como se fosse a Ele mesmo: \u00abQuem acolher em meu nome uma crian\u00e7a como esta, acolhe-Me a Mim\u00bb (Mt 18, 5). E a par das crian\u00e7as, Jesus coloca os \u00abirm\u00e3os mais pequeninos\u00bb, ou seja, os pobres, os necessitados, os famintos e sedentos, os forasteiros, os nus, os doentes e os presos. A atitude que se tomar para com eles &#8211; acolh\u00ea-los e am\u00e1-los ou, ao inv\u00e9s, ignor\u00e1-los e rejeit\u00e1-los &#8211; \u00e9 a mesma que se tem com Jesus, o Qual neles se torna particularmente presente.  2. O Evangelho narra a inf\u00e2ncia de Jesus na casa pobre de Nazar\u00e9 onde, submisso a seus pais, \u00abcrescia em sabedoria, em estatura e em gra\u00e7a, diante de Deus e dos homens\u00bb (Lc 2, 52). Quis fazer-Se crian\u00e7a para compartilhar a experi\u00eancia humana. \u00abAniquilou-Se a Si pr\u00f3prio; &#8211; escreve o Ap\u00f3stolo Paulo &#8211; assumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz\u00bb (Fl 2, 7-8). Quando, aos doze anos, ficou no templo de Jerusal\u00e9m, disse aos pais que, angustiados, O procuravam: \u00abPorque raz\u00e3o Me procur\u00e1veis? N\u00e3o sab\u00edeis que Eu tenho de estar na Casa de meu Pai?\u00bb (Lc 2, 49). Na verdade, toda a sua exist\u00eancia foi caracterizada por uma confiante e filial submiss\u00e3o ao Pai celeste: \u00abO meu alimento &#8211; dizia Ele &#8211; consiste em fazer a vontade d&#8217;Aquele que Me enviou e em dar cumprimento \u00e0 sua obra\u00bb (Jo 4, 34).  Nos anos da sua vida p\u00fablica, v\u00e1rias vezes afirmou que s\u00f3 entraria no Reino dos C\u00e9us quem conseguisse tornar-se como as crian\u00e7as (cf. Mt 18, 3; Mc 10, 15; Lc 18, 17; Jo 3, 3). Nas suas palavras, a crian\u00e7a aparece como imagem eloquente do disc\u00edpulo que \u00e9 chamado a seguir o divino Mestre com a docilidade de um menino: \u00abQuem for humilde como esta crian\u00e7a, esse ser\u00e1 o maior no Reino dos C\u00e9us\u00bb (Mt 18, 4).  \u00abTornar-se\u00bb pequenino e \u00abacolher\u00bb os pequeninos: s\u00e3o dois aspectos dum \u00fanico ensinamento que o Senhor hoje reprop\u00f5e aos seus disc\u00edpulos. Somente quem se fizer \u00abcrian\u00e7a\u00bb \u00e9 que ser\u00e1 capaz de acolher com amor os irm\u00e3os mais \u00abpequeninos\u00bb.  3. Muitos s\u00e3o os crentes que procuram seguir fielmente estes ensinamentos do Senhor. Gostava de recordar aqui os pais que n\u00e3o hesitam em tomar a seu cuidado uma fam\u00edlia numerosa, as m\u00e3es e os pais que, no cimo das suas prioridades, colocam, n\u00e3o a busca do sucesso profissional e da carreira, mas a preocupa\u00e7\u00e3o por transmitir aos filhos aqueles valores humanos e religiosos que verdadeiramente d\u00e3o sentido \u00e0 exist\u00eancia.   Penso com reconhecida admira\u00e7\u00e3o em quantos cuidam da forma\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia em dificuldade e aliviam os sofrimentos das crian\u00e7as e dos seus familiares, causados pelos conflitos e a viol\u00eancia, pela falta de alimento e de \u00e1gua, pela emigra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e por tantas formas de injusti\u00e7a existentes no mundo.  Contudo, a par de tanta generosidade, deve-se registar tamb\u00e9m o ego\u00edsmo daqueles que n\u00e3o \u00abacolhem\u00bb as crian\u00e7as. Existem menores profundamente feridos pela viol\u00eancia dos adultos: abusos sexuais, aviamento \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, envolvimento na venda e no uso da droga; crian\u00e7as obrigadas a trabalhar ou alistadas para combater; inocentes marcados para sempre pela desagrega\u00e7\u00e3o familiar; pequenos sumidos no ign\u00f3bil tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os e pessoas. E que dizer da trag\u00e9dia da SIDA com consequ\u00eancias devastadoras na \u00c1frica? Fala-se j\u00e1 de milh\u00f5es de pessoas atingidas por este flagelo, e muit\u00edssimas delas contagiadas desde o nascimento. A humanidade n\u00e3o pode fechar os olhos perante um drama t\u00e3o preocupante!  4. Que mal fizeram estas crian\u00e7as para merecer tanto sofrimento? Dum ponto de vista humano, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, antes talvez seja imposs\u00edvel, encontrar resposta para esta pergunta inquietante. S\u00f3 a f\u00e9 nos ajuda a penetrar num abismo t\u00e3o profundo de sofrimento. Jesus, \u00abobedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz\u00bb (Fl 2, 8), assumiu sobre Ele o sofrimento humano, iluminando-o com a luz esplendorosa da ressurrei\u00e7\u00e3o. Com a sua morte, venceu para sempre a morte.  Durante a Quaresma, preparamo-nos para reviver o Mist\u00e9rio Pascal, que ilumina com a esperan\u00e7a a nossa exist\u00eancia inteira, incluindo os seus aspectos mais complexos e dolorosos. A Semana Santa voltar\u00e1 a propor-nos, atrav\u00e9s dos ritos sugestivos do Tr\u00edduo Pascal, este mist\u00e9rio de salva\u00e7\u00e3o.   Amados Irm\u00e3os e Irm\u00e3s, encetemos confiadamente o itiner\u00e1rio quaresmal, animados por uma mais intensa ora\u00e7\u00e3o, penit\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o aos necessitados. Que a Quaresma seja, de modo particular, uma ocasi\u00e3o \u00fatil para dedicar maior cuidado \u00e0s crian\u00e7as, no seu pr\u00f3prio ambiente familiar e social: elas s\u00e3o o futuro da humanidade.  5. Com a simplicidade t\u00edpica das crian\u00e7as, voltamo-nos para Deus, chamando-Lhe &#8211; como Jesus nos ensinou &#8211; \u00abAbba\u00bb, Pai, na ora\u00e7\u00e3o do \u00abPai nosso\u00bb.  O Pai nosso! Repitamos frequentemente esta ora\u00e7\u00e3o durante a Quaresma, repitamo-la com \u00edntimo enlevo. Chamando a Deus \u00abPai nosso\u00bb, tomaremos consci\u00eancia de ser seus filhos e sentir-nos-emos irm\u00e3os entre n\u00f3s. Deste modo, ser-nos-\u00e1 mais f\u00e1cil abrir o cora\u00e7\u00e3o aos pequeninos, de acordo com o convite de Jesus: \u00abQuem acolher em meu nome uma crian\u00e7a como esta, acolhe-Me a Mim\u00bb (Mt 18, 5).  Com estes votos, sobre cada um invoco a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus, por intercess\u00e3o de Maria, M\u00e3e do Verbo de Deus feito homem e M\u00e3e da humanidade inteira.  Vaticano, 8 de Dezembro de 2003.  JOANNES PAULUS PP. II<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Jo\u00e3o Paulo II para a Quaresma de 2004 Car\u00edssimos Irm\u00e3os e Irm\u00e3s! 1. Com o sugestivo rito da imposi\u00e7\u00e3o das Cinzas tem in\u00edcio o tempo sagrado da Quaresma, durante o qual a liturgia renova aos crentes o apelo a uma convers\u00e3o radical, confiando na miseric\u00f3rdia divina. 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